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terça-feira, 25 de setembro de 2012

max{ . }

Pensei se devia ou se não devia. Pensei se podia. E concluí que sim, que devo e posso. Porque o meu blog é feito de afectos, para aqueles que me lêem e que me acarinham, uma foto do meu mais novo amor, o Maxim, Max para os amigos, biscuit (lido à francesa) para os de cá do estaminé:

Biscuit, 25 de Setembro, 2012

Mais tarde virei escrever sobre aquelas dúvidas que me assolavam antes do bebé nascer, se seria capaz de gostar tanto dele como da irmã. E virei dizer que se dissiparam e que sim, que o amor infinito se multiplica.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Amor, uma definição #8

Marido chega a casa de Chicago, foi lá a uma conferência e está fora desde Quinta-feira (hoje é Domingo). Maria toma banho e, para surpresa de sua mamãe, tenta pentear-se (Maria normalmente não se penteia, este é o sinal de amor, se é que ainda não tínheis percebido).
O que leva Maria a chegar à primeira conclusão brilhante do ano: se não consegues desfazer os ninhos-de-rato no cabelo, não te penteies e sorri instead.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ceci (ainda) est un post natalício #6

Ainda pensei chamar a este texto "As coisas que só acontecem aos outros, uma definição".
E depois pensei começá-lo definindo a palavra "outros", que é o plural do determinante e pronome indefinido "outro" que significa, por exemplo, não este, diferente, ou mais um.
Começaria portanto o tal texto com uma definição de "outro" e, mais ou menos rapidamente, decerto menos pois que sou dada ao raciocínio tortuoso e à escrita circular, ser curta e grossa é característica que não me pode ser apontada, terminaria com um "eu hoje sou os outros" ou alguma expressão de idêntico sentido todavia mais polida.
Mas não.
Insatisfeita com o pouco número de textos que tenho escrito ultimamente e achando que a minha rubrica natalícia está seriamente depauperada, continuo na série que comecei no dia 23, véspera da véspera do dia que foi ontem e portanto hoje é o dia a seguir.
Confesso desde já que ainda não tive tempo de passear pelos meus jardins suspensos da blogosfera e não sei se é de bom tom vir para aqui falar dos presentes que o Menino Jesus ou o Pai Natal ou entes queridos ou o próprio deixou no sapatinho ou na árvore de Natal ou na stocking ou no parapeito da janela.
E como não sei vou falar dos meus. Ou de um meu em particular.
Vamos então ao texto que de certo modo se poderia ter chamado "As coisas que só acontecem aos outros, uma definição" e que eu decidi continuar, sem desprestígio para o dito, na rubrica nataleira.
Mito urbano blogosférico: marido oferece a sua (amantíssima) senhora bilhete de espectáculo para o Le Rêve, em Las Vegas daí a dois dias. Voam dia 27 e regressam a 28. Já combinou com a mãe da própria baby sittar a cria de ambos.
Maria Bê, ao serviço da comunidade blogueira para provar que há mitos que são verdade.
E que há coisas que, só acontecendo aos outros, às vezes acontecem a nós.
Eu hoje sou "os outros".
Afinal até estava bem.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Amor, uma definição #7

É eu chegar a casa de uma consulta aborrecida no médico e, em lágrimas, escrever-lhe um email a pedir que não me ofereça (mais) presentes de Natal, se calhar vamos ter de gastar dinheiro em tratamentos e afins. E receber de volta, no estilo curto e grosso que é o dele e no qual a ternura é condensada e doce como o leite, que valho cada cêntimo (no original penny, que por enquanto e até o câmbio voltar ao 1:1 vale um nadinha menos, mas vós percebeis e desculpais a liberdade que por ora chamo de criativa).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Das coisas que nunca perguntei enquanto namorávamos

