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domingo, 22 de dezembro de 2013

Escorreguei e quase quase caí

Queria escrever "in a hybrid course such as ours" e escrevi "such as hours". Seria mais bonito se fizesse sentido, há qualquer coisa de mágico num "h" que não se pronuncia...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Das delícias de ter uma filha bilingue

Derreti-me quando balbuciou "mamã" pela primeira vez. Até nem sei se disse mesmo "mamã" ou se foram os meus ouvidos, a transbordar de boa vontade e amor que ouviram o mmmmmm e o traduziram para a palavra mais doce de que há registo, mas é possível.
Também lhe achei alguma piada quando há semanas se virou para mim e me chamou mummy. Assim, à britânica, sem o "o" que não sei porquê lhe tira beleza. Não devia, eu sei, o "o" é mais redondo, quiçá mais generoso, mas há qualquer coisa de musical na palavra com "u", e isso mesmo sem atender ao facto de que os lábios se formam em beijo para dizer "u", ora experimentai "uuuuuuuuuu".
Mas graça teve ontem, à mesa do jantar, quando ao repto do pai "give daddy the fork, please" respondeu estoicamente "no, no, fok, no", coisa que eu espero se lhe entranhe na memória e que repita ipsis verbis daqui por uns catorze, quinze anos, aos meninos mais atrevidos.
Ainda não consegui decidir se este episódio teve mais piada do que o que se passou minutos depois, quando o pai lhe disse "sit, M., sit", pedido a que ela, desta feita docemente, aquiesceu, repetindo para que não restassem dúvidas, "shit, Mimi, shit".
Mas, Maria, a tua filha só fala inglês? Não, também diz um "máz, piisze" que é uma delícia, diz "tchau" e pede "chacha, mamã", logo seguido de "cuuuukie, piisze".

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De utilidadde para educadores

Ontem à noite, algures entre o jantar e o seu fim, mini bolacha lambuzada de abacate. Do seu, do da mãe, e já de olho no que, viçosamente verde e apetitoso, lhe catrapisca o olho no prato do pai. Feita felídeo, aproxima-se da sua presa. Mãos nas calças da procedência a preparar o impulso enquanto os puxões pequeninos se replicam reivindicando um colinho.
Sai, da boca da procedência, sempre tão educado e polido (especialmente perante sua descendência), um tabuísmo desnecessário mas adequado. Mini bolacha, logo pronta, reproduz em triplicado: "shit shit shit".

Moral da história: quando deres abacate à criatura (ou coisa semelhante propensa ao enodoar), prepara logo um paninho húmido para lhe limpar mãos e fronte antes que saia da mesa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Temperamental, moi?!

As semanas da chegada são sempre atribuladas, e esta última não foi excepção. A única excepção que lhe encontro, aliás, é a dimensão do caos, em grande parte explicado pelo jet-lag da mini-bolacha, que acordava às quatro da manhã com uma disposição fabulosa para a conversa, saltos, abraços e xis, correrias, e tropelias várias. Por isso as minhas tardes, ao invés de serem investidas em actividades de amplitude utilitária vasta, foram investidas no meu colchão Molaflex, do qual até tinha saudades. Muitos têm portanto sido os textos que me têm apetecido escrever mas que têm ficado invariavelmente adormecidos nas gavetas do meu cérebro e que, mal-grada boa vontade, muito provavelmente aí ficarão sem nunca chegar a ver a luz do dia.
Ora uma das muitas ideias (geniais, sem dúvida, adjectivo que posso invocar sem falsas modéstias pois que V. Exas. o mais provável é jamais lhes botarem as vistinhas em cima) que tive foi escrever sobre a Moody's. Mas Maria, dizeis vós com um tom imediatamente (e com todo o direito!) arreliado, já andamos saturados disso. Esperai, amigos, e dai-me algum tempo para explicar a ideia e o trocadilho tão giro que me ocorreu, até ides achar graça, eu prometo (e se por acaso já o tiverdes lido noutras tascas, peço-vos apenas alguma tolerância com esta ovelha que tem andado mais tresmalhada mas que com tempo vai voltar a este albergue virtual no qual debita opinanças que vós fazeis o obséquio de ler e que, para seu incomensurável gáudio, até comentais).
Voltemos então à Moody's...
O Webster, dicionário (também online) nascido um mui pomposo Merriam-Webster mas a que eu, moça de trazer por casa e dada a estas proximidades abusivas, carinhosamente trato pelo segundo nome, e que conheci como um calhamaço sensivelmente maior do que uma folha A4 e da grossura de quase um palmo, preto de lombada amarelada pelo tempo e pelas muitas investidas curiosas e sedentas de saber, define moody da seguinte forma:

