Apesar do sinal "No soliciting" mesmo por cima da campaínha, eram testemunhas de Jeová. Foram tão simpáticos que, se não fosse o pequeno pormenor de, bem, serem testemunhas de Jeová*, até consideraria ajuntar-me ao grupo. Eu gosto de um bom ajuntamento.
*Tenho um respeito profundo por todas as crenças, mas custa-me a aceitar qualquer religião que eu não consiga combinar com a ciência. Neste caso em concreto, se a ciência desenvolveu a possibilidade de salvar vidas com simples transfusões de sangue, então por que não usá-las? E depois também tem a treta de não celebrarem o Natal... até o meu amigo Eli, que é judeu, celebrou dois natais aqui em casa! Mas as transfusões, you lost me at transfusões, pá.
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segunda-feira, 24 de março de 2014
A campaínha tocou e eu fui abrir a porta
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Das coisas que me dão comichão
domingo, 16 de março de 2014
Cenas que uma gaja descobre quando está a trabalhar à uma e meia da manhã de Sábado*
Estou pr'aqui a ouvir um mix youtubiano da Vanessa da Mata que mete uma catrefada de gente porreira a cantar. Acabei de descobrir que gosto do Bruno Mars. Não sei que é fixe gostar-se de Bruno Mars mas achava que não.
*Olha, já são nove e meia da manhã em Portugal. Talvez por isso me apeteça mesmo mesmo uma torrada e um galão. Bem quente.
*Olha, já são nove e meia da manhã em Portugal. Talvez por isso me apeteça mesmo mesmo uma torrada e um galão. Bem quente.
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Os elogios a um professor revelam exactamente o quê
Se eu vier a público dizer que tenho um aluno que me disse que gostava que eu fosse professora dele no próximo ano lectivo, em Princípios de Microeconomia, a maior parte das pessoas vai dizer-me que ele está a tentar "dar-me graxa" (detesto este termo, daí as aspas). O que, asseguro-vos, é escusado, a avaliação é toda feita por trabalhos de casa e testes com cruzinhas.
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Dúvidas mais ou menos existenciais
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Anda pr'aí um bicho ruim...
O meu folder de Spam, que já vos disse lê a Caras, disse-me que a Bárbara Guimarães e o marido se separaram. Humph. Ela é infinitamente mais bonita do que ele mas bolas, não gostei de ler. Não gostei, pronto.
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terça-feira, 23 de abril de 2013
Sempre que vejo um daqueles coisos do "keep calm" eu é mais ou menos isto
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Das coisas que me dão comichão
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
A Pépa desta semana chama-se Henrique
Soube desta pedrada no charco através da (minha sempre tão querida) Beijo-de-Mulata quando esta se confessou prestes a perder as estribeiras (palavras minhas). Moça de bom feitio que raramente se zanga, enfureceu-a o artigo As Crianças não são hiperactivas, são mal-educadas, da autoria de Henrique Raposo. Fui ver. Não era o ovário, mas andou lá perto. Considerações várias atabalhoaram-se em busca de uma clareza que, se chegou, entretanto se dissipou com o cansaço (são quase onze da noite e o João Pestana já me está a piscar o olho). O texto é tão rico em alarvidades que eu nem sei por onde lhe pegar.
A começar por algum lado, confesso que me incomodou o tom superficial e quase jocoso com que tratou a questão da hiperactividade, um problema que atormenta crianças, pais, e educadores e para o qual não há, infelizmente, "umas gotinhas de medicamento", antes as houvesse. {Eu tenho a sorte (Deus ma conserve) de não privar de perto com o problema, mas não há um texto do Jorge sobre os desafios que lhe apareceram no prato que não me deixe com um nó na garganta. Normalmente não comento, ele não precisa das minhas pancadinhas de "there, there" nas costas, mas há sempre vários comentários na caixa, em geral de pais nas mesmíssimas condições que sentem ali o amparo de não se saberem sozinhos. As queixas que têm da incapacidade de os professores orientarem melhor os seus meninos deixa-me sempre siderada.}
A par de muita falta de tacto e confusão, mas ó pá o Henrique é jornalista e não é médico e, parece-me, nem pai, ou se o é é de criança ainda a cheirar a novo, o moço teve o azar de ter uma saída infeliz publicada num sítio que muita gente lê. O que eu acho que ele queria dizer é que os putos são umas pestes e que bom bom seria gozar uma manhã no café sem a sua presença. Se era isto, ah grande Henrique! Eu até ando sempre a dizer a Monsieur Bolacha para irmos de férias para aqueles resorts que não admitem miúdos, detesto gritaria e os putos são uma chatice. Quase me atrevo a dizer que o melhor seria fechá-los numas cabaninhas tipo estufa e só os deixar sair quando tiverem, no mínimo, crescido da idade do armário que, cheira-me, é pior que a das birras.