É certo que bem cedo (ou adequadamente cedo) tratei de saber se era dog-lover ou se tendia mais para gatos. Se era vegetariano, vegan, alérgico aos amendoins ou à lactose, se cheirava mal dos pés. Se gostava de ler ou de ir ao cinema (eu nessa altura ainda gostava, depois é que fiquei traumentalizada da minha vidinha e desde 2008 que nunca mais lá pus os pés). Se gostava de cozinha portuguesa, em particular de lulas. Se era asseado e estava bem treinado na arte de deixar o assento da sanita pousado (foram até hoje raras as vezes em que, distraída, molhei as partes pudibundas). Se era mais montanha ou mais mar (diz que duas horas de praia são "one day at the beach", true story, mas estamos a trabalhar nisso).
Nunca me ocorreu, todavia, ainda mademoiselle, perguntar se gostava de brincar com bonecas. Se sequer sabia.
Gosta. E sabe.
Melhor do que eu, atrevo-me a acrescentar.

domingo, 9 de outubro de 2011

Amor, uma definição, #6 [Lamechas alert]

Há pouco, enquanto instalava o software da máquina fotográfica no computador, a minha filha veio ter comigo e pediu-me "ápis" (lápis). E lá foi ela, toda lampeira, para a sua secretária, pois que só aí pode dar asas ao Picasso que há em si. Eu fiquei na minha secretária a olhar para ela, as barras da instalação do software a ficarem mais e mais cheias de verde, a contagem decrescente a decrescer, como esperado. E, vindo do nada, aquele soneto da Florbela Espanca tão bem cantado pelo Represas começou a tocar na minha cabeça:
E é amar-te assim perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente! 
Há dias em que percebo tão bem a mãe (entenda-se, a sua tolerância para comigo, que ando impossível).

P.S. Este post também se podia ter chamado de "Fartura, uma definição": no escritório cá de casa há três secretárias, a do marido, a minha, e a da pequenita (a mais bonita):

Secretária da mini bolacha, 9 de Outubro, 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Amizade, uma definição #2

Hoje dei por mim a dizer a uma amiga daquelas que não é do peito porque me tem toda, incluindo mãos, pés, e cabelo, enquanto ambas nos desculpávamos com a falta de tempo que nos levou a prometer durante a tarde de ontem que "daqui a dez minutos falamos um bocadinho" sem que esse bocadinho tivesse chegado a vias de facto, que se o poeta afirmou ser urgente o amor, também é urgente a amizade, pois que
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras. 
(Eugénio de Andrade)
Todo um dia é mais feliz quando estou com os meus queridos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Amor, uma definição #5

Meia branca esticada até cima, marido de Maria, 1 de Julho, 2011

Amor é estar casada com um gajo que, americano até ao tutano, usa sapatilhas com meias brancas bem puxadas até ao umbigo. Ele jura que não. Eu tenho provas. Felizmente não cheira mal dos pés. Isso seria um problema e não sei se haveria amor suficiente para salvar o casamento.

