Há gravações bem melhores, bem sei, mas esta é a minha, e por isso é-me especial. Para um behind the scenes para os próximos bailaricos, é favor clickar aqui. Já agora, um pormenor castiço desta gravação. O indicador da bateria da máquina já estava a piscar ainda o espectáculo ia a meio. E eu pensava "só mais um bocadinho, só mais um bocadinho". A dita morreu-se-me no exacto instante em que o show acabou, nem um segundo a mais nem a menos, perfeito.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Ainda a propósito de Las Vegas...
A nostalgia levou-me à pasta das fotos e vídeos que fiz em Las Vegas e entretanto lembrei-me de ter querido, na altura, vir aqui falar-vos do espectáculo das fontes do hotel Bellagio, um bailado de repuxos perfeitamente coreografados e em sintonia com a melodia. É verdadeiramente arrebatador e eu peço desculpa, não só pelo atraso, mas como sabeis tenho andado ocupada, mas também e principalmente por não lhe fazer justiça, nem com palavras e nem com vídeo.
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
C is for Cookie Cucumber*
Oh nooooooooooooooo! Ao fim de 43 anos, o Monstro das Bolachas perde as ditas. Este mundo está perdido...
Na verdade, não é de hoje a adopção, pelo MB, de uma alimentação saudável, em prol das suas artérias (e quiçá motivado por um contrato mais chorudo com alguns lobbies agrícolas). Não percebo é por que é que hoje foi uma das notícias do jornal da tarde da SIC. Por outro lado, os anúncios da Depuralina andam ao rubro. Está decretado o começo oficial da silly season!
*No original "C is for Cookie (That's good enough for me! Oh Cookie, cookie, cookie starts with C!)". Versão pepino aqui.
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sábado, 30 de junho de 2012
Em primeiríssima mão: Tomás das Cruzes e Cátia Vanessa Carvalho Azinheira*
Estão a divorciar-se, o Cruise e a Holmes.
Não, I did not see it coming, como tantos arautos da desgraça hão-de proclamar. Achei estranho o gajo aos pinchos em cima do sofá da Oprah, mas a paixão dá doideira mesmo, e se não há doideira e/ou pincho mais ou menos literal, não há paixão. Também aquelas coisas da cientologia me dão alguma coceira, mas cada um é p'ró que nasce e gente há que acredita no Creacionismo e eu não desato ao insulto. Cada um sabe da sua fé e onde acende as suas velinhas (ou não) (se alguém resolver ultrajar a Nossa Senhora de Fátima e a Nossa Senhora de La-Sallete também tem de ser ver comigo e eu sou moça que vale por dois).
E prontos, you heard it here.
Talvez haja salvação para o blog. Estarei branching-out, talvez. Qualquer dia venho falar de carteiras caras. Sapatos bem que podia, sou da terra da Helsar e do Luís Onofre e conheço os big bosses.
*Holm-oak é um carvalho, mais precisamente uma azinheira. Obrigada ao Jorge Nunes pela correcção!
Não, I did not see it coming, como tantos arautos da desgraça hão-de proclamar. Achei estranho o gajo aos pinchos em cima do sofá da Oprah, mas a paixão dá doideira mesmo, e se não há doideira e/ou pincho mais ou menos literal, não há paixão. Também aquelas coisas da cientologia me dão alguma coceira, mas cada um é p'ró que nasce e gente há que acredita no Creacionismo e eu não desato ao insulto. Cada um sabe da sua fé e onde acende as suas velinhas (ou não) (se alguém resolver ultrajar a Nossa Senhora de Fátima e a Nossa Senhora de La-Sallete também tem de ser ver comigo e eu sou moça que vale por dois).
E prontos, you heard it here.
Talvez haja salvação para o blog. Estarei branching-out, talvez. Qualquer dia venho falar de carteiras caras. Sapatos bem que podia, sou da terra da Helsar e do Luís Onofre e conheço os big bosses.
*Holm-oak é um carvalho, mais precisamente uma azinheira. Obrigada ao Jorge Nunes pela correcção!
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sábado, 9 de junho de 2012
As prioridades e os interruptores
![]() |
| daqui |
Há muitos anos, o Herman, o José de sobrenome alemão esquisito, disse, talvez no Tal Canal, uma verdade que me tem acompanhado. Não me lembro se o sujeito da frase era "a vida", mas francamente este é um pormenor de somenos importância (diz uma busca pelo Oráculo do Google que sim, que é mesmo a vida). O que de relevante tinha a frase viria a seguir, verbo incluído: "é como os interruptores, ora para cima, ora para baixo". E se a vida é como os interruptores, também as prioridades às vezes o são. Eu explico, se me derdes licença.
Foi em Novembro do ano passado, mais dia, menos mês, que descobri que no segundo semestre deste ano lectivo que agora termina daria cinco disciplinas. Uma, já repetida, com um blá blá blá interminável e que me custa imenso ensinar, pois que se era aquela a minha vida antes do doutoramento, deixou de o ser, outra, uma disciplina cuja primeira metade já tinha dado, e três disciplinas novas. Destas, uma dada ao nível de mestrado, que "só" duraria quatro aulas, nada mais que verborreia, de políticas europeias. De quê, valha-me Deus?! Que sei eu das políticas europeias?! Também já ensinei isso noutra vida, quando ainda éramos quinze e o euro uma novidade, mas hoje... arrepios frios... Outras duas. Uma de macroeconomia, a um nível tão básico que eu devo ter aprendido isso na licenciatura há quase vinte anos, e outra de estatística descritiva e rudimentos de probabilidades, nada difícil mas trabalhosa porque já dei probabilidades há dez anos e o bom de se aprender teoria das probabilidades é, para alguns, esquecê-la.
Claro que, com as aulas, um horário medonho. Só à Quinta-feira, por exemplo, dava dez horas de aulas. As Sextas eram dia de enxaqueca, aprendi-o rapidamente, a exaustão do dia anterior era superior à minha resistência.
Entre tanta azáfama, uma gravidez, às três pancadas encaixada na minha indisponibilidade para sequer ter vida pessoal (às minhas amigas, por exemplo, cheguei a dizer-lhes que só estaria relativamente livre em Abril, para me esquecerem por completo durante Março!). E uma filha que só via ao Sábado e ao Domingo, mini-bolacha ficava com a minha mãe durante a semana, um colo seguro e tão (ou mais) competente que o meu.
E assim se passaram os meses desde Janeiro, a trabalhar para dar umas aulas minimamente decentes e aceitáveis para os meus padrões. Com uma carga docente tão brutal, não me sobraria tempo nenhum para a investigação, pelo que abracei a nova realidade sem me queixar em demasia (pobre Cris, que aguentou tão estoicamente os meus lamúrios..., entre tantas outras coisas, amizade é isto mesmo, ouvir queixumes contínuos e familiares como se fossem sempre novos e quase improváveis).
Workaholic profissional, tinha sempre mil e uma tarefas para acabar, desde a preparação das próprias aulas aos trabalhos de casa e questiúnculas absurdas de que os alunos se lembram (recebi um email de uma aluna de uma disciplina da qual sou coordenadora no qual constava, alturas tantas, "aviso-a já que" -- como!?!?). Top priority, portanto, trabalho.
Até que, na Quarta-feira, dia 30 de Maio, faltavam dois dias para o fim do período lectivo, exactamente três aulas, pumba, o que era top ficou bottom e o que era bottom ficou top. "Upside down", como alegremente diz a minha filha de mãos e pés no chão e rabo bem arrebitado. Contracções. Urgências obstétricas. Amigos em tumulto. Repouso (daí o turismo). Se o trabalho desse saúde os doentes estavam todos no activo, penso.
E as disciplinas, os alunos? Teimo em fazer os testes e ainda pensei que os conseguiria corrigir. Estúpida, não consigo estar ao computador mais de meia hora sem que as contracções voltem. Mas algo se há-de arranjar. Só tenho de me lembrar e relembrar que agora a prioridade é o biscoito. Que tem de ficar no forno a engordar e crescer (brinco muito com mamãe dizendo que me sinto um ganso ou pato na engorda para fazer foie gras, mas é um bocado assim).
Felizmente temos televisão por cabo. E com o descanso as contracções acalmaram.