Ultrapassada a questão do tiro no pé que foi o uso da hiperactividade como desculpa para o mau comportamento dos petizes, deixai-me dizer-vos que também eu já fui assim como o Henrique e que fui defensora dos castigos e da mão dura para com os maus comportamentos (seja lá o que isso for). Até que eu própria procriei e deixei de dizer "aqueles pais" para passar a dizer "os nossos filhos". Pude então aprender uma das primeiras e quiçá mais importantes lições que os filhos ensinam aos pais e que é que tudo aquilo que os ainda-não-pais atiram para o ar, sejam críticas mais ou menos veladas, sejam juras do tipo "eu nunca" ou "eu sempre", lhes cai em cima tipo bigorna de 500 toneladas. Tirei um curso nisto e a minha filha vai fazendo workshops regulares (diários?) de modo a que eu o mantenha bem presente.
Se a memória e experiência não me falham, o ruído feito pelas pestinhas é das primeiras coisas que um ainda-não-pai critica (agora notai o detalhe) na pequenada e na sua ascendência. Pois, porque se a criança grita e esbraceja e se atira para o chão e faz cair o Carmo e a Trindade a culpa, que não morre solteira, recai na sua totalidade sobre a malta que, dando-lhe o pão, (obviamente) não lhe dá a educação. Aqui até dou uma abébia ao Henrique e concedo que tal pode acontecer, pais há que não têm consideração nenhuma pelos demais e ignoram as criancinhas e os seus faux-pas sociais. Mas estes, acredito, estão em minoria. A maioria será, talvez, quiçá, porventura, constituída por malta que, querendo arejar as tranças, não tem mesmo outro remédio do que levar a descendência atrelada ou então, pasme-se, tem prazer na sua companhia. Outro grupo pretende socializar os bichinhos, que se querem futuros membros interessantes da sociedade e, como tal, devem aprender a comportar-se nela e com ela, uma espécie de immersion training.
O artigo do Henrique (ignorando a parte da estupidez da hiperactividade) fez-me lembrar-me de mim há uns anos, quando era uma gaja magra e gira e nova e ainda não tinha filhos. Agora, que sou menos magra, igualmente gira, e um bocadito menos nova, ainda me permito dizer que os putos são uns chatos e gritam muito alto e que é muito bom poder estar a um canto sossegada a enjoy the silence. E que é ainda melhor voltar para casa e fazer os meus próprios meninos rir histericamente de tantas cócegas. Mas sem incomodar os vizinhos. Claro.
