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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Há que ser absolutamente fã de uma língua assim
A minha amiga Sónia escreveu "(c)omecei o ano a "vender o pito". E eu sei que ela não se dedicou à mais antiga profissão do mundo.
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
C is for Cookie Cucumber*
Oh nooooooooooooooo! Ao fim de 43 anos, o Monstro das Bolachas perde as ditas. Este mundo está perdido...
Na verdade, não é de hoje a adopção, pelo MB, de uma alimentação saudável, em prol das suas artérias (e quiçá motivado por um contrato mais chorudo com alguns lobbies agrícolas). Não percebo é por que é que hoje foi uma das notícias do jornal da tarde da SIC. Por outro lado, os anúncios da Depuralina andam ao rubro. Está decretado o começo oficial da silly season!
*No original "C is for Cookie (That's good enough for me! Oh Cookie, cookie, cookie starts with C!)". Versão pepino aqui.
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sábado, 30 de junho de 2012
Em primeiríssima mão: Tomás das Cruzes e Cátia Vanessa Carvalho Azinheira*
Estão a divorciar-se, o Cruise e a Holmes.
Não, I did not see it coming, como tantos arautos da desgraça hão-de proclamar. Achei estranho o gajo aos pinchos em cima do sofá da Oprah, mas a paixão dá doideira mesmo, e se não há doideira e/ou pincho mais ou menos literal, não há paixão. Também aquelas coisas da cientologia me dão alguma coceira, mas cada um é p'ró que nasce e gente há que acredita no Creacionismo e eu não desato ao insulto. Cada um sabe da sua fé e onde acende as suas velinhas (ou não) (se alguém resolver ultrajar a Nossa Senhora de Fátima e a Nossa Senhora de La-Sallete também tem de ser ver comigo e eu sou moça que vale por dois).
E prontos, you heard it here.
Talvez haja salvação para o blog. Estarei branching-out, talvez. Qualquer dia venho falar de carteiras caras. Sapatos bem que podia, sou da terra da Helsar e do Luís Onofre e conheço os big bosses.
*Holm-oak é um carvalho, mais precisamente uma azinheira. Obrigada ao Jorge Nunes pela correcção!
Não, I did not see it coming, como tantos arautos da desgraça hão-de proclamar. Achei estranho o gajo aos pinchos em cima do sofá da Oprah, mas a paixão dá doideira mesmo, e se não há doideira e/ou pincho mais ou menos literal, não há paixão. Também aquelas coisas da cientologia me dão alguma coceira, mas cada um é p'ró que nasce e gente há que acredita no Creacionismo e eu não desato ao insulto. Cada um sabe da sua fé e onde acende as suas velinhas (ou não) (se alguém resolver ultrajar a Nossa Senhora de Fátima e a Nossa Senhora de La-Sallete também tem de ser ver comigo e eu sou moça que vale por dois).
E prontos, you heard it here.
Talvez haja salvação para o blog. Estarei branching-out, talvez. Qualquer dia venho falar de carteiras caras. Sapatos bem que podia, sou da terra da Helsar e do Luís Onofre e conheço os big bosses.
*Holm-oak é um carvalho, mais precisamente uma azinheira. Obrigada ao Jorge Nunes pela correcção!
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segunda-feira, 21 de maio de 2012
Também eu vou/gostava de escrever sobre os Globos de Ouro da SIC
Ou sobre a gala. Ou sobre a passadeira vermelha. Ou...
O problema é que foi tanto vestido, tanta entrevista, tanta pergunta desinteressante, ..., e eu pasmada a olhar para a cruz em néon verde que brilhava em todo o seu esplendor a assinalar o estado de actividade da farmácia bem atrás da passadeira vermelha. E perdida cá comigo a pensar como é que os clientes lá chegariam e o que iriam comprar... assim foi até mudar de canal.
A distrair-me assim nunca serei fashion blogger...
O problema é que foi tanto vestido, tanta entrevista, tanta pergunta desinteressante, ..., e eu pasmada a olhar para a cruz em néon verde que brilhava em todo o seu esplendor a assinalar o estado de actividade da farmácia bem atrás da passadeira vermelha. E perdida cá comigo a pensar como é que os clientes lá chegariam e o que iriam comprar... assim foi até mudar de canal.
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
Pneuzinho, uma definição
Não sou nada destas coisas, de trazer para o blog clips do Facebook ou de fazer forwards de piadinhas, mas desta teve mesmo de ser:
Ouviu, mamãe?
By the way, costumo corrigir quem me sugere que estou "mais" gorda explicando simplesmente que "há mais de mim para amar".
Ouviu, mamãe?
By the way, costumo corrigir quem me sugere que estou "mais" gorda explicando simplesmente que "há mais de mim para amar".
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Ceci n'est pas un post natalício
Mas devia. E tanto devia que, imbuída do maior e melhor espírito de que sou capaz, seja de Natal, de Hanukkah, de Kwanzaa, ou coisa que o valha, que sou moça de respeitar as várias tradições, assim mo ensinou mamãe, cá estou a começar uma série de textos natalícios.