Merriam-Webster, moody, 19 de Julho, 2011

Adjectivo cujo primeiro uso foi registado em meados de 1593, portanto sério, de provecta idade, e ao qual devemos algum respeito não obstante o seu uso habitual se destinar à descrição do estado de humor das gaijas quando momentaneamente acometidas daquele instinto assassino capaz de virar o mundo pelas costuras, e que se me permitem o aparte devia ser admissível em tribunal como desculpa perfeitamente plausível para seja o que for. Alguém moody é alguém que está num estado de humor muito particular, normalmente mais negro, ou então dado à mudança de humor, mais ou menos repentina. Amigas, isto faz tocar campainhas? Amigos, isto faz tocar campainhas?
Faz portanto todo o sentido, pelo menos nesta minha cabeça destrambelhada, que a agência de rating Moody's seja, também ela, dada à oscilação de humor repentina, à maluqueira, e à tomada de atitudes que, uma vez passada a hormona, parecem tristes e dignas de arrependimento (a lágrima também condiz com o estado de espírito, quer um quer outro). É pois de cabeça quente que são tomadas estas decisões sobre scores e pontos e lixeira. Que foi, agência, querias uns sapatinhos Helsar, a malta não tos deu, e agora amuaste e resolveste dizer que estão verdes, não prestam? Ou quem diz uns sapatinhos diz uns pasteis de nata, que te fazem engordar e lá se vão as calças brancas estivais, as tais que têm estado na gaveta à espera de dias mais quentes e rabos menos grandes.
Penso na Moody's e vêm-me à cabeça gaijas. Gaijas altas e baixas, gordas e magras, louras e morenas, mais ou menos pitosgas, mais ou menos cheirosas, fazer o quê? Já não é a primeira vez que confesso gostar de um estereótipo! E de tanto fazer as pazes com este meu lado menos científico até quis ir pesquisar o organograma da instituição, analisá-lo com cuidado, entender até que ponto (não) estou enganada, saber do mulherio que por lá esbanja charme. Confesso-vos mesmo que, sabendo de antemão que a minha queda para o estereótipo já tangencia o exagero, espero ver na sua direcção uma dama e não um cavalheiro, não que estes últimos não sejam dados à hormona e se passem do ovário, esquerdo ou direito isso é lá com eles e este não é o momento de para aqui vir discutir política, mas assumo a minha expectativa, a minha hipótese nula, se quiserdes que aqui ponha um ar mais científico (da treta), que na direcção da Moody's há por lá muita gaija (dada ao desarranjo hormonal, temperamental, ou eléctrico).
E foi assim que descobri: o acesso ao site da Moody's está vedado a IP's portugueses. Porquê? Porque aqui a malta, enraivecida com a cotação fedorenta atribuída pela agência ao nosso Portugal, que isto de dizer mal dos portugueses é propriedade única, exclusiva, e privada dos próprios portugueses (ah pois!), consta que decidiu boicotar o site e invadi-lo com utilizadores, tornando-o inoperante (ver mais aqui). O site da própria está, portanto, inacessível aos portugueses, a Moody's está amuada e não atende os nossos telefonemas e nem lê os nossos SMS. Talvez se lhe mandarmos flores a fera acalme. Ou bolachas, que comigo resultam sempre.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Magical words: "ma's ti!"