A começar por algum lado, confesso que me incomodou o tom superficial e quase jocoso com que tratou a questão da hiperactividade, um problema que atormenta crianças, pais, e educadores e para o qual não há, infelizmente, "umas gotinhas de medicamento", antes as houvesse. {Eu tenho a sorte (Deus ma conserve) de não privar de perto com o problema, mas não há um texto do Jorge sobre os desafios que lhe apareceram no prato que não me deixe com um nó na garganta. Normalmente não comento, ele não precisa das minhas pancadinhas de "there, there" nas costas, mas há sempre vários comentários na caixa, em geral de pais nas mesmíssimas condições que sentem ali o amparo de não se saberem sozinhos. As queixas que têm da incapacidade de os professores orientarem melhor os seus meninos deixa-me sempre siderada.}
A par de muita falta de tacto e confusão, mas ó pá o Henrique é jornalista e não é médico e, parece-me, nem pai, ou se o é é de criança ainda a cheirar a novo, o moço teve o azar de ter uma saída infeliz publicada num sítio que muita gente lê. O que eu acho que ele queria dizer é que os putos são umas pestes e que bom bom seria gozar uma manhã no café sem a sua presença. Se era isto, ah grande Henrique! Eu até ando sempre a dizer a Monsieur Bolacha para irmos de férias para aqueles resorts que não admitem miúdos, detesto gritaria e os putos são uma chatice. Quase me atrevo a dizer que o melhor seria fechá-los numas cabaninhas tipo estufa e só os deixar sair quando tiverem, no mínimo, crescido da idade do armário que, cheira-me, é pior que a das birras.
Ultrapassada a questão do tiro no pé que foi o uso da hiperactividade como desculpa para o mau comportamento dos petizes, deixai-me dizer-vos que também eu já fui assim como o Henrique e que fui defensora dos castigos e da mão dura para com os maus comportamentos (seja lá o que isso for). Até que eu própria procriei e deixei de dizer "aqueles pais" para passar a dizer "os nossos filhos". Pude então aprender uma das primeiras e quiçá mais importantes lições que os filhos ensinam aos pais e que é que tudo aquilo que os ainda-não-pais atiram para o ar, sejam críticas mais ou menos veladas, sejam juras do tipo "eu nunca" ou "eu sempre", lhes cai em cima tipo bigorna de 500 toneladas. Tirei um curso nisto e a minha filha vai fazendo workshops regulares (diários?) de modo a que eu o mantenha bem presente.
Se a memória e experiência não me falham, o ruído feito pelas pestinhas é das primeiras coisas que um ainda-não-pai critica (agora notai o detalhe) na pequenada e na sua ascendência. Pois, porque se a criança grita e esbraceja e se atira para o chão e faz cair o Carmo e a Trindade a culpa, que não morre solteira, recai na sua totalidade sobre a malta que, dando-lhe o pão, (obviamente) não lhe dá a educação. Aqui até dou uma abébia ao Henrique e concedo que tal pode acontecer, pais há que não têm consideração nenhuma pelos demais e ignoram as criancinhas e os seus faux-pas sociais. Mas estes, acredito, estão em minoria. A maioria será, talvez, quiçá, porventura, constituída por malta que, querendo arejar as tranças, não tem mesmo outro remédio do que levar a descendência atrelada ou então, pasme-se, tem prazer na sua companhia. Outro grupo pretende socializar os bichinhos, que se querem futuros membros interessantes da sociedade e, como tal, devem aprender a comportar-se nela e com ela, uma espécie de immersion training.
O artigo do Henrique (ignorando a parte da estupidez da hiperactividade) fez-me lembrar-me de mim há uns anos, quando era uma gaja magra e gira e nova e ainda não tinha filhos. Agora, que sou menos magra, igualmente gira, e um bocadito menos nova, ainda me permito dizer que os putos são uns chatos e gritam muito alto e que é muito bom poder estar a um canto sossegada a enjoy the silence. E que é ainda melhor voltar para casa e fazer os meus próprios meninos rir histericamente de tantas cócegas. Mas sem incomodar os vizinhos. Claro.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Como saber se alguém (des)gosta de nós*
Hoje venho falar-vos de como aferir o carinho (ou falta dele) que alguém nutre por vós com base no presente ofertado a uma vossa cria. Qual dinheiro gasto, qual quê!
Podeis ter a certeza que a pessoa que oferta um cadeau à vossa descendência (des)gosta de vós se o dito faz barulho. O resto é linear, com a dimensão da falta de carinho directamente proporcional aos decibéis que emite o diacho da coisa.
Também é muito mau quando a oferta é uma cozinha ou forninho para cupcakes. Já não basta arrumar uma cozinha agora tenho duas com pratos para pôr no armário. Para adicionar o insulto à ofensa eu interpreto a coisa como mandar a minha cria sopeirar, coisa que só eu posso fazer. Eu a dar-lhe puzzles e jogos didácticos e a piquena a entreter-se com sprinkles e tachos. Humph!
