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sábado, 22 de março de 2014

Adenda ao post quase anterior, "Falando cientifiquês", exigida por mamãe*

Mamãe, afirmando que deu umas gargalhadas quando leu o post, disse que lhe tinha passado um atestado público de burrice e que ela sabe muito bem que um paper é um artigo, e que eu fizesse o favor de desconspurcar a sua imagem aqui no blog.

*Este post pode ter sido escrito sob coacção.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Falando cientifiquês

Estava na casa-de-banho quando ouvi marido dizer a mamãe "I am working, I am writing a paper".

Mais tarde, em conversa, mamãe diz que marido não queria tomar conta do bebé porque estava a trabalhar, estava a escrever um papel. Estou quase a rebolar de tanto rir.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

How old is too old to say "I want my mommy"?

Pedi a mamãe que me fizesse companhia enquanto amamentava o meu filho. Recosta-se na cama, laptop no colo (que chique!), e finge uma atenção desmesurada no que está a ler. Claro que lhe pergunto o que é assim tão interessante. Diz-me que está a ler um artigo do JN, "Avós ficam deprimidos com emigração dos netos". Peço que mo leia mas ela não se descose, diz que não é importante e menciona um outro título relacionado, "Miguel Relvas "orgulhoso" da "nova emigração" de jovens bem preparados". Começo a matutar na macroeconomia desta emigração do Relvas e no post que gostaria de escrever e distraio-me. Ouço-a fungar. Se lhe perguntar o que se passa responder-me-á que são reminiscências da (minha) constipação por isso deixo-a em paz. Emigrar tem as suas benesses mas na maior parte dos dias é tramado com um "f" de proporções bíblicas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ninguém sabe o que eu sofro...

Aos berros, na cozinha open space e numa casa onde se ouvem as tuchas* das formigas de tão bem que o som circula:


Cortesia de mamãe, que diz gostar de mim mas eu a sério que tenho dúvidas.

*Ventosidade anal.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Das delícias de ter uma mamãe tentativamente bilingue

Hoje deixei que baixasse em mim a Mariana e decidi fazer beringela (eggplant) au gratin. Mamãe, lendo um tab que eu tinha aberto com a inspiração, pergunta com ar confuso: "Eggplant, planta do ovo!?". Ao que eu respondi que sim, que a beringela está para a planta do ovo assim como a borboleta está para a mosca da manteiga.

Eu vivo com isto todos os dias...

sábado, 22 de dezembro de 2012

Das coisas que uma mãe jamais deve dizer a uma filha

Na sequência de um ataque de tosse particularmente violento, mamãe diz, sorrindo-se toda: "Credo filha, tu encomenda a alma que estás meia podre". É suposto gostar de mim mas eu não ponho a mão no fogo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Da (grand)maternidade vista dos dois lados do oceano

Ontem à noite, enquanto skypávamos com os meus sogros, americanos, e que vivem na Califórnia, mamãe contou à minha sogra que o biscuit estava a dormir no quarto dela, levando-o até mim quando é hora de mamar & mudar a fralda. Estavam embrenhadas em gargalhadas pela brejeirice de mamãe, feliz por "ter um homem na sua cama", palavras da própria, quando a minha sogra lhe disse que ela era uma "excellent grandmother" (que é). Mamãe não pensou nem um segundo antes de lhe dizer que não, o que é realmente é uma "excellent mother", que isto de andar com o baby de um quarto para o outro é feito pela sua filha, moi-même, e não pelo neto (piqueno faz muitos barulhos enquanto dorme e não me deixa dormir).

Comendas, reconhecimentos, e agradecimentos à parte, que mamãe merece todos e ninguém está mais grato do que eu, é interessante notar o desprendimento que os americanos têm em relação aos filhos. Podeis dizer-me que é um exemplo só, que não é do grão que se faz a colheita, que é apenas mais um estereótipo, mas eles andem aí, amigos, eles existem mesmo: pais desprendidos, deslargados das suas crias quando já graúdas. Não é mau, é só diferente. Mas eu cá ainda bem que num gasto disso.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Adenda ao post anterior

Mamãe queixou-se de que a memória me falha. De que quando (eu) tinha sete ou oito anos fez uma torta de laranja memorável. Ora... tenho trinta e seis... noves fora...

Diz que o mundo está de pernas para o ar e é verdade

Mamãe está na cozinha a fazer uma torta de pêssego, receita de uma Teleculinária dos anos 80 que trouxe de Portugal. Veio armada de revistas e boa vontade. E agora está a exercê-la. Não me lembro de mamãe fazer um bolo. Está tudo doido.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sexta-feira treze

Mamãe foi arejar as tranças ao shopping center dos arrabaldes e volta para casa entristecida. Bem disposta e prazenteira, dispunha-se a excelsa senhora a adquirir um livro sobre o qual tinha lido uma crítica simpática e eis se não quando o abre, mais para observar o tamanho da letra e daí deduzir o conforto visual da leitura do que para outra coisa, e nota, com horror, que o livro vem já escrito  segundo as normas do (des)Acordo Ortográfico. Cabisbaixa, pousa-o na prateleira, e confessa à menina em voz sumida que ainda não é capaz.