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segunda-feira, 21 de maio de 2012
Também eu vou/gostava de escrever sobre os Globos de Ouro da SIC
Ou sobre a gala. Ou sobre a passadeira vermelha. Ou...
O problema é que foi tanto vestido, tanta entrevista, tanta pergunta desinteressante, ..., e eu pasmada a olhar para a cruz em néon verde que brilhava em todo o seu esplendor a assinalar o estado de actividade da farmácia bem atrás da passadeira vermelha. E perdida cá comigo a pensar como é que os clientes lá chegariam e o que iriam comprar... assim foi até mudar de canal.
A distrair-me assim nunca serei fashion blogger...
O problema é que foi tanto vestido, tanta entrevista, tanta pergunta desinteressante, ..., e eu pasmada a olhar para a cruz em néon verde que brilhava em todo o seu esplendor a assinalar o estado de actividade da farmácia bem atrás da passadeira vermelha. E perdida cá comigo a pensar como é que os clientes lá chegariam e o que iriam comprar... assim foi até mudar de canal.
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sábado, 21 de abril de 2012
Das coisas boas de se ser uma aniversariante blogosférica
Para a Catita mais Rita, com um sorriso a valer por 30!
A Rita é catita
E só irrita a almoçar
Ó Rita
A batata frita
Não chega
P'ra alimentar
A Rita fica aflita
E até grita
Se lhe dão
Sopinha de legumes com cebola e feijão
Tens de comer cenoura e grão
Muita alface e muito agrião
Vitaminas , minerais
E proteínas Rita senão não cresces mais
E proteínas Rita senão não cresces mais
A Rita é catita
Só irrita a almoçar
Ó Rita se és bonita
Não chores sem parar
O peixe é saboroso
E as couves também são
Ao lanche bebe o leite
Come queijo com pão
Se comeres bem podes brincar
Sem estares doente e sem te cansar
E na escola aprendes mais
Rita vá lá come e não irrites os pais
Rita vá lá come e não irrites os pais
A Rita é catita
Só irrita a almoçar
Ó Rita a batata frita
Não chega p'ra alimentar
A Rita fica aflita
E até grita
Se lhe dão
Sopinha de legumes com cebola e feijão
Se comeres bem podes brincar
Sem estares doente e sem te cansar
E na escola aprendes mais
Rita vá lá come e não irrites os pais
Rita vá lá come e não irrites os pais
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sábado, 31 de março de 2012
Das coisas que (des)aprendemos com os alunos
Começo por avisar que podia ter escolhido um título diferente para este post (que prevejo se venha a tornar numa série não tarda nada). Concretamente, podia ter escolhido "Procrastinação, uma definição", que viria bem a propósito. É que estou sentada à mesa da sala de jantar com o firme propósito de corrigir testes (bem se vê que o meu conceito de firmeza se presta a uma interpretação mais liberal, não sendo portanto nada inabalável, talvez ao propósito lhe falte um pouco de "hirto", agora que penso no assunto).
Mas sentei-me com o tal do propósito, que até agora ainda não mexeu uma palha, e juntos decidimos aproveitar o que resta desta manhã de Sábado para corrigir uns testes (entenda-se "deprimir-me um pouco", é que já aquando da recolha reparei que a esmagadora maioria dos alunos resolveu não responder ao conjunto de três perguntas que valia oito valores, optando ao invés por concentrar a sua sabedoria nos doze valores que atribuí às perguntas de escolha múltipla).
Mas esta primeira abordagem ao teste, durante a qual já assinalei na grelha de correcção as questões a que os alunos não responderam (símbolo de "menos trabalho, menos trabalho"*), já me ofertou a primeira pérola de conhecimento. Ah pois, é que não tenho jamais a presunção de isto ser uma one way street, durante a qual eu só ensino, faço o download de conhecimento (importantíssimo) e não recebo nada em troca. Acabei de aprender, por exemplo, uma palavra nova:
*O "menos trabalho, menos trabalho" é uma ilusão: os alunos que agora tirarem menos de oito valores vão aparecer-me todos no exame, em Julho. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Mas sentei-me com o tal do propósito, que até agora ainda não mexeu uma palha, e juntos decidimos aproveitar o que resta desta manhã de Sábado para corrigir uns testes (entenda-se "deprimir-me um pouco", é que já aquando da recolha reparei que a esmagadora maioria dos alunos resolveu não responder ao conjunto de três perguntas que valia oito valores, optando ao invés por concentrar a sua sabedoria nos doze valores que atribuí às perguntas de escolha múltipla).
Mas esta primeira abordagem ao teste, durante a qual já assinalei na grelha de correcção as questões a que os alunos não responderam (símbolo de "menos trabalho, menos trabalho"*), já me ofertou a primeira pérola de conhecimento. Ah pois, é que não tenho jamais a presunção de isto ser uma one way street, durante a qual eu só ensino, faço o download de conhecimento (importantíssimo) e não recebo nada em troca. Acabei de aprender, por exemplo, uma palavra nova:
| Aventuras na correcção, 31 de Março, 2012 |
*O "menos trabalho, menos trabalho" é uma ilusão: os alunos que agora tirarem menos de oito valores vão aparecer-me todos no exame, em Julho. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
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segunda-feira, 19 de março de 2012
Tanto tempo desaparecida e voltas para falar de gulodices?
E há lá melhor assunto?!
Miss ocupated, tão ocupated... os gajos do departamento escravizam-me!
Se me conhecesses saberíeis que digo isto com tom jocoso e acompanhado de um ar de gozo, não o digo maldosamente.
Digo-o, contudo, e apercebi-me disso a semana passada, com uma pontinha (um novelo inteiro) de arrependimento por ter voltado. Também por aquilo que o departamento me está a fazer (ou que eu deixei que me fizesse, coisa talvez pior, pois que aguentar com a frustração por não me ter defendido melhor, por ter deixado que me pisoteassem e se aproveitassem da minha boa vontade deixa-me ainda mais frustrada). E fundamentalmente, por o meu patrão me ter cortado os tais 22.453% de ordenado anual.
Mas voltando ao que me dói na alma...
Não é trabalhar muito, por favor não me interpretais mal, coisa que até gosto bastante de fazer. Aliás, foi fonte de grande satisfação constatar que ainda consigo, que ainda sou capaz, capacidade de que, dois anos integrais dedicados à maternidade volvidos, duvidei com todas as minhas forças. Como me angustiei a este propósito...
O que me faz doer o coração é ter visto a distribuição de serviço docente e ter constatado que, a seguir a um colega absolutamente fantástico e com uma produtividade que vale por pelo menos quatro excelentes profissionais -- ainda por cima um gajo porreiríssimo! -- sou a que tenho mais horas de serviço. De todo o departamento. Tenho cinco disciplinas ao todo, todas diferentes, e três delas novas. Trabalho que nem uma brutinha, sou eu e a produção de bolos em série do Continente (Zitinha, eu juro que não provei, mas até têm bom aspecto...).
Os que estão mais por dentro do assunto poderão lembrar que estou a acumular serviço docente, que não estive cá no primeiro semestre. A esses respondo que, em primeiro lugar, não estar cá não significa que não tenha trabalhado, afinal os três papers que estão na secretária do Barry à espera que os leia/corrija/melhore não se escreveram sozinhos, e nem os textos de apoio que escrevi para uma cadeira caíram do céu, antes fosse. Em segundo lugar, não sou caso único, outros houve a acumularem o serviço. Outro argumento, esse já válido, é que havia débitos (dívidas de horas lectivas) e que havia de pagar. Respondo agora que sim, infelizmente tinha débitos, como tantos outros colegas, mas o que não havia necessidade era de agora ter créditos (horas a haver).
Outra coisa que irrita até ao tutano é que o ECDU, o tal do estatuto da carreira docente universitária (chiiiique!), diz que as horas leccionadas depois das 20:00 valem por hora e meia. Viste-las!? Nem eu, dizem-me que o "departamento não faz" (que se lixe a lei). E ensino cinco destas. Fazei contas...
Fora estas questiúnculas há outras coisas que me estão a doer. São cinco. Cinco dias por semana que estou longe da minha filha, da minha boneca. Vou para a universidade à Segunda ao fim da tarde e só chego na Sexta à quase uma da manhã (tenho ensinado até às onze da noite). Vale-me mamãe, que é melhor avó e mãe do que eu conseguiria ser. Abençoada seja madame e sua ternura para com nossa menina.