sábado, 2 de julho de 2011

Não tenho tv, não tenho ar condicionado, mas tenho wireless

Enquanto o marido está a aguentar o calor do delta de Sacramento e, simpaticamente, pratica as suas tarefas de groomsman -- bolas, no post anterior escrevi que ele era best-man mas não é, é groomsman, que é uma espécie de dama-de-honor mas à gajo, portanto mais peluda mas igualmente absurda e mal vestida --, Maria aguenta o calor no quarto e aproveita para ler os 81 posts que estão a negrito no google reader e postar uns quantos pensandos. De porta do quarto escancarada, ventoinha aos pés da cama apontada na minha direcção, escrevo sentada na cama, recostada em duas almofadas, computador nas coxas (como se não estivesse já calor que chegasse!). Estão, diz o weather.com, 36ºC.
O hotel é estilo Art Déco, o que agora percebo quer dizer que não há elevadores. Construído em 1927, portanto no pico da Prohibition Era, que de 1920 a 1933 proibiu o fabrico, a venda, e o transporte de bebidas alcoólicas, o hotel foi oferecendo um conjunto vasto de serviços, desde o já esperado room and board até a um menos esperado, pelo menos por mim, que sou um bocado inocente (ou tansa), serviço de atendimento ao público com enfoque nas relações humanas (bordel). Este último, a par de um serviço de venda (ilegal) de bebidas alcoólicas, que aliás motivou a instalação de um alçapão secreto que escondia uma ligação directa até ao rio, deu ao hotel um certo misticismo e frisson, o que por sua vez levou à sua procura por parte de celebridades de todos os tipos, de presidentes a políticos, e de mafiosos a estrelas de cinema, por exemplo passaram por cá Clark Gable e Judy Garland. Diz que nos anos 80 "[t]he Hotel has (...) undergone a major renovation, maintaining  the character of the original design while incorporating contemporary amenities, such as Jacuzzi tubs, with glorious river views. What has been achieved is an ambiance that is both unique and casually elegant." Ainda que elevadores nem vê-los (o que não me chateia, juro) e ar condicionado idem aspas (isto já me chateia um bocado porque está calor e o marido não dorme quando há muito calor e faz-me a vida num, hoje mais literal e esquentante do que gostaria, inferno).
Posso entretanto dizer-vos que da major remodeação não fizeram parte as janelas, pois que a da casa-de-banho, de madeira carcomida pelo sol e pela brisa do rio quando há, está carunchosa e, infelizmente para mim, sem vidros, que estão partidos e apanhados do lado de fora.
À péssima qualidade da janela da casa-de-banho juntam-se as do quarto, que são duas, uma de lado da cama e a outra mesmo atrás da cabeceira. Estas últimas, de alumínio ou outro qualquer material mais ou menos ferroso (que percebo eu destas coisas?), são uma anedota no que a janelas diz respeito. Bom, lá que abrem e fecham isso é verdade, lá que deslizam sobre uma calha, sim. E é isto o que tenho a dizer. O que realmente me importa e me está a moer o juízo é que as putas, duas das quais viradas para a air vent do hotel, não são solução para o barulho imenso que aqui se faz ouvir. Estou de phones canceladores de ruído nos ouvidos, aparelhómetro devidamente ligado, Amor Electro e Donna Maria aos berros no youtube, e mesmo assim ouço o cabrão do ruído.
Desculpem, amigos, eu tenho issues com barulho, e não consigo dormir em quartos barulhentos. Eu sou sempre a esquisita que, aquando do check-in, pede ao infeliz da recepção um quarto afastado do air vent, das ice machines, e das portas dos elevadores. E que, muitas vezes não satisfeita, desce à recepção e diz ser inadmissível aquele quarto.
Estou feita, não vou dormir duas noites...
Ah sim, estou cheia de saudades da minha filha, que entretanto hoje já foi à praia a São Francisco com a avó, já aprendeu a dizer "ocean", e até já foi dar de comer aos gatos da tia. Está cheia de sorte, a casa dos avós é tão sugadinha... E fresca, pá, fresca!

domingo, 19 de junho de 2011

Dia do pai nos EUA, e que o céu não nos caia na cabeça

Hoje é dia do pai nos EUA e, como manda a tradição (consumista), há presentes para ofertar ao meu amantíssimo esposo, pai da minha filha. Tenho a impressão de que é ideia generalizada por cá que só assim conseguimos demonstrar o quanto gostamos dele (eu tem dias, mas a nossa filha parece gostar tanto dele como do Coelino, o seu coelhinho cor-de-rosa, fiel companheiro de aventuras no reino do seu berço, às vezes até mais), por isso presentes it is.
Presentes, sim. No plural. É pai que merece.
O primeiro, que anda a pedir há não sei quanto tempo, é um poster emoldurado de um concerto a que foi enquanto jovem inconsciente. No dia dos namorados teve um, da sua banda preferida, e hoje terá o outro.
Mas mais importantes são os presentes de que nem suspeita, os primeiros três livros do Astérix. Em inglês, naturalmente.
Não sei quando foi que descobri que o meu mais-que-tudo não fazia a menor ideia de quem eram o Astérix e o Obelix, ainda que me lembre que foi a propósito de não entender uma referência ao meu medo que o céu caísse nas nossas cabeças. Esta foi, aliás, uma das primeiras provas de fogo da nossa relação. Por Toutatis!, como estar com alguém que não conhece o Obelix, os seus menhires, e o seu mais do que fiel amigo Idéfix, que não conhece o Panoramix, o Druida e a sua celebérrima poção mágica, que não conhece as curvas da Bonemine...
Ahhhhhh... estes americanos são loucos...
Se entretanto ele não gostar, desde já aviso que amanhã haverá uma nova trintona no pedaço, livre, leve e solta, olhos cinzentos/azuis/verdes, cabelos castanho claro, amante de uma boa gargalhada, de uma bossa nova, e de um ou vários pacotes de bolachas.

