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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Olha, também há passarinhos!

Eu disse que somos gente que gosta de bichinhos! Para que não penseis que somos pessoas humanas que se dedicam somente a chacinar pobres e indefesos escorpiões (já disse que são os mais venenosos da América!?), convosco partilho um vídeo caseiro de um quail bebé, pequenito, tão lindo (sabeis que odeio pássaros, certo? sou extraordinariamente fóbica, mas prontos, sacrifico-me em prol de vossa felicidade):


Momento National Geographic over (and out).

Variação absoluta da população escorpiónica da casa nos útimos dois dias: -5 (a relativa é insignificante)

Escorpião ao luar brilha sob luz ultra-violeta, Phoenix, 2 de Setembro de 2013

Fica o aviso, este é um post impróprio para cardíacos, animal lovers, e animal lovers cardíacos. Somos gente que gosta de bichos, até temos dois filhos, mas é com particular desagrado que partilhamos o espaço com escorpiões (para os que são novos a este deserto, fica a lição de que aqui onde moro é popular o Arizona bark scorpion, cujo veneno é particularmente doloroso -- é letal somente para alérgicos). É um direito que nos assiste, pronto.

Ontem, como aliás anteontem, Monsieur Bolacha perguntou-me se queria ir scorp hunting. Estava no sofá, enrolada na mantinha (faz um frio cá em casa, bolas para os gajos e para o ar condicionado que gela uma gaja até aos ossos), a devorar mais um episódio de Orange is the new black, mas fui. Sei lá, acho que estas coisas são boas para a intimidade do casal, para se passar tempo junto e isso. Nunca li na Cosmo nem na Maria que caçar escorpiões em conjunto fortalece a relação, mas antes isso que roubar lojas de conveniência e aparecer no "America's Most Wanted, Couples on the Run". Outras coisas haverá igualmente salutares, mas hey, cada uma com a sua sina e com os dates que merece (devo ter um karma muito particular para me punir assim).

Anteontem caçámos dois escorpiões, cada um encontrou o seu, foi bonito, igualdade, média a corresponder exactamente à quota parte de cada um. Ontem já não, o moço encontrou três e matou-os aos três (eu normalmente observo e depois digo "my hero" com uma voz melosa, às vezes ainda sai um "you are sooo brave"). Dessa carnificina há um registo. Um, apenas. Os outros dois escorpiões foram mais traiçoeiros: um estava na nossa porta de entrada e foi necessário conduzi-lo de volta ao Criador antes que ele se conduzisse para dentro da nossa casa. Ó ele aqui (não se vê, sorry):

Escorpião na porta de casa (big no-no!), Phoenix, 2 de Setembro, 2013

O outro estava debaixo de um aloendro juntinho a umas rochas, longe de mim e da câmara. Quando lá cheguei já não havia escorpião para contar a história. Que, bem vistas as coisas, é sempre a mesma e só varia o cenário. O death stick é sempre o mesmo, o método também.

Se continuardes já sabeis, é por vossa conta e risco. Eu avisei, ok? Não é bonito. Não é! Mas it works.

Manuseador de death pole: Monsieur Bolacha; Operadora de câmara: yours truly

Depois digo-vos se encontrei mais escorpiões hoje à noite. Duvido, é dia de exterminador...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

AZ Wildlife, numa cozinha perto de si

Querida DNC,

O prometido é devido, lá diz o povo. E eu andei atrás da promessa, bem como o monsieur aqui da casa, que desafiou o calor das noites de Agosto em demanda da bicharada, porém sem sucesso. Convictos de que as pulverizações venenosas do Dave estavam a surtir efeito, cruzámos os braços, contentes, e deixámos de pensar no assunto.

