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domingo, 8 de janeiro de 2012

O trabalho doméstico e o PIB

Sim, amigos, a economia está mesmo por cá em full force, que é como quem diz em potência.
A culpa não é minha, afianço-vos, juro-vos! A culpa é destas aulas que ando a preparar (talvez a expressão "com as quais ando a obcecar" seja mais apropriada).
Então hoje, mamãe e Maria conversavam sobre o muito trabalho doméstico que mamãe tem feito de maneira a que esta vos saúda se possa vestir de workaholic, roupagem que, vá-se lá saber por obra de que economista abençoado ou homenageado ou doutorado honoris causa, ainda serve, e assim preparar o material de apoio que distribuirá aos seus pupilos.
E a conversa versou, alturas tantas, sobre a contribuição de cada uma de nós para o PIB, que quer dizer Produto Interno Bruto. Produto quem, perguntais já a pensar se é desta que desistis de cá vir malbaratar vosso tempo, ou se não tanto desistir da minha companhia, pelo menos se é de parar já por aqui que o texto parece vir ratado e por isso xô!
Amigos, tende calma que eu vou com jeitinho.
O PIB é, tão simplesmente,
o valor de mercado de todos os bens finais e serviços produzidos por um país durante um determinado período de tempo.
E podia agora ficar a explicar as implicações de cada expressão nos parágrafos acima, desde isso do "valor de mercado", passando pelo "produzidos" e pelo "finais" até chegar à parte do "período" mas, porque vos estimo, é passar à frente.
E pronto, mamãe dizia-me da sua produção durante o dia (pelo menos o jantar foi um absolutamente delicioso arroz branco com lulas) e que tinha contribuído muito para o PIB. Indirectamente, talvez, ao deixar-me trabalhar, expliquei.
É que o trabalho doméstico, a bem dizer qualquer trabalho efectuado para autoconsumo, como o cozinhar, limpar, ou tomar conta das crianças ou dos idosos não é considerado pelo PIB. Essencialmente por razões de ordem prática, afinal como medir -- entenda-se avaliar -- o trabalho de alguém na sua casa? Por exemplo, como avaliar o valor da refeição preparada por uma mãe CEO com salário milionário a cozinhar para o filho? Será que este valor difere do valor da refeição preparada por uma mãe que recebe o salário mínimo; e se o pai ajudar a descascar as batatas enquanto toma conta de um filho e ajuda o outro nos trabalhos de casa, como se divide o tempo entre as tarefas?
Mamãe não gostou da observação e remeteu para o arquivo a minha explicação. Que se dane o PIB parece ser a opinião, trabalhou que se fartou.
E as lulas, amigos, as lulas estavam a derreter na boca.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ainda mais posts natalícios? #7

Desta feita com a temática das festas.
Não bastava eu ter passado umas horas valentes na cozinha a fazer pataniscas de bacalhau, "o melhor arroz de pato que já comi" segundo mamãe (cá darei a receita se for de vosso manifestado interesse), e queijadinhas de cenoura (receita de família pasteleira que terei de levar comigo para a sepultura uma vez que jurei a pés juntos respeitar o segredo), ainda houve direito a presentes de índole culinária.
It's a book!...  It's an apron!... It's uma luva de cozinha!
Pois que recebi mesmo uma recebi uma luva de cozinha, daquelas de tirar os assados do forno, não que eu seja dada aos assados ou grande utilizadora do forno. Já fui mais, mas isso foi numa fase pré-cria, durante a qual todas as semanas havia um bolo de iogurte diferente à disposição dos palatos cá da maison. Anda uma pessoa a dar amostras de cuecas da Victoria's Secret e depois recebe uma luva de cozinha na volta do Pai Natal, humph! Vou fingir que não percebi para onde me estão a mandar, afinal há sítios piores e bem mais agressivos para o meu olfacto delicado.
Mas este Natal foi também, ao que parece, a vez de proceder à iniciação da cria nas lides culinárias: mini bolacha recebeu um piqueno exemplar de cozinha de cupcakes (caqueiques na voz da própria), certamente escolha da minha cunhada que tem a mania de lhe oferecer presentes espaçosos e que são, felizmente para a garota e para mal dos meus pecados, entretenimento garantido (acho que a gaja me detesta - a cunhada, à cria esperemos pela entrada na idade do armário).

