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terça-feira, 22 de julho de 2014

Diz que regressei ao deserto e até já vi uma coruja pousada na sebe

Estive em Portugal por umas chuvas mas entretanto já voltei.

A viagem foi pavorosa. Número de crias que choraram: duas. Número de vezes que a cria mais nova chorou: nem sei e tenho raiva de quem sabe. Número de vezes que as crias choraram ao mesmo tempo e por um período não inferior a 30 minutos mas que pareceu uma eternidade: uma. Número de pessoas que me insultaram: duas, a primeira uma italiana que se fartou de gritar comigo porque eu pus as minhas coisas -- mochila do computador e mala da miúda -- em cima das dela, e a segunda uma besta de uma americana que, enquanto o puto mais novo se esgoelava e a miúda finalmente se acalmava, gritou que eu devia ir para a parte de trás do avião porque eu estava a estragar a viagem a toda a gente (os passageiros à minha volta gritaram com ela e ela fechou a matraca e não me maçou mais).

Ao fim de dois dias o (ainda) marido foi para Boston três dias, deixando-me numa cidade onde têm estado uns tostantes 42ºC e amanhã e Quinta se esperam 46ºC e com dois putos com um jet lag medonho. Se eu pudesse também fugia, especialmente de mim. Pensando bem, o gajo é esperto.

Atão e a coruja? Está na máquina fotográfica, depois espeto com ela aqui. Entretanto hoje já vi um codorniz mamã com cinco filhotes que não teriam mais de meio palmo. A natureza é linda. Mas continuo com um humor de cão.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ando cheia de saudades de Portugal mas isto às vezes ajuda

Respiro fundo e sei que quase cheira a baunilha...

Ahwatukee, 7 de Outubro, 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Variação absoluta da população escorpiónica da casa nos útimos dois dias: -5 (a relativa é insignificante)

Escorpião ao luar brilha sob luz ultra-violeta, Phoenix, 2 de Setembro de 2013

Fica o aviso, este é um post impróprio para cardíacos, animal lovers, e animal lovers cardíacos. Somos gente que gosta de bichos, até temos dois filhos, mas é com particular desagrado que partilhamos o espaço com escorpiões (para os que são novos a este deserto, fica a lição de que aqui onde moro é popular o Arizona bark scorpion, cujo veneno é particularmente doloroso -- é letal somente para alérgicos). É um direito que nos assiste, pronto.

Ontem, como aliás anteontem, Monsieur Bolacha perguntou-me se queria ir scorp hunting. Estava no sofá, enrolada na mantinha (faz um frio cá em casa, bolas para os gajos e para o ar condicionado que gela uma gaja até aos ossos), a devorar mais um episódio de Orange is the new black, mas fui. Sei lá, acho que estas coisas são boas para a intimidade do casal, para se passar tempo junto e isso. Nunca li na Cosmo nem na Maria que caçar escorpiões em conjunto fortalece a relação, mas antes isso que roubar lojas de conveniência e aparecer no "America's Most Wanted, Couples on the Run". Outras coisas haverá igualmente salutares, mas hey, cada uma com a sua sina e com os dates que merece (devo ter um karma muito particular para me punir assim).

Anteontem caçámos dois escorpiões, cada um encontrou o seu, foi bonito, igualdade, média a corresponder exactamente à quota parte de cada um. Ontem já não, o moço encontrou três e matou-os aos três (eu normalmente observo e depois digo "my hero" com uma voz melosa, às vezes ainda sai um "you are sooo brave"). Dessa carnificina há um registo. Um, apenas. Os outros dois escorpiões foram mais traiçoeiros: um estava na nossa porta de entrada e foi necessário conduzi-lo de volta ao Criador antes que ele se conduzisse para dentro da nossa casa. Ó ele aqui (não se vê, sorry):

Escorpião na porta de casa (big no-no!), Phoenix, 2 de Setembro, 2013

O outro estava debaixo de um aloendro juntinho a umas rochas, longe de mim e da câmara. Quando lá cheguei já não havia escorpião para contar a história. Que, bem vistas as coisas, é sempre a mesma e só varia o cenário. O death stick é sempre o mesmo, o método também.

Se continuardes já sabeis, é por vossa conta e risco. Eu avisei, ok? Não é bonito. Não é! Mas it works.