Algum dia será o meu dia. Tenho medo. Tenho mesmo muito medo. E por isso agradeço, do fundinho do meu coração, aos autores portugueses que se recusam a ver as suas obras publicadas assim e se mantêm adeptos do português que eu aprendi na escola.

domingo, 6 de maio de 2012

Dia da mãe

Às mães. À minha, principalmente, a quem devo tanto e inclusive a mãe que eu própria sou. Nunca me esqueço de um dia me ter dito que nunca supôs que eu seria tão doce com a minha própria descendência. Naturalmente orgulhosa pelo elogio (hey, antes isso que pensar que me estava a dizer que eu normalmente tinha a ternura de um diospiro verde), disse-lhe ter frequentado a escola dela e que por isso não poderia ser de outro modo.

Dia da mãe 2002 by google, 6 de Maio, 2012

Esta parte agora apenas para as mães que são chatas. Muito chatas: "já comeste?", "lasagna não é jantar!", "não andes descalça!", "laranjas à noite?", "vais sair assim?". Enfim, a todas. Inclusive a mim desde que aderi ao clube:

Se não fosse chata não era mãe, ora!, 6 de Maio, 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tradutor Mamãe-Maria, Maria-Mamãe

Maria vai ao supermercado. É Domingo, assim manda a tradição, que lhe diz que abarrote seus alforges com os mantimentos de que necessitarão durante a semana, no seu caso em particular maçãs, bolachas, água, e rebuçados de fruta (é o biscoito quem manda nestes últimos).
Antes de sair, pergunta a mamãe se precisa de alguma coisa. Entre outros víveres, mamãe pede duas embalagens de Cerelac.
"Não queres dizer Nestum"?, pergunta Maria.
"Ah isso. Olha, e já agora traz-me um pacote de Chiquilim".
"Quando dizes Chiquilim estás a falar das Shortcake do Modelo"? pergunta novamente Maria, sobrolho franzido como convém a alguém em momento de profundo pensar.
"Isso, isso, tu sabes o que eu quero dizer", diz mamãe com um metafórico encolher de ombros.
Pois havia de ser lindo se não soubesse...

domingo, 8 de janeiro de 2012

O trabalho doméstico e o PIB

Sim, amigos, a economia está mesmo por cá em full force, que é como quem diz em potência.
A culpa não é minha, afianço-vos, juro-vos! A culpa é destas aulas que ando a preparar (talvez a expressão "com as quais ando a obcecar" seja mais apropriada).
Então hoje, mamãe e Maria conversavam sobre o muito trabalho doméstico que mamãe tem feito de maneira a que esta vos saúda se possa vestir de workaholic, roupagem que, vá-se lá saber por obra de que economista abençoado ou homenageado ou doutorado honoris causa, ainda serve, e assim preparar o material de apoio que distribuirá aos seus pupilos.
E a conversa versou, alturas tantas, sobre a contribuição de cada uma de nós para o PIB, que quer dizer Produto Interno Bruto. Produto quem, perguntais já a pensar se é desta que desistis de cá vir malbaratar vosso tempo, ou se não tanto desistir da minha companhia, pelo menos se é de parar já por aqui que o texto parece vir ratado e por isso xô!
Amigos, tende calma que eu vou com jeitinho.
O PIB é, tão simplesmente,
o valor de mercado de todos os bens finais e serviços produzidos por um país durante um determinado período de tempo.
E podia agora ficar a explicar as implicações de cada expressão nos parágrafos acima, desde isso do "valor de mercado", passando pelo "produzidos" e pelo "finais" até chegar à parte do "período" mas, porque vos estimo, é passar à frente.
E pronto, mamãe dizia-me da sua produção durante o dia (pelo menos o jantar foi um absolutamente delicioso arroz branco com lulas) e que tinha contribuído muito para o PIB. Indirectamente, talvez, ao deixar-me trabalhar, expliquei.
É que o trabalho doméstico, a bem dizer qualquer trabalho efectuado para autoconsumo, como o cozinhar, limpar, ou tomar conta das crianças ou dos idosos não é considerado pelo PIB. Essencialmente por razões de ordem prática, afinal como medir -- entenda-se avaliar -- o trabalho de alguém na sua casa? Por exemplo, como avaliar o valor da refeição preparada por uma mãe CEO com salário milionário a cozinhar para o filho? Será que este valor difere do valor da refeição preparada por uma mãe que recebe o salário mínimo; e se o pai ajudar a descascar as batatas enquanto toma conta de um filho e ajuda o outro nos trabalhos de casa, como se divide o tempo entre as tarefas?
Mamãe não gostou da observação e remeteu para o arquivo a minha explicação. Que se dane o PIB parece ser a opinião, trabalhou que se fartou.
E as lulas, amigos, as lulas estavam a derreter na boca.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Das delícias de ter uma filha bilingue #2