*Apercebi-me deste fenómeno com os presentes que uma pseudo-familiar tem vindo a oferecer à minha cria mais velha. Começou com uma suspeição pequena, um incómodo ao engolir como quando começa uma dor de garganta, e tem-se vindo a transformar em certeza à medida que mais e mais gifts chamam de sua a minha própria casa.
Podeis ter a certeza que a pessoa que oferta um cadeau à vossa descendência (des)gosta de vós se o dito faz barulho. O resto é linear, com a dimensão da falta de carinho directamente proporcional aos decibéis que emite o diacho da coisa.
Também é muito mau quando a oferta é uma cozinha ou forninho para cupcakes. Já não basta arrumar uma cozinha agora tenho duas com pratos para pôr no armário. Para adicionar o insulto à ofensa eu interpreto a coisa como mandar a minha cria sopeirar, coisa que só eu posso fazer. Eu a dar-lhe puzzles e jogos didácticos e a piquena a entreter-se com sprinkles e tachos. Humph!
*Apercebi-me deste fenómeno com os presentes que uma pseudo-familiar tem vindo a oferecer à minha cria mais velha. Começou com uma suspeição pequena, um incómodo ao engolir como quando começa uma dor de garganta, e tem-se vindo a transformar em certeza à medida que mais e mais gifts chamam de sua a minha própria casa.
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Famelga
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Despudorada, uma definição
É oficial. Sou uma despudorada. Pior, sou uma mãe despudorada e que está a pavimentar o caminho para uma filha percorrer igualmente despudoradamente. Vede bem o bilhete que a nova professora da minha filha, para cuja sala mudou esta Segunda-feira, me enviou:
Ou seja, quando a indumentária da cria incluir uma saia ou um vestido, é favor cobrir a cuequinha com uns calções ou leggins, ó sua maluca, sua impudica duma figa!
Pergunto-me agora: as mães em Portugal também cobrem as cuequinhas das filhas quando estas usam vestidos ou saias? É que francamente não sei, nunca reparei e por isso nunca me ocorreu perguntar. Mas será que é um costume que só eu desconheço, e que portanto me desculpo com a ignorância, ou é apenas mais um pormenor de diferença cultural que me veio, não morder o rabo tão literalmente assim, mas a cueca da pequena?
Se a resposta for a diferença cultural, isto comicha-me. Naturalmente que respeito e cumpro, a miúda tem ido para a escola de calções todos os dias (nem saias nem vestidos), mas custa-me compactuar com as regras sobre imodéstia. Talvez, se ela fosse mais velha, isso me preocupasse, mas acho-a tão pequenina, tão assexuada, que o tapar do que tapa as partes pudendas me parece maldoso pela maldade que implica reconhecer.
Fora o facto da urticária intelectual, para a qual bem tento tomar chá de cidreira mas parece não haver meio de passar, incomoda-me a cedência. Americanizo-me ma non troppo.
Fica a pergunta: vós, gente melhor informadas sobre estas coisas, sabeis se em Portugal também se tapa a cueca das mini-misses? Sempre grata, vossa Maria.
Ou seja, quando a indumentária da cria incluir uma saia ou um vestido, é favor cobrir a cuequinha com uns calções ou leggins, ó sua maluca, sua impudica duma figa!
Pergunto-me agora: as mães em Portugal também cobrem as cuequinhas das filhas quando estas usam vestidos ou saias? É que francamente não sei, nunca reparei e por isso nunca me ocorreu perguntar. Mas será que é um costume que só eu desconheço, e que portanto me desculpo com a ignorância, ou é apenas mais um pormenor de diferença cultural que me veio, não morder o rabo tão literalmente assim, mas a cueca da pequena?
