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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Comunicação com a grávidas, uma lição em vários módulos

Don'ts
(nunca, jamais, em tempo algum)
#1. Saudar a grávida como se esta tivesse perdido a personalidade e o seu estado (de graça) a definisse como indivíduo. A grávida continua a ser uma mulher e o seu nome permanece um vocábulo ao qual responde, sendo o seu uso veementemente encorajado.
#2. Saudar a grávida com "Olá gorda" ou quaisquer variantes deste adjectivo, por mais mimosas e fofinhas que soem, nomeadamente "gordinha", "gordita", ou "gorduxa". É um no-no. Sempre.
#3. São igualmente ofensivas quaisquer variantes de "a tua barriga cresceu imenso" ou "a tua barriga está enorme" (insulto ainda pior).
Dos
#1. Saudar a grávida com "estás com tão bom aspecto que nem pareces grávida", (fingindo ar de surpresa) "grávida, tu!?, de frente ou de costas nem se nota!". Quaisquer variantes desta última são perfeitamente aceitáveis e até se incentiva o seu uso (e abuso).
Just perfect
#1. Comparar a grávida a uma top model (ver aqui a mestria, a sabedoria, a arte).

(em permanente actualização, pelo menos até Setembro)

Nota da jardinagem: este blog subscreve o movimento "Grávida também é gente".

segunda-feira, 23 de abril de 2012

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estou a perder o juízo

Lentamente, pepita a pepita.
Imagino que perder o juízo seja tarefa para levar o seu tempo, como um copo (flûte?) cheio com um furinho pequenino no fundo que se esvai gota a gota. Imagino que não seja coisa repentina, como perder umas chaves, uns óculos de sol, um livro, ou um casaco, que são meros instantes de distracção e depois puft, foi-se.
O meu juízo está a ir embora devagarinho, sei-o. E só não garanto que sinto as teias de aranha a aparecerem nos espaços onde antes habitavam células que eu imagino gordas e saltitonas como os glutões do OMO porque, enfim, ainda me resta algum. Juízo, quero dizer.
Não sei bem a que se deve esta diminuir da capacidade, talvez a causa seja única, talvez não.
Começaria por culpar a gravidez e o pós-parto. Os americanos têm uma expressão muito adequada, "mommy brains", que explica, baseados no cansaço e na privação do sono, o desmemoriamento das mamãs (e as crises existenciais, digo eu). Estudos científicos, porém, parecem indicar precisamente o contrário, que o cérebro das mamãs cresce:
E eu que pensava estar no bom caminho... humph!
A seguir na lista de possíveis culpados vem esta vida de quase pária. Estou longe de tudo e de todos, e os meus contactos sociais são poucos, resumindo-se à minha filha, ao meu marido, à senhora do ginásio que verifica o cartão e me dá as toalhas, as baby-sitters do dito ginásio (sobre isto hei-de escrever um texto), os caixas do supermercado, e as professoras da escolinha da cria. Mas Maria, perguntais já V. Exas., "tu pareces ser tão boa pessoa, não tens amigos?!" -- notai que até ali pus o ponto de exclamação para denotar bem a vossa surpresa. Tenho, tenho, mas estão todos muito ocupados, e só nos vemos, com um bocado de sorte, uma vez por mês. Fora as conversas via Skype, as trocas de comentários e chats no Facebook, os mails, e este mesmo cantito, a minha vida social resume-se a isto. Se eu ao menos fosse um nadinha esquizofrénica talvez me sentisse mais acompanhada, e poderia ter discussões bem mais inteligentes comigo própria, quiçá uma das minhas outras personalidades pudesse ser uma rocket scientist, outra uma especialista em literatura, e a outra em música, garanto que assim seria bem mais divertido. Acho que me faltou aqui uma fashionista hard core para me dar umas sugestões de vestimentas glamorosas, mas que venha, então.
A terceira causa, ligada às duas anteriores, é a licença de vencimento, a ausência do ritmo de trabalho, de que eu gosto tanto e tanta falta me faz. Deixem-me trabalhar!!!! como dizia o outro. Trabalho é coisa que não me falta, desde aulas de disciplinas novas que tenho para preparar e os papers da tese quase quase quase prontos para mandar para os journals (sorry pelo jargão académico, achei que daria um ar distinto à coisa).
Se a causa é apenas uma ou se são várias misturadas, não sei. Só sei que há dias me esqueci de uma reunião que tinha sido marcada e cuja ocorrência foi sobejamente lembrada durante a manhã e depois, às duas da tarde, foi-se, e hoje mamãe mandou-me uma mensagem a dizer que lhe marquei o voo de regresso a Portugal no dia errado, exactamente uma semana depois do meu.
Juízo, bye-bye, gostei muito deste bocadinho.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Coisas boas de se fazer anos em dois continentes #3

Estar tão feliz e derretida com os mimos que fui recebendo que ainda não são nove da manhã e eu já estou a fazer declarações de amor electrónicas aos meus amigos. Ainda por cima sentidas.
(Sou uma lamechas, ai se não sou...)
(E uma gaja de sorte.)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quem nasceu para burro lagartixa*,**

Foi pela mão da Pólo Norte do Quadripolaridades que cheguei ao Pedro do We'll Always Have Paris, nome que imediatamente indicia um blog de alguém interessante (ou quanto mais não seja interessando no Casablanca).
Coscuvilhando alegremente posts abaixo, pois que o moço escreve bonito e, estando apaixonado, coisa que eu acho normalmente ajuda à inspiração, escreve cartas de amor que me fazem querer imediatamente abandonar marido e filha e tornar-me objecto deste seu desvelo, encontrei este post que me fez reconhecer o quão simples (simplória!?) sou. É que o Pedro, ao ver uma instalação de Manuel Botelho no Centro Cultural de Cascais intitulada "Cartas de Amor e Saudade", fotografou-a e intitulou a sua posta "As minhas estão atadas com fitas de seda e guardadas numa caixa de sapatos". Eu cá só consegui pensar "e aquilo não pega fogo?".