A minha pequena, filha de pai metade americano metade russo, va'se la' saber qual a melhor, bilingue e inventora de palavras como so' ela (ja' vos falei das "shoish", flores, e das "poilhei", borboletas), finalmente aprendeu a dizer please.
Mas Maria, a tua filha so' fala ingles, perguntais imediatamente incre'dulos pois sabeis-me algo pedante relativamente 'as americanices e grande fa da li'ngua de Camoes, coisa nem mutuamente exclusiva e nem potencialmente inclusiva, muito pelo contra'rio.
Sossegai, amigos, sossegai: primeiro aprendeu a dizer mais, que pronuncia "ma's". Agora diz, cantando como eu, "ma's, ti". Reconhecemos a melodia e sabemos que esta' efectivamente a pedir "mais, please". Assim, em portugues e em ingles. O portugues primeiro. Claro.

Nota do portugues vilipendiado: teclado americano e muita preguiça em ir buscar o portugues. Os acentos sao, antes da letra, um sisudo e grave e, depois da letra, um estridente e bem agudo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A retracção da retracção devida -- Vítor da Bica e do PNV, tu és um gajo porreiro!

Caríssimos,
We've got mail podia ter sido a frase mais ouvida minha humilde maison durante o dia. E, consequentemente, andei feliz. Porquê? O Vítor escreveu-me, o Vítor respondeu-me (não sou rapariga particularmente exigente no que à felicidade diz respeito e tudo o que vem à rede é sapateira já arranjada e pronta a comer)!
Qual Vítor, perguntais, já confusos pois que afinal eu disse existirem dois. Não, meus amigos, afinal não, pois que se fundiram num muito agradável dois-em-um, limpando este espírito ressabiado e nutrindo esta fé no jornalismo português que já tinha visto dias mais crentes.
O Vítor Matos, o tal "jovem que por sinal é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto" é, afinal de contas, o mesmo Vítor Matos que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View (PDV). E ambos, que afinal são apenas um mesmo, são mesmo um gajo porreiro! (não sei se se lembram mas eu tinha um "aparentemente" antes do gajo porreiro explicando que o Vítor e eu não nos conhecíamos que agora tirei).
Mas conheceste o Vítor Matos, o tal que "é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto", e que também é Editor-in-Chief do PDV? Bom, conhecer conhecer, não, mas trocámos uns emails delicados e acabámos a conversar no Facebook, onde nos befriendámos (ia escrever que nos amigámos, mas isto de repente poderia levar o post numa direcção completamente diferente da que pretendo).
Para além do email do PDV ser recente e por isso o Vítor ainda mal tenha começado a usá-lo, e daí a demora na resposta, explicou-me também que no PDV já estão a tratar de melhorar o inglês, que ainda não está no seu melhor mas que para lá caminha. E não só caminha como corre, que notei já uma diferença abissal na qualidade dos textos (e acho que não era só boa vontade da minha parte).
Ainda que neste caso em concreto o destino seja mais importante do que o passeio, gostei muito de conhecer a perspectiva do Vítor e que é a de abraçar os comentários e as críticas, aliás recebê-las de braços abertos para assim fazer um trabalho melhor.
Vítor Matos, tu que és "jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto", e que também és o Editor-in-Chief do PDV, és oficialmente um gajo porreiro. E um jornalista que eu admiro ainda mais pela tua vontade de ir mais longe e de levar Portugal contigo (também nos ficámos a tratar por tu).
Eu continuarei picuinhas -- private joke com o Vítor a quem eu não falei do meu blog e por isso não o lê porque, enfim, ele é o Vítor que é "jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto", e que também é o Editor-in-Chief do PDV, e é oficialmente um gajo porreiro e uma gaja, mesmo armada em carapau de corrida, às vezes intimida-se. E eu gosto do meu blogzito assim pequeno, só entre nós, que ninguém nos ouve.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A retracção devida -- Vítor da Bica, tu és um gajo porreiro!