Se a resposta for a diferença cultural, isto comicha-me. Naturalmente que respeito e cumpro, a miúda tem ido para a escola de calções todos os dias (nem saias nem vestidos), mas custa-me compactuar com as regras sobre imodéstia. Talvez, se ela fosse mais velha, isso me preocupasse, mas acho-a tão pequenina, tão assexuada, que o tapar do que tapa as partes pudendas me parece maldoso pela maldade que implica reconhecer.
Fora o facto da urticária intelectual, para a qual bem tento tomar chá de cidreira mas parece não haver meio de passar, incomoda-me a cedência. Americanizo-me ma non troppo.
Fica a pergunta: vós, gente melhor informadas sobre estas coisas, sabeis se em Portugal também se tapa a cueca das mini-misses? Sempre grata, vossa Maria.
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Definições,
Ils sont fous ces américains
terça-feira, 15 de maio de 2012
Ah Portugal, Portugal! De que é que tu estás à espera?
Primeiro chegaram as SCUT que afinal não o são -- ainda se chamam SCUT?! eu sugiro SemCustosparaoUTilizadorAfinalMudeideIDeias, SCUTAMID, que até tem nome para nome de medicamento para a ansiedade que é coisinha que um gajo precisa quando ouve falar nestas mudanças de ideias, hoje é peixe amanhã é carne, hoje é rosa amanhã é laranja, hoje é crise amanhã é estamos todos feitos ao bife. De peru, que o filet já se foi há muito e qualquer dia nem isso.
Vejamos o que raio é uma payshop. Do site:
WTF!? Conveniência?! Para quem!? Acho que preciso de ensinar a estes senhores que eu tenho mais que fazer da minha vidinha do que andar de Ceca para Meca para pagar uma conta que poderia perfeitamente ser paga online. Nomeadamente pela malta da estranja, gente que até só paga se quiser e certamente não quererá se tiver de demorar horas e horas para pagar (aconteceu no Algarve, não é um "supônhamos").
Mas depois fui ver...
Ahhhhhhh! Isto é para gerar emprego, contribuir para o PIB e essas coisas de que se ouve falar e está tão na moda. Explicado assim eu percebo melhor. Já agora, quem é lobby desta gente? Parabéns, estão a fazer um trabalho fantástico! Recebem candidaturas espontâneas?
Numa sidenote completamente a despropósito, pergunto-me se será por estarem imbuídos deste espírito de poupança que os meus alunos não escrevem os há com "h". É que, bem vistas as coisas, poupar uma letra em cada parágrafo que escrevem dá, ao fim de não sei quantos, e dependendo do número de caracteres (sem espaços) que pretendam escrever, para escrever um parágrafo de borliú. Maybe I'm on to something aqui...Continuando contudo o assunto que cá me traz, apercebi-me hoje, pela primeira vez -- sou uma burguesa, rica, só ando nas ótórrutes, SCUTs são para o povo (odeio povo!), rebeubéu pardais ao ninho, que não se pode pagar as portagens das SCUT online, só nas Payshop. Só nas Payshop!?!?! Mas... só nas Payshop!?!?!?!?!?
Vejamos o que raio é uma payshop. Do site:
| Payshop: quem somos, 15 de Maio, 2012 |
WTF!? Conveniência?! Para quem!? Acho que preciso de ensinar a estes senhores que eu tenho mais que fazer da minha vidinha do que andar de Ceca para Meca para pagar uma conta que poderia perfeitamente ser paga online. Nomeadamente pela malta da estranja, gente que até só paga se quiser e certamente não quererá se tiver de demorar horas e horas para pagar (aconteceu no Algarve, não é um "supônhamos").
Mas depois fui ver...
| Payshop, Para os Agentes, 15 de Maio, 2012 |
Ahhhhhhh! Isto é para gerar emprego, contribuir para o PIB e essas coisas de que se ouve falar e está tão na moda. Explicado assim eu percebo melhor. Já agora, quem é lobby desta gente? Parabéns, estão a fazer um trabalho fantástico! Recebem candidaturas espontâneas?
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Malucos para tudo
segunda-feira, 19 de março de 2012
Tanto tempo desaparecida e voltas para falar de gulodices?
E há lá melhor assunto?!
Miss ocupated, tão ocupated... os gajos do departamento escravizam-me!
