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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Here comes Santa Claus, here comes Santa Claus, Right down Smile lane*


Aviso aos mais caligraphy-inclined: comentários depreciativos serão perdidos durante a sua viagem de servidor em servidor.

*Adaptado do "Here comes Santa Claus (Right Down Santa Claus Lane), de 1947, de Gene Autry e Oaley Haldeman. Numa versão muito Disney aqui.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estou a perder o juízo

Lentamente, pepita a pepita.
Imagino que perder o juízo seja tarefa para levar o seu tempo, como um copo (flûte?) cheio com um furinho pequenino no fundo que se esvai gota a gota. Imagino que não seja coisa repentina, como perder umas chaves, uns óculos de sol, um livro, ou um casaco, que são meros instantes de distracção e depois puft, foi-se.
O meu juízo está a ir embora devagarinho, sei-o. E só não garanto que sinto as teias de aranha a aparecerem nos espaços onde antes habitavam células que eu imagino gordas e saltitonas como os glutões do OMO porque, enfim, ainda me resta algum. Juízo, quero dizer.
Não sei bem a que se deve esta diminuir da capacidade, talvez a causa seja única, talvez não.
Começaria por culpar a gravidez e o pós-parto. Os americanos têm uma expressão muito adequada, "mommy brains", que explica, baseados no cansaço e na privação do sono, o desmemoriamento das mamãs (e as crises existenciais, digo eu). Estudos científicos, porém, parecem indicar precisamente o contrário, que o cérebro das mamãs cresce:
E eu que pensava estar no bom caminho... humph!
A seguir na lista de possíveis culpados vem esta vida de quase pária. Estou longe de tudo e de todos, e os meus contactos sociais são poucos, resumindo-se à minha filha, ao meu marido, à senhora do ginásio que verifica o cartão e me dá as toalhas, as baby-sitters do dito ginásio (sobre isto hei-de escrever um texto), os caixas do supermercado, e as professoras da escolinha da cria. Mas Maria, perguntais já V. Exas., "tu pareces ser tão boa pessoa, não tens amigos?!" -- notai que até ali pus o ponto de exclamação para denotar bem a vossa surpresa. Tenho, tenho, mas estão todos muito ocupados, e só nos vemos, com um bocado de sorte, uma vez por mês. Fora as conversas via Skype, as trocas de comentários e chats no Facebook, os mails, e este mesmo cantito, a minha vida social resume-se a isto. Se eu ao menos fosse um nadinha esquizofrénica talvez me sentisse mais acompanhada, e poderia ter discussões bem mais inteligentes comigo própria, quiçá uma das minhas outras personalidades pudesse ser uma rocket scientist, outra uma especialista em literatura, e a outra em música, garanto que assim seria bem mais divertido. Acho que me faltou aqui uma fashionista hard core para me dar umas sugestões de vestimentas glamorosas, mas que venha, então.
A terceira causa, ligada às duas anteriores, é a licença de vencimento, a ausência do ritmo de trabalho, de que eu gosto tanto e tanta falta me faz. Deixem-me trabalhar!!!! como dizia o outro. Trabalho é coisa que não me falta, desde aulas de disciplinas novas que tenho para preparar e os papers da tese quase quase quase prontos para mandar para os journals (sorry pelo jargão académico, achei que daria um ar distinto à coisa).
Se a causa é apenas uma ou se são várias misturadas, não sei. Só sei que há dias me esqueci de uma reunião que tinha sido marcada e cuja ocorrência foi sobejamente lembrada durante a manhã e depois, às duas da tarde, foi-se, e hoje mamãe mandou-me uma mensagem a dizer que lhe marquei o voo de regresso a Portugal no dia errado, exactamente uma semana depois do meu.
Juízo, bye-bye, gostei muito deste bocadinho.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sexta-feira negra