A verdade é que, entre as minhas muitas deambulações pelas terras férteis em cactos de Ahwatukee, me fui lembrando sempre de vós e fui fotografando, filmando, enfim registando piquenas pérolas de pendor natalício que se me foram entrando retinas adentro e risos afora.
Faltando-me por cá quaisquer hipóteses de registar em jpeg futuras memórias de vendedores de castanhas em plena Santa Catarina, no Porto, enevoadas pelo fumo que sai daqueles forninhos ambulantes que fazem as delícias dos transeuntes, não deixam de haver outras tantas iguarias igualmente dignas de registo, por exemplo umas fatias de bolo rei da melhor confeitaria do mundo (meu mundo é pequenito, bem o sabeis), a Ideal (que segundo minha avó Emília, a tal excelsa esposa de D. Álvaro, é onde se "come muito e não faz mal", coisa que talvez não tenha em atenção perímetros de cintura, coxas, e rabo e tampouco o congestionamento vascular, mas tão somente gramas de guestesura, também expressão da própria, pois que a mim não bafejaram quaisquer resquícios de criatividade linguística).
Abrimos pois em grande esta série, que tentarei terminar já amanhã, dia 24 de Dezembro de 2011, que portanto e sem qualquer réstia de dúvida antecede, também há quem lhe chame véspera, o dia 25 (de Dezembro de 2011 e, a bem dizer, de todos os anos que aí vêm, permito-me acrescentar e duvido que cá vireis questionar, era só o que faltava, até estamos quase no Natal).
Começo então por vos desejar, amigos, e sabei que não uso a expressão levemente, pois que se por cá passais e comigo partilhais algum do vosso tempo é porque gostais (um bocadinho) de moi, começo então por vos desejar umas boas trincas. Pois que do comer e do coçar, já diz o povo na voz que ouço risonha da senhora ali de cima, a tal casada com D. Álvaro e que sabe escrever o seu nome completo com caligrafia primorosa, tudo vai do começar.
A verdade é que, entre as minhas muitas deambulações pelas terras férteis em cactos de Ahwatukee, me fui lembrando sempre de vós e fui fotografando, filmando, enfim registando piquenas pérolas de pendor natalício que se me foram entrando retinas adentro e risos afora.
Faltando-me por cá quaisquer hipóteses de registar em jpeg futuras memórias de vendedores de castanhas em plena Santa Catarina, no Porto, enevoadas pelo fumo que sai daqueles forninhos ambulantes que fazem as delícias dos transeuntes, não deixam de haver outras tantas iguarias igualmente dignas de registo, por exemplo umas fatias de bolo rei da melhor confeitaria do mundo (meu mundo é pequenito, bem o sabeis), a Ideal (que segundo minha avó Emília, a tal excelsa esposa de D. Álvaro, é onde se "come muito e não faz mal", coisa que talvez não tenha em atenção perímetros de cintura, coxas, e rabo e tampouco o congestionamento vascular, mas tão somente gramas de guestesura, também expressão da própria, pois que a mim não bafejaram quaisquer resquícios de criatividade linguística).
Abrimos pois em grande esta série, que tentarei terminar já amanhã, dia 24 de Dezembro de 2011, que portanto e sem qualquer réstia de dúvida antecede, também há quem lhe chame véspera, o dia 25 (de Dezembro de 2011 e, a bem dizer, de todos os anos que aí vêm, permito-me acrescentar e duvido que cá vireis questionar, era só o que faltava, até estamos quase no Natal).
Começo então por vos desejar, amigos, e sabei que não uso a expressão levemente, pois que se por cá passais e comigo partilhais algum do vosso tempo é porque gostais (um bocadinho) de moi, começo então por vos desejar umas boas trincas. Pois que do comer e do coçar, já diz o povo na voz que ouço risonha da senhora ali de cima, a tal casada com D. Álvaro e que sabe escrever o seu nome completo com caligrafia primorosa, tudo vai do começar.
| Bolo rei, Confeitaria Ideal, Dezembro de 2011 |
| Já era(m), Fatias de Bolo Rei, Confeitaria Ideal, Dezembro de 2011 |
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Orelhas de burro em versão adulta e pós moderna
Tssst, tssst, ou te portas bem ou ficas virada para a parede (o dia todo).
Acho que todo este texto está escrito para que sinta pena da (coitada?) da mulher. Não sinto. Não sou nenhuma tresloucada sem coração (atenção à parte "sem coração"), mas não consigo deixar de pensar no que fez a tal mulher para levar os patrões a preferir sentá-la a uma secretária sem fazer nenhuma das tarefas para a qual foi contratada (fazer no computador os orçamentos, introduzir no sistema informático diversos registos, nomeadamente, eventos diários, fichas de clientes, estatística de vendas e relatórios de stocks, e ainda limpar a loja -- isto é que é amplitude de qualificações!).
É que, se há maus patrões (ao que parece estes não vão propriamente receber a caneca "World's Best Boss" -- fãs do The Office, anyone?), também há maus funcionários. Mesmo maus. Daqueles que apetece mesmo pôr atrás de uma secretária sem fazer nenhum e de preferência virados para a parede. Just saying.