Se me conhecesses saberíeis que digo isto com tom jocoso e acompanhado de um ar de gozo, não o digo maldosamente.
Digo-o, contudo, e apercebi-me disso a semana passada, com uma pontinha (um novelo inteiro) de arrependimento por ter voltado. Também por aquilo que o departamento me está a fazer (ou que eu deixei que me fizesse, coisa talvez pior, pois que aguentar com a frustração por não me ter defendido melhor, por ter deixado que me pisoteassem e se aproveitassem da minha boa vontade deixa-me ainda mais frustrada). E fundamentalmente, por o meu patrão me ter cortado os tais 22.453% de ordenado anual.
Mas voltando ao que me dói na alma...
Não é trabalhar muito, por favor não me interpretais mal, coisa que até gosto bastante de fazer. Aliás, foi fonte de grande satisfação constatar que ainda consigo, que ainda sou capaz, capacidade de que, dois anos integrais dedicados à maternidade volvidos, duvidei com todas as minhas forças. Como me angustiei a este propósito...
O que me faz doer o coração é ter visto a distribuição de serviço docente e ter constatado que, a seguir a um colega absolutamente fantástico e com uma produtividade que vale por pelo menos quatro excelentes profissionais -- ainda por cima um gajo porreiríssimo! -- sou a que tenho mais horas de serviço. De todo o departamento. Tenho cinco disciplinas ao todo, todas diferentes, e três delas novas. Trabalho que nem uma brutinha, sou eu e a produção de bolos em série do Continente (Zitinha, eu juro que não provei, mas até têm bom aspecto...).
Os que estão mais por dentro do assunto poderão lembrar que estou a acumular serviço docente, que não estive cá no primeiro semestre. A esses respondo que, em primeiro lugar, não estar cá não significa que não tenha trabalhado, afinal os três papers que estão na secretária do Barry à espera que os leia/corrija/melhore não se escreveram sozinhos, e nem os textos de apoio que escrevi para uma cadeira caíram do céu, antes fosse. Em segundo lugar, não sou caso único, outros houve a acumularem o serviço. Outro argumento, esse já válido, é que havia débitos (dívidas de horas lectivas) e que havia de pagar. Respondo agora que sim, infelizmente tinha débitos, como tantos outros colegas, mas o que não havia necessidade era de agora ter créditos (horas a haver).
Outra coisa que irrita até ao tutano é que o ECDU, o tal do estatuto da carreira docente universitária (chiiiique!), diz que as horas leccionadas depois das 20:00 valem por hora e meia. Viste-las!? Nem eu, dizem-me que o "departamento não faz" (que se lixe a lei). E ensino cinco destas. Fazei contas...
Fora estas questiúnculas há outras coisas que me estão a doer. São cinco. Cinco dias por semana que estou longe da minha filha, da minha boneca. Vou para a universidade à Segunda ao fim da tarde e só chego na Sexta à quase uma da manhã (tenho ensinado até às onze da noite). Vale-me mamãe, que é melhor avó e mãe do que eu conseguiria ser. Abençoada seja madame e sua ternura para com nossa menina.
Bolas, chega de queixas. Vou mas é trabalhar que amanhã dou aulas até às dez e meia (da noite) e alguém tem de as preparar...
I'll be back! Jeito Terminator para dar mais pedal...
P.S. Não aceito boas e devidamente justificadas defesas para o comportamento do departamento. Só quero comentários que me amaciem o pêlo e digam que estou repleta de razão. Estamos entendidos? Merci!
Miss ocupated, tão ocupated... os gajos do departamento escravizam-me!
Se me conhecesses saberíeis que digo isto com tom jocoso e acompanhado de um ar de gozo, não o digo maldosamente.
Digo-o, contudo, e apercebi-me disso a semana passada, com uma pontinha (um novelo inteiro) de arrependimento por ter voltado. Também por aquilo que o departamento me está a fazer (ou que eu deixei que me fizesse, coisa talvez pior, pois que aguentar com a frustração por não me ter defendido melhor, por ter deixado que me pisoteassem e se aproveitassem da minha boa vontade deixa-me ainda mais frustrada). E fundamentalmente, por o meu patrão me ter cortado os tais 22.453% de ordenado anual.