Bolas, chega de queixas. Vou mas é trabalhar que amanhã dou aulas até às dez e meia (da noite) e alguém tem de as preparar...
I'll be back! Jeito Terminator para dar mais pedal...
P.S. Não aceito boas e devidamente justificadas defesas para o comportamento do departamento. Só quero comentários que me amaciem o pêlo e digam que estou repleta de razão. Estamos entendidos? Merci!
Miss ocupated, tão ocupated... os gajos do departamento escravizam-me!
Se me conhecesses saberíeis que digo isto com tom jocoso e acompanhado de um ar de gozo, não o digo maldosamente.
Digo-o, contudo, e apercebi-me disso a semana passada, com uma pontinha (um novelo inteiro) de arrependimento por ter voltado. Também por aquilo que o departamento me está a fazer (ou que eu deixei que me fizesse, coisa talvez pior, pois que aguentar com a frustração por não me ter defendido melhor, por ter deixado que me pisoteassem e se aproveitassem da minha boa vontade deixa-me ainda mais frustrada). E fundamentalmente, por o meu patrão me ter cortado os tais 22.453% de ordenado anual.
Mas voltando ao que me dói na alma...
Não é trabalhar muito, por favor não me interpretais mal, coisa que até gosto bastante de fazer. Aliás, foi fonte de grande satisfação constatar que ainda consigo, que ainda sou capaz, capacidade de que, dois anos integrais dedicados à maternidade volvidos, duvidei com todas as minhas forças. Como me angustiei a este propósito...
O que me faz doer o coração é ter visto a distribuição de serviço docente e ter constatado que, a seguir a um colega absolutamente fantástico e com uma produtividade que vale por pelo menos quatro excelentes profissionais -- ainda por cima um gajo porreiríssimo! -- sou a que tenho mais horas de serviço. De todo o departamento. Tenho cinco disciplinas ao todo, todas diferentes, e três delas novas. Trabalho que nem uma brutinha, sou eu e a produção de bolos em série do Continente (Zitinha, eu juro que não provei, mas até têm bom aspecto...).
Os que estão mais por dentro do assunto poderão lembrar que estou a acumular serviço docente, que não estive cá no primeiro semestre. A esses respondo que, em primeiro lugar, não estar cá não significa que não tenha trabalhado, afinal os três papers que estão na secretária do Barry à espera que os leia/corrija/melhore não se escreveram sozinhos, e nem os textos de apoio que escrevi para uma cadeira caíram do céu, antes fosse. Em segundo lugar, não sou caso único, outros houve a acumularem o serviço. Outro argumento, esse já válido, é que havia débitos (dívidas de horas lectivas) e que havia de pagar. Respondo agora que sim, infelizmente tinha débitos, como tantos outros colegas, mas o que não havia necessidade era de agora ter créditos (horas a haver).
Outra coisa que irrita até ao tutano é que o ECDU, o tal do estatuto da carreira docente universitária (chiiiique!), diz que as horas leccionadas depois das 20:00 valem por hora e meia. Viste-las!? Nem eu, dizem-me que o "departamento não faz" (que se lixe a lei). E ensino cinco destas. Fazei contas...
Fora estas questiúnculas há outras coisas que me estão a doer. São cinco. Cinco dias por semana que estou longe da minha filha, da minha boneca. Vou para a universidade à Segunda ao fim da tarde e só chego na Sexta à quase uma da manhã (tenho ensinado até às onze da noite). Vale-me mamãe, que é melhor avó e mãe do que eu conseguiria ser. Abençoada seja madame e sua ternura para com nossa menina.
Bolas, chega de queixas. Vou mas é trabalhar que amanhã dou aulas até às dez e meia (da noite) e alguém tem de as preparar...
I'll be back! Jeito Terminator para dar mais pedal...
P.S. Não aceito boas e devidamente justificadas defesas para o comportamento do departamento. Só quero comentários que me amaciem o pêlo e digam que estou repleta de razão. Estamos entendidos? Merci!
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Migalhas (de chocolate) de felicidade, uma definição
Ir à secretaria da escola pedir desculpas por me ter esquecido de lá passar ontem, em busca do mítico bolo de chocolate com coco da M., e ela dizer-me que tem uma fatia guardada para mim.
Assim, num tupperware no frigorífico, uma fatia de céu à minha espera.
Alguém me diga que não nasci de rabo viradinho para a lua que eu mordo-o!
Assim, num tupperware no frigorífico, uma fatia de céu à minha espera.
Alguém me diga que não nasci de rabo viradinho para a lua que eu mordo-o!
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Inda tás viva, melhér?
Afinal parece que a miss num esqueceu de como vender aulas (ou acha que não, o que vale o mesmo e sempre 22.453% menos de ordenado). Questiono-me existencialmente se trabalharei menos 22.453% do que antes. Agradeço sugestões.
Gros bisous!
*Vinte e uma e meia porque as horas leccionadas depois das oito da noite valem por uma e meia. Talvez seja das poucas alturas em que três até são quatro meia.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Crónicas de uma viagem anunciada
Já cheguei (em rigor, já chegámos).
Cria dormiu um total de quinze minutos durante a viagem, mamãe foi super-avó e tratou dela o voo Newark - Porto inteirinho.
Aprendi que dar autocolantes aos putos é quase tão bom como levar o iPhone cheio de vídeos, às vezes melhor. Tenho p'ra mim que nada nunca tão eficiente como uma marretada no cocuruto, mas tenho algum pudor em experimentar.
Decidi que o choque cultural devia ser confrontado rapidamente em vez de evitado e portanto foi ver-me, depois de uma sesta ligeira, de carrinho das compras no Modelo/Continente. Terapia de imersão não recomendada a almas menos fortes.
Faz hoje uma semana que estava de voyage. Eu não acredito que já passou quase uma semana, hoje ainda é só Quarta-feira. Não tarda nada desejo-vos um bom fim-de-semana.
Cria dormiu um total de quinze minutos durante a viagem, mamãe foi super-avó e tratou dela o voo Newark - Porto inteirinho.
Aprendi que dar autocolantes aos putos é quase tão bom como levar o iPhone cheio de vídeos, às vezes melhor. Tenho p'ra mim que nada nunca tão eficiente como uma marretada no cocuruto, mas tenho algum pudor em experimentar.
Decidi que o choque cultural devia ser confrontado rapidamente em vez de evitado e portanto foi ver-me, depois de uma sesta ligeira, de carrinho das compras no Modelo/Continente. Terapia de imersão não recomendada a almas menos fortes.
Faz hoje uma semana que estava de voyage. Eu não acredito que já passou quase uma semana, hoje ainda é só Quarta-feira. Não tarda nada desejo-vos um bom fim-de-semana.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
É internar-me já!
Amigos, o adjectivo workaholic não me descreve. Estou para além disso. Marido ontem brincava dizendo que sua Maria tem apenas dois modos de trabalho, on e off.
Ultimamente Maria tem estado apenas on, Maria só trabalha, Maria só prepara aulas, Maria só vê Macroeconomia à sua frente, só estuda os agregados nacionais (o tal do PIB) e faz continhas com índices de preços. Maria tem arrepios só de pensar no tanto que ainda tem de estudar para se preparar. E Maria sua as estopinhas para transformar a disciplina numa coisa interessante e que motive.
Maria anda desinfeliz de tanto que trabalha. Quase nem sai, dias há que quase nem sai de casa e areja o queijo.
É internar-me. Já.
Saudades...
Ultimamente Maria tem estado apenas on, Maria só trabalha, Maria só prepara aulas, Maria só vê Macroeconomia à sua frente, só estuda os agregados nacionais (o tal do PIB) e faz continhas com índices de preços. Maria tem arrepios só de pensar no tanto que ainda tem de estudar para se preparar. E Maria sua as estopinhas para transformar a disciplina numa coisa interessante e que motive.
Maria anda desinfeliz de tanto que trabalha. Quase nem sai, dias há que quase nem sai de casa e areja o queijo.
É internar-me. Já.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Orelhas de burro em versão adulta e pós moderna
Tssst, tssst, ou te portas bem ou ficas virada para a parede (o dia todo).