Hoje sei que fui má mãe. E não, não escrevo com sarcasmo, com ironia, ou a tentar ser engraçada. Hoje, sei, sinto-o, fui má mãe. Ou não fui boa mãe, o que redunda no mesmo.
Há já algumas noites que a minha filha não dorme bem. Acorda, chama-me. Mamããããã! E vai aumentando o volume até que, rendida ao facto de que não voltar a adormecer, me levanto e vou ver o que se passa. Normalmente encontro-a de pé, uma perna de fora do berço como se fosse tentar sair por ela própria. Fá-lo sem convicção, ambas sabemos que tem medo de cair como já aconteceu no passado e se estatelou, de cabeça, no chão. E espera-me ou ao pai assim, de perna de fora. Também já aconteceu ir encontrá-la toda nua, a dizer "cocó, cocó", seguido de um "piúúúúúú", que é um "blherc" mas à americana que a minha sogra lhe ensinou. E se ontem foi uma fralda com algum chichi, hoje foi a sede. "Auei, mama, auei". Voltou à cama depois de uma fralda nova, uns golinhos de água, e um "Is ca pé", a música do Verão e que não é mais do que o verso "Diz também que me adoras" da música do Barney.
Às oito da manhã já estava a chamar por mim outra vez. Abri os olhos como se estivesse a abrir umas portas pesadas de dobradiças presas. Sentia-me amarrada ao sonho que ainda estava a ter, perdida, nem acordada nem a dormir nem coisa nenhuma. "Mamããããããã". Levantei-me a custo, tonta. O pai já lá estava, a fralda já estava mudada.
Vimos para baixo, despe-se. "Chichi, mamã". Vai buscar o pote. Senta-se. Levanta-se. Corre pela casa. Marido diz-me que ela não pode andar assim, vai fazer chichi ou cocó no chão ou no tapete ou sofá e não pode ser. Ele sobe ao primeiro andar para tomar banho. Passado um bocado ela chega à minha beira já nua. Não quer fralda, não quer calças, não quer camisola. Também não quer meias nem sapatos, tem os pés frios.
Passam umas horas e já ambas temos o banho tomado. Mais uma luta para por a fralda. Não se quer vestir. Pomos a fralda no Coelino, ligo a caixa de música com as joaninhas que toca o Fur Elise mas nem o rodopiar das joaninhas a distrai. Entretanto está muito congestionada, é preciso pôr soro no nariz e aspirar a ranhoca. Nova luta. Peço-lhe que pare, faço cara feia, dura, digo-lhe mesmo "stop". Nada a demove. Levanto a mão. Pergunto se quer "tau-tau". Diz-me que sim. Eu ignoro sorrindo um sorriso só meu. Continua a debater-se. Digo-lhe outra vez "tau-tau". De repente nem penso, uma palmada.
Faço-lhe entretanto o almoço. Sobrou pato ontem do jantar e eu acrescento-o ao arroz que estou a cozer. Costuma gostar muito de arroz de pato. Telefona a minha mãe enquanto cozinho. Digo-lhe que estou cansada, que estou aborrecida, talvez com um PMS medonho. Discutimos viagens, discutimos o desfraldar da miúda, discutimos as férias de Natal que se aproximam. No meio disto tudo discutir é a palavra certa, estou incapaz de conversar. A miúda já está outra vez sem calças. E tira a fralda. Não se quer sentar no pote. Vai andar de triciclo enquanto diz "fesquinho".
Lá a convenço a pôr a fralda, o arroz já arrefeceu o suficiente para que coma. Até ligo o Pocoyo. Cospe o arroz e o pato. "Prrrrrrrrrrgh" vem tudo fora, não quer nada. Desligo a televisão, mostro-lhe que sem o arroz não há Pocoyo. Está chateada. Eu estou para além disso, a paciência e ternura infinitos que imagino apanágio das mães perfeitas hoje não me assistem, não lhes vislumbro nem uma sombra. Ela não quer nada, só quer tirar a fralda. E tira.
Já nem o que leva a quê. Levanto-me irritada. Chego à banca da cozinha e pumba, atiro com o prato para dentro da banca com violência. Rico exemplo, penso. Há arroz e pato e prato por todo o lado. Isto de partir a loiça é muito bom nos filmes ou nas novelas mas nem por isso na vida real, onde os pratos estão sujos e a comida tem gordura. A miúda está estarrecida. Quer colo, quer vir para minha beira. Agora há pedacinhos de louça pelo chão, pode cortar-se. Não há colo. Chora.
E eu só quero sair daqui. Só quero que alguém lhe dê um colinho por uns minutos. Até nem quero que a sujeira que fiz seja limpa, não. Só quero que alguém tome conta da miúda para eu apanhar ar.
Há dias assim. Hoje foi um deles.