Mas voltando ao que me dói na alma...
Não é trabalhar muito, por favor não me interpretais mal, coisa que até gosto bastante de fazer. Aliás, foi fonte de grande satisfação constatar que ainda consigo, que ainda sou capaz, capacidade de que, dois anos integrais dedicados à maternidade volvidos, duvidei com todas as minhas forças. Como me angustiei a este propósito...
O que me faz doer o coração é ter visto a distribuição de serviço docente e ter constatado que, a seguir a um colega absolutamente fantástico e com uma produtividade que vale por pelo menos quatro excelentes profissionais -- ainda por cima um gajo porreiríssimo! -- sou a que tenho mais horas de serviço. De todo o departamento. Tenho cinco disciplinas ao todo, todas diferentes, e três delas novas. Trabalho que nem uma brutinha, sou eu e a produção de bolos em série do Continente (Zitinha, eu juro que não provei, mas até têm bom aspecto...).
Os que estão mais por dentro do assunto poderão lembrar que estou a acumular serviço docente, que não estive cá no primeiro semestre. A esses respondo que, em primeiro lugar, não estar cá não significa que não tenha trabalhado, afinal os três papers que estão na secretária do Barry à espera que os leia/corrija/melhore não se escreveram sozinhos, e nem os textos de apoio que escrevi para uma cadeira caíram do céu, antes fosse. Em segundo lugar, não sou caso único, outros houve a acumularem o serviço. Outro argumento, esse já válido, é que havia débitos (dívidas de horas lectivas) e que havia de pagar. Respondo agora que sim, infelizmente tinha débitos, como tantos outros colegas, mas o que não havia necessidade era de agora ter créditos (horas a haver).
Outra coisa que irrita até ao tutano é que o ECDU, o tal do estatuto da carreira docente universitária (chiiiique!), diz que as horas leccionadas depois das 20:00 valem por hora e meia. Viste-las!? Nem eu, dizem-me que o "departamento não faz" (que se lixe a lei). E ensino cinco destas. Fazei contas...
Fora estas questiúnculas há outras coisas que me estão a doer. São cinco. Cinco dias por semana que estou longe da minha filha, da minha boneca. Vou para a universidade à Segunda ao fim da tarde e só chego na Sexta à quase uma da manhã (tenho ensinado até às onze da noite). Vale-me mamãe, que é melhor avó e mãe do que eu conseguiria ser. Abençoada seja madame e sua ternura para com nossa menina.
Bolas, chega de queixas. Vou mas é trabalhar que amanhã dou aulas até às dez e meia (da noite) e alguém tem de as preparar...
I'll be back! Jeito Terminator para dar mais pedal...
P.S. Não aceito boas e devidamente justificadas defesas para o comportamento do departamento. Só quero comentários que me amaciem o pêlo e digam que estou repleta de razão. Estamos entendidos? Merci!
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
Desilusão, uma definição
Na primeira aula de uma das minhas (cinco) disciplinas tinha, no primeiro slide do Power Point (isto é só nível!), a seguinte provocação:
What do you get when you cross the Godfather with an economist?Nenhuma, mas nenhuma daquelas alminhas conhecia "O Padrinho". Nem uminha, snif, snif. Inda num estou em mim...
An offer you can't understand.
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É desta que corto os pulsos
sábado, 26 de novembro de 2011
Blogosfera don't
Até nem é que tenha acordado de rabo para o ar, mas parece que o PMS veio para ficar mais uns dias, e eu might as well enjoy it numa de "se não os podes vencer junta-te a eles" ou "if life gives you lemons, make lemonade". Assim como assim é melhor do que "a galinha da vizinha dá mais ovos do que a minha", o que é absolutamente verdade tendo em conta que eu não tenho galinhas (e as pombas e rolas que teimam em brindar o pátio com a sua caca e a quem eu ofensivamente chamo "chickens" não contam).
