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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Hoje tratei-me!

A vida de uma mãe é feita de escolhas que reflectem prioridades e, normalmente, em primeiro, segundo, terceiro, ..., décimo oitavo lugar estão os filhos. Daí que hoje, finalmente -- suspiro de alívio -- o meu dia tenha chegado: eu hoje tratei de mim, foi a loucura, ninguém me segurou e a minha prioridade fu euzinha. Que fiz? Fui à fisioterapia, há que tempos que me doem as cruzes, já pareço uma marreca.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

max{ . }

Pensei se devia ou se não devia. Pensei se podia. E concluí que sim, que devo e posso. Porque o meu blog é feito de afectos, para aqueles que me lêem e que me acarinham, uma foto do meu mais novo amor, o Maxim, Max para os amigos, biscuit (lido à francesa) para os de cá do estaminé:

Biscuit, 25 de Setembro, 2012

Mais tarde virei escrever sobre aquelas dúvidas que me assolavam antes do bebé nascer, se seria capaz de gostar tanto dele como da irmã. E virei dizer que se dissiparam e que sim, que o amor infinito se multiplica.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Humor de grávida de menino

Há pouco, ao escrever um email ao (suposto) pai do meu filho, no qual lhe explicava ser desígnio divino que só tivesse filhas e que é por ironia do destino (e pelo seu cromossoma Y) esta alhada em que me encontro, lembrei-me de um comentário brejeiro e nada próprio que fiz quando descobri que íamos ter um menino (o pai do filho da Pólo Norte teve uma saída parecida mas muito mais elegante, e ela teve outra à altura, mas eles são gente claramente mais fina do que eu).

Gozava então Monsieur Bolacha dizendo: "Honey, I have a penis inside me. And it is not yours!".