Nota: Eu tenho uma vida muito porreira e sei-o. Mas viver com um marido workaholic numa cidade onde não tenho ninguém para tomar conta da miúda para eu poder sair por umas horas e tratar de mim ou das minhas coisas custa-me muito. Há mães que levam os filhos para todo o lado e adoram. Eu não. É uma chatice levá-la, por exemplo, às compras. Nem sempre nem nunca. Eu nunca tenho o sempre. Eu tenho sempre o nunca. E a escola, não ajuda? Sim, ajuda. Mas ela está na escola nem chega a três horas. Parece que acabei de me sentar, responder as uns mails, e já é hora de a ir buscar. Almoça. Faz uma sesta de poucas horas e tudo recomeça. Quero sentar-me a escrever, a trabalhar, as interrupções são constantes. A vida não pára e há sempre coisas a fazer. E estou cansada. Hoje estou mesmo muito cansada.

domingo, 20 de novembro de 2011

Orgulho familiar, uma definição


Avô Álvaro (Ferreira Tavares) e Tia Zita (que até podia ser de Tiazita mas não é, o Zita vem de Rosa, de Rosita). Os primeiros dez minutos são todinhos deles. E dos bolos. Zamacóis, queijadinhas de cenoura, doce húmido, blá blá blá, pasteis de nata. Os tais que são uma delícia.
Diz o meu avô que ainda trabalha e é verdade (no vídeo também canta, lá pelo minuto 19). Pela altura do Natal, Ano Novo, e Páscoa, aos 85 anos labuta como se tivesse trinta. A amassar bolo rei ou pão-de-ló, está na confeitaria ainda o sol não se levantou e só de lá sai já a maior parte dos portugueses jantou. É uma força da natureza este meu avô. A Zita é, de entre uma dançarina louca, uma pasteleira de mão cheia. É uma tia com as letras todas que felizmente acompanha a sobrinha nas loucuras.


Quem estiver por perto passe lá. Fica em Oliveira de Azeméis, mesmo ao lado da Câmara. Encomendas, desvarios, e pedidos: 256-682-257. A adesão às nets ainda não é grande coisa, por isso não vos remeto para o mail. Tradicionalismos, é que é.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dúvidas linguísticas de Maria Bê (antes isso que existenciais)

Parece que não sou só eu que escorrego nesta ravina propícia ao deslize que são as locuções verbais constituídas por um verbo auxiliar ou semiauxiliar e por um verbo principal. Hoje, o título de uma notícia do Público:




Segundo o Priberam
Nas locuções verbais constituídas por um verbo auxiliar ou semiauxiliar e por um verbo principal, apenas o verbo auxiliar deve concordar em número com o sujeito (ex.: os miúdos vão ficar cansados depois de tanta correria; as plantas podem crescer mais ainda se puseres adubo).
Pelo sim pelo não vou escrever isto numa ardósia aí umas dez vezes a ver se não me esqueço.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Fantasia, the movie

Até a Disney o encontrar e retirar do iutúb:


E o FVD suite está aqui.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Uma risada trigonométrica

Começo por dizer que me podia ter dado para pior. Podia, afinal, ter-me dado para aqui trazer cálculo diferencial. Ou equações diferenciais, já que estou numa de números (perdão, letras).
Imbuída que estou por um espírito que começou já a pensar no material de apoio que vou dar aos meus queridos pupilos (depois de os conhecer eventualmente reverei o epíteto, mas por enquanto acho bem manter-me optimista), o outro espírito ainda está a desfolhear um qualquer catálogo de ou roupa (tipo JCrew) ou de móveis (tipo CB2 ou DWR), decidi vir trazer-vos dois miminhos. O primeiro miminho uma gargalhada. O segundo um "ahhhhhhhhhhhhh", cortesia da Khan Academy, que começou com Salman Khan, um tio empenhado a dar explicações à sua sobrinha Nadia e que rapidamente se viu a fazer vídeos para o youtube, e que alberga hoje mais de dois mil e seiscentos vídeos em áreas tão distintas como finanças, história, até mesmo medicina. 
Comecemos, então, pela gargalhada, coisa que até me parece muito apropriada porque Novembro já chegou e, segundo ouvi, com ele trouxe aquelas pingas molhadas que caem do céu, há quem lhes chame chuva, eu chamo-lhe "estão trinta graus e um céu azul, isso é o quê?":
Pitágoras estava com um problema. Ocupado que andava com os seus afazeres, não parava mais em casa. A mulher dele, Nusa, aproveitava-se da situação e fazia o amor com os 4 cadetes que viviam no quartel ao lado. Um dia, Pitágoras, cansado, voltou mais cedo para casa e apanhou Nusa e os quatro cadetes em flagrante. Irritado, matou os cinco em plena orgia.
Na  hora de enterrar os safados, em consideração à esposa, dividiu o cemitério ao meio, em 2 quadrados iguais. Num deles enterrou a mulher. Depois, dividiu o outro lado em 4 partes iguais e enterrou cada cadete num desses quadrado menores. Cansado, Pitágoras subiu à montanha ao lado do cemitério para meditar e, olhando de cima para o cemitério, achou a solução do seu problema.
Era óbvio: o quadrado da puta Nusa é igual a soma dos quadrados dos cadetes.
Fantástico!
Do Teorema de Pitágoras, que nos diz, literalmente, que a soma dos quadrados dos catetos (os lados do triângulo juntinhos ao ângulo recto) é igual ao quadrado da hipotenusa (aquele coladinho ao lado maior, oposto ao ângulo recto -- se não sabeis o que é um ângulo recto, é um que, não sendo torto, mede exactamente 90º).