Qual não foi, portanto, o nosso espanto, quando descobrimos um unwanted guest a pavonear-se na nossa cozinha: vindo não fazemos ideia de onde, um escorpião. A sequência de eventos descreve-se rapidamente. Marido passou-se com a descoberta e foi buscar o death pole à lavandaria, mal me dando tempo para ligar o iCoiso. Eu bem lhe disse que queria fazer o filme para ti, "remember my friend, I promised her a video of a scorp", mas ele só me dizia que o escorpião podia fugir para debaixo do frigorífico e aí era uma chatice (é possível que tenha usado uma expressão mais gráfica, mas sinceramente não me recordo). Mas ficou o vídeo da chacina, coisa de facto estranha para se dedicar a alguém, mas nós sabemos de que falamos. Com ternura, portanto, um vídeo para malta corajosa e certamente contendo imagens chocantes.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Arizona vida selvagem: Beija-flor

A minha blogosfera é feita de afectos, de ternuras. Esta é para a minha tão doce D.(N.C.)*: um muito, mesmo muito pequenino beija-flor, a voar sobre a relva (vê-se a mancha quando em modo full screen). Tinha estado mais perto de nós, mamãe e eu, instantes antes, mas eu não fui rápida o suficiente para o filmar.


O beija-flor é uma ave (blherc, pássaros!) que até para os meus padrões (blherc, pássaros!!) é fofinha: é dos pássaros mais pequenos que por aí avoam avoam, medindo geralmente entre os 7.5 e os 13 cm. Conseguem a proeza de aparentemente flutuar em pleno voo, tudo porque são capazes de bater as asas a uma velocidade impressionante, entre 12 e 80 vezes por segundo (por se-gun-do!), dependendo das espécies. Também aprendi pelo oráculo da Wikipédia que é o único grupo de pássaros que consegue voar de trás para a frente. Mas o que realmente me derrete toda é o nome: beija-flor. Há lá vocábulo mais ternurento? Beija-flor...

E porque estou mesmo numa de delícias, aqui vos deixo o Cazuza com o seu próprio (Codinome) Beija-flor:

*Desculpa, querida, este ano não há escorpiões aqui por casa. Acho que o dinheiro que estamos a pagar ao exterminador é mesmo bem pago, que não os há em lado nenhum. Monsieur Bolacha já por umas vezes foi passear pelo jardim à procura dos bichos (de propósito para ti!), mas estão ausentes em parte incerta. Mantém-se todavia a promessa: o próximo vídeo é todo teu.

domingo, 8 de abril de 2012

Arizona vida selvagem: Feliz Páscoa

Coelhinho da Páscoa, cortesia de Monsieur Bolacha:

"Baby bunny likes our lawn", mensagem do marido de Maria, 8 de Abril, 2012

E que tenha sido muito doce a vossa Páscoa.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vamos fazer amigos entre os animais

No Domingo, armados em família de movies e não tanto a disfuncional que acho bem melhor corresponde à realidade, fomos ao zoo. Phoenix tem um zoo, ah pois tem, a umas escassas centenas de metros do jardim botânico, apropriado e adequadamente chamado de Desert Botanical Garden, cheio de cactos e palmeiras e palmeiras que parecem cactos, eu sei lá, só picos.
Entre várias fotos lindas que fiz da família e nas quais não se encontra nem uma, nem uminha de mim própria, que até nem sou feia, pois que marido odeia parar de "enjoy the moment to capture the moment", coisas de gajo pouco adepto das fotografias e bem mais adepto de uma mulher trombuda porque nunca tem registos de nada, nunca aparece nas fotos, parece que nem foi, nem esteve, vamos a ver nem existe, fiz umas que vou aqui partilhar.
Entre as várias fotos de bicharocos que fiz (nas quais, se quiserdes incluir o marido eu até nem me importo -- ai jesus, que a moça hoje anda de candeia às avessas! com o moço, nã, pá, eu é mais isto e menos corações a saírem-me pelos olhos, então não vos lembrais que é grande ânsia minha ter um amor blogosférico, daqueles com direito a flores, viagens, roupas caras, carteiras fabulásticas, sapatos de salto alto, e não tanto, cá entre nós, um prosaico e de ter por casa com direito a garrafa de cachaça como presente de aniversário), fiz esta que, pasme-se, me fez lembrar do nosso primeiro ministro, logo a mim que sou rapariga pouco dada à política e ainda por cima a um Domingo. Se fosse à Terça, ou quem diz à Terça, à Quinta, talvez não me chocasse tanto.
Não resisto a partilhá-la com vossas excelências, talvez lhe encontrais o mesmo encanto que eu. Ou, se nem por isso, que vos divirtais tentando.