Acho que todo este texto está escrito para que sinta pena da (coitada?) da mulher. Não sinto. Não sou nenhuma tresloucada sem coração (atenção à parte "sem coração"), mas não consigo deixar de pensar no que fez a tal mulher para levar os patrões a preferir sentá-la a uma secretária sem fazer nenhuma das tarefas para a qual foi contratada (fazer no computador os orçamentos, introduzir no sistema informático diversos registos, nomeadamente, eventos diários, fichas de clientes, estatística de vendas e relatórios de stocks, e ainda limpar a loja -- isto é que é amplitude de qualificações!).
É que, se há maus patrões (ao que parece estes não vão propriamente receber a caneca "World's Best Boss" -- fãs do The Office, anyone?), também há maus funcionários. Mesmo maus. Daqueles que apetece mesmo pôr atrás de uma secretária sem fazer nenhum e de preferência virados para a parede. Just saying.
Acho que todo este texto está escrito para que sinta pena da (coitada?) da mulher. Não sinto. Não sou nenhuma tresloucada sem coração (atenção à parte "sem coração"), mas não consigo deixar de pensar no que fez a tal mulher para levar os patrões a preferir sentá-la a uma secretária sem fazer nenhuma das tarefas para a qual foi contratada (fazer no computador os orçamentos, introduzir no sistema informático diversos registos, nomeadamente, eventos diários, fichas de clientes, estatística de vendas e relatórios de stocks, e ainda limpar a loja -- isto é que é amplitude de qualificações!).
É que, se há maus patrões (ao que parece estes não vão propriamente receber a caneca "World's Best Boss" -- fãs do The Office, anyone?), também há maus funcionários. Mesmo maus. Daqueles que apetece mesmo pôr atrás de uma secretária sem fazer nenhum e de preferência virados para a parede. Just saying.
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Da paixão ou da falta dela
Desenganai-vos amigos se por cá vindes na expectativa de ler alguma coisa melíflua, prosa romanceada, quiçá mesmo poesia. Não, o que hoje cá me traz é outra coisa.
A minha avó costuma dizer-se apaixonada. Tem noventa e três anos, quase noventa e quatro, que fará em Janeiro. Tendo perdido o marido e um filho, em 2007 e 2011, respectivamente, costuma dizer-se apaixonada, ou vivendo uma paixão muito grande. Nem mesmo olhando para a tristeza no fundo daqueles olhos azuis consigo entender tanto sofrimento (e ainda bem). Paixão é, para a D. Otília, sinónimo de martírio, dor, e confesso que nela nunca lhe conheci outro. Aprumada e arranjanda (na falta de pêlo na sobrancelha sempre houve um lápis certeiro, mesmo que às ditas por vezes faltasse alguma simetria, desde o arco até à distância do olho, não era defeito, era feitio).
Mas a esta interpretação de paixão opõe-se uma outra, a outra, em que tudo é efervescência, e até a brisa nos pêlos dos braços cria frémitos de prazer (adoro a palavra frémito, lembro-me de a ler ainda em teenager e, mesmo sem saber o que se significava, senti-la espasmodicamente boa). Estar-se apaixonado é sentir que há vida em nós, apalpar cada minuto, cada segundo, como se o tic-tac vibrasse bem cá dentro (pelo menos para mim).
E de estremecimentos chego à generalização que achei por bem aqui vir dividir em vossa sempre tão aprazível companhia. Acho o povo português pouco apaixonado, pouco dado ao tal do frémito. Mesmo que gesticulemos (ou quase) como os italianos e falemos em voz alta e todos ao mesmo tempo (na minha família é assim), falta-nos sangue na guelra, falta-nos portanto paixão:
Nada à propos deixai-me contar-vos de uma discussão completamente idiota que tive no outro dia, num shopping em São João da Madeira. Ia com a minha tia quando encontrámos uns amigos dela. Vinham o pai, a mãe, e as duas filhas, uma delas, a mais velha, de vinte e dois ou vinte e quatro anos, não me lembro bem. Depois dos cumprimentos da praxe e das perguntas entediantes cuja resposta não me interessava, dou pela pela mais velha a dizer que odiava Lisboa. Estava a trabalhar lá há duas semanas e dizia, com furor e brilhozinho nos olhos, ser impossível gostar da cidade. Apeteceu-me estrafegá-la logo ali. Em vez disso disse-lhe ser ainda muito novita (talvez não a melhor forma de abrir as hostes) e dever dar hipótese de se apaixonar pela Lisboa dos fados, das vielas, do rio, e daquela luz que não há mais lado nenhum. Cruzou os braços, teimou que não, jurou a pés juntos ser impossível. Andei doente uns dias com esta conversa e ainda hoje me custa pensar em semelhante provincianismo. Negava-se assim uma miúda a apaixonar-se por um sítio, que podia ser Lisboa ou Barcelos, não importa. Talvez me devesse bastar o seu ódio visceral, mas não. A pequenez de espírito incomoda-me sempre.
A minha avó costuma dizer-se apaixonada. Tem noventa e três anos, quase noventa e quatro, que fará em Janeiro. Tendo perdido o marido e um filho, em 2007 e 2011, respectivamente, costuma dizer-se apaixonada, ou vivendo uma paixão muito grande. Nem mesmo olhando para a tristeza no fundo daqueles olhos azuis consigo entender tanto sofrimento (e ainda bem). Paixão é, para a D. Otília, sinónimo de martírio, dor, e confesso que nela nunca lhe conheci outro. Aprumada e arranjanda (na falta de pêlo na sobrancelha sempre houve um lápis certeiro, mesmo que às ditas por vezes faltasse alguma simetria, desde o arco até à distância do olho, não era defeito, era feitio).
Mas a esta interpretação de paixão opõe-se uma outra, a outra, em que tudo é efervescência, e até a brisa nos pêlos dos braços cria frémitos de prazer (adoro a palavra frémito, lembro-me de a ler ainda em teenager e, mesmo sem saber o que se significava, senti-la espasmodicamente boa). Estar-se apaixonado é sentir que há vida em nós, apalpar cada minuto, cada segundo, como se o tic-tac vibrasse bem cá dentro (pelo menos para mim).
E de estremecimentos chego à generalização que achei por bem aqui vir dividir em vossa sempre tão aprazível companhia. Acho o povo português pouco apaixonado, pouco dado ao tal do frémito. Mesmo que gesticulemos (ou quase) como os italianos e falemos em voz alta e todos ao mesmo tempo (na minha família é assim), falta-nos sangue na guelra, falta-nos portanto paixão:
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Nada à propos deixai-me contar-vos de uma discussão completamente idiota que tive no outro dia, num shopping em São João da Madeira. Ia com a minha tia quando encontrámos uns amigos dela. Vinham o pai, a mãe, e as duas filhas, uma delas, a mais velha, de vinte e dois ou vinte e quatro anos, não me lembro bem. Depois dos cumprimentos da praxe e das perguntas entediantes cuja resposta não me interessava, dou pela pela mais velha a dizer que odiava Lisboa. Estava a trabalhar lá há duas semanas e dizia, com furor e brilhozinho nos olhos, ser impossível gostar da cidade. Apeteceu-me estrafegá-la logo ali. Em vez disso disse-lhe ser ainda muito novita (talvez não a melhor forma de abrir as hostes) e dever dar hipótese de se apaixonar pela Lisboa dos fados, das vielas, do rio, e daquela luz que não há mais lado nenhum. Cruzou os braços, teimou que não, jurou a pés juntos ser impossível. Andei doente uns dias com esta conversa e ainda hoje me custa pensar em semelhante provincianismo. Negava-se assim uma miúda a apaixonar-se por um sítio, que podia ser Lisboa ou Barcelos, não importa. Talvez me devesse bastar o seu ódio visceral, mas não. A pequenez de espírito incomoda-me sempre.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Sabes que estás nos EUA quando...
Quando... já lá vamos.
E antes de lá irmos, seja "lá" onde for, esteja onde estiver, convém que vos diga o porquê desta nova rubrica. O nome, "sabes que estás nos EUA quando...", é self-explanatory, inglesismo que eu botei aqui porque achei que era apropriado dado o tema da rubrica.