Ilustração do Teorema de Pitágoras

Ora do riso fácil de quem lhe falta (algum) siso (estais aqui, não estais?) vamos então a uma coisa mais séria, ou não fora Trigonometria um palavrão quase impronunciável em certos meios (seria já ver a clientela adolescente a fugir se a houvesse).
Cortesia da Khan Academy, aqui vos deixo uma introdução à Trigonometria (o vídeo tem legendas em português do Brasil). A sério que vale a pena e afinal nem dói tanto assim.


Maria Bê, a tentar fugir à trigonometria desde o 12.º ano.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Serviço Público: A short introduction to living in Portugal 1/2

Só para aqueles mais preguiçosos e/ou que não quiseram ler o texto todo, tenho mesmo mesmo mesmo de vos vir aqui trazer uma pérola que, de tão bem apanhada, não merece ver todo seu brilhantismo (ou pelo menos parte dele) votado ao abandono, ao esquecimento, à ignorância. Aqui está, devidamente formatada, centrada e bem italicizada para que não percais nem uma gotinha deste néctar tão sapiente:

Confesso só aqui, algo em surdina para que nem todos me ouçam, que não percebi bem se este artigo tinha como objectivo trazer malta até à Lusolândia ou dizer-lhe um vade retro. Às vezes fico assim, confusa.

Serviço Público: A short introduction to living in Portugal

Yeah, right!
Cof, cof, sorry, quero dizer, desculpai este meu instante de confusão linguística.
Estava moi passeando por meu Facebook (Maria tem facebook, senão como se inteirar das notícias da sua centena de amigos mais próximos (são 124, caramba, que eu conheço tanta gente!!!) quando viu, pelo Portugal Daily View (sou friend do Vítor da Bica, o tal que é... mesmo uma simpatia), uma notícia, que não sendo necessariamente de interesse para todos os mui queridos e de companhia tão sobejamente apreciada leitores, será de interesse para um. Perdão, uma. Que virá, de armas e bagagens, ainda que não saiba se também trará seu tão famoso sofá, de Berlim.
Assim, não vá mais alguém precisar de uma pequena introdução ao viver em Portugal, ou conhecer quem precise, aqui está.
Quem é amiga, quem é? You're welcome (o bicho está em inglês).

sábado, 10 de setembro de 2011

Das festas de Nossa Senhora de La-Salette

Este texto, que escrevi enquanto escrevia o anterior, é um excerto. Só que é um excerto com vida própria, até mesmo com tom próprio que é, à falta de adjectivo mais apropriado, reverente. Isto porque eu, que adoro uma incursão pelo humor politicamente (in)correcto, tenho um carinho pela santinhas, a de Fátima e a de La-Salette (que eu ainda me lembro que é com dois tt), e não consigo brincar com elas. Exigem-me mesuras, não tolices, fazer o quê. E foi assim que o texto que ia gozar com o fundo musical das minhas férias de Verão 2011, e que fruto das minhas dúvidas ortográficas (La-Salette é com dois ll ou com dois tt ou ambos!?) achou por bem contextualizar a celebração da cidade, se transformou em dois.
O texto, o tal excerto, parece-me então um enxerto do anterior, pois que nele se apoiou enquanto o escrevia, tomando-lhe o fio condutor e seguindo-o na sua orientação, e vive agora aqui sozinho e dando a descendência necessária. Se de uma pereira até podemos tirar maçãs ou de uma figueira de figos pretos podemos tirar figos pingo de mel, do texto da música pimba tiramos uma procissão, fotos da Santa, e um momento cultural-existencial-religioso-filosófico-musical-e o que mais vos aprouver.