Pedro, o burrito do Phoenix Zoo, 6 de Novembro, 2011

Também fiz esta que achei novamente útil enquanto forma de investir uns minutos de vosso tempo brincando ao "o que é que não pertence aqui"? Se eu fosse uma blogger decente fazia um concurso e oferecia um brinde (um kit-kat ou um Hershey's kiss, não vamos cá entrar em histerias despropositadas) ao primeiro leitor a acertar, mas como não levo jeito e além do mais quero os brindes todos para mim, better luck with the next blog. Mando todavia uma salva de palmas virtual a quem disser.

Girafas, Phoenix Zoo, 6 de Novembro, 2011

Acho que, todavia, e falando aqui de bloggers decente, sou gaja para mandar um mail à Pólo Norte a participar no Polar Postcrossing 2011. Acho giro e, aparentemente, não tenho mais que fazer (ou amigos a quem enviar postais).*

*Também sou gaja para vos mandar um postalito se me emailardes um nome e uma morada. Ah sou sou!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pior do que encontrar um escorpião debaixo do pouf da sala é...

... assumir que ele tem companhia e efectivamente encontrá-la atrás do móvel da televisão.
Nas nossas cabeças subsiste a dúvida: e se os gajos eram mais kinky e a sua ménage era à trois ou peut-être à quatre (grandes malucos!).

sábado, 18 de junho de 2011

Arizona Vida Selvagem #4: turum turum turum*

Em dias de calor, a fauna do Arizona:


Louie, o tubarão, o chlorine dispenser (distribuidor de cloro).

*Da banda sonora do filme Jaws, O Tubarão, composta por John Williams.

domingo, 12 de junho de 2011

Arizona Vida Selvagem #3: Aquilo é um lagarto!?

O meu mais que tudo é um bocado pitosga. Coisas de muito tempo sentado ao computador -- eu bem digo que o trabalho não enobrece coisa nenhuma, só causa maleitas e transtornos do mais diverso calibre. Eu, graças aos muitos dólares que foram investidos na tecnologia Lasik e aos meus próprios dólares que foram investidos na clínica do Dr. Kelly, em Raleigh, vejo bem desde 2006. Foi portanto com algum espanto que o ouvi dizer que no cimo do muro estava um lagarto, normalmente não os vê.
Levantou-se da cadeira parecendo um puto numa loja de doces. O meu santo marido, doçura de criatura, para além de ver mal e trabalhar em demasia, faz real jus ao epíteto nerd e gosta de lagartos, inclusive teve um em cativeiro aquando, se não estou em erro, da licenciatura. Devias ter muitas namoradas, devias...
Perante tal excitação até eu tive de ir ver o tal lagarto. Era grande, era mesmo grande! As fotos, tiradas pelo iCoiso, não ficaram grande coisa, mas dá para perceber que o bicho era grande.