É que há coisas que eu vou vendo, algumas delas até vou fotografando na expectativa de arranjar uma nesga de tempo para vos cá vir saudar, que me fazem pensar "epá, estás mesmo na América" que, dentro da minha cabeça, sabe-se lá por obra de quê ou de quem, tem um sotaque meio portuense, meio bracarense, meio aparvalhado, e então "América" soa mais ou menos como "ameiricâ", coisa que por estes lados se escreveria foneticamente como "ameiricuh", infantilidade à qual não resisti por causa da extremidade por ali metida.
Ora a estalada da testa de hoje foi a existência de casas de bonecas étnicas, coisa que até faz muito sentido, faz sim senhor (ou senhora!) mas a que, por estar na terra onde o politicamente correcto me entra por todos os orifícios sem pedir licença ou agradecer no fim, achei piada.
Acho que faz todo o sentido que haja bonecos étnicos, e só tenho pena de não ter encontrado uns asiáticos, que os deve haver, para os pôr aqui. Acho excelente que os meninos possam brincar com brinquedos que tenham a sua cor, o seu formato de olhos, o seu tipo de cabelo (estou a lembrar-me de um livro de uma amiguinha da minha filha, a T., que é sobre o quão lindos são os seus cabelinhos encaracolados, e que são mesmo, e fofinhos). Assim como com os outros.
E agora poderia lançar-me num interessantíssimo exercício de sociologia, economia, e sei lá mais que "...ia" sobre o assunto, mas helás, não temos tempo (que quase me atrevo a dizer, felizmente).
E antes de lá irmos, seja "lá" onde for, esteja onde estiver, convém que vos diga o porquê desta nova rubrica. O nome, "sabes que estás nos EUA quando...", é self-explanatory, inglesismo que eu botei aqui porque achei que era apropriado dado o tema da rubrica.
É que há coisas que eu vou vendo, algumas delas até vou fotografando na expectativa de arranjar uma nesga de tempo para vos cá vir saudar, que me fazem pensar "epá, estás mesmo na América" que, dentro da minha cabeça, sabe-se lá por obra de quê ou de quem, tem um sotaque meio portuense, meio bracarense, meio aparvalhado, e então "América" soa mais ou menos como "ameiricâ", coisa que por estes lados se escreveria foneticamente como "ameiricuh", infantilidade à qual não resisti por causa da extremidade por ali metida.
Ora a estalada da testa de hoje foi a existência de casas de bonecas étnicas, coisa que até faz muito sentido, faz sim senhor (ou senhora!) mas a que, por estar na terra onde o politicamente correcto me entra por todos os orifícios sem pedir licença ou agradecer no fim, achei piada.
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| Fisher-Price My First Dollhouse (caucasian family) |
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| Fisher-Price My First Dollhouse (african-american family) |
Acho que faz todo o sentido que haja bonecos étnicos, e só tenho pena de não ter encontrado uns asiáticos, que os deve haver, para os pôr aqui. Acho excelente que os meninos possam brincar com brinquedos que tenham a sua cor, o seu formato de olhos, o seu tipo de cabelo (estou a lembrar-me de um livro de uma amiguinha da minha filha, a T., que é sobre o quão lindos são os seus cabelinhos encaracolados, e que são mesmo, e fofinhos). Assim como com os outros.
E agora poderia lançar-me num interessantíssimo exercício de sociologia, economia, e sei lá mais que "...ia" sobre o assunto, mas helás, não temos tempo (que quase me atrevo a dizer, felizmente).
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sábado, 15 de outubro de 2011
Subsídio, uma defininção, um esclarecimento, ou qualquer coisa assim assim, mais ou menos, tal e qual, em jeito de serviço público
Ando aqui às voltas com uma questão. Uma questão pequenita, um detalhe, talvez. Mas é um pedregulho no meu sapato.
Aqueles que me vêm lendo sabem-me fanática com a significação exacta das palavras. E se cedo às redundâncias por uma questão estilística (ai amigos se me conhecesses ao vivo veríeis o que eu gosto de uma redundância, de um pleonasmo, numa espécie de esbracejar linguístico bem à português), não deixo que os floreados e nem as interjeições, às vezes em demasia, me façam perder o Norte e me deixem à deriva no que toca às opinações (também gosto de inventar palavras).
Pois hoje venho aqui esclarecer -- e desde já peço perdão por este "esclarecer" de algum modo poder sugerir que vós precisais de esclarecimento, não, de modo nenhum o queria insinuar, vede isto como se de serviço público se tratasse, eterna optimista que sou e crente de que mais do que três leitores cá virão. Tende paciência, amigos.
E é a noção do subsídio que me anda a chatear a molécula. Subsídio, subsídio, subsídio, assim escrito três vezes a ver se se quebra o feitiço e em jeitinho de Candomblé volta o seu a seu dono. Vejamos então, começando pelo começo, a etimologia (merci, Priberam, agora e sempre).
Os nossos, perdão, os ex-subsídios-de-férias-e-de-Natal-dos-funcionários-públicos-mas-que-agora-são-do-governo, não são subsídios nenhuns.
Não!?
Não.
O nosso salário anual é, por uma cortesia extrema para com os empregadores e para com o Estado, que na altura dos subsídios se vê com uma fatia de ordenado mais gordinho para taxar, um empréstimo que os trabalhadores, gente que gosta de trabalhar e sentir o sol secar as pérolas de suor que teimam brilhar em suas frontes cansadas, ouvi dizer, que eu detesto transpirar, gentilmente concedem a seus patrões pela mui digna honra de estar ao seu serviço. Um empréstimo. Em-prés-ti-mo. Nada mais. Nada menos.
O que importa realmente é aquilo que a malta recebe ao fim do ano, a ver se os sortudos-abençoados-trabalhadores com cargos mais interessantes não negoceiam o seu salário anual e os bónus e prémios. Estes são, apenas, detalhes técnicos, palavras, porque o que importa no finzinho é o carcanhol que vem para casa, cá por mim até se podia chamar Efigénia, Clotilde, ou marmita, redunda no mesmo.
O subsídio que o estado nos (funcionários públicos) vai tirar a pretexto da Troika e da crise e da Madeira e..., não é subsídio e sim e tão somente uma parcela do ordenado que eu emprestei ao Estado, parcela essa que eu deixei que ele não me pagasse durante os primeiros seis meses meses do ano, mas que permito que pague e me faça sentir por uns instantes que é Natal.
Parcelas!? Álgebra. Sim, só um bocadinho.
O estado, que deve pagar W de salário anual, resolve dividi-lo em 14 suaves prestações mensais, pagando por isso, em cada mês,
ou mais ou menos, porque subimos de escalão no IRS e lá se vão mais uns trocos nos impostos.
Pelo contrário, podíamos receber pelos meses que efectivamente trabalhamos (e aqui não vou entrar em questiúnculas de só trabalharmos onze meses) e receber, mensalmente,
Fora a parcela que o governo me roubou de ordenado, irrita-me que o Estado me passe um atestado de imbecilidade e que me diga "olha pá, tu não te governas bem, deixa cá que eu obrigo-te à poupança mas depois devolvo-te tudo". Juros?! Nã, esquece, tu é que tens de pagar pelo favor que te faço, ó perdulária, ainda vais gastar tudo em sapatos ou carteiras, coisa que eu pago com a tal subida de escalão de IRS.
Cá pelos US o marido recebe pelos meses que trabalha oficialmente, que são nove -- na verdade o pobre trabalha o ano todo e tira p'raí uma semana de férias, se tanto, mas enfim, isso são contas de outro rosário. Amantíssimo esposo recebe nove meses por ano e nos outros não recebe, ponto final. Tem de poupar, ter juízo, e não comprar a esta sua gaja todos os sapatos e carteiras que esta (aparentemente, perante seu governo) insiste em possuir (ouvi dizer, mas vê-los que é bom, nada).
Tudo então para dizer que o que o Estado está a tirar não é um subsídio, não é um bónus, não é um presente pelo trabalho bem feito, é uma parcela do ordenado, bolas. Fatia essa que eu ia usar para arranjar a dentuça, que bem precisa de um refresh (mania dos americanos terem todos dentes brancos e certinhos, tão lindos, como nos reclames da Colgate...), ou botar na poupança, que anda quase anorética.