A aparição de La-Salette, que até tem direito a blog próprio com actualização regular (descobri agora), o A Aparição de La-Salette e suas Profecias, é celebrada todos os Agostos com a pompa e circunstância necessárias e reflexas de um povo crente e devoto.
A aparição propriamente dita deu-se em 1846, na montanha de La-Salette, em França, quando dois pastorinhos tiveram uma visão (os santos e apetência pelos pastorinhos... há aqui um objecto de estudo muito claro, ainda que eu não saiba bem a que domínio da ciência ele pertença, se à teologia se à psicologia, mas adiante). Contando tudo ao povo, lá foi erguida uma capelinha vinte anos mais tarde (numa clara diferença de tratamento que foi oferecida aos nossos pastorinhos na Cova da Iria, mas novamente passemos à frente que isto agora não interessa nada ainda que devesse ser objecto de estudo de...).
Para terras de Oliveira de Azeméis a Nossa Senhora da La-Salette já só veio em 1870, quando o Padre João José Correia dos Santos, Abade da Paróquia, organizou uma procissão de penitência levando o Santo Cristo ao Monte do Crasto e aí sugeriu a construção de uma capela para a Santa. Reza a lenda que ainda o padre não tinha acabado o seu discurso quando o Verão escaldante, que vinha a afligir a população pela seca que trazia e assim fazia antever o fantasma da fome e da miséria, deu lugar a uma chuva abençoada. Estava criada a lenda e, um ano mais tarde, a primeira pedra foi lançada no local onde hoje é o Parque de La-Salette. A imagem da Nossa Senhora, esculpida no Porto em 1975, aguardou pacientemente na Igreja Matriz que a Capela, a sua Capela, fosse terminada em 1980.
Actualmente, as festas em honra da N. Senhora começam com a levada da imagem da Capela até à Igreja Matriz, no centro de Oliveira, numa procissão noctívaga de uma beleza singular. Os cânticos, as velas, as pessoas tão diferentes que se juntam num mesmo propósito e assim transcendem o eu individual, passando a pertencer, quais elos de carne e osso e alma, a uma corrente de fé e de amor -- linhas que só mostram que estive a ler o "Amar, Comer e Orar" ou coisa que o valha nestas férias, mas isso é pesadelo tema para aprofundar noutro sítio (a menina é teimosa e leu até ao fim).
No segundo Domingo do mês a imagem é trazida de volta à Capela, numa procissão já diurna e na qual figuram todos os meninos e meninas das Comunhões. Eu gosto, entre outros, de ver a evolução das modas, e lembro-me sempre do quanto eu queria umas mangas de balão no vestido da minha Comunhão Solene e mamãe nada, ainda hoje dizendo que eu fui muito bonita e que o meu vestido foi copiado em comunhões futuras e ainda por lá andam vestígios (era em bordado inglês de gola quadrada, e tinha um pormenor giro, um cinto feito de duas fitas de cetim largas, uma cor-de-rosa e uma marfim, que se sobrepunham).
A procissão deste ano foi assim...

O antes de e o começo, os cavalos a abrir a procisão, as bandas, e os meninos.

A Nossa Senhora de La-Salette.

O fecho da procissão.

As gentes crentes.

O fim.

E como não há procissão sem tambores e banda filarmónica...



Ide em paz e que A Força vos acompanhe.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O que fazer com dois pneus novos?

Ai ai ai, até aposto que ao falar em pneus a malta pensou logo nos refegos que, culpa de uns jeans que agora vão teimando ser de cinta descida, dão aquele efeito bolo-de-arroz que ninguém gosta de ver, culpa do Verão e dos modelitos impossivelmente magros e impossivelmente celulite-free que a televisão, o cinema, as revistas, e mesmo a internet nos impõe, almas facilmente impressionáveis que somos.
Não é, todavia, desses pneus que hoje venho aqui falar, é dos outros, daqueles pretos e de borracha que, se muito independentes sabemos trocar ou que, se nem por isso ou então sim mas sempre dispostas a deixar um cavalheiro cavalheirar, o que só é delicado e gentil e revela o quão lady somos, deixamos o dito cavalheiro trocar.
Ora, sem mais delongas, a pergunta a que o vídeo responde é esta, tão simples: se o carro precisar que lhe sejam substituídos apenas dois pneus, pois que os outros dois ainda dão para uns km valentes, vão os novos para a traseira ou para a dianteira?


You're welcome. Favor enviar agradecimentos a mamãe, que antes deste video me enviou um outro com um lobo que se disfarçou de ovelha... enfim... um destes dias tenho de pensar em tirar-lhe o acesso à internet. Mas até lá vão ficando umas coisas potencialmente úteis.