Caríssimos,
Grande injustiça fiz eu mas no more! Felizmente houve quem estivesse atento (obrigada M.!) e iluminasse este caminho tão nebuloso de ressabiamento para que eu, Maria, não falte mais à verdade.
Ora no post anterior, em que eu me queixei de que há já meia dúzia de dias que enviei um email ao Editor-in-Chief do Portugal Daily View e nada, na sua versão original escrevi que este Vítor Matos é um "um jovem que por sinal é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto."
Mantendo tudo o que digo sobre o jovem Vítor Matos, o tal que é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto, impõe-se que diga este não é o mesmo Vítor Matos que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View.
Este último Vítor Matos, o tal que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View, parece que vive em Newark e que edita o 24 horas local, o 24 Newspaper.
Portanto, e para que fique límpido e sem qualquer sombra de dúvida, o Vítor Matos que é jovem, jornalista da Sábado, blogger, e aparentemente um gajo porreiro -- eu não posso excluir daqui o "aparentemente" porque o Vítor e eu não nos conhecemos (Vítor, se leres isto, escreve-me que resolvemos este detalhe rapidamente!) -- não é, repito não é! o Vítor Matos que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View.
Ufa.
Sorry, Vítor Matos, tu que és jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto.
A ti Vítor Matos, tu que és o Editor-in-Chief do Portugal Daily View, vê lá se começas a responder aos emails que te enviam. Só porque, quanto mais não seja, é bonito.

Nota pública: Já corrigi o texto do post anterior e este já não falta à verdade.
Nota da Maria: Com esta, escrevi seis vezes Editor-in-Chief. Sou gaja que gosta de um bom título. Não de um título qualquer! Tem de ser bom, tem de ser pomposo, ter "chief" ajuda, que editors há muitos, in-chief é que não!

Acham que desista?

Já foi há uma dúzia bem contada de dias e ainda nada. Acham que desista?
A seguir, a mensagem que enviei ao Editor-in-Chief (ena pá, a mim não me dão títulos destes!) do Portugal Daily View, o Vítor Matos (vmatos@portugaldailyview.com).

-- * --

Exmo. Senhor
Vítor Matos,

O meu nome é ***** e sou doutorada em economia pela North Carolina State University, nos Estados Unidos da América, onde resido actualmente. Sou também Professora Auxiliar no **** da *****, em *****, mas escrevo-lhe a título pessoal. E estou a escrever-lhe a propósito do site de que é Editor-in-Chief, o Portugal Daily View.

Começo por lhe dar os parabéns pela ideia de criar o PDV, que creio vem preencher uma lacuna grave ao nível da informação disponível sobre Portugal em inglês.

Penso todavia que a execução do PDV é seriamente deficiente. Refiro-me especificamente à fraca qualidade da maioria das traduções dos textos, nos quais o inglês é básico, tosco. Em várias notícias as traduções parecem produto de um tradutor online automático, não atendendo às especificidades de qualquer uma das línguas, a portuguesa do texto original e a inglesa do texto final.

Dou-lhe como exemplo o texto da notícia "Campaign; Socrates Attacks Passos for Invoking Support from Abroad", genericamente assinado por PDV, onde se lê, no primeiro parágrafo,
"The secretary-general of PS, José Sócrates, considered today “extraordinary” that the PSD leader invokes as an “electoral argument the fact that he has support abroad” and not in the country."
No texto original, da Visão, lê-se
"O secretário-geral do PS, José Sócrates, considerou hoje "extraordinário" que o líder do PSD invoque "como argumento eleitoral o facto de ter apoio lá fora" e não no país."
Como pode constatar, a tradução é literal.
Uma tradução alternativa seria, por exemplo,
Today, the secretary-general of the Socialist Party, José Sócrates, characterized it as "extraordinary" that the leader of the Social Democratic Party should use his support from outside the country as an electoral argument instead of that from inside the country.

A falta de qualidade do inglês é particularmente notória no blog Lisbon Story Teller, da autoria da Marta Rebelo. Não pondo aqui em questão as qualidades de escritora da autora do blog, vejo-o como um péssimo exercício de composição. O inglês está muito mau, e qualquer professora de liceu lho poderá confirmar. Tentei mostrá-lo ao meu marido, americano, também doutorado em economia, e com uma especialização em literatura aquando da sua licenciatura, e ele recusou-se a lê-lo depois das primeiras frases. Está muito, muito mau e eu peço-lhe que o retire do site até estar corrigido. No que me diz respeito, o blog retira toda e qualquer credibilidade ao site, que já de si padece de um nível de inglês muito baixo.

Mais uma vez afirmo que acho o projecto do PDV muito interessante, pelo que espero que entenda a minha mensagem como uma crítica construtiva, uma sugestão de melhoramento.