Cupcake Kitchen, Natal de 2011

Quando vi a caixa disse imediatamente ao pai da criatura que a devíamos devolver, trocá-la por uns blocos ou legos, qualquer coisa mais educativa e menos sexista (e que fosse mais fácil de pôr numa caixinha na estante, bem arrumada e escondida). Foi ficando o trambolho no escritório à espera de uma decisão final sobre o seu destino, os portes da amazon não eram brincadeira para a devolução e não me apetecia gastar dinheiro. Foi ficando, foi ficando, mamãe disse que os miúdos gostam dessas coisas, e eu sei que sim.
Mas cupcakes!? Não podia ter sido uma mini cozinha para eu a ensinar a cozer vegetais ao vapor e com pouco sal? Ou brincar com as frutas em fase pré-salada? Cupcakes!? Os americanos a tender para bolas e a miúda vai-me brincar com bolos? Já não basta adorar bolachas agora anda numa de cupcakes?!
Isto agora é que vai ser um consolo, eu a fazer assados e a minha filha a fazer cupcakes de plástico coloridos. Alguém é servido?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ceci n'est pas un post natalício

Mas devia. E tanto devia que, imbuída do maior e melhor espírito de que sou capaz, seja de Natal, de Hanukkah, de Kwanzaa, ou coisa que o valha, que sou moça de respeitar as várias tradições, assim mo ensinou mamãe, cá estou a começar uma série de textos natalícios.
A verdade é que, entre as minhas muitas deambulações pelas terras férteis em cactos de Ahwatukee, me fui lembrando sempre de vós e fui fotografando, filmando, enfim registando piquenas pérolas de pendor natalício que se me foram entrando retinas adentro e risos afora.
Faltando-me por cá quaisquer hipóteses de registar em jpeg futuras memórias de vendedores de castanhas em plena Santa Catarina, no Porto, enevoadas pelo fumo que sai daqueles forninhos ambulantes que fazem as delícias dos transeuntes, não deixam de haver outras tantas iguarias igualmente dignas de registo, por exemplo umas fatias de bolo rei da melhor confeitaria do mundo (meu mundo é pequenito, bem o sabeis), a Ideal (que segundo minha avó Emília, a tal excelsa esposa de D. Álvaro, é onde se "come muito e não faz mal", coisa que talvez não tenha em atenção perímetros de cintura, coxas, e rabo e tampouco o congestionamento vascular, mas tão somente gramas de guestesura, também expressão da própria, pois que a mim não bafejaram quaisquer resquícios de criatividade linguística).
Abrimos pois em grande esta série, que tentarei terminar já amanhã, dia 24 de Dezembro de 2011, que portanto e sem qualquer réstia de dúvida antecede, também há quem lhe chame véspera, o dia 25 (de Dezembro de 2011 e, a bem dizer, de todos os anos que aí vêm, permito-me acrescentar e duvido que cá vireis questionar, era só o que faltava, até estamos quase no Natal).
Começo então por vos desejar, amigos, e sabei que não uso a expressão levemente, pois que se por cá passais e comigo partilhais algum do vosso tempo é porque gostais (um bocadinho) de moi, começo então por vos desejar umas boas trincas. Pois que do comer e do coçar, já diz o povo na voz que ouço risonha da senhora ali de cima, a tal casada com D. Álvaro e que sabe escrever o seu nome completo com caligrafia primorosa, tudo vai do começar.

Bolo rei, Confeitaria Ideal, Dezembro de 2011

Já era(m), Fatias de Bolo Rei, Confeitaria Ideal, Dezembro de 2011