sábado, 9 de junho de 2012

As prioridades e os interruptores

daqui

Há muitos anos, o Herman, o José de sobrenome alemão esquisito, disse, talvez no Tal Canal, uma verdade que me tem acompanhado. Não me lembro se o sujeito da frase era "a vida", mas francamente este é um pormenor de somenos importância (diz uma busca pelo Oráculo do Google que sim, que é mesmo a vida). O que de relevante tinha a frase viria a seguir, verbo incluído: "é como os interruptores, ora para cima, ora para baixo". E se a vida é como os interruptores, também as prioridades às vezes o são. Eu explico, se me derdes licença.
Foi em Novembro do ano passado, mais dia, menos mês, que descobri que no segundo semestre deste ano lectivo que agora termina daria cinco disciplinas. Uma, já repetida, com um blá blá blá interminável e que me custa imenso ensinar, pois que se era aquela a minha vida antes do doutoramento, deixou de o ser, outra, uma disciplina cuja primeira metade já tinha dado, e três disciplinas novas. Destas, uma dada ao nível de mestrado, que "só" duraria quatro aulas, nada mais que verborreia, de políticas europeias. De quê, valha-me Deus?! Que sei eu das políticas europeias?! Também já ensinei isso noutra vida, quando ainda éramos quinze e o euro uma novidade, mas hoje... arrepios frios... Outras duas. Uma de macroeconomia, a um nível tão básico que eu devo ter aprendido isso na licenciatura há quase vinte anos, e outra de estatística descritiva e rudimentos de probabilidades, nada difícil mas trabalhosa porque já dei probabilidades há dez anos e o bom de se aprender teoria das probabilidades é, para alguns, esquecê-la.
Claro que, com as aulas, um horário medonho. Só à Quinta-feira, por exemplo, dava dez horas de aulas. As Sextas eram dia de enxaqueca, aprendi-o rapidamente, a exaustão do dia anterior era superior à minha resistência.
Entre tanta azáfama, uma gravidez, às três pancadas encaixada na minha indisponibilidade para sequer ter vida pessoal (às minhas amigas, por exemplo, cheguei a dizer-lhes que só estaria relativamente livre em Abril, para me esquecerem por completo durante Março!). E uma filha que só via ao Sábado e ao Domingo, mini-bolacha ficava com a minha mãe durante a semana, um colo seguro e tão (ou mais) competente que o meu.
E assim se passaram os meses desde Janeiro, a trabalhar para dar umas aulas minimamente decentes e aceitáveis para os meus padrões. Com uma carga docente tão brutal, não me sobraria tempo nenhum para a investigação, pelo que abracei a nova realidade sem me queixar em demasia (pobre Cris, que aguentou tão estoicamente os meus lamúrios..., entre tantas outras coisas, amizade é isto mesmo, ouvir queixumes contínuos e familiares como se fossem sempre novos e quase improváveis).
Workaholic profissional, tinha sempre mil e uma tarefas para acabar, desde a preparação das próprias aulas aos trabalhos de casa e questiúnculas absurdas de que os alunos se lembram (recebi um email de uma aluna de uma disciplina da qual sou coordenadora no qual constava, alturas tantas, "aviso-a já que" -- como!?!?). Top priority, portanto, trabalho.
Até que, na Quarta-feira, dia 30 de Maio, faltavam dois dias para o fim do período lectivo, exactamente três aulas, pumba, o que era top ficou bottom e o que era bottom ficou top. "Upside down", como alegremente diz a minha filha de mãos e pés no chão e rabo bem arrebitado. Contracções. Urgências obstétricas. Amigos em tumulto. Repouso (daí o turismo). Se o trabalho desse saúde os doentes estavam todos no activo, penso.
E as disciplinas, os alunos? Teimo em fazer os testes e ainda pensei que os conseguiria corrigir. Estúpida, não consigo estar ao computador mais de meia hora sem que as contracções voltem. Mas algo se há-de arranjar. Só tenho de me lembrar e relembrar que agora a prioridade é o biscoito. Que tem de ficar no forno a engordar e crescer (brinco muito com mamãe dizendo que me sinto um ganso ou pato na engorda para fazer foie gras, mas é um bocado assim).
Felizmente temos televisão por cabo. E com o descanso as contracções acalmaram.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Comunicação com a grávidas, uma lição em vários módulos

Don'ts
(nunca, jamais, em tempo algum)
#1. Saudar a grávida como se esta tivesse perdido a personalidade e o seu estado (de graça) a definisse como indivíduo. A grávida continua a ser uma mulher e o seu nome permanece um vocábulo ao qual responde, sendo o seu uso veementemente encorajado.
#2. Saudar a grávida com "Olá gorda" ou quaisquer variantes deste adjectivo, por mais mimosas e fofinhas que soem, nomeadamente "gordinha", "gordita", ou "gorduxa". É um no-no. Sempre.
#3. São igualmente ofensivas quaisquer variantes de "a tua barriga cresceu imenso" ou "a tua barriga está enorme" (insulto ainda pior).
Dos
#1. Saudar a grávida com "estás com tão bom aspecto que nem pareces grávida", (fingindo ar de surpresa) "grávida, tu!?, de frente ou de costas nem se nota!". Quaisquer variantes desta última são perfeitamente aceitáveis e até se incentiva o seu uso (e abuso).
Just perfect
#1. Comparar a grávida a uma top model (ver aqui a mestria, a sabedoria, a arte).

(em permanente actualização, pelo menos até Setembro)

Nota da jardinagem: este blog subscreve o movimento "Grávida também é gente".