Com os meus cumprimentos,

*****
-- * --

Vítor, pá, num havia necessidade! Tinhas-me mandado dar uma volta, ir apanhar ananases, dar banho ao cão, sei lá! Agora o silêncio deixa-me ressabiada, chateia-me, irrita-me até ao tutano.
Se calhar não devia ter dito que o inglês era "tosco" e sim "pouco polido". Há gente que se melindra facilmente. Talvez tenha sido isso...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Os três da Terça de manhã: golfinhos, polícia e Brad

E agora, que não tenho nada a dizer sobre pepinos, vou escrever sobre o polícia e o Brad da família dos caroços* que me caíram nos cereais Terça-feira de manhã. A sério. Mais ou menos.
Pois lá íamos nós, mini-bolacha e eu de chauffeuse, atrasadas como convém, entretidas como é necessário, e em excesso de velocidade como é hábito. Íamos para o ginásio, a aula começava às dez e um quarto e já eram dez e pouco. Lampeiras, íamos na Chandler Blv, sentido Oeste, quase a chegar à 32nd Street -- e aqui posso falar da Chandler como se fosse a Avenida da Liberdade em Lisboa ou a Rua de Santa Catarina, no Porto, pois que já tive o cuidado de aqui a descrever e inclusive mostrar um vídeo todo janota. Estava uma manhã linda de sol, a música era porreira, o trânsito era quase nenhum, a estrada era toda nossa. E eis que, palerma, escondido numa esquina estava um polícia que eu não vi a tempo suficiente de travar ainda mais (não vinha ninguém atrás de mim).
Lá sai ele do seu esconderijo, vejo-o aproximar-se de mansinho pelo retrovisor -- bolas, bolas, bolas, ultrapassa, ultrapassa, ultrapassa. O gajo liga as luzinhas da moto. Estou lixada. Atravesso duas faixas para ir para a faixa mais à direita e viro para uma rua menos movimentada.
Bolas, bolas, bolas. E agora, como é mesmo que se faz? Desliga a música. Desce o vidro. Desliga o carro. Põe as mãos no volante para o officer não julgar que és uma criminosa ou que o vais atacar -- como se uma gaja de t-shirt roxa cheia de brilhos com uma catraia sorridente no banco de trás o fosse -- bolas, por que é que a gaja não está aos berros a fazer uma birra monumental...
Good morning ma'am, can I see your driver's license and car documents, please?
Good morning, officer. Sure. Please excuse me a second while I look for everything. 
Sei lá onde raio estão os documentos do carro... será que o gajo se lembrou de pôr o papel novo do seguro... bolas, ainda não mudei a morada na carta de condução... dou-lhe os documentos... são os documentos errados, dei-lhe o registo provisório do carro em vez do definitivo, que está aberto nas minhas mãos. Ele repara nisso e sorri. Eu tremo, tento parecer que está tudo bem.
Do you know you were speeding back there? Do you know the speed you were going, ma'am?
Yes, I was I going maybe 52, 53...
Milhas por hora. Numa zona cujo limite ora são 40 milhas ora são 45.
Afinal ia a 55. A primeira multa. Já conduzo há treze anos e nunca fui multada. Um record virginal que se perde no dia em que descubro a Margarida a trazer a público a perda do seu.
Há muito ir e vir entre o meu carro e a moto. O polícia entrega-me um papel para assinar e eu assino. Ainda me pergunta de onde sou e diz que já esteve em Portugal há muitos anos. Trocamos delicadezas enquanto me multa. Bolas já estou tão atrasada... Qualquer coisa pagar a multa, pontos na carta de condução, seguro mais caro. Ou ir a tribunal. Ou ir fazer um curso de condução defensiva e ficar com tudo como estava, sem pontos, sem seguro mais caro. Eu que escolha. Ai o gozo que o marido me vai dar... Será que lhe posso falar do meu trauma matinal, da inocência perdida, dos golfinhos que nunca mais serão somente um animalzinho simpático, macio... concentra-te.
Make sure you drive slower, ma'am.
Ainda lhe faço mais umas perguntas sobre como reagir na eventualidade de, sozinha e a altas horas da madrugada, ser mandada parar no meio de nenhures, é que vejo muito CSI. Ele sorri e explica que devo ligar para o nine-one-one e certificar-me de que efectivamente é polícia quem tenho à perna. E parar, parar sempre.
Have a nice day, ma'am.
Caraças lá para o ma'am.
Thank you officer, have a nice day.
Pois porque o meu vai ser, cabrão-sonofabitch!