Acho que todo este texto está escrito para que sinta pena da (coitada?) da mulher. Não sinto. Não sou nenhuma tresloucada sem coração (atenção à parte "sem coração"), mas não consigo deixar de pensar no que fez a tal mulher para levar os patrões a preferir sentá-la a uma secretária sem fazer nenhuma das tarefas para a qual foi contratada (fazer no computador os orçamentos, introduzir no sistema informático diversos registos, nomeadamente, eventos diários, fichas de clientes, estatística de vendas e relatórios de stocks, e ainda limpar a loja -- isto é que é amplitude de qualificações!).
É que, se há maus patrões (ao que parece estes não vão propriamente receber a caneca "World's Best Boss" -- fãs do The Office, anyone?), também há maus funcionários. Mesmo maus. Daqueles que apetece mesmo pôr atrás de uma secretária sem fazer nenhum e de preferência virados para a parede. Just saying.
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
Quem nasceu para burro lagartixa*,**
Foi pela mão da Pólo Norte do Quadripolaridades que cheguei ao Pedro do We'll Always Have Paris, nome que imediatamente indicia um blog de alguém interessante (ou quanto mais não seja interessando no Casablanca).
Coscuvilhando alegremente posts abaixo, pois que o moço escreve bonito e, estando apaixonado, coisa que eu acho normalmente ajuda à inspiração, escreve cartas de amor que me fazem querer imediatamente abandonar marido e filha e tornar-me objecto deste seu desvelo, encontrei este post que me fez reconhecer o quão simples (simplória!?) sou. É que o Pedro, ao ver uma instalação de Manuel Botelho no Centro Cultural de Cascais intitulada "Cartas de Amor e Saudade", fotografou-a e intitulou a sua posta "As minhas estão atadas com fitas de seda e guardadas numa caixa de sapatos". Eu cá só consegui pensar "e aquilo não pega fogo?".
*Quem nasceupara burro lagartixa nunca chega a cavalo jacaré. Ou quem (só) nasceu para as bolachas nunca chega ao chá das cinco com scones. Ahhh... scones...
** Sugestão de mamãe.***
*** Mamãe anda prolífica em sugestões, agora que me apanhou por cá. Censura! Censura!!!!!!!!!!!!!! Socorro!!!!!
Coscuvilhando alegremente posts abaixo, pois que o moço escreve bonito e, estando apaixonado, coisa que eu acho normalmente ajuda à inspiração, escreve cartas de amor que me fazem querer imediatamente abandonar marido e filha e tornar-me objecto deste seu desvelo, encontrei este post que me fez reconhecer o quão simples (simplória!?) sou. É que o Pedro, ao ver uma instalação de Manuel Botelho no Centro Cultural de Cascais intitulada "Cartas de Amor e Saudade", fotografou-a e intitulou a sua posta "As minhas estão atadas com fitas de seda e guardadas numa caixa de sapatos". Eu cá só consegui pensar "e aquilo não pega fogo?".
*Quem nasceu
** Sugestão de mamãe.***
*** Mamãe anda prolífica em sugestões, agora que me apanhou por cá. Censura! Censura!!!!!!!!!!!!!! Socorro!!!!!
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domingo, 10 de julho de 2011
Bzzzzzsy*
Quem me desse um valente estaladão pela peregrina ideia de fazer estas duas viagens back-to-back fazia-me um grande favor. Creio que posso mesmo ir mais longe e afirmar que faria um grande favor à sociedade em geral, pois que evitaria algum streco adicional nesta já tão destrambelhada Maria que, infelizmente, não vive isolada no meio do monte (que era onde mamãe me aconselhava a viver sempre que me queixava que as pessoas são muito barulhentas/mal educadas/pouco civis ou qualquer combinação similar) e por isso tem o ocasional encontro com membros da sua espécie (os canídeos e gatitos, curiosamente, não despertam em mim estes suores quentes que me fazem querer levar o mundo à frente, muito pelo contrário, podendo nós aqui entretanto incluir coelhinhos, borboletas, e beija-flor, mas não, absolutamente não, pássaros em geral, e os beija-flor a um mínimo de três metros, se faz favor).
Ando estupidamente ocupada com a chegada da California e esta ida para Portugal. Com coisas pequenas, médias, e grandes, foge-me o tempo enquanto vou ao banco fechar uma conta porque o banco me quer cobrar uma taxa de manutenção (querias!), enquanto vou ao correio enviar a máquina fotográfica que vendi na Amazon por um preço ridículamente baixo o que quase me fez voltar atrás e dar o dito pelo não vendido e depois logo se vê (ainda pensei perguntar aqui pelo blog, mas temi que o espírito mercantil e utilitarista desencantasse alguns leitores e antes prefiro vender a máquina barata e o sellers remorse a cair em vossas desgraças -- era uma Panasonic Lumix ZS3, azulzinha, linda, novinha em folha ainda que oferecida pelo marido há Natal e meio), ir lavar o carro (pedido nada pedido e antes mandado, que gaja que é gaja consegue reconhecer pedidos que são mais ordens vocalizadas pelos amantíssimos esposos, estava a fazer-lhe confusão o pó no seu popó, que mesmo em bis não combina com o poeirame que se lhe colou em virtude da tempestade de pó que assolou Phoenix aqui há dias).