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uma mulher grávida é ______

http://www.baby2see.com/pregnancylength.html

Tudo começa com as meias de descanso. Capitulei hoje, às vinte e uma semanas e dois dias de gravidez. Diz que estou a uma semana de estar no sexto mês.
A seguir vem a cinta de grávida.
Monsieur Bolacha, quando me vir, vai perguntar quem sou e porque engoli a Maria.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Das coisas boas de ser professora

É ter alunos (uma aluna, vá), a entrar-me no gabinete, três anos depois de lhe ter dado aulas, tão genuinamente feliz por me ver como eu a ela e eu lembrar-me do nome dela e do nome dos amigos, grupo giríssimo e interessantíssimo de miúdos que eu tive o prazer e privilégio de ensinar. Lembrar-me que queria ir para Itália (e foi!) e que tinha um namorado aborrecido (que num é mais). Lembrar-me que ambas detestamos pássaros. E lembrarmo-nos do quão porreiraças eram as aulas (às vezes).
É daquelas coisas que me deixa mesmo feliz. Levou abraços e beijnhos para os amigos. De minzinha, sem o "professora" antes, como devia ser.

sábado, 31 de março de 2012

Das coisas que (des)aprendemos com os alunos

Começo por avisar que podia ter escolhido um título diferente para este post (que prevejo se venha a tornar numa série não tarda nada). Concretamente, podia ter escolhido "Procrastinação, uma definição", que viria bem a propósito. É que estou sentada à mesa da sala de jantar com o firme propósito de corrigir testes (bem se vê que o meu conceito de firmeza se presta a uma interpretação mais liberal, não sendo portanto nada inabalável, talvez ao propósito lhe falte um pouco de "hirto", agora que penso no assunto).
Mas sentei-me com o tal do propósito, que até agora ainda não mexeu uma palha, e juntos decidimos aproveitar o que resta desta manhã de Sábado para corrigir uns testes (entenda-se "deprimir-me um pouco", é que já aquando da recolha reparei que a esmagadora maioria dos alunos resolveu não responder ao conjunto de três perguntas que valia oito valores, optando ao invés por concentrar a sua sabedoria nos doze valores que atribuí às perguntas de escolha múltipla).
Mas esta primeira abordagem ao teste, durante a qual já assinalei na grelha de correcção as questões a que os alunos não responderam (símbolo de "menos trabalho, menos trabalho"*), já me ofertou a primeira pérola de conhecimento. Ah pois, é que não tenho jamais a presunção de isto ser uma one way street, durante a qual eu só ensino, faço o download de conhecimento (importantíssimo) e não recebo nada em troca. Acabei de aprender, por exemplo, uma palavra nova:

Aventuras na correcção, 31 de Março, 2012

*O "menos trabalho, menos trabalho" é uma ilusão: os alunos que agora tirarem menos de oito valores vão aparecer-me todos no exame, em Julho. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Inda tás viva, melhér?

A dar cinco cadeiras diferentes e vinte e uma horas e meia de aulas, tem momentos que confesso que nem sei.*
Afinal parece que a miss num esqueceu de como vender aulas (ou acha que não, o que vale o mesmo e sempre 22.453% menos de ordenado). Questiono-me existencialmente se trabalharei menos 22.453% do que antes. Agradeço sugestões.
Gros bisous!



*Vinte e uma e meia porque as horas leccionadas depois das oito da noite valem por uma e meia. Talvez seja das poucas alturas em que três até são quatro meia.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mais lenta, mais fraca, e mais baixa