-- Continua -- 

*Pit é, entre buracos no solo e outras coisas mais, um caroço a que falta um "t".

quinta-feira, 2 de junho de 2011

"There’s always a better love than the first one."

Lembram-se de eu me queixar do blog Lisbon Story Teller no site de notícias-portuguesas-em-inglês Portugal Daily View, lembram?
E lembram-se de eu vos dizer que fiz um comentário ao blog que entretanto desapareceu, lembram?
E lembram-se do print screen do último parágrafo onde havia um daqueles erros de proporções gigantescas, um "then" que devia ser um "than", lembram?
Ora...
O blog ainda lá está.
O meu comentário ainda não.
O erro que eu apontei nesse comentário, porém, está corrigido, e agora a frase lê-se "There’s always a better love than the first one". Não sei se concordo com a afirmação da Marta, mas está bem redigida. Pelo menos esta.
Entretanto há instantes mandei um mailito para o Editor-in-Chief do site a: (1) dar os parabéns pela ideia de criar um site com conteúdos tão diversos sobre Portugal em inglês; (2) observar que o inglês do site está básico e que a maioria das traduções está literal, e a (3) pedir que retire o Lisbon Story Teller do site até lhe corrigir o inglês.
Prometo manter-vos ao corrente de quaisquer desenvolvimentos, nomeadamente se for mandada passear.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Tendes bom inglês e sois snob? Ajudai-me!

Estou doente. Tenho a alma aos saltos, o coração a tremer, e o cérebro a arrotar. Não estou bem, a sério que não estou bem.
O que comeste, perguntais alarmados ante a minha fronte tão macilenta e a clara falta de viço. Não foi o que comi, foi o que li no Portugal Daily View (PDV)*, "o primeiro site noticioso com conteúdos em inglês que visa levar as novidades do que se passa no país aos quatro cantos do mundo. “Este projecto nasceu da constatação que na procura noticiosa na internet sobre Portugal não há informação em inglês. Até agora, só era possível encontrar notícias sobre o país em inglês em ‘sites’ institucionais ou em jornais estrangeiros, pelo que pela primeira vez vai estar disponível informação feita por jornalistas portugueses para o mundo”, revelou à agência Lusa Vítor Matos, director do Portugal Daily View."
Quando vi esta notícia do lançamento do site, salvo erro no Domingo, esfreguei as mãos de contente (é sabido que está contente esfrega as mãos). E ontem, Segunda-feira, 30 de Maio, lá fui ao site.
Mais valia ter ficado a fazer origami. O inglês é tosco, é pouco polido, as frases parecem marteladas a betoneira e fazem-me doer os tornozelos.
Mas é assim tão mau, perguntais. Mau, mau, mau, não é. Mas também não é bom. Por exemplo, vede o Press Review de Segunda-feira, dia 30 de Maio:

Portugal Daily View, Press Review, May 30, 2011

Ou vede este perfil do Sócrates, que está estranhíssimo.
Todavia o coup de grâce vem do blog Lisbon Story Teller escrito pela Marta Rebelo. Ai valham-me as petúnias e o rosmaninho. Só um cheirinho:

The ultimate sushi, blog do Portugal Daily View, 30 de Maio, 2011

E, para rematar, o último parágrafo:

The ultimate sushi, blog do Portugal Daily View, último parágrafo, 30 de Maio, 2011

Mas o que realmente me deixou doente foi o que eu não vi: o comentário que lá deixei ontem à noite a dizer que o blog era um embaraço para o site e que por favor ou lhe corrigissem o inglês ou o retirassem de todo (não sei se é bom o que conta, eu não consegui ler). Fui censurada!!!! O meu comentário não está lá! A bem dizer não vi comentário nenhum em lado nenhum, mas a minha busca não foi de modo algum exaustiva. Isto irritou-me de sobremaneira e foi um dos motivos que me levou a escrever este texto.
O segundo motivo é porque preciso que me digam que estou enganada, que o inglês é adequado, que está bem, que eu é que sou uma snob e tenho a mania. Dizei-mo, I beg of you. Please. Pretty please. Lembram-se de como pedia o Roger Rabbit?  P-p-rrr-lease!