domingo, 12 de junho de 2011

Amor, uma definição #4

Eu almoçar uma sandes de fiambre e rúcula porque ele gosta muito de arroz de pato e não há que chegue nem "para a cova de um dente".

sábado, 11 de junho de 2011

Amor, uma definição #3

Chega a casa cansado. Duas conferências em três dias, a primeira em Seattle, no estado de Washington, na Quinta-feira, e a segunda em St. Louis, no estado do Missouri, na Sexta.
Diz-me que foi bumped para primeira classe nos dois últimos voos, de Seattle para St. Louis e de St. Louis para Phoenix. E que, vendo-as tão convidativas no seu pacotinho de gémeas, resolveu trazer-me as bolachas do avião.

domingo, 29 de maio de 2011

Adenda ao post "eu também quero um ❤ blogosférico"

Aos leitores atentos que observarem, correcta e oportunamente, que a Maria também cozinha postas de pescada sobre o "Amor(e)", e até lhes põe essa etiqueta ridícula, é importante esclarecer o seguinte:
#1. Maria, observadora da verdade até ao mais ínfimo dos pormenores, jamais afirmou que o senhor bolacha é o melhor dos namorados, maridos, companheiros, parceiros, e por aí fora, "do mundo".
Não vos enganeis, Maria gostaria muito que assim fosse. 
Bolas.
#2. Maria afirma, aliás, que o senhor bolacha não é o melhor dos namorados, maridos, companheiros, parceiros, e por aí fora, "do mundo".
O que é uma pena.
Bolas.
#3. Maria também não é, nem no todo e nem na parte, nem um rim ou canto do fígado, a melhor das namoradas, maridas, companheiras, parceiras, e por aí fora, "do mundo".
Até calha muito bem que amantíssimo esposo de Maria não seja o melhor dos namorados, maridos, companheiros, parceiros, e por aí fora, "do mundo", o universo está em equilíbrio e não virá por aí nenhuma praga de gafanhotos comer as palmeiras de Maria.
Graças a Deus! 
(também por causa da praga de gafanhotos)
#4. Maria gostava muito de ter um melhor dos namorados, maridos, companheiros, parceiros, e por aí fora, "do mundo".
Maria é mas é uma invejosa.
O que é uma pena.
Bolas.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mudança de paradigma ou "eu também quero um ❤ blogosférico"