Find lagarto, 4 de Junho, 2011

Lagarto a fazer cu-cu, 4 de Junho, 2011

Será que há algum fundamento real e não meramente retórico na expressão "cobras e lagartos"?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Arizona Vida Selvagem #2: Bug pequenito

Como já vem sendo hábito na família bolacha, um dos dias do fim-de-semana é dedicado à jardinagem, coisa que até dá prazer a monsieur e madame bolacha, em parte porque o podem fazer juntos. Não tem o sossego de um filme no sofá e nem a conversa de um passeio pela vizinhança, mas trabalhar lado a lado, ainda que às vezes em lados (da casa) opostos, tem o seu quê de ternurento.
Normalmente madame bolacha trabalha de tesoura da poda em riste -- a estória do arbusto diz-vos alguma coisa? A quem diz ficai sabendo que sim, ainda lá está (a quem não diz, é favor começar aqui, continuar aqui, e terminar aqui, obrigada), atenção ao advérbio, daqui a uns tempos voltamos a conversar.
Como manda o figurino, são da responsabilidade de monsieur bolacha as tarefas mais árduas. Desde o cortar da relva ao operar do soprador de folhas (leaf blower), tudo o que exige mais esforço físico é automaticamente recambiado para o seu corpo forte e musculado.*
Recusando-se terminantemente a podar o arbusto zombeteiro, madame foi-se às palmeiras, cujas folhas amaldiçoadas as faziam parecer despenteadas. Com o cuidado necessário a quem, mesmo podando de luvas, sabe que em pico de folha de palmeira não se deve meter a mão, madame bolacha lá foi podando folha atrás de folha, palmeira atrás de palmeira. Sempre com calma, com meiguice, que nesta coisa da flora do jardim já aprendeu a senhora que a dita por vezes vira o ramo à tesoura e agride sem dó nem piedade.
E eis que, contemplando o alvo do próximo corte, madame viu...


Na base de uma folha de palmeira já cortada, um louva-a-deus pequenino e saltitante. Ao fundo, qual banda sonora, o soprador de folhas.

*Maria escreve sentada no sofá, ao lado do marido. Maria tem estado a traduzir excertos deste texto e sabe que o marido vai apreciar a adjectivação. Além do que Maria está a apreciar a companhia e só lhe apetece escrever coisas bonitas. O espírito do texto é esse, e Maria desde já pede desculpa a quem não está para ler pirosadas logo ao início da semana. Maria entende. Maria promete ser breve. Maria até tem coisas a dizer sobre este tipo de textos tão fatela. Mas Maria não as dirá hoje. Ufa, Maria conseguiu escrever Maria dez vezes num só parágrafo. Maria acha que é obra. E pateta.

Nota da redacção: Este é o segundo texto de uma série que vou tentar escrever durante a semana. O tema, o Arizona. Porque o Arizona não é só escorpiões, o Arizona não é só deserto, o Arizona não é só cactos. O Arizona é, surpreendentemente, bonito. E sim, as vírgulas são assim mesmo. Porque eu fui apanhada de surpresa.

sábado, 21 de maio de 2011

Arizona Vida Selvagem

Para apaziguar os leitores que pensam que no Arizona, ou pelo menos em Phoenix, só há escorpiões, hoje trago aqui algo diferente. Tão diferente, mas tão diferente, que até há direito a narração cuidada por parte da mini-bolacha. O que diz exactamente é impossível descortinar, aliás qualquer ajuda nesse sentido é bem-vinda, todavia posso dizer-vos o que significa: coelho(s). Na sua linguagem cuidada de criatura de vinte meses, chama "iche" a tudo o que é coelho.
Às vezes penso que "iche" vem de Alice, uma cadela linda com quem a mini-bolacha travou amizade aos nove meses; nessa altura, todos os cães se transformaram em "iche", e até nos seus suspiros era possível ouvir "iiiiiiiiiiiiiiiichheeeeeee". Foi assim que dos escaparates do IKEA saltitou graciosamente até à minha casa um cãozinho em peluche a quem, como é óbvio, baptizei de Alice. Não importa os termos que usamos cá em casa, coelho, coelhinho, bunny, ou rabbit, para a miss todos são "iche" e está o assunto arrumado.
Blogosfera, apresento-vos o Chompers, um coelhinho simpático que, morando algures pelos montes aqui da neighborhood, vem diariamente comer cenouras ao jardim do meu vizinho. O nome castiço, pelo menos para nós, vem do verbo to chomp, que significa mastigar, trincar ruidosamente.