Humph. Espero não ter de cortar nas bolachas.
[Ainda googlei as expressões "décimo terceiro mês" e "subsídio de férias", queria saber quando surgiram e por obra de quem, mas não consegui, pelo que considero este texto uma abordagem muito crua à questão do subsídio, mas por ora terá de servir.]
Aqueles que me vêm lendo sabem-me fanática com a significação exacta das palavras. E se cedo às redundâncias por uma questão estilística (ai amigos se me conhecesses ao vivo veríeis o que eu gosto de uma redundância, de um pleonasmo, numa espécie de esbracejar linguístico bem à português), não deixo que os floreados e nem as interjeições, às vezes em demasia, me façam perder o Norte e me deixem à deriva no que toca às opinações (também gosto de inventar palavras).
Pois hoje venho aqui esclarecer -- e desde já peço perdão por este "esclarecer" de algum modo poder sugerir que vós precisais de esclarecimento, não, de modo nenhum o queria insinuar, vede isto como se de serviço público se tratasse, eterna optimista que sou e crente de que mais do que três leitores cá virão. Tende paciência, amigos.
E é a noção do subsídio que me anda a chatear a molécula. Subsídio, subsídio, subsídio, assim escrito três vezes a ver se se quebra o feitiço e em jeitinho de Candomblé volta o seu a seu dono. Vejamos então, começando pelo começo, a etimologia (merci, Priberam, agora e sempre).
Subsídio,Atentemos concretamente ao número 3, o tal que fala da quantia atribuída para um fim específico, e cuja ilustração me parece muito adequada. E, se ainda me estais a ler algo já enfastiados porque não se ouve falar de outra coisa senão dos subsídios de férias e de Natal (será que agora se escreve com letra pequena?), dai-me apenas mais uns minutos da vossa atenção, que eu prometo arrepiar caminho.
[Substantivo masculino (do latim subsidium, -ii, tropas de reserva, reforço, socorro, auxílio.)]
1. Quantia com que o Estado ou outra corporação concorre para obras de interesse público. = SUBVENÇÃO
2. Quantia atribuída por uma entidade para um fim específico (ex.: subsídio de desemprego, subsídio de férias).
3. Aquilo que concorre para um fim determinado. = CONTRIBUTO
4. Auxílio; socorro; benefício.
Os nossos, perdão, os ex-subsídios-de-férias-e-de-Natal-dos-funcionários-públicos-mas-que-agora-são-do-governo, não são subsídios nenhuns.
Não!?
Não.
O nosso salário anual é, por uma cortesia extrema para com os empregadores e para com o Estado, que na altura dos subsídios se vê com uma fatia de ordenado mais gordinho para taxar, um empréstimo que os trabalhadores, gente que gosta de trabalhar e sentir o sol secar as pérolas de suor que teimam brilhar em suas frontes cansadas, ouvi dizer, que eu detesto transpirar, gentilmente concedem a seus patrões pela mui digna honra de estar ao seu serviço. Um empréstimo. Em-prés-ti-mo. Nada mais. Nada menos.
O que importa realmente é aquilo que a malta recebe ao fim do ano, a ver se os sortudos-abençoados-trabalhadores com cargos mais interessantes não negoceiam o seu salário anual e os bónus e prémios. Estes são, apenas, detalhes técnicos, palavras, porque o que importa no finzinho é o carcanhol que vem para casa, cá por mim até se podia chamar Efigénia, Clotilde, ou marmita, redunda no mesmo.
O subsídio que o estado nos (funcionários públicos) vai tirar a pretexto da Troika e da crise e da Madeira e..., não é subsídio e sim e tão somente uma parcela do ordenado que eu emprestei ao Estado, parcela essa que eu deixei que ele não me pagasse durante os primeiros seis meses meses do ano, mas que permito que pague e me faça sentir por uns instantes que é Natal.
Parcelas!? Álgebra. Sim, só um bocadinho.
O estado, que deve pagar W de salário anual, resolve dividi-lo em 14 suaves prestações mensais, pagando por isso, em cada mês,
mas, duas vezes por ano, paga-nos dois salários, e em Maio e Novembro recebemos(1/14).W = 0.0714W = 7.14 % do nosso salário anual
14.28% do nosso salário anual
Pelo contrário, podíamos receber pelos meses que efectivamente trabalhamos (e aqui não vou entrar em questiúnculas de só trabalharmos onze meses) e receber, mensalmente,
ou seja receber mais 1.19 p.p. (pontos percentuais, amigos, eu um dia venho cá explicar porquê, agora não me apetece) de carcanhol por mês.(1/12).W = 0.0833W = 8.33 % do nosso salário anual
Fora a parcela que o governo me roubou de ordenado, irrita-me que o Estado me passe um atestado de imbecilidade e que me diga "olha pá, tu não te governas bem, deixa cá que eu obrigo-te à poupança mas depois devolvo-te tudo". Juros?! Nã, esquece, tu é que tens de pagar pelo favor que te faço, ó perdulária, ainda vais gastar tudo em sapatos ou carteiras, coisa que eu pago com a tal subida de escalão de IRS.
Cá pelos US o marido recebe pelos meses que trabalha oficialmente, que são nove -- na verdade o pobre trabalha o ano todo e tira p'raí uma semana de férias, se tanto, mas enfim, isso são contas de outro rosário. Amantíssimo esposo recebe nove meses por ano e nos outros não recebe, ponto final. Tem de poupar, ter juízo, e não comprar a esta sua gaja todos os sapatos e carteiras que esta (aparentemente, perante seu governo) insiste em possuir (ouvi dizer, mas vê-los que é bom, nada).
Tudo então para dizer que o que o Estado está a tirar não é um subsídio, não é um bónus, não é um presente pelo trabalho bem feito, é uma parcela do ordenado, bolas. Fatia essa que eu ia usar para arranjar a dentuça, que bem precisa de um refresh (mania dos americanos terem todos dentes brancos e certinhos, tão lindos, como nos reclames da Colgate...), ou botar na poupança, que anda quase anorética.
Humph. Espero não ter de cortar nas bolachas.
[Ainda googlei as expressões "décimo terceiro mês" e "subsídio de férias", queria saber quando surgiram e por obra de quem, mas não consegui, pelo que considero este texto uma abordagem muito crua à questão do subsídio, mas por ora terá de servir.]
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domingo, 28 de agosto de 2011
Pensamentos filosóficos enquanto sur mer
Condição sine qua non para fazer arroz para o almoço (da cria): haver arroz.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Portugal, cheguei!
[E agora, quem se lembra daquela música dos The Fevers, Guerra dos Sexos, "Cheguei p'ra conquistar o mundo...", da novela com o mesmo nome, emitida em 1983 ou 1984 pela RTP?]
Pois é cheguei/ámos as duas, mini-bolacha e mãe bolacha, ambas as duas (e mais aqueles todos que o avião da TAP, que vinha cheio!, trazia), ao Porto, às oito e pouco da manhã. Mamãe esperava-nos chorosa -- a mulher é dada à lágrima, chora por tudo e por nada, tem o coração ao pé do canal lacrimal, fazer o quê, há quem o tenha ao pé da boca, coisa que até não faz sentido nenhum e deve ser bastante desconfortável olfactivamente falando caso haja um chulé, que aproveito para vos dizer é das palavras predilectas de meu amantíssimo e agora saudosíssimo esposo.
Esperava mamãe duas moças, uma mais portátil que outra, cansadas até à vesícula (órgão que eu não sei bem para que serve ainda que o oráculo da Wikipedia o motive como armazém (palavras minhas), mas que sei pode ser tirado e depois a pessoa tem de ter atenção às gorduras, coisa que aliás todos devíamos ter a bem do castrol).
Estou rota. A mini-miss, criança endiabrada e que me faz muitas vezes questionar sobre se realmente tenho what it takes para ser mãe, pois que dou por mim a querer rifá-la um grande número de birras ao dia. Anda impossível a catraia, aquela coisa dos "terrible two's" e que eu pensava ser uma urban legend veio morder-me as carnes da traseira onde me sento. Quer chacha (bolacha), não quer chacha, quer áuei (água), não quer áuei, quer o Iche (coelhinho), não quer o Iche.