Manuseador de death pole: Monsieur Bolacha; Operadora de câmara: yours truly

Depois digo-vos se encontrei mais escorpiões hoje à noite. Duvido, é dia de exterminador...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

One month to go

Hoje começo em modo countdown. Pensando bem, há sempre um countdown para qualquer coisa, seja uma viagem, um encontro, um almoço, uma consulta no dentista, ou mesmo até à próxima bolacha. Gosto de countdowns, mais de uns que de outros, naturalmente. Às vezes a espera é metade do gozo, os eventos em si passam tão rapidamente que eu pisco os olhos e puft, já passou.

O countdown que começo é até à minha próxima grande viagem, que me levará e aos rebentos (a São João diz que não posso escrever "crias") até aos (a)braços de Monsieur Bolacha. Tenho saudades dele (ou de como, com o coração já embaciado pela distância, o lembro). Faltam-me, principalmente, os abraços de bom dia, hábito que criámos há onze anos e fazem as manhãs chegar mais sorridentes.

Também tenho saudades da minha casa e do meu espaço, do ar condicionado. Não tenho saudades dos escorpiões e nem do pica-pau com relógio interno avariado e que teima acordar a casa às seis da manhã, a pica-par na chaminé bem em cima do meu quarto. Tenho saudades de conduzir na Chandler e ver as montanhas ao fundo quando chego ao cimo da colina. Não tenho saudades do calor extremo, abafado, do sol que queima a pele. Tenho saudades dos senhores sorridentes no supermercado, têm sempre um comentário afável. Não tenho saudades de conduzir em downtown Phoenix, as pessoas têm pressa de chegar ao seu destino e buzinam e ultrapassam como... como cá. Tenho saudades das minhas first-Friday's com a Amanda. Não tenho saudades do quão pindérica é a moda por lá, o americano não sabe o que são sapatos bonitos. Tenho saudades da minha Ana.

Hoje inicio aqui o countdown de volta à minha (outra) terra. A viagem será um pesadelo, sozinha com os dois miúdos, mas sobre isso pensarei depois. Hoje vou apenas pensar que estou quase lá, saudosa também de sentir saudades de cá, onde tenho sempre a ilusão de que desta vez será diferente, o que nunca é.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Trabalhar para o descanso

Isto de trabalhar para o descanso dá uma canseira que nem vos digo... Os 44ºC que lá fora se fazem sentir não contribuem para a motivação, entorpecendo-me ainda mais as vontades.

Todos os dias (noites? madrugadas?) acordo, noite já alta, corpo cuspindo vitupérios contra esta bexiga enclausurada numa barriga que já não lhe pertence em absoluto, e penso em escrever. Acho mesmo, toldada pelo sono que estou, que são ideias estupendas que se traduzirão em textos fantásticos e altamente comentados. Mas depois... o sofá, as sestas, as pinturas, os puzzles, os livros... tudo se intromete para me fazer adiar a escritura. Até a minha querida D. já me veio admoestar, falar-me da promessa não cumprida (eu, pecadora, me confesso).

Eu venho cá escrever, prometo. Mas agora vou para a piscina. É que estão 44'C.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ainda mais posts natalícios? Oh yeah! #8

Isto de se ser português significa muitas coisas, desde o saber não direi as mil maneiras de cozinhar bacalhau mas pelo menos umas dez logo pela manhã e ainda a frio (à Brás, à Gomes de Sá, em pataniscas, em bolinhos, com broa, cozido, assado, em arroz, em iscas, com natas) até reconhecer que somos peritos na arte de deixar tudo para a última, coisa que séculos e séculos de evolução retumbou na skill tão portuguesa que é o desenrascanço (onde o termo em inglês abraça todo o pedantismo a que tem direito).
Mas isto de deixar coisas para a última, se às vezes pode dar para o torto, outras tantas dá para bem direito e com direito a surpresas deliciosas. Andava eu cabisbaixa, desinfeliz e pensando-me esquecida, andava mesmo - e pasme-se! - pessimista, coisa que é pouco habitual em mim mas tão comum à tal massa de portugueses que estas abordagens condensam em meia dúzia de características que é bom de ver acabam por não definir ninguém, convicta de que não iria receber o meu postal de Natal polar, quando ele me aparece em todo o seu esplendor azul de barretito vermelho:

Polar Postcrossing gang of 2011

A Dani do Stand up for your rights esmerou-se e mimou-me com um postal personalizadíssmo que não podia ser mais a cara deste estaminé e concomitantemente de moi. 'Tás aperdoada pelo envio tardio, chegou tarde mas valeu a pena, ah se valeu!
Foi muito engraçado participar nesta iniciativa nataleira da Pólo Norte e até Monsieur bolacha, rapaz bem mais circunspecto, achou piada ao meu entusiasmo. O meu postalito ajudou à quadripolarização do Natal da Petit Pain au Chocolat, que já por cá deu um ar de sua graça.
Acho mesmo que esta coisa dos postais ajudou a que tirasse o rabo da metafórica cadeira e enviasse um postal à Corrente de Sorrisos. É que eu sou gaja para pensar em demasia "um postal a quem tem um filho doente, mas estás maluca, em que é que isso ajuda alguma coisa, deixa-te maz'é ficar sugadita no teu canto e conta as tuas benesses, parece tolinha" e render-me às evidências de que um postal a quem tem um filho doente faz realmente muito pouco. Espero estar enganada e estes excessos de bom senso neorealista mal direccionados.
Mais posts natalícios, mi aguardem, nomeadamente riportagens fotográficas de Las Vegas e rubrica culinária com o prometido arroz de canard, de interesse pelo menos da Mariana, para uma barriguita cheia de coisas bauas.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ceci n'est pas un post natalício #4

Quer-se dizer...
A blogosfera tem destas coisas e o "destas coisas" de ontem estava à minha espera na caixa do correio: um postal de Natal chegadinho de Pombal, terras de Portugal. Há lá coisa igual!?

Postal de Natal de Pombal, Dezembro de 2011

Ceci n'est pas un post natalício #3

Mas ó Maria, tanto blog jeitoso a exibir foto de sua árvore natalícia e tu nada, sua blogger (à) rasca!
Não querendo que vos falte nada (e nem a mim, nomeadamente epítetos delicodoces e presentes debaixo do pinheiro que brilha na sala/cozinha, perdão family room, que isto de ser emigrante tem de ter outra chiqueza), aqui vos deixo uma foto de uma das minhas (nossa, my love) árvores.


E isto, amigos, isto não é nada...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Às vezes aqui faz frio

Ahwatukee Foothills, 18 de Dezembro, 2011

E eu juraria que ontem, quiçá tiritando, as montanhas se aconchegaram com uma mantinha feita de nuvens.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Il pleut dans le désert d'Arizona

A sério. É daquelas coisas que a malta ouve falar mas não consegue imaginar. Mesmo que eu o tenha visto várias vezes. Olha, a chuva, assim dito de queixo caído e expressão aparvalhada.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Phoenix, Arizona, ali para os lados de entre Aveiro e Porto

Il fait froid (tradução elegante de "Fónix, que grizo!"), 5 de Dezembro, 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A silly season está de volta, desta feita com guizos #2

Pronto, com o 1 de Dezembro a abrir a época oficial do Natal (isto de desejar "Happy Holidays" a partir do Thanksgiving não me convence de modo algum, nem com o espírito de perdão que envolve a Casa Branca e assim concede mais um ano de vida ao sortudo do pirú), sinto que posso começar a trazer para o blog mais alguns enfeites natalícios, uma nevezita aqui, um pinheiro ali, uma coroa de poinsettias acoli, mais uns presépios piri-pi-pi. Não esqueço, afinal, que este não é o primeiro post de cariz natalício. Por acaso já vos esquecestes do carro-rena-Rudolph? Se sim, ide aqui num instantinho que eu prometo esperar por vós.
Ora acho que quadra que é quadra (e não estamos a falar das quadras da Sra. D. Emília, deixai-a lá no seu cantinho com D. Álvaro, tratamento empregue pela própria, quiçá sentada a uma mesa a fazer caixas de papel e a pensar nas suas flores, bem sossegada) deve começar com uma deambulação pela fashion, do prêt-à-porter à couture, da escolha do parfum, eau de parfum, ou eau de toilette à bijouterie. Hoje ficamo-nos por esta última. Afinal, já dizia Marylin, que os diamonds são a girl's best friend (não fui eu, não fui eu, foi ela! eu sou bem menos dada a estas frivolidades, estando ainda para ser lida a sentença sobre se isto é uma coisa boa ou má, pois que a minha caixinha das jóias tem muita caixa e muito poucas jóias).
Indo eu indo eu pelos corredores da tal meca do consumo que é o Target (como alvo, em inglês, não em francês), deparei-me com aquele expositor que já por altura do Halloween vos mostrei, com gatos e caveiras e abóboras, mas desta vez... ahhhhhhh desta vez... com guizos (palavra!, os colares e as pulseiras tinham mesmo guizos, o que até deve ser engraçado não fora as pessoas não serem gatos, o que para algumas até seria uma grandessíssima promoção):