Chompers, Ahwatukee, 19 de Maio, 2011

O Chompers está à vontade na presença de pessoas, e é só estendermos a mão que lá vem ele, afoito, à procura da cenourita que habitualmente o saúda. Connosco tem tido azar, nunca vamos prevenidos. Aliás, há tantos dias que não o víamos que começámos a temer que o Chompers tivesse servido de acepipe a um qualquer coiote, falcão, ou mocho mais esfomeado.
Mas ei-lo aqui, saudável e simpático como só ele.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Escorpiões, o derby continua: A Classificação dos filmes

(este texto explica a classificação atribuída aos filmes do post Escorpiões, o derby continua: Os filmes).


Delicada para com vossas mentes que sou, fui ao site da Comissão de Classificação de Espectáculos estudar os critérios de classificação dos mesmos.
Fiquei logo a saber que a legislação base data de 21 de Setembro de 1982, dia em que monsieur bolacha soprou cinco velas no seu bolo de aniversário (que suponho ter sido de cenoura, o seu predilecto).
Sete anos antes, o 25 de Abril revogara tacitamente o Decreto-Lei n.º 263/71, que regulava a classificação dos espectáculos e divertimentos públicos, pelo que era necessário "regular a frequência de espectáculos e divertimentos públicos por menores e (...) criar mecanismos de defesa do público espectador, dando-lhe a conhecer previamente a classificação do espectáculo e atribuindo-lhe o direito a recorrer da classificação atribuída".
Foram então criados cinco escalões etários, a saber para maiores de 4, 6, 12, 16, e 18 anos. Adicionalmente foram criadas as classificações de "pornográficos" ou "de qualidade" a aplicar "sempre que for caso disso" (art. 2º número 2).
Então e os menores de 3 anos, hã, perguntais vós já curiosos. Amigos, deixai os crianços em casa com os avós, cão, ou periquito (atenção que não recomendo nenhuma destas duas últimas alternativas!) porque os "menores de 3 anos não podem assistir a quaisquer espectáculos ou divertimentos públicos caracterizados pela legislação em vigor" (art. 3º, alínea a). O artigo 4º esclarece ainda que serão classificados:
a) «Para maiores de 3 anos», os espectáculos desportivos e de circo, os concertos musicais e
similares e os espectáculos de ópera e bailado;
b) «Para maiores de 6 anos», os espectáculos tauromáquicos

(...).
3 - Será «Para maiores de 12 anos» a frequência de lugares públicos destinados a bailes populares.
4 - Será «Para maiores de 16 anos» a frequência de discotecas e similares.
5 - Será «Para maiores de 18 anos» a frequência de clubes nocturnos e similares.

(...)
Desculpem, alguém disse espectáculos tauromáquicos para maiores de seis? Devo ter lido mal...
E os critérios, Maria, perguntais já enfastiados desta minha incursão pela cultura. Aqui estão:

Critérios da Comissão de Classificação de Espectáculos

Daí que tenha decidido classificar o primeiro filme de "De Qualidade". Porque artisticamente falando acho que está muito bonito, a cores são muito vibrantes, há muito brilho, nota-se a realização cuidada. Já os filmes seguintes são claramente para maiores de 18 porque eu achei que exploram "formas patológicas de violência física e psíquica". Infelizmente a patologia está toda na minha cabeça, que acho piada a filmar estas coisas e depois vir pô-las aqui. Qualquer dia batem-me à porta uns senhores com um casaquinho branco aconchegado e depois é que vão ser elas...