Hoje, perdão, ontem, não quis calçar as sapatilhas, de modo que andou o dia inteiro em meias (ainda as tirou umas vezes, mas não teve grande sucesso e calcei-lhas imediatamente. Depois não quis dormir. Nunca! Nem mesmo com o Benadryl a gaja deu um ronco que durasse mais de um quarto de hora em cada voo (o primeiro de quase cinco horas e o segundo quase sete), para um grand total de cerca de vinte minutos. Já vos disse que desde que saí de casa até que aterrei no Porto foram dezanove horas? XIX? 19!!!!!!!!!! Sabeis o que é que uma criança assim faz à cabeça de uma mãe?! Alturas houve em que eu, debatendo-me com uma criança-virada-enguia que escorregava qual peso-morto pelas minhas mãos, só me ria -- parece-me sempre bem, a cria a esgoelar-se e eu a rir-me. Resultado: as meias, que nasceram brancas, estão no saco do lixo, e o sono, bom, esse dorme-o agora. E eu também vou dormir.
Até amanhã!
P.S. Já marcharam cinco bolachas Shortcake do Modelo, que mamãe comprou só para mim.
P.P.S. Criança-bolacha gosta mais de mamãe de Maria do que da própria Maria, não raras vezes preterindo o colo desta última, para sua tristeza mas grande alívio. Ahhhhhhh. Estou como Calvin quando começaram as férias, já sinto o cérebro a encolher, só que eu em vez de ser o cérebro é a responsabilidade total sobre o bem estar da minha pessoa pequenina que o paizinho também ajuda a criar mas de quem foge a sete pés quando a fralda se cheira a um metro. Homens...
P.P.S.E. Gostaram do excesso do inglês? Estou a treinar para ser uma emigranta bem estereotipada, não quero desiludir alminha nenhuma da minha fan base. Ouvida em emigringlês, no aeroporto em Newark: "He has the mala!"
P.P.S.E.^2. Gostei do emigringlês.
P.P.S.E.^2.explicado: O acento circunflexo usa-se, aquando da escrita em linguagem matemática, enquanto potência, por exemplo 2^2=2 ao quadrado=4, ou 3^2=3 ao quadrado=9. Se pelo contrário quisermos escrever a raiz, ou seja o conceito inverso da potência, usamos o número inverso, por exemplo a raiz quadrada escreve-se 9^1/2=3 ou a raíz cúbica, 8^1/3=2. Já agora, para ver se perceberam mesmo (ou se lêem as minhas notas/postas até ao fim, quanto é 8^(2/3)? Uma bolacha Maria ao primeiro a acertar.
Pois é cheguei/ámos as duas, mini-bolacha e mãe bolacha, ambas as duas (e mais aqueles todos que o avião da TAP, que vinha cheio!, trazia), ao Porto, às oito e pouco da manhã. Mamãe esperava-nos chorosa -- a mulher é dada à lágrima, chora por tudo e por nada, tem o coração ao pé do canal lacrimal, fazer o quê, há quem o tenha ao pé da boca, coisa que até não faz sentido nenhum e deve ser bastante desconfortável olfactivamente falando caso haja um chulé, que aproveito para vos dizer é das palavras predilectas de meu amantíssimo e agora saudosíssimo esposo.
Esperava mamãe duas moças, uma mais portátil que outra, cansadas até à vesícula (órgão que eu não sei bem para que serve ainda que o oráculo da Wikipedia o motive como armazém (palavras minhas), mas que sei pode ser tirado e depois a pessoa tem de ter atenção às gorduras, coisa que aliás todos devíamos ter a bem do castrol).
Estou rota. A mini-miss, criança endiabrada e que me faz muitas vezes questionar sobre se realmente tenho what it takes para ser mãe, pois que dou por mim a querer rifá-la um grande número de birras ao dia. Anda impossível a catraia, aquela coisa dos "terrible two's" e que eu pensava ser uma urban legend veio morder-me as carnes da traseira onde me sento. Quer chacha (bolacha), não quer chacha, quer áuei (água), não quer áuei, quer o Iche (coelhinho), não quer o Iche.
Hoje, perdão, ontem, não quis calçar as sapatilhas, de modo que andou o dia inteiro em meias (ainda as tirou umas vezes, mas não teve grande sucesso e calcei-lhas imediatamente. Depois não quis dormir. Nunca! Nem mesmo com o Benadryl a gaja deu um ronco que durasse mais de um quarto de hora em cada voo (o primeiro de quase cinco horas e o segundo quase sete), para um grand total de cerca de vinte minutos. Já vos disse que desde que saí de casa até que aterrei no Porto foram dezanove horas? XIX? 19!!!!!!!!!! Sabeis o que é que uma criança assim faz à cabeça de uma mãe?! Alturas houve em que eu, debatendo-me com uma criança-virada-enguia que escorregava qual peso-morto pelas minhas mãos, só me ria -- parece-me sempre bem, a cria a esgoelar-se e eu a rir-me. Resultado: as meias, que nasceram brancas, estão no saco do lixo, e o sono, bom, esse dorme-o agora. E eu também vou dormir.
Até amanhã!
P.S. Já marcharam cinco bolachas Shortcake do Modelo, que mamãe comprou só para mim.
P.P.S. Criança-bolacha gosta mais de mamãe de Maria do que da própria Maria, não raras vezes preterindo o colo desta última, para sua tristeza mas grande alívio. Ahhhhhhh. Estou como Calvin quando começaram as férias, já sinto o cérebro a encolher, só que eu em vez de ser o cérebro é a responsabilidade total sobre o bem estar da minha pessoa pequenina que o paizinho também ajuda a criar mas de quem foge a sete pés quando a fralda se cheira a um metro. Homens...
P.P.S.E. Gostaram do excesso do inglês? Estou a treinar para ser uma emigranta bem estereotipada, não quero desiludir alminha nenhuma da minha fan base. Ouvida em emigringlês, no aeroporto em Newark: "He has the mala!"
P.P.S.E.^2. Gostei do emigringlês.
P.P.S.E.^2.explicado: O acento circunflexo usa-se, aquando da escrita em linguagem matemática, enquanto potência, por exemplo 2^2=2 ao quadrado=4, ou 3^2=3 ao quadrado=9. Se pelo contrário quisermos escrever a raiz, ou seja o conceito inverso da potência, usamos o número inverso, por exemplo a raiz quadrada escreve-se 9^1/2=3 ou a raíz cúbica, 8^1/3=2. Já agora, para ver se perceberam mesmo (ou se lêem as minhas notas/postas até ao fim, quanto é 8^(2/3)? Uma bolacha Maria ao primeiro a acertar.
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domingo, 10 de julho de 2011
Portugal here I come!
Amigos,
Estais vendo o "Aviso aos gulosos" mesmo aqui à direita? -- e, sem querer insultar as inteligências de V. Exas., se estiverdes olhando no vazio, é a outra direita! Estais vendo onde diz "Portugal here I come"?
Ora Maria e sua cria (ah!, como eu gosto de uma rima...) deverão plantar seus pézinhos no aeroporto Francisco Sá Carneiro (como eu gostava do nome "Pedras Rubras") mais ou menos às oito da manhã de Terça-feira.
Ramelentas, exaustas, Maria com disposição de canídeo em momento de tensão pré-menstrual.
Se eu fosse moça que se recomendasse deixar-vos-ia o repto vinde conhecer-me, abraçar-me, receber-me de braços abertos, já beijar-me não sei, que sou moça de algum recato e não osculo assim sem mais nem quê. Mas não sou moça que se recomende, a verdade é que não. Principalmente depois de um dia cão e de nem sei quantos fusos horários.
Lemo-nos em breve, eu talvez escreva com um inglês mais intenso, pois que há que fazer jus ao estereotipo e pelo vistos não basta sê-lo, há que parecê-lo. Fico bem de emigrante, don't I? Ó filha, come back já agora!!!! -- estou a praticar. Soa-me bem.
Estais vendo o "Aviso aos gulosos" mesmo aqui à direita? -- e, sem querer insultar as inteligências de V. Exas., se estiverdes olhando no vazio, é a outra direita! Estais vendo onde diz "Portugal here I come"?
Ora Maria e sua cria (ah!, como eu gosto de uma rima...) deverão plantar seus pézinhos no aeroporto Francisco Sá Carneiro (como eu gostava do nome "Pedras Rubras") mais ou menos às oito da manhã de Terça-feira.