Ando há dias para escrever sobre este assunto ainda que as frases que vão tomando forma neste caderno inepto que é o meu cérebro sigam caminhos distintos.
Como se em vez de uma estrada ladeada pela montanha à direita e pelo mar à esquerda (Highway 1, sentido sul), de uma beleza que a Helena seria capaz de descrever mas eu só fui capaz de fotografar e nem assim adequadamente, a minha fosse uma autoestrada cinzenta e aborrecida, sem árvores que mudam de cor com os beijos do Outono (como as da Carolina do Norte, ah que delícia conduzir para e das aulas), ou os cactos e decorações que se vêem pelo Arizona, ou mesmo as colinas douradas do centro-oeste da California no Verão.
A minha estrada seria menos bem redigida, eu aceito despudoradamente, mas também diria (ainda que talvez com maiúsculas no início das frases) que...
cada vez mais acho que a amizade segue as mesmas, mesmíssimas leis do amor, até na paixão e no desencanto, na prova de fogo das traições e das grandes zangas. no fundo, talvez tudo se resuma sempre a algo que não podemos concretizar em razões e motivos claros, ou sequer compreensíveis. amamos os nossos amigos com volúpia e arrebatamento, com suavidade e desvelo, com a urgência que advém de sabermos que sem eles somos menos, menos felizes, menos completos, menos fortes, menos capazes. mas às vezes, como no amor, exactamente como no amor, alguma coisa se parte, se quebra, se estraga, e já não são o quase tudo que eram para nós. e recolheremos evidências desse novo estado com a mesma perseverança e naturalidade com que antes amealhávamos as da consanguinidade. e olhá-los-emos nos olhos com a distância directamente proporcional ao tanto que nos foram, experimentando como o gume de aço, até cortar, essa frieza imperial. e pensaremos: era de ti que eu gostava tanto? era a tua voz que queria ouvir todos os dias, era a ti que queria contar tudo, era a tua opinião que eu procurava sempre? eras tu o meu irmão?
O resto não copio porque não concordo. Perder um amigo deixa-nos mais lentos, mais fracos, e mais baixos, não o oposto. Qual é a alma amputada que se sente perfeita?
Obrigada, Helena, pelo link. Sim Senhora General!
E, porque hoje estou assumidamente (mais) piegas, obrigada amigos blogosféricos. Gosto de vós. Sabíeis?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Amizade, uma definição #2

Hoje dei por mim a dizer a uma amiga daquelas que não é do peito porque me tem toda, incluindo mãos, pés, e cabelo, enquanto ambas nos desculpávamos com a falta de tempo que nos levou a prometer durante a tarde de ontem que "daqui a dez minutos falamos um bocadinho" sem que esse bocadinho tivesse chegado a vias de facto, que se o poeta afirmou ser urgente o amor, também é urgente a amizade, pois que
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras. 
(Eugénio de Andrade)
Todo um dia é mais feliz quando estou com os meus queridos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O cheiro das férias

E hoje o cheiro é a sopa. De grão de bico, que ferve a contento e que mais tarde contentará as entranhas da cria.
Há algo aqui que não bate certo mas ainda não botei meu dedo (bronzeado e com os pelinhos entretanto semi dourados) no que é.
O engraçado disto é que o inglês me permitiria ter escrito "I smell something fishy" o que, não correspondendo de todo à verdade, seria uma expressão deveras adequada ao trocadilho cheiroso que estou a (tentar) fazer.
E pergunta mamãe, depois de ler o texto, afinal o que não combina. As férias e o cheiro a sopa, naturalmente. Pelo menos para mim. Férias cheiram-me a sandes de atum com maionese, alface, e tomate, cheiram-me a protector solar salgado, cheiram-me a bolas de berlim, cheiram-me a... não a sopa.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cof, cof, mamas, e o que eu gosto de um diminutivo*