*Quem nasceu para burro lagartixa nunca chega a cavalo jacaré. Ou quem (só) nasceu para as bolachas nunca chega ao chá das cinco com scones. Ahhh... scones... 
** Sugestão de mamãe.***
*** Mamãe anda prolífica em sugestões, agora que me apanhou por cá. Censura! Censura!!!!!!!!!!!!!! Socorro!!!!!

domingo, 3 de julho de 2011

Sabes que não és normal quando...

Quando mudas de quarto de hotel e te apercebes que o papel higiénico do novo é melhor do que o do anterior.

sábado, 2 de julho de 2011

Não tenho tv, não tenho ar condicionado, mas tenho wireless

Enquanto o marido está a aguentar o calor do delta de Sacramento e, simpaticamente, pratica as suas tarefas de groomsman -- bolas, no post anterior escrevi que ele era best-man mas não é, é groomsman, que é uma espécie de dama-de-honor mas à gajo, portanto mais peluda mas igualmente absurda e mal vestida --, Maria aguenta o calor no quarto e aproveita para ler os 81 posts que estão a negrito no google reader e postar uns quantos pensandos. De porta do quarto escancarada, ventoinha aos pés da cama apontada na minha direcção, escrevo sentada na cama, recostada em duas almofadas, computador nas coxas (como se não estivesse já calor que chegasse!). Estão, diz o weather.com, 36ºC.
O hotel é estilo Art Déco, o que agora percebo quer dizer que não há elevadores. Construído em 1927, portanto no pico da Prohibition Era, que de 1920 a 1933 proibiu o fabrico, a venda, e o transporte de bebidas alcoólicas, o hotel foi oferecendo um conjunto vasto de serviços, desde o já esperado room and board até a um menos esperado, pelo menos por mim, que sou um bocado inocente (ou tansa), serviço de atendimento ao público com enfoque nas relações humanas (bordel). Este último, a par de um serviço de venda (ilegal) de bebidas alcoólicas, que aliás motivou a instalação de um alçapão secreto que escondia uma ligação directa até ao rio, deu ao hotel um certo misticismo e frisson, o que por sua vez levou à sua procura por parte de celebridades de todos os tipos, de presidentes a políticos, e de mafiosos a estrelas de cinema, por exemplo passaram por cá Clark Gable e Judy Garland. Diz que nos anos 80 "[t]he Hotel has (...) undergone a major renovation, maintaining  the character of the original design while incorporating contemporary amenities, such as Jacuzzi tubs, with glorious river views. What has been achieved is an ambiance that is both unique and casually elegant." Ainda que elevadores nem vê-los (o que não me chateia, juro) e ar condicionado idem aspas (isto já me chateia um bocado porque está calor e o marido não dorme quando há muito calor e faz-me a vida num, hoje mais literal e esquentante do que gostaria, inferno).
Posso entretanto dizer-vos que da major remodeação não fizeram parte as janelas, pois que a da casa-de-banho, de madeira carcomida pelo sol e pela brisa do rio quando há, está carunchosa e, infelizmente para mim, sem vidros, que estão partidos e apanhados do lado de fora.
À péssima qualidade da janela da casa-de-banho juntam-se as do quarto, que são duas, uma de lado da cama e a outra mesmo atrás da cabeceira. Estas últimas, de alumínio ou outro qualquer material mais ou menos ferroso (que percebo eu destas coisas?), são uma anedota no que a janelas diz respeito. Bom, lá que abrem e fecham isso é verdade, lá que deslizam sobre uma calha, sim. E é isto o que tenho a dizer. O que realmente me importa e me está a moer o juízo é que as putas, duas das quais viradas para a air vent do hotel, não são solução para o barulho imenso que aqui se faz ouvir. Estou de phones canceladores de ruído nos ouvidos, aparelhómetro devidamente ligado, Amor Electro e Donna Maria aos berros no youtube, e mesmo assim ouço o cabrão do ruído.
Desculpem, amigos, eu tenho issues com barulho, e não consigo dormir em quartos barulhentos. Eu sou sempre a esquisita que, aquando do check-in, pede ao infeliz da recepção um quarto afastado do air vent, das ice machines, e das portas dos elevadores. E que, muitas vezes não satisfeita, desce à recepção e diz ser inadmissível aquele quarto.
Estou feita, não vou dormir duas noites...
Ah sim, estou cheia de saudades da minha filha, que entretanto hoje já foi à praia a São Francisco com a avó, já aprendeu a dizer "ocean", e até já foi dar de comer aos gatos da tia. Está cheia de sorte, a casa dos avós é tão sugadinha... E fresca, pá, fresca!