Nas minhas muitas incursões pela blogosfera que tanto podem demorar oito como oitenta minutos, é normal encontrar textos de meninas, senhoras, jovens ou nem por isso, que têm o melhor namorado, marido, companheiro, parceiro, amanteziú, enfim, o melhor seja o que for do mundo. Ah sim, porque tem de ser do mundo.
As ternuras são para todos os gostos: há ofertas de sapatos porque a moça disse gostar muito deles, há fins-de-semana em hotéis de charme, há jantares surpresa à luz das velas, há a observação de que aquele é o vestido usado no primeiro encontro/beijo/abraço/..., há a poesia deixada na almofada ao levantar, enfim, uma miríade de mimos cuja enumeração (mais) exaustiva nos deixaria ainda mais exaustos e quase diabéticos de tanto mel.
Ora há muitos anos, a nós meninas os contos de fadas falavam de príncipes que salvavam princesas das garras de madrastas ou irmãs enciumadas, falavam de caçadores corajosos que salvavam jovens encapuzadinhas de filiação política duvidosa das garras de lobos gulosos, falavam de princesas capazes de reconhecer um grão de ervilha debaixo de mil colchões para, no fim das contas, ir casar com o seu herói. Tenho p'ra mim que até a Caracolinhos Doirados, a tal que comeu a papa dos ursos, arranjou maneira de se casar com um príncipe, tão ou mais galhardo que os das outras misses.
Hoje o discurso é outro, e as mães e avós, ajudadas pelos pais e avôs, que a modernice entre outras coisas tratou de envolver mais o macho na educação/formação/estragação da prole, falam às meninas da importância da matemática e de cursos de engenharia, falam de independência, falam de viagens, falam que o mundo que as viu nascer não acaba quando muda a tabuleta da localidade, e que tabuletas há muitas, escritas em vários caracteres e em várias cores, há só que procurar. Às meninas já não se fala de príncipes senão para dizer que a gata borralheira tinha mais era de ter mandado as irmãs à fava, as gajas que limpassem por elas ou então contratassem um serviço de limpeza, que a lixívia faz mal aos pulmões e ainda por cima estraga as unhas.
Hoje o discurso é outro e a fonte também é outra. Vejamos... Deixados um bocado para trás os livros que contam histórias de amor (e quem ler a minha resposta a este repto, quando a houver, ficará a saber que eu nunca o fiz e me recuso terminantemente a fazê-lo), é na blogosfera que vou encontrando os meus novos heróis, os meus novos príncipes encantados, aqueles que oferecem jóias, sapatos, carteiras..., que preparam pequenos-almoços, almoços, brunches..., que à socapa organizam fins-de-semana, piqueniques, vacances,... Aqueles que são o "melhor namorado do mundo, o meu", o "melhor marido do mundo, o meu", o "melhor companheiro do mundo, o meu", "o melhor amigo do mundo, o meu", o "amanteziú mais competente na cama do mundo, o meu" e por aí fora.
Eu também quero um amor blogosférico. Onde me inscrevo?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Amor, uma definição #2

Netgear N600 blá blá blá

Não estar acordada nem há meia hora, prestar atenção a uma descrição detalhada do Netgear N600 Wireless Dual Band Gigabit Router, e ainda ver o vídeo com uma porventura mais pormenorizada explicação das suas potencialidades. Depois de ter dito, repetida e veementemente, "you want it, you buy it"  e "really, I don't need to see the video".

domingo, 8 de maio de 2011

Ordenhar o dia


Hoje é dia da mãe nos US. O que quer dizer que, cá em casa, o dia é meu. E já começou com um pequeno-almoço à deux (coincidência) durante o qual perguntei à minha melhor metade "so, what are you going to do on this Mother's day?", não fosse ele planear o seu dia de outro modo que não em torno de mim.
Os americanos têm uma expressão que eu acho apropriada para o que estou a/vou fazer, "to milk", que literalmente significa ordenhar e que no caso em apreço caso significa tirar proveito da situação.
Vou portanto ordenhar o meu dia até não poder mais. Muu!

Nota da tradução: Então, o que vais fazer neste dia da Mãe?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Amor, uma definição

Amor é estar finalmente refastelada no sofá, a escrever o texto que se vai publicar no blog daí a minutos e, à quase meia noite, levantar o rabo do dito, calçar as sapatilhas, e ir ao supermercado buscar pastilhas elásticas*, que o homem quase se desfazia.
Eu não disse que era bonito. Ou sequer romântico.

*Má ideia a de lhe dizer o que ia publicar. Fui censurada e "pastilhas elásticas" foi o que de melhor me ocorreu. É que eu não fui buscar pastilhas elásticas. Mas isso acho que vós já tínheis percebido. Acho que o paternalismo/excesso de zelo é mais um sinal de que me americanizei.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Está aberta a saison!

Aviso: contém imagens eventualmente chocantes para leitores mais sensíveis. Ou que não gostem de escorpiões ou outros insectos rastejantes. Ou ambos. Ou para a minha mãe.