'Inda se me estou engasgada com esta coisa da Dótora. Mais se me engasgo com esta sensação de que a bússola se me avariou e que o Pólo Norte mudou de sítio.
-- Cospe, cospe, bate nas costas, tosse e cospe mais um bocadinho --
Todavia hoje o dia foi feliz e sinto que o devo partilhar. Fui mostrar as mamas ao doutor e o gajo, entre dizer-me que a dor que tenho é de uma qualquer coisa costal blá blá blá paleio técnico blá blá blá e que está tudo muito bem, ainda me perguntou se sou escritora (ou, ante a resposta negativa, se sou professora de português), é que falo diferente, explica. Blá blá blá mamas saudáveis e ainda um elogio à minha eloquência. Uma gaja ali em mamas e prontos, lá se me vai o doutor comentar o léxico (o que, gaja desejosa que lhe passem a mão pelo pêlo que sou, bem me soube -- e nada de chalaças com mãos nas mamas/dito pêlo).
Mas fica já aqui o aviso que quando me passar o efeito dos três copos de rosé que bebi ao jantar e a euforia do blá blá mamas que se recomendam volto para comentar esta bicheza que se anda por aí a pegar nos blogs e que os extermina como se fossem grilos (lá em casa matam-se os pobres por não se matarem os escorpiões, long story, cadeia alimentar, essas coisas).
Nos entretantos descobri esta pérola nos comentários ao último post da Jonas das Nozes, uma ripostadela com finura e que eu acho devia ter sido usada lá pelo blog da Dótora I. (e da Pólo dos Nortes). Ora vede e depois dizei coisas:
De jonasnuts a 25 de Julho de 2011 às 21:32


E se fosses para o caralhinho?


Se não gostas da história, vais-te embora, e não voltas, ó palerma. Isto é meu blog, escrevo o que eu quiser.
Há quem ache que se devem ignorar os imbecis, que não se deve alimentar o ego alheio respondendo a insultos de baixo nível. Eu às vezes penso assim mas depois leio comentários destes e só me apetece desatar a bater palminhas. Mesmo que a malta deteste diminutivos pois que, como diz a Jonas mais à frente, "Para pessoas pequeninas.... só uso diminutivos :)" (explicando o uso do caralhinho).
E a mim que só mandam ir dar banho ao cão...

*Se isto não é um título convidativo não sei o que é.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Maria, a empata, ou 5.74 litros aos cem

Com a treta da pseudo-multa tornei-me num daqueles condutores que cumpre à risca os limites de velocidade impostos pela sinalização vertical. Chego mesmo a, pasme-se, conduzir uma ou duas milhas abaixo do limite quando mais contemplativa.
Tornei-me, portanto, numa empata.
O que empato propriamente não sei, porque, por respeito por quem comigo divide a estrada, deixo sempre alternativa para ser ultrapassada, não sou das que encosta à faixa mais à esquerda e depois ali vai, dolorosamente devagar, a perturbar o mais rápido fluir do trânsito. Conduzo então na faixa mais à direita, o que apenas numa situação dos meus trajectos habituais se revela uma chatice para quem me segue. É mesmo antes da Chandler Boulevard (sentido Este) se bifurcar entre a continuação da Chander e a Ray, que tem uma única faixa para quem vira à direita. Como normalmente só faço este trajecto à ida para o ginásio, portanto à Terça e à Quinta de manhã, não é particularmente doloroso para a comunidade condutora de Ahwatukee este meu vagar.
Ora para meu espanto, esta transformação na minha forma de condução deu-se de um modo bem menos pungente do que eu suspeitaria. No início conduzia assim por pura vingança, como se os demais condutores pagassem por tabela pelas regras estúpidas que exigem ser violada (nem que seja numa meia dúzia de milhas).
Mas agora, meus amigos, agora todo um novo mundo se abre diante dos meus olhos: são os passarinhos pousados nas flores dos cactos que consigo ver, são os estilos de corrida dos muitos atletas por quem passo que consigo discernir, são as diferentes tonalidades das flores que consigo observar... Ahwatukee é muito bonita e assim tenho mais tempo para gozar a sua beleza. Sim, descansai, os olhos vão sempre postos na estrada, mas como vou a passo de lesma, há tempo para tudo.
E os outros condutores, perguntais já algo abismados com este meu comportamento nada português. Pensais que ouvi alguma buzinadela, que alguém se colou à traseira do meu veículo numa de me constranger a andar mais rápido? Nada. O que, apesar de estar habituada ao pacifismo destas alminhas no que diz respeito à condução, até a mim surpreendeu.
Mais vantagens? Duas enormes.
A primeira noto logo no meu bolso. Na Terça-feira, à ida para o ginásio, fiz uma média de 41 milhas por galão. Trocado em miúdos... 41 milhas são 65.9831 km e 1 galão americano são aproximadamente 3.7854 litros, pelo que fiz uma média de 17.4312 km por litro ou, como habitualmente vem expresso, 5.74 litros aos cem (km). Nada mal!
O ambiente também agradece, a segunda vantagem e que se calhar devia ser a primeira mas a minha alma de pobre não deixa.
Finalmente, não acho que andar mais lentamente me obrigue a demorar assim tão mais a chegar onde quero. E, quando consigo esquecer que estou a ser uma empata, a viagem até é mais agradável e descontraída.
Quando estiver à rasquinha para ir à casa-de-banho acho que este zen todo vai pelo mesmo caminho que aquilo que o autoclismo levar. Mas até lá ohm!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Estou numa de partilha ou de onde vens tu, leitor querido?