Escorpiões, o derby continua: Os filmes

Então ó Maria, afinal tens ido à caça de escorpiões ou não? Nunca mais disseste nada, nunca mais cá trouxeste fotos, nem vídeos horríveis de mortes bem matadas, que nisto dos escorpiões os gajos têm de ficar esborrachados até deles não sobrar nada mais do que gosma para contar...
Queridos leitores, respondo eu, andei à caça este fim-de-semana, como adivinhastes? Aliás, andámos, monsieur bolacha e eu, o cavalheiro a manusear o death pole, e eu própria a manusear a lanterna, a fita-cola, e o saquinho de plástico onde religiosamente depositamos os restos mortais dos infelizes que, depois de bem atado, fica no caixote do lixo fora de casa, não vá termos colhido a vida a uma escorpioa e ela ainda por cima andar com os filhinhos às costas, filhinhos esses que podem ter sobrevivido ao ataque.
Faço aqui um aparte para pedir as necessárias desculpas aos mais impressionáveis ou amigos dos animais, ainda que eu já tenha feito a devida ressalva de que escorpiões não são animais. Penso que é uma classificação tão boa como qualquer outra. Por exemplo a minha amiga Amanda, esperta como poucos e dona de uma gargalhada como ainda menos, recusa-se a comer "animais fofinhos". Se, segundo ela, um animal é cute, pronto, lá se vai a janta! Come mais salada, fruta, ou sobremesa, resolvo logo eu a questão, mas isso é porque eu sou muito prática e não estou com pieguices. Ora... escorpiões não são animais. Ok, se vos agita tanto assim a guelra, não são animais fofinhos e estamos conversados. Daí que... perdão, almas caridosas.
E vídeos, há? Há, pois. Desta feita, em graus de repugnância crescente. Temos um para todas as idades, religiões, filiações políticas e clubísticas, e depois temos dois interditos a cérebros mais impressionáveis.
Delicada para com vossas mentes que sou, fui ao site da Comissão de Classificação de Espectáculos estudar os critérios de classificação dos mesmos. Achei isto tão interessante que, para não perturbar os mais afoitos por chacinas escorpiónicas, escrevi uma adenda a este post, um "continua" que está publicado em separado, a seguir ou antes deste, depende da ordem por que estão a ler a coisa.

Finalmente, os filmes...

Classificação: DE QUALIDADE
Escorpião na sua vidinha pacata (sugestão: não fiquem apegados):


Classificação: MAIORES DE 18
(ou maiores de 1,50m, o que acontecer primeiro)

Era uma vez um escorpião que, momentos antes, estava na sua vidinha pacata:


Escorpião com patas a mais -- assim pareceu ao monsieur bolacha, a quem vamos perdoar o comentário atentando aos copitos de claret:


Resumindo: Variação absoluta da população de escorpiões aqui de casa: -4. Variação relativa da população de escorpiões aqui de casa: infinitesimal.

Crédito: Escrevi este texto porque li a mais recente entrada da Beijo de Mulata sobre as suas aventuras com bicharocos vários. Que primeiro me fez contar-lhe que em Raleigh, na Carolina do Norte, tive baratas no apartamento do "student housing", em Blacksburg, na Virgínia, tive ratos (que o monsieur bolacha matou todinhos), e agora temos, bem, já se sabe... E que segundo me fez sentar aqui duas horas à secretária. É desta que o marido me põe as malinhas à porta...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sabes que estás no Arizona quando...

Find coiote, Ahwatukee, 9 de Maio, 2011

Pouco antes de virares à esquerda para o canyon onde é a tua casa, à frente do carro se atravessa, com a vagareza de quem ainda não farejou o coelho que vai jantar, não um cão vadio, mas um coiote.
Os coiotes são um dos animais mais vulgares no Arizona, e ainda que prefiram movimentar-se à noite, não é invulgar vê-los a passear durante o dia. Mamãe não estava de visita nem há uma semana quando viu passar, na montanha atrás do quintal, um coiote. É aliás acontecimento de grande importância e alvo de gáudio quando um dos elementos do casal avista um ou mais espécimes.
Mais pequenos do que um lobo e normalmente maiores do que um cão, os adultos podem chegar a pesar 22.5 kgs e medir cerca de um metro de altura. São muito ágeis e rápidos, podendo atingir velocidades até 60 km/h.
Ataques de coiotes a pessoas são, ainda que conhecidos, raros. Os coiotes são, todavia, predadores ferozes de pequenos animais, pelo que canitos pequeninos ou mesmo gatos são presa apetitosa. Até mesmo os cães grandes podem vir a ser servidos como almoço porque os coiotes, ainda que mais pequenos, são adversários à altura. Contava-me o marido, aliás, que os coiotes são particularmente hábeis na sedução dos cães para o que parece vir a ser uma brincadeira de grupo, mas que depois os cercam e atacam sem dó nem piedade.
Mais informação sobre os coiotes do Arizona aqui.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Scorp já tem uma casa nova!