Escorpião do Arizona em posição defensiva (ou de ataque)
Escorpião do Arizona sob luz ultravioleta

Aqui no Arizona já chegou a Primavera. São sete e pouco da noite e lá fora estão uns simpáticos 26°C, amanhã esperam-se 31°C de máxima. A cada dia que passa a relva fica mais verde e há mais flores na paisagem (eu um dia trago aqui fotos, prometo). Ora até aqui tudo bem, tudo a soar muito primaveril. Há a referência ao quentinho, há a referência ao verdume, há a referência às flores, tudo muito lindo.
Agora o que não é nada lindo, muito pelo contrário, é que cá por estes lados a Primavera também traz... engole em seco... escorpiões. Para mal dos meus pecados, o Arizona é sobejamente conhecido pela sua população de escorpiões, em particular pela população de, olhem que nome tão apropriado, "Arizona bark scorpions", de seu nome técnico Centruroides sculpturatus.
Então vamos lá a uma lição-em-três-partes sobre os escorpiões do Arizona a ver se vossas excelências são um nadinha solidários com este meu drama.
Primeiro, a taxonomia.
O bark scorpion pode ser traduzido para o "escorpião da cortiça" ou, com um pouco mais de criatividade, "escorpião do latido". Ainda que goste mais do som da segunda, inclino-me mais para a primeira versão e explico porquê. Em primeiro lugar, dada a cor. O escorpião do Arizona tem uma cor amarelo-acastanhada a fazer lembrar a cortiça, debaixo da qual, aliás, gosta de se esconder. Em segundo lugar, o escorpião não late, quando muito ferra, e ferra a valer, daí que haja uma lição assaz importante de aprender com o ditado "escorpião que ladra não ferra". Não ladrando nenhum, ferram todos.
Para piorar um bocadinho o cenário, o veneno destes mafarricos é o mais venenoso do reino dos escorpiões, e a ferroada é dolorosa para cara***, associando dores lancinantes a sensações de dormência e de formigueiro. Malta, eu aqui há meses fui ferrada por uma vespa e vi-me e desejei-me. Já me disseram que a ferroada do escorpião é pior.
Segundo, o habitat.
O escorpião do Arizona, vivendo naturalmente no Arizona, está muito bem adaptado às condições de vida no deserto, e por isso igualmente bem preparado para passar grandes períodos sem água. Gostam de se proteger do calor infernal durante o dia, e é vê-los felizes e contentes debaixo de rochas, pilhas de madeira, ou cortiça. É escurinho e abrigado? Há insectos por perto? Então se és um escorpião do Arizona, este é o teu paraíso!
Terceiro, coisas mesmo catitas.
A resistência dos escorpiões é nada menos que impressionante, sendo apenas igualada pela das baratas e alguns lagartos. Já foram afogados e congelados para umas semanas depois emergirem do seu soninho frescos e lampeiros como se nada fosse. Também já foram sujeitos a testes nucleares sem que se tenham observado efeitos adversos.
Um facto muito curioso e finalmente de alguma utilidade para moi é que estes escorpiões brilham quando expostos à luz ultravioleta. E foi ver-nos ontem, senhor bolacha e sua senhora (eu!), cada um com a sua lanterninha de luz ultravioleta pelo jardim, num date, caçando escorpiões. Ambos procuramos, mas quem manipula o death pole é ele. Eu encontrei seis, ele encontrou um (eu ia à frente).
Resultado:
Variação da população de escorpiões no nosso quintal: -7.
Ainda sobram umas centenas. Está aberta a caça.
Prometo manter-vos ao corrente dos nossos avanços.

Cortesia de defensora dos direitos dos animais para também defensor dos direitos dos animais: escorpiões não são animais. Pronto.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sabes que te americanizaste um little bit quando... #1: (Não ao) passar da roupa

Quando tiras a roupa da máquina de secar, a espalmas bem direitinha e sem rugas, dobras, e pões no sítio.
Adenda: eu a minha máquina de secar a roupa.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Arroz de pato


Às Terças e Quintas o senhor bolacha levanta-se com as galinhas. Hoje é Terça e lá se levantou o senhor pela muito fresca enquanto eu fiquei no quentinho. Quando me levantei tinha outro pacotinho de shortbread na almofada. É de lhe fazer o arroz de pato, não é?