Hoje mais do que habitualmente, porque é um facto que quem tem um blog partilha o que pensa, mais ou menos abertamente, sabendo sempre que é mais seguro guardar para si pensamentos, sentimentos, ou opiniões do foro mais privado, mais íntimo, até porque por muito que um blog seja descrito como um diário pessoal, é um diário que está, neste caso, aberto ao público, e nunca se sabe quem lê esta coisa. É por essas e outras que eu vou tentando evitar cair no excesso de revelação, às vezes por mim, tantas mais pelas pessoas que decrevo, que não têm culpa desta minha boca descarada e até estimulam que aqui venha garatujar umas coisas, em parte porque os diverte, na maior parte porque me diverte a mim.
Ora uma das coisas que me diverte -- nem sei se é este o verbo apropriado, mas quero a sequência da frase anterior -- é ver as estatísticas do blog. Não tanto ver o número de leitores por dia, porque isso, meus caros, é mais deprimente do que fonte de regozijo. Giro giro, e isso sim fonte de divertimento, é ver de onde vêm as pessoas que me lêem.
Muitas vezes sei quem por cá passa, até porque em vez de trincas vou recebendo emails com comentários sobre um qualquer post com mais piada ou que tocou mais (os de mamãe são clássicos). O meu público concentra-se na área de São João da Madeira, não sei porque Oliveira de Azeméis não aparece no radar do Google Analytics, imbecil!, havendo um ou outro fã em Lisboa, Porto, e Braga, todos eles amigos.
Mas, caríssimos, a verdade é que santos de ao pé da porta não fazem milagres, e o que me encanta são os visitantes de terras exóticas e que eu não faço ideia quem são. Por exemplo, hoje alguém me leu de Pau, uma terriola simpática lá para os lados da França. Também me leram em Vitória, a capital do estado do Espírito Santo, no Brasil, e que ainda por cima tem como alcunha "Ilha do Mel". Há lá coisa mais doce?
Pois é, acho piada a quem me lê de sítios exóticos. Um dia, em jeito de miminho a um leitor na Malásia, até procurei a palavra "abraço" em malaio. Acho que o leitor nunca o soube, mas eu cá aprendi a mandar um  memeluk, palavra com sonoridade engraçada e cuja utilidade futura não é de ignorar, podendo eu um dia vir a usá-la para nomear um canito.
Peço pois que não me julgueis demasiado severamente, que sou moça pacata e muito amiga. Pergunto-me se serei a única blogger com esta pancada...

Hug shirt
P.S. À custa deste post e de procurar uma foto para ilustrar o texto, ao googlar "photo hug" encontrei umas camisolas que dão abraços. A hug shirt tem uns sensores que comunicam com telefones, assim permitindo que sejam enviados abraços a quem as usa. Só me ocorre escrever neat, que é como que diz fixe! A Time Magazine também achou, elegendo-a, em 2006, como uma das Melhores Invenções do Ano. Um xiiiiiiiiiiiiiii!