Como vos imagino curiosos quanto ao que aconteceu ao Scorp - nome provisório, que o Alex disse que lhe ia arranjar outro, mas que teria de ser fierce, aqui estou com uma novidade fresquinha.
Pois o jovem tem casa nova e até já se refastelou com dois grilos. Isto é que é boa vida!
Prometo trazer fotos ou videos, não quero que vos falte nada!

terça-feira, 22 de março de 2011

Scorps* - Despojos de uma caçada

Sábado, cerca das nove e meia da noite quente de 19 de Março de 2011. Monsieur e madame bolacha, armados com suas lanterninhas de luz ultra-violeta, vão-se aos escorpiões.
Monsieur bolacha vai à frente. Desaparece por uns minutos e não dá sinal de si apesar das inúmeras vezes que madame bolacha o chama para que venha ver o escorpião gordo que encontrou no muro que separa o seu jardim do dos vizinhos. Está quase rente ao chão e pode fugir a qualquer instante. Nada, só o silêncio quebrado pelos cantar dos grilos e do avião ocasional, lá muito ao longe.
Madame bolacha vai ver o que se passa, averiguar a razão da demora, isto não é nada do marido. Monsieur bolacha está feliz. Acabou de capturar o seu primeiro escorpião. O casal vai dar uma festa para os alunos de doutoramento de monsieur bolacha no dia seguinte e este quer mostrar-lhes o escorpião. Os alunos vêm todos de longe e na sua grande maioria ainda não viram nenhum.**
Devidamente enclausurado no frasquinho onde madame bolacha planeava guardar o doce de tomate, o escorpião minorca tem este aspecto:

Doce de Escorpião sem doce (sob luz normal)
Doce de Escorpião sem doce (sob luz ultra-violeta)

Não satisfeitos, monsieur e madame bolacha vão ver se algum escorpião intrépido se aventurou pela garagem. E sim, houve um estafermo que se aventurou mesmo! Aqui estão imagens dos seus últimos minutos.

AVISO: contém cenas eventualmente chocantes
NÃO, NÃO, NÃO! recomendado a pessoas sensíveis
Don't try this at home! Eliminação de escorpião realizada por profissionais


Créditos:
   Cast: Scorp-killer - senhor bolacha (mão)
            Female voice - senhora bolacha
   Operadora de câmara de IPhone: senhora bolacha.
Filmado on location, a location sendo a nossa garagem.
Adenda mecânica: o death stick é um cabo de vassoura com fita-cola na ponta. Os cabrões dos escopiões são rápidos no gatilho e podem espalmar-se de tal modo que uma pancada menos certeira os pode deixar frescos como uma alface, ainda que levemente irritados e com vontade de dar umas ferroadas. A fita-que-cola não os deixa escapar. As probabilidades estão a nosso favor. Ainda bem.

*   Scorp é o nome que a nossa vizinha lhes dá. Nós achámos piada e adoptámos. 
** O escorpião teve honras de centro de mesa ao almoço. O Alex achou-lhe tanta graça que pediu para ficar com ele. Diz que assim já tem com quem falar. O escorpião ficou à sua guarda depois de promessas claras e vinculativas de que não lhe tentará fazer festinhas. Há tolos para tudo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Está aberta a saison!