*Se alguém do PDV me lê, que aprenda: escreve-se o nome por extenso e as iniciais apresentam-se entre parêntesis, não ao contrário.
**Se alguém do PDV me lê, eu sou, na minha humilde opinião de perita, uma excelente revisora de textos.
***Adoro a palavra perita, é como se fosse uma pêra pequenita. Isso e nenúfar!

domingo, 8 de maio de 2011

Ordenhar o dia


Hoje é dia da mãe nos US. O que quer dizer que, cá em casa, o dia é meu. E já começou com um pequeno-almoço à deux (coincidência) durante o qual perguntei à minha melhor metade "so, what are you going to do on this Mother's day?", não fosse ele planear o seu dia de outro modo que não em torno de mim.
Os americanos têm uma expressão que eu acho apropriada para o que estou a/vou fazer, "to milk", que literalmente significa ordenhar e que no caso em apreço caso significa tirar proveito da situação.
Vou portanto ordenhar o meu dia até não poder mais. Muu!

Nota da tradução: Então, o que vais fazer neste dia da Mãe?

sábado, 9 de abril de 2011

Provérbio vindo de longe: O ovo e a pedra


Eu gosto de provérbios, palavra que gosto. E um dia, quando tiver tempo, perdão, mais tempo, porque tempo parece que ainda vou tendo, assim o testemunham as postas que por cá vou deixando dia sim, dia sim senhor, prometo escreverei sobre o assunto. Juro que prometo (hã!?).
Mas hoje, sem grandes delongas, que ter mais que fazer obriga a que evite os rodeios de que também tanto gosto, venho trazer-vos um provérbio africano que encontrei na caixinha de comentários de um blog que adoro e sigo com a ternura de uma visita que já vai sendo da casa e se senta no sofá, não com a pose de menina fina, rabo na metade frontal do assento, pernas flectidas para o lado, costas direitas, mãos pousadas uma sobre a outra -- um dia já me sentei assim, à frente da mãe de um namorado, o que já parece foi noutra vida... e sim de braço aberto pousado nas costas, num quase abraço expectante das histórias a ser contadas entre golinhos de chá e bolachas de canela.
O dito provérbio reza assim:
when talking with a stone, an egg is always wrong.
(em conversa com uma pedra, o ovo está sempre errado.)

E se o ovo for de dragão? Pergunta estúpida. Toda a gente sabe que... E se a pedra for a filosofal?
Está-se mesmo a ver que a parvoeira continua...
Continua...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Libertinagem gramatical


Nota da redacção: Slutty é um adjectivo de elevado refinamento que visa descrever o tipo de senhora mais dado, e de tal modo dado, que de vez em quando escorrega até à promiscuidade. Pode ser traduzido como "galdéria".
Gosto de começar as semanas assim. Com libertinagem. Pensastes o quê?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Afinal haverá outra... language on my blog

O senhor bolacha diz que me lerá se eu escrever em inglês... é tentador...
É mas é uma carga de trabalhos, damn it!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Truísmo de Sexta-feira de manhã

Maridinho à saída: "I will try to come home early today. Unless I don't."

Tradução enviesada: "Vou tentar vir cedo para casa. A menos que não."

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia de São Valentim #4


O senhor bolacha, motivado pelas minhas sugestões subliminares do tipo "devias ver o meu blog, está tão giro" ou "o blog está um miminho, não sei quem não gostaria de o visitar", às vezes vem cá vê-lo. 
Ver é mesmo o verbo correcto, bem sabem os santos e os anjinhos que o português da minha cara metade se limita às delícias gastronómicas do seu agrado. Por isso, uma mensagem (para ele) de modo a que a perceba:
Come home without my cookies today and you'll get to enjoy a full night of Arizona's starry skies from the balcony.
Tradução aproximada: Aparece-me em casa sem elas e dormes na varanda.