Flores coloridas do IKEA, 1 de Janeiro, 2011

Ontem, enquanto embalava a minha filha e lhe dava os últimos miminhos do dia, fazíamos o inoportuno exercício de dizer as cores das flores pequeninas que a piquena segurava em mãos. E digo inoportuno porque, como as boas mães sabem (hello mamãe!) e as outras andam a aprender, não é boa ideia ensinar ou rever conhecimentos mesmo antes do deitar.
Baloiçávamos então docemente na cadeira que a minha queridíssima sogra usou para embalar os três filhos e por isso devia estar melhor treinada na arte de conduzir os petizes para o sono enquanto eu lhe perguntava as cores das flores.
E a conversa foi, alturas tantas, mais ou menos esta:
-- E esta flor, meu amor?, perguntei apontando para a cor-de-rosa.
-- Piiiink!
-- E esta?, perguntei eu pegando na verde.
-- Veeeeeeeeeede!
-- E esta, doçura?, perguntei mostrando-lhe a laranja.
-- Óóóaaaaaaaaange!
-- E esta?, perguntei apontando para a amarela.
-- Amaieio!
-- E esta, ternura?, perguntei eu mostrando-lhe a roxa.
-- Cinco!

Nota: a ordem pode não ter sido esta e a flor em causa pode não ter sido a quinta, mas lembro-me de que era a roxa.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Estás magra, uma definição

Quase consegui, em antes de, aqui vir perguntar a V. Exas. que sei andarem ocupadas a voltar a casa, nas compras de Natal, a preparar os preparativos..., quanto tempo acháveis que mediaria entre a chegada de minha progenitura e um seu comentário (elegantíssimo) sobre o peso e/ou massa corporal de sua prole (eu mesma).
Em mente tinha um conjunto de perguntas de escolha múltipla (também há quem lhes chame "testes americanos", mas eu não sou parcial à expressão, que acho xenófoba e pouco simpática), qualquer coisa com "dois minutos", "dez minutos", "meia hora", "uma hora", "mais tempo do que a anterior", ou "________" caso preferísseis uma resposta aberta (bem sabeis que é objectivo deste estaminé agradar-vos).
Pois bem, digo-vos eu já desconcentrada pelo tic-tic das agulhas de tricô de mamãe aqui mesmo atrás de mim, que tem entretido as suas horas a malhar umas camisolas ou casacos para "a sua preferida" (termo meu que designa a minha própria cria e que, não vos chocais, já levou mamãe a confessar ainda gostar de mim "mas eu gosto tanto dela" -- reparastes nas aspas, não reparastes? está aqui ipsis verbis, mais coisa menos coisa), foi entre um abraço e um beijo, se tiver de ser precisa.
"Estás magra", disse com os olhitos húmidos (mamãe é dada ao lacrimejo fácil). Frase que, pude perceber ao longo de três décadas de pesquisa familiar intensa, quer dizer "tive saudades tuas" e "estou feliz por te ver". Não demorou nem dez segundos. E não tem nada a ver com o meu peso e/ou massa corporal, afianço-vos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ida e volta

Os aviões levam. Hoje trazem.
Mamãe vem a caminho.
Valha-me Deus.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Das consequências de amigar mamãe no Facebook, parte 2 1/2

Estando mamãe de Maria e a própria em amena cavaqueira no Skype, deu-se por um acaso do destino que a conversa abraçasse o seu post mais recente, dando hipótese a que decorresse o seguinte diálogo, mais ou menos fielmente transcrito consoante a memória desta vossa amiga:
Mamãe: "Não percebi."
Maria: "Então, foi a propósito daquele teu comentário sobre a minha foto do perfil."
Mamãe: "Oh, mas gostas mesmo de te ver naquela fotografia?"
E continua dizendo, por exemplo, que "agora estás muito mais bonita", como se as câmaras dos computadores ajudassem à beleza das misses. Deve ser das saudades... Ou é disso ou é da idade, que já ouvi dizer rouba em visão (o que cede em afectos, termino eu).

Adenda: A pedido de várias famílias (mamãe faz melhor pressão que três lobbies juntos), Maria já mudou a sua foto de perfil no Facebook. É mais fácil assim.
Adenda verdadeiramente importante: quando o Miguel aprova a mudança, a malta sabe que fez bem.
Adenda terceira: grande aglomerado de pessoas (praí umas três ou quatro) faz "Like" na fotografia e/ou aprova a mudança. Maria tem a certeza que fez bem. Maria jura a pés juntos jamais dizer a mamãe que tinha razão.

Das consequências de amigar mamãe no Facebook

Mamãe: "A sério que achas que estás bonita na tua fotografia do perfil?".

Mães: a inventarem beleza nas suas crias desde tempos imemoriais e hoje em dia a culparem as câmaras/fotógrafos/iluminação/... quando nem a imaginação lhes basta.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Idiosincrasias de mamãe

Mamãe queixa-se que o carrinho da M. está escangalhado (não adorais a palavra?) e não anda bem.
Pois, suspira Maria enquanto arregala os olhos e destrava a roda da frente direita.