Aviso: contém imagens eventualmente chocantes para leitores mais sensíveis. Ou que não gostem de escorpiões ou outros insectos rastejantes. Ou ambos. Ou para a minha mãe.

Escorpião do Arizona em posição defensiva (ou de ataque)
Escorpião do Arizona sob luz ultravioleta

Aqui no Arizona já chegou a Primavera. São sete e pouco da noite e lá fora estão uns simpáticos 26°C, amanhã esperam-se 31°C de máxima. A cada dia que passa a relva fica mais verde e há mais flores na paisagem (eu um dia trago aqui fotos, prometo). Ora até aqui tudo bem, tudo a soar muito primaveril. Há a referência ao quentinho, há a referência ao verdume, há a referência às flores, tudo muito lindo.
Agora o que não é nada lindo, muito pelo contrário, é que cá por estes lados a Primavera também traz... engole em seco... escorpiões. Para mal dos meus pecados, o Arizona é sobejamente conhecido pela sua população de escorpiões, em particular pela população de, olhem que nome tão apropriado, "Arizona bark scorpions", de seu nome técnico Centruroides sculpturatus.
Então vamos lá a uma lição-em-três-partes sobre os escorpiões do Arizona a ver se vossas excelências são um nadinha solidários com este meu drama.
Primeiro, a taxonomia.
O bark scorpion pode ser traduzido para o "escorpião da cortiça" ou, com um pouco mais de criatividade, "escorpião do latido". Ainda que goste mais do som da segunda, inclino-me mais para a primeira versão e explico porquê. Em primeiro lugar, dada a cor. O escorpião do Arizona tem uma cor amarelo-acastanhada a fazer lembrar a cortiça, debaixo da qual, aliás, gosta de se esconder. Em segundo lugar, o escorpião não late, quando muito ferra, e ferra a valer, daí que haja uma lição assaz importante de aprender com o ditado "escorpião que ladra não ferra". Não ladrando nenhum, ferram todos.
Para piorar um bocadinho o cenário, o veneno destes mafarricos é o mais venenoso do reino dos escorpiões, e a ferroada é dolorosa para cara***, associando dores lancinantes a sensações de dormência e de formigueiro. Malta, eu aqui há meses fui ferrada por uma vespa e vi-me e desejei-me. Já me disseram que a ferroada do escorpião é pior.
Segundo, o habitat.
O escorpião do Arizona, vivendo naturalmente no Arizona, está muito bem adaptado às condições de vida no deserto, e por isso igualmente bem preparado para passar grandes períodos sem água. Gostam de se proteger do calor infernal durante o dia, e é vê-los felizes e contentes debaixo de rochas, pilhas de madeira, ou cortiça. É escurinho e abrigado? Há insectos por perto? Então se és um escorpião do Arizona, este é o teu paraíso!
Terceiro, coisas mesmo catitas.
A resistência dos escorpiões é nada menos que impressionante, sendo apenas igualada pela das baratas e alguns lagartos. Já foram afogados e congelados para umas semanas depois emergirem do seu soninho frescos e lampeiros como se nada fosse. Também já foram sujeitos a testes nucleares sem que se tenham observado efeitos adversos.
Um facto muito curioso e finalmente de alguma utilidade para moi é que estes escorpiões brilham quando expostos à luz ultravioleta. E foi ver-nos ontem, senhor bolacha e sua senhora (eu!), cada um com a sua lanterninha de luz ultravioleta pelo jardim, num date, caçando escorpiões. Ambos procuramos, mas quem manipula o death pole é ele. Eu encontrei seis, ele encontrou um (eu ia à frente).
Resultado:
Variação da população de escorpiões no nosso quintal: -7.
Ainda sobram umas centenas. Está aberta a caça.
Prometo manter-vos ao corrente dos nossos avanços.

Cortesia de defensora dos direitos dos animais para também defensor dos direitos dos animais: escorpiões não são animais. Pronto.