It's a Jolly Jolly Christmas, 26 de Novembro, 2011

Jingle Rings, Jingle Alfinetes de Peito, trá-lá-lá lá lá!, 26 de Novembro, 2011

We wish a merry Christmas and a happy new Earring!, 26 de Novembro, 2011

É favor enviar os pedidos para o endereço do costume.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De utilidade para condutores

Messagem útil, 9 de Novembro, 2011

Mensagem útil, detalhe, 9 de Novembro, 2011

Confesso que tenho alguma curiosidade em saber se alguém virou o computador ao contrário pare ler a mensagem. E se acham este comentário absurdo é porque não conhecem mamãe.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Se não os podes vencer junta-te a eles


Jack-o-lantern, 31 de Outubro, 2011*

Os treats em vez dos tricks, 31 de Outubro, 2011

Ai que medo!!!!!, 31 de Outubro, 2011
* Sim, fui eu quem esculpiu.

Animatronics assustadoras

Cá na neighborhood foi assim:


"I need a victim, no, I mean I need a guinea pig, no, I mean, a patient, oh just somebody lie down and close your eyes"
(este senhor aqui)




"I can't feel my legs, I can't feel my legs!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Flores à Sexta

À Sexta, uma flor. Quase escrevi "para as minhas flores" mas achei que era piroso e uma gaja tem limites na sua tendência para a pinderiquice. Mas teria sido fofinho.
Hoje de manhã, cerca das oito e meia, no regresso a casa depois de ter deixado a cria na escola, esperava-me, no jardim do vizinho e tendo por companhia umas tantas abelhas que zumbiam os seus zzzzs e assim espantavam os curiosos de uma aproximação mais íntima (isso e os picos do cacto):

Flor do vizinho, 21 de Outubro, 2011

Flor do vizinho, 21 de Outubro, 2011
Bom fim de semana! Com flores, com ondas do mar, ou no sofá com um pacote de bolachas ao lado.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Com os calores

Phoenix ficou tão feliz de me ver que até lhe deu os calores:


Diga-se em abono da verdade que a temperatura até esteve mais alta, que o Verão está no fim (olá Outono!), e que portanto os dias estão a ficar amenos. Humph! Amenos...
Agora se me dão licença vou ali derreter só mais um bocadinho...

domingo, 10 de julho de 2011

A sério?

Estamos em Julho. Lá fora estão trinta graus (C). Amanhã esperam-se quarenta e dois (C). E está a chover. A sério, está a chover.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

E agora, para um post num sítio completamente diferente

I'm at the car wash, at the car wash!*
Pela primeira vez.
Tinha de partilhar.

*É fazer o favor de cantar.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Calor? Aqui!? Que ideia a vossa!

Diz-me a minha mãe que se espera calor para o Algarve. Fui ver a temperatura para Faro (não que Faro seja todo o Algarve, ou muito apropriadamente Allgarve, ou o Algarve seja apenas Faro). A temperatura máxima prevista entre hoje e Domingo varia entre os 28ºC e os 29ºC. Quentinho.
Agora quente quente é por cá, hoje tivemos direito a heat advisory e tudo (um alerta a avisar a populaça para se manter mais indoors, até porque a qualidade do ar também não anda famosa). Se se tiver de andar por fora recomendam roupas claras e largas, muita água, um chapéu, e protector solar. Ora então...

www.weather.com, previsão meteorológica para Phoenix, 22-25 de Junho, 2011