Na blogosfera há umas coisas que me vão comichando. Uma delas são os bloggers com caixa de comentários que não comentam as respostas dos seus leitores. Irrita-me, pronto.
Na blogosfera há umas coisas que me vão comichando. Uma delas são os bloggers com caixa de comentários que não comentam as respostas dos seus leitores. Irrita-me, pronto.
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Da paixão ou da falta dela
Desenganai-vos amigos se por cá vindes na expectativa de ler alguma coisa melíflua, prosa romanceada, quiçá mesmo poesia. Não, o que hoje cá me traz é outra coisa.
A minha avó costuma dizer-se apaixonada. Tem noventa e três anos, quase noventa e quatro, que fará em Janeiro. Tendo perdido o marido e um filho, em 2007 e 2011, respectivamente, costuma dizer-se apaixonada, ou vivendo uma paixão muito grande. Nem mesmo olhando para a tristeza no fundo daqueles olhos azuis consigo entender tanto sofrimento (e ainda bem). Paixão é, para a D. Otília, sinónimo de martírio, dor, e confesso que nela nunca lhe conheci outro. Aprumada e arranjanda (na falta de pêlo na sobrancelha sempre houve um lápis certeiro, mesmo que às ditas por vezes faltasse alguma simetria, desde o arco até à distância do olho, não era defeito, era feitio).
Mas a esta interpretação de paixão opõe-se uma outra, a outra, em que tudo é efervescência, e até a brisa nos pêlos dos braços cria frémitos de prazer (adoro a palavra frémito, lembro-me de a ler ainda em teenager e, mesmo sem saber o que se significava, senti-la espasmodicamente boa). Estar-se apaixonado é sentir que há vida em nós, apalpar cada minuto, cada segundo, como se o tic-tac vibrasse bem cá dentro (pelo menos para mim).
E de estremecimentos chego à generalização que achei por bem aqui vir dividir em vossa sempre tão aprazível companhia. Acho o povo português pouco apaixonado, pouco dado ao tal do frémito. Mesmo que gesticulemos (ou quase) como os italianos e falemos em voz alta e todos ao mesmo tempo (na minha família é assim), falta-nos sangue na guelra, falta-nos portanto paixão:
Nada à propos deixai-me contar-vos de uma discussão completamente idiota que tive no outro dia, num shopping em São João da Madeira. Ia com a minha tia quando encontrámos uns amigos dela. Vinham o pai, a mãe, e as duas filhas, uma delas, a mais velha, de vinte e dois ou vinte e quatro anos, não me lembro bem. Depois dos cumprimentos da praxe e das perguntas entediantes cuja resposta não me interessava, dou pela pela mais velha a dizer que odiava Lisboa. Estava a trabalhar lá há duas semanas e dizia, com furor e brilhozinho nos olhos, ser impossível gostar da cidade. Apeteceu-me estrafegá-la logo ali. Em vez disso disse-lhe ser ainda muito novita (talvez não a melhor forma de abrir as hostes) e dever dar hipótese de se apaixonar pela Lisboa dos fados, das vielas, do rio, e daquela luz que não há mais lado nenhum. Cruzou os braços, teimou que não, jurou a pés juntos ser impossível. Andei doente uns dias com esta conversa e ainda hoje me custa pensar em semelhante provincianismo. Negava-se assim uma miúda a apaixonar-se por um sítio, que podia ser Lisboa ou Barcelos, não importa. Talvez me devesse bastar o seu ódio visceral, mas não. A pequenez de espírito incomoda-me sempre.
A minha avó costuma dizer-se apaixonada. Tem noventa e três anos, quase noventa e quatro, que fará em Janeiro. Tendo perdido o marido e um filho, em 2007 e 2011, respectivamente, costuma dizer-se apaixonada, ou vivendo uma paixão muito grande. Nem mesmo olhando para a tristeza no fundo daqueles olhos azuis consigo entender tanto sofrimento (e ainda bem). Paixão é, para a D. Otília, sinónimo de martírio, dor, e confesso que nela nunca lhe conheci outro. Aprumada e arranjanda (na