Mais compras, compras, compras de última hora.
São os chocolates, os livros e boneco novo para entreter a miúda, uma máquina fotográfica novinha que de tão pequenita a gente mal dá por ela (que estava esgotada em preto em duas das lojas em que procurei e que me fez ir a uma espécie de Continente/Rádio Popular só de electro-coisas imensa e imensa e enorme de tão imensa, que uma gaja quase precisava de GPS para se orientar -- e eu sou gaja que se orienta muito bem, foi ver-me em Amesterdão aqui há atrasado (ai o que eu queria usar esta expressão desde que escrevi há dias ali em cima a propósito do carro) a encontrar o caminho de volta para o hotel depois de não sei quantas voltas, já de noite, e sabe-se que de noite todos os gatos são pardos, e então em Amsterdão até os há multicoloridos e bem ganzados).
Ainda tive de ir à loja devolver a aliança que voltou demasiado folgada e é fazer favor de, uma vez alargada em uma medida, apertá-la em meia, pois que os meus dedos estão mais anafados (mais um dos souvenirs da gravidez, assim como os pés mais crescidos em meio número que me fizeram olhar para as All Star dos Grateful Dead, usadas uma única vez!!! com olhos quase lacrimejantes).
E depois as malas, a escolha da roupa que vamos usar e aquela que ainda levo para oferecer às meninas da confeitaria e que tiveram duas meninas (uma menina cada uma) mais ou menos em Dezembro do ano passado. Odeio fazer malas, sou minuciosa, chata, obcecada com a organização desde que no Porto, aquando da passagem pela alfândega e conseguente revista das malas, me caíram umas cuequinhas (e acreditem que o diminutivo é necessário, aquilo nem pano tinha para tapar a primeira sílaba) ao chão, à vista de toda a gente, um embaraço (e é por isso que agora tenho sempre um saquinho para a roupa interior).
E por falar em afazeres, vou-me fazer aos eres pois que já são nove da manhã e a mini-bolacha já acordou.
Cheers, be back soon -- estou a treinar o emigrantês.
*Ocupada.
Ando estupidamente ocupada com a chegada da California e esta ida para Portugal. Com coisas pequenas, médias, e grandes, foge-me o tempo enquanto vou ao banco fechar uma conta porque o banco me quer cobrar uma taxa de manutenção (querias!), enquanto vou ao correio enviar a máquina fotográfica que vendi na Amazon por um preço ridículamente baixo o que quase me fez voltar atrás e dar o dito pelo não vendido e depois logo se vê (ainda pensei perguntar aqui pelo blog, mas temi que o espírito mercantil e utilitarista desencantasse alguns leitores e antes prefiro vender a máquina barata e o sellers remorse a cair em vossas desgraças -- era uma Panasonic Lumix ZS3, azulzinha, linda, novinha em folha ainda que oferecida pelo marido há Natal e meio), ir lavar o carro (pedido nada pedido e antes mandado, que gaja que é gaja consegue reconhecer pedidos que são mais ordens vocalizadas pelos amantíssimos esposos, estava a fazer-lhe confusão o pó no seu popó, que mesmo em bis não combina com o poeirame que se lhe colou em virtude da tempestade de pó que assolou Phoenix aqui há dias).
Mais compras, compras, compras de última hora.
São os chocolates, os livros e boneco novo para entreter a miúda, uma máquina fotográfica novinha que de tão pequenita a gente mal dá por ela (que estava esgotada em preto em duas das lojas em que procurei e que me fez ir a uma espécie de Continente/Rádio Popular só de electro-coisas imensa e imensa e enorme de tão imensa, que uma gaja quase precisava de GPS para se orientar -- e eu sou gaja que se orienta muito bem, foi ver-me em Amesterdão aqui há atrasado (ai o que eu queria usar esta expressão desde que escrevi há dias ali em cima a propósito do carro) a encontrar o caminho de volta para o hotel depois de não sei quantas voltas, já de noite, e sabe-se que de noite todos os gatos são pardos, e então em Amsterdão até os há multicoloridos e bem ganzados).
Ainda tive de ir à loja devolver a aliança que voltou demasiado folgada e é fazer favor de, uma vez alargada em uma medida, apertá-la em meia, pois que os meus dedos estão mais anafados (mais um dos souvenirs da gravidez, assim como os pés mais crescidos em meio número que me fizeram olhar para as All Star dos Grateful Dead, usadas uma única vez!!! com olhos quase lacrimejantes).
E depois as malas, a escolha da roupa que vamos usar e aquela que ainda levo para oferecer às meninas da confeitaria e que tiveram duas meninas (uma menina cada uma) mais ou menos em Dezembro do ano passado. Odeio fazer malas, sou minuciosa, chata, obcecada com a organização desde que no Porto, aquando da passagem pela alfândega e conseguente revista das malas, me caíram umas cuequinhas (e acreditem que o diminutivo é necessário, aquilo nem pano tinha para tapar a primeira sílaba) ao chão, à vista de toda a gente, um embaraço (e é por isso que agora tenho sempre um saquinho para a roupa interior).
E por falar em afazeres, vou-me fazer aos eres pois que já são nove da manhã e a mini-bolacha já acordou.
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sábado, 2 de julho de 2011
I do
Sábado, dia 2 de Julho de 2011. A Amy e o Jason têm o seu rehearsal dinner, um jantar que reúne a trupe mais íntima do casório e junta as famílias chegadas, as damas de honor, os best-men, a criatura das alianças e sua família, e mais alguns que agora não me ocorrem. Amantíssimo esposo pertence a um destes grupos, sendo um best-man, e por isso estamos convidados para o jantar e para a welcoming reception que se seguirá, às 8:30 (não resisto a acrescentar pm). O jantar, se não estou em erro, será às cinco e meia -- sem comentários.
No dia seguinte, no Domingo, se nenhum dos noivos entretanto mudar de ideias e resolver dar às de vila Diogo, ou se ambos não mudarem de ideias e apanharem um voo ali para Vegas, será o casório. Hora fina, final de tarde, seis e meia.
Organizada (gente da poda talvez lhe diagnosticasse um ligeiro transtorno obsessivo-compulsivo), a noiva já nos enviou um email com instruções que, a ser impresso, e eu sei porque experimentei um print preview, ocuparia cinco páginas. Tudo está escalonado, sei por exemplo que o bolo será cortado às 9:20 e que cinco minutos depois virão as "special dances" que eu não sei o que são mas é assim que aparecem na lista.
Eu até gosto de instruções, e gosto de saber a ordem do cortejo e do jantar. Sei, por exemplo, que se ceder à gula e me enfrascar de bebes e enfardar uns quantos comes logo às sete, não terei tempo suficiente de digerir a coisa até ao jantar, pois que às 7:45 "guests invited inside for dinner".
Mas tudo isto são detalhes, e eu até tenho muito a dizer sobre este casório em particular e os casórios americanos em geral, só que, meus amigos, infelizmente, não temos tempo. Ou eu hoje não tenho, ainda que supostamente esteja de férias.
O que me está a apoquentar a molécula é que amanhã, pela primeira vez, tenho de esticar o cordão umbilical um pouco mais do que o costume. Mais do que as não sei quantas milhas que separam San Rafael de Sacramento, onde é o casório, separar-nos-ão dias, horas que de tantas eu nem quero começar a pensar. Parecer-me-ão imensas. Já mo parecem, aliás, enquanto a miúda dorme no quarto ao lado.
Já por várias vezes avisei a minha sogra, hoje, que estou com um bocadinho de separation anxiety. E enquanto a treino nas rotinas do deitar e lhe explico que o leite é aquecido durante 40 segundos no microondas, e lhe digo também que é com ela se lhe lê o livro antes ou depois do leite, mas o que tem mesmo de fazer é lavar-lhe os dentes, penso que nunca ninguém o faz tão bem como eu. Marido e pai da rapariga lê-lhe o Goodnight Little Bear a fazer vozes doidas (o próprio Little Bear soa-me um bocado gay, mas enfim) e é bem capaz de o fazer melhor do que eu, mas os miminhos que lhe faço na cabeça, o sussurar do "a mamã gosta muito da bolachinha" (no kidding), o chamar dos anjinhos que lhe guardam os sonhos, isso ninguém o faz melhor do que eu. Estou quase quase a mandar o "Post-Wedding (Hangover) Breakfast at the River House" (palavras da Amy) ao romper das dez de Segunda para o espaço e ficar com a minha pequenina a brincar com os livros, puzzles, e demais brinquedos, enquanto me lamento de que nunca faço nada, sou uma escrava, patati, patatá.
Bolas, nunca estou bem com nada! Até porque, descobri agora enquanto procurava detalhes sobre o hotel (Ryde Hotel, no delta de Sacramento), que não só não há televisão nos quartos como também não há ar condicionado! -- Sacramento é uma tosta e eu já não estou habituada a esta falta de mordomias. Com isto já arranjei qualquer coisa com que ocupar o Tico e não pensar na tal da ansiedade. Eu bem devia ter desconfiado quando li, há nem sei quanto tempo, que uma opção de quartos, a "European", tinha uma "shared bath".
Valham-me os deuses da Art Déco...
No dia seguinte, no Domingo, se nenhum dos noivos entretanto mudar de ideias e resolver dar às de vila Diogo, ou se ambos não mudarem de ideias e apanharem um voo ali para Vegas, será o casório. Hora fina, final de tarde, seis e meia.
Organizada (gente da poda talvez lhe diagnosticasse um ligeiro transtorno obsessivo-compulsivo), a noiva já nos enviou um email com instruções que, a ser impresso, e eu sei porque experimentei um print preview, ocuparia cinco páginas. Tudo está escalonado, sei por exemplo que o bolo será cortado às 9:20 e que cinco minutos depois virão as "special dances" que eu não sei o que são mas é assim que aparecem na lista.
Eu até gosto de instruções, e gosto de saber a ordem do cortejo e do jantar. Sei, por exemplo, que se ceder à gula e me enfrascar de bebes e enfardar uns quantos comes logo às sete, não terei tempo suficiente de digerir a coisa até ao jantar, pois que às 7:45 "guests invited inside for dinner".
Mas tudo isto são detalhes, e eu até tenho muito a dizer sobre este casório em particular e os casórios americanos em geral, só que, meus amigos, infelizmente, não temos tempo. Ou eu hoje não tenho, ainda que supostamente esteja de férias.
O que me está a apoquentar a molécula é que amanhã, pela primeira vez, tenho de esticar o cordão umbilical um pouco mais do que o costume. Mais do que as não sei quantas milhas que separam San Rafael de Sacramento, onde é o casório, separar-nos-ão dias, horas que de tantas eu nem quero começar a pensar. Parecer-me-ão imensas. Já mo parecem, aliás, enquanto a miúda dorme no quarto ao lado.
Já por várias vezes avisei a minha sogra, hoje, que estou com um bocadinho de separation anxiety. E enquanto a treino nas rotinas do deitar e lhe explico que o leite é aquecido durante 40 segundos no microondas, e lhe digo também que é com ela se lhe lê o livro antes ou depois do leite, mas o que tem mesmo de fazer é lavar-lhe os dentes, penso que nunca ninguém o faz tão bem como eu. Marido e pai da rapariga lê-lhe o Goodnight Little Bear a fazer vozes doidas (o próprio Little Bear soa-me um bocado gay, mas enfim) e é bem capaz de o fazer melhor do que eu, mas os miminhos que lhe faço na cabeça, o sussurar do "a mamã gosta muito da bolachinha" (no kidding), o chamar dos anjinhos que lhe guardam os sonhos, isso ninguém o faz melhor do que eu. Estou quase quase a mandar o "Post-Wedding (Hangover) Breakfast at the River House" (palavras da Amy) ao romper das dez de Segunda para o espaço e ficar com a minha pequenina a brincar com os livros, puzzles, e demais brinquedos, enquanto me lamento de que nunca faço nada, sou uma escrava, patati, patatá.
Bolas, nunca estou bem com nada! Até porque, descobri agora enquanto procurava detalhes sobre o hotel (Ryde Hotel, no delta de Sacramento), que não só não há televisão nos quartos como também não há ar condicionado! -- Sacramento é uma tosta e eu já não estou habituada a esta falta de mordomias. Com isto já arranjei qualquer coisa com que ocupar o Tico e não pensar na tal da ansiedade. Eu bem devia ter desconfiado quando li, há nem sei quanto tempo, que uma opção de quartos, a "European", tinha uma "shared bath".
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
De hoje em diante, são sempre quatro e meia
Hora coca-cola light, perguntais.
Não, mamãe reformou-se, e goza hoje o primeiro dia do resto da sua vida de ex-trabalhadora.
Mamãe é uma mulher do caraças, e o que quer que eu escreva não lhe fará justiça. Talvez consiga meio "j", mas ao "u" não chegarei. Especialmente hoje, que há convidados a chegar para uma festarola em casa dos sogros e eu tenho de me despachar. Mamãe merece mais e terá o seu texto um destes dias que pode tardar mais ou menos a chegar.
O que importa hoje é dizer que, depois de 42 anos e cinco meses de trabalho árduo, mamãe arrumou as botas e decidiu calçar sapatilhas. Desbravará mundo, conquistará universos e corações. Principalmente tomará conta da neta. Eu não disse que o texto não levava água no bico.
Congrats, mamãe de Maria!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
[Ladies, you're welcome!]
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domingo, 12 de junho de 2011
Amor, uma definição #4
Eu almoçar uma sandes de fiambre e rúcula porque ele gosta muito de arroz de pato e não há que chegue nem "para a cova de um dente".
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terça-feira, 7 de junho de 2011
Chupa escorpiões
Amigos que me ledes, vamos lá ver se nos entendemos...
Os escorpiões não são nossos amigos! Os escorpiões não são fofinhos! Os escorpiões não dão bons chupa-chupa! Está bem?!
Há cada doido... e nem vos digo o que pesquisou a malta que cá veio no dia 7... eu tenho mesmo de mudar o rumo deste blog ou qualquer dia ainda me prantam uma bolinha vermelha no canto superior direito e depois é que vão ser elas... isso ainda se usa?
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| Search keywords, 6 de Junho, 2011 |
Os escorpiões não são nossos amigos! Os escorpiões não são fofinhos! Os escorpiões não dão bons chupa-chupa! Está bem?!
Há cada doido... e nem vos digo o que pesquisou a malta que cá veio no dia 7... eu tenho mesmo de mudar o rumo deste blog ou qualquer dia ainda me prantam uma bolinha vermelha no canto superior direito e depois é que vão ser elas... isso ainda se usa?
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Grão na asa
Adoro esta expressão. Escrevo-vos com um grão debaixo de cada uma e outro no bico, para o caminho.
Isto parece um tweet.
Eu não tenho Twitter.
(o texto acima tem exactamente 140 caracteres)
Isto parece um tweet.
Eu não tenho Twitter.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
Precisais de um milagre?
Instantes depois de publicar o post sobre a Marta Azedo o blogspot brindou-me com este écran:
Não tendes de quê. Aleluia!
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| Miracle Prayer Requests, 6 de Junho, 2011 |
Não tendes de quê. Aleluia!
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Há nomes doces e nomes nem por isso
Eu costumo queixar-me. Queixo-me do dia que amanheceu cinzento, queixo-me do dia que amanheceu de sol (e que às cinco da manhã irrompe quarto adentro -- idiotas dos americanos que não sabem o que são persianas). Ora entre as minhas várias queixas sempre esteve o meu sobrenome. Incomum. Incompreensível, especialmente ao telefone.
Há pouco reparei num sobrenome que nunca tinha visto. Diferente, fez-me parar um bocadinho para dele vos vir contar. Nome de uma Marta, variante de Martha, em Aramaico, e Martina, em Latim. Diz que significa senhoril, senhora da casa, ou dedicada a Marte, ainda que literalmente em hebreu seja cabra e em romano seja com dentes da frente grandes. Voltemo-os antes para o muito arménios forte e próprio de uma senhora, que sempre são mais distintos e menos animalescos. Esta Marta de que vos falo e cujo sobrenome provoca em vós já um arrepio de curiosidade chama-se Azedo, Marta Azedo.
Já pensaram nos traumas a que a Marta Azedo foi sujeita aquando da sua escolarização, "não dês o leite achocolatado à Marta, que azeda", "hoje estás doce ou estás azeda"? Ou sempre que o namorado de manhã lhe diz, quando ainda ramelenta e de cara amarrotada "hum... já vi que hoje acordaste azeda", como se gaja alguma acordasse sorridente, maquilhada, penteada, e de dentes lavados, como nos filmes. Mas o que me está a deixar de sorriso em riste é o oximoro sempre que o próprio, o gajo da Marta, a chama de "meu docinho".
Há pouco reparei num sobrenome que nunca tinha visto. Diferente, fez-me parar um bocadinho para dele vos vir contar. Nome de uma Marta, variante de Martha, em Aramaico, e Martina, em Latim. Diz que significa senhoril, senhora da casa, ou dedicada a Marte, ainda que literalmente em hebreu seja cabra e em romano seja com dentes da frente grandes. Voltemo-os antes para o muito arménios forte e próprio de uma senhora, que sempre são mais distintos e menos animalescos. Esta Marta de que vos falo e cujo sobrenome provoca em vós já um arrepio de curiosidade chama-se Azedo, Marta Azedo.
Já pensaram nos traumas a que a Marta Azedo foi sujeita aquando da sua escolarização, "não dês o leite achocolatado à Marta, que azeda", "hoje estás doce ou estás azeda"? Ou sempre que o namorado de manhã lhe diz, quando ainda ramelenta e de cara amarrotada "hum... já vi que hoje acordaste azeda", como se gaja alguma acordasse sorridente, maquilhada, penteada, e de dentes lavados, como nos filmes. Mas o que me está a deixar de sorriso em riste é o oximoro sempre que o próprio, o gajo da Marta, a chama de "meu docinho".
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domingo, 5 de junho de 2011
O mundo é tão mas tão pequenito
Há pouco, enquanto conversava com uma parceira de direcção de uma associação a que pertenço, entre discussões sobre a localização do próximo fórum da associação e de como a aproximar da sua população-alvo, falámos dos nossos blogs. Diz-me ela pouco depois "eu já te li, tu és a dos escorpiões".
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terça-feira, 15 de março de 2011
La vengeance do arbusto, III
(Se não estiverdes familiarizados com esta saga, é favor não serdes batoteiros e começardes por ler
O arbusto:
Pormenor da flor do arbusto:
O arbusto produziu a sua primeira flor e assim se satisfez a curiosidade dos donos da casa, em particular a do dono da casa. O raça da flor é bonita, pensou a dona da casa. É roxa, cor muito popular nos dias que correm.
O dono da casa está feliz e comenta com a dona da casa "What a pretty flower, don't you think? It's an anisodontea! I love it, don't you?".
A dona da casa, de braços cruzados e peso do corpo sobre a perna esquerda, perna direita agitada com o bater da ponta do pé no cascalho do jardim, esboça um sorrizinho amarelo e anui quase imperceptivelmente.
Arbusto 2, Dona da casa 0
[Continua]
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terça-feira, 8 de março de 2011
La vengeance do arbusto, II
(Se não estiverdes familiarizados com esta saga, é favor não serdes batoteiros e começardes por ler
Trac, trac, trac, ouviu-se durante uma boa meia hora. A dona da casa era paciente e cortava um galho de cada vez, sem pressas. Abstraída da tarefa, aproveitava o calor do sol e planeava a agenda da semana. Enquanto isso a tesoura continuava trac, trac, trac.
O arbusto, esse, mantinha-se atento e não deixava escapar despercebido cada corte, cada incisão, que lhe levavam tanto de corpo como de orgulho. Crescia a sua fúria na mesma proporção em que diminuía o seu volume.
Trac, trac, trac, e a dona de casa estava agora absorta na aula de música a que ia no dia seguinte com a filha, era a primeira vez e estava curiosa. Havia pois chegado o momento!
Assim que a dona da casa puxou um ramo com maior intensidade e logo o cortou, o arbusto chibatou-a com outro em cheio no olho direito. A dona da casa nem teve tempo de o fechar, de tão rápido e certeiro foi o arbusto. De imediato caíram por terra as luvas e a tesoura de podar. Lágrimas quentes escorriam cara abaixo da dona da casa, que ficou atordoada e sem ver direito. O arbusto ria para consigo desta sua pontaria e do trocadilho que proporcionava.
O final desta aventura já se antevê. A dona da casa, com uma possível lesão da córnea, teve de ir ao oftalmologista no dia seguinte, não sem antes investir quase três horas ao telefone a conversar com uma enfermeira, duas secretárias de clínicas de oftalmologia, e um sem número de pessoas da agência de seguros de saúde da própria, que é sabido que nos Estados Unidos ou se tem seguro de saúde ou bem, é melhor nem considerar essa alternativa.
Como o tempo é indiviso e pouco flexível, a aula de música teve de ser adiada, para tristeza da dona da casa e para nada da filha, que só tem ano e meio e não fazia ideia dos planos para Segunda-feira.
O arbusto, zombeteiro e vingado, permanece no backyard. Ignora todavia que ganhou apenas uma batalha e não a guerra. Porque essa, como é natural, e a bem da harmonia do casal, ganha sempre a dona da casa.
[Continua]
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Maria Bê
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segunda-feira, 7 de março de 2011
La vengeance do arbusto, I
Era uma vez um arbusto feioso e ressequido que vivia no backyard de uma casa em Phoenix, no desértico estado americano que é o Arizona. Os ramos, da cor da cinza da madeira que é queimada tomando o seu tempo, eram retorcidos e encarquilhados, e formavam o que parecia um ninho mal construído de sobras de outras árvores.
Ainda que parecesse no seu todo morto, teimavam na parte alguns sinais de vida. Eram estranhos estes sinais, e desafiavam as leis do universo que mandam que sejam calvos os cocurutos das cabeças dos machos e mais fartos em pêlo os lados. Brotavam no topo, nem se sabe bem de onde, braços verdes e viçosos cobertos de folhas e flores ainda encasuladas, promessas de existência ainda por acordar.
Divergiam os donos da casa quanto ao destino do arbusto.
O arbusto, segundo a dona da casa, tinha como destino o balde da reciclagem, recolhida com incansável regularidade às Sextas-feiras de manhã. O mesmo arbusto, segundo o dono da casa, prometia flores bonitas e não merecia tal sina.
Impávido, o arbusto assistia ao esgrimir de argumentos sobre a sua permanência. A favor havia a questão das flores, que se não mais por pura curiosidade, contribuía para que ficasse. Contra havia a questão da sua fealdade. Pior, havia o facto de a dona da casa não gostar dele, o que parecendo que não é argumento de muito peso na decisão do casal.
Adiada uma decisão derradeira sobre o arbusto, foi deliberado pela parelha dar-lhe um desbaste, limpá-lo dos galhos secos e deste modo torná-lo menos insultuoso à harmonia paisagística do lugar.
Chegou finalmente o momento da poda e, diligente, a dona da casa equipou-se com o material necessário à boa execução da tarefa. Saíram do armário as luvas verde-alface com que protegia os dedos dos picos traiçoeiros do arvoredo e saiu da prateleira a tesoura própria para os cortes. A tarde era domingueira e o dono da casa oferecia companhia enquanto tratava do sistema da rega.
Tudo estava pronto, inclusive o arbusto.
Ainda que parecesse no seu todo morto, teimavam na parte alguns sinais de vida. Eram estranhos estes sinais, e desafiavam as leis do universo que mandam que sejam calvos os cocurutos das cabeças dos machos e mais fartos em pêlo os lados. Brotavam no topo, nem se sabe bem de onde, braços verdes e viçosos cobertos de folhas e flores ainda encasuladas, promessas de existência ainda por acordar.
Divergiam os donos da casa quanto ao destino do arbusto.
O arbusto, segundo a dona da casa, tinha como destino o balde da reciclagem, recolhida com incansável regularidade às Sextas-feiras de manhã. O mesmo arbusto, segundo o dono da casa, prometia flores bonitas e não merecia tal sina.
Impávido, o arbusto assistia ao esgrimir de argumentos sobre a sua permanência. A favor havia a questão das flores, que se não mais por pura curiosidade, contribuía para que ficasse. Contra havia a questão da sua fealdade. Pior, havia o facto de a dona da casa não gostar dele, o que parecendo que não é argumento de muito peso na decisão do casal.
Adiada uma decisão derradeira sobre o arbusto, foi deliberado pela parelha dar-lhe um desbaste, limpá-lo dos galhos secos e deste modo torná-lo menos insultuoso à harmonia paisagística do lugar.
Chegou finalmente o momento da poda e, diligente, a dona da casa equipou-se com o material necessário à boa execução da tarefa. Saíram do armário as luvas verde-alface com que protegia os dedos dos picos traiçoeiros do arvoredo e saiu da prateleira a tesoura própria para os cortes. A tarde era domingueira e o dono da casa oferecia companhia enquanto tratava do sistema da rega.
Tudo estava pronto, inclusive o arbusto.
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18:20
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