Ramelentas, exaustas, Maria com disposição de canídeo em momento de tensão pré-menstrual.
Se eu fosse moça que se recomendasse deixar-vos-ia o repto vinde conhecer-me, abraçar-me, receber-me de braços abertos, já beijar-me não sei, que sou moça de algum recato e não osculo assim sem mais nem quê. Mas não sou moça que se recomende, a verdade é que não. Principalmente depois de um dia cão e de nem sei quantos fusos horários.
Lemo-nos em breve, eu talvez escreva com um inglês mais intenso, pois que há que fazer jus ao estereotipo e pelo vistos não basta sê-lo, há que parecê-lo. Fico bem de emigrante, don't I? Ó filha, come back já agora!!!! -- estou a praticar. Soa-me bem.
Desempacotado por
Maria Bê
às
21:03
2
Trincas
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Vida de emigrante
Bzzzzzsy*
Quem me desse um valente estaladão pela peregrina ideia de fazer estas duas viagens back-to-back fazia-me um grande favor. Creio que posso mesmo ir mais longe e afirmar que faria um grande favor à sociedade em geral, pois que evitaria algum streco adicional nesta já tão destrambelhada Maria que, infelizmente, não vive isolada no meio do monte (que era onde mamãe me aconselhava a viver sempre que me queixava que as pessoas são muito barulhentas/mal educadas/pouco civis ou qualquer combinação similar) e por isso tem o ocasional encontro com membros da sua espécie (os canídeos e gatitos, curiosamente, não despertam em mim estes suores quentes que me fazem querer levar o mundo à frente, muito pelo contrário, podendo nós aqui entretanto incluir coelhinhos, borboletas, e beija-flor, mas não, absolutamente não, pássaros em geral, e os beija-flor a um mínimo de três metros, se faz favor).
Ando estupidamente ocupada com a chegada da California e esta ida para Portugal. Com coisas pequenas, médias, e grandes, foge-me o tempo enquanto vou ao banco fechar uma conta porque o banco me quer cobrar uma taxa de manutenção (querias!), enquanto vou ao correio enviar a máquina fotográfica que vendi na Amazon por um preço ridículamente baixo o que quase me fez voltar atrás e dar o dito pelo não vendido e depois logo se vê (ainda pensei perguntar aqui pelo blog, mas temi que o espírito mercantil e utilitarista desencantasse alguns leitores e antes prefiro vender a máquina barata e o sellers remorse a cair em vossas desgraças -- era uma Panasonic Lumix ZS3, azulzinha, linda, novinha em folha ainda que oferecida pelo marido há Natal e meio), ir lavar o carro (pedido nada pedido e antes mandado, que gaja que é gaja consegue reconhecer pedidos que são mais ordens vocalizadas pelos amantíssimos esposos, estava a fazer-lhe confusão o pó no seu popó, que mesmo em bis não combina com o poeirame que se lhe colou em virtude da tempestade de pó que assolou Phoenix aqui há dias).
Mais compras, compras, compras de última hora.
São os chocolates, os livros e boneco novo para entreter a miúda, uma máquina fotográfica novinha que de tão pequenita a gente mal dá por ela (que estava esgotada em preto em duas das lojas em que procurei e que me fez ir a uma espécie de Continente/Rádio Popular só de electro-coisas imensa e imensa e enorme de tão imensa, que uma gaja quase precisava de GPS para se orientar -- e eu sou gaja que se orienta muito bem, foi ver-me em Amesterdão aqui há atrasado (ai o que eu queria usar esta expressão desde que escrevi há dias ali em cima a propósito do carro) a encontrar o caminho de volta para o hotel depois de não sei quantas voltas, já de noite, e sabe-se que de noite todos os gatos são pardos, e então em Amsterdão até os há multicoloridos e bem ganzados).
Ainda tive de ir à loja devolver a aliança que voltou demasiado folgada e é fazer favor de, uma vez alargada em uma medida, apertá-la em meia, pois que os meus dedos estão mais anafados (mais um dos souvenirs da gravidez, assim como os pés mais crescidos em meio número que me fizeram olhar para as All Star dos Grateful Dead, usadas uma única vez!!! com olhos quase lacrimejantes).
E depois as malas, a escolha da roupa que vamos usar e aquela que ainda levo para oferecer às meninas da confeitaria e que tiveram duas meninas (uma menina cada uma) mais ou menos em Dezembro do ano passado. Odeio fazer malas, sou minuciosa, chata, obcecada com a organização desde que no Porto, aquando da passagem pela alfândega e conseguente revista das malas, me caíram umas cuequinhas (e acreditem que o diminutivo é necessário, aquilo nem pano tinha para tapar a primeira sílaba) ao chão, à vista de toda a gente, um embaraço (e é por isso que agora tenho sempre um saquinho para a roupa interior).
E por falar em afazeres, vou-me fazer aos eres pois que já são nove da manhã e a mini-bolacha já acordou.
Cheers, be back soon -- estou a treinar o emigrantês.
*Ocupada.
Ando estupidamente ocupada com a chegada da California e esta ida para Portugal. Com coisas pequenas, médias, e grandes, foge-me o tempo enquanto vou ao banco fechar uma conta porque o banco me quer cobrar uma taxa de manutenção (querias!), enquanto vou ao correio enviar a máquina fotográfica que vendi na Amazon por um preço ridículamente baixo o que quase me fez voltar atrás e dar o dito pelo não vendido e depois logo se vê (ainda pensei perguntar aqui pelo blog, mas temi que o espírito mercantil e utilitarista desencantasse alguns leitores e antes prefiro vender a máquina barata e o sellers remorse a cair em vossas desgraças -- era uma Panasonic Lumix ZS3, azulzinha, linda, novinha em folha ainda que oferecida pelo marido há Natal e meio), ir lavar o carro (pedido nada pedido e antes mandado, que gaja que é gaja consegue reconhecer pedidos que são mais ordens vocalizadas pelos amantíssimos esposos, estava a fazer-lhe confusão o pó no seu popó, que mesmo em bis não combina com o poeirame que se lhe colou em virtude da tempestade de pó que assolou Phoenix aqui há dias).
Mais compras, compras, compras de última hora.
São os chocolates, os livros e boneco novo para entreter a miúda, uma máquina fotográfica novinha que de tão pequenita a gente mal dá por ela (que estava esgotada em preto em duas das lojas em que procurei e que me fez ir a uma espécie de Continente/Rádio Popular só de electro-coisas imensa e imensa e enorme de tão imensa, que uma gaja quase precisava de GPS para se orientar -- e eu sou gaja que se orienta muito bem, foi ver-me em Amesterdão aqui há atrasado (ai o que eu queria usar esta expressão desde que escrevi há dias ali em cima a propósito do carro) a encontrar o caminho de volta para o hotel depois de não sei quantas voltas, já de noite, e sabe-se que de noite todos os gatos são pardos, e então em Amsterdão até os há multicoloridos e bem ganzados).
Ainda tive de ir à loja devolver a aliança que voltou demasiado folgada e é fazer favor de, uma vez alargada em uma medida, apertá-la em meia, pois que os meus dedos estão mais anafados (mais um dos souvenirs da gravidez, assim como os pés mais crescidos em meio número que me fizeram olhar para as All Star dos Grateful Dead, usadas uma única vez!!! com olhos quase lacrimejantes).
E depois as malas, a escolha da roupa que vamos usar e aquela que ainda levo para oferecer às meninas da confeitaria e que tiveram duas meninas (uma menina cada uma) mais ou menos em Dezembro do ano passado. Odeio fazer malas, sou minuciosa, chata, obcecada com a organização desde que no Porto, aquando da passagem pela alfândega e conseguente revista das malas, me caíram umas cuequinhas (e acreditem que o diminutivo é necessário, aquilo nem pano tinha para tapar a primeira sílaba) ao chão, à vista de toda a gente, um embaraço (e é por isso que agora tenho sempre um saquinho para a roupa interior).
E por falar em afazeres, vou-me fazer aos eres pois que já são nove da manhã e a mini-bolacha já acordou.
Cheers, be back soon -- estou a treinar o emigrantês.
*Ocupada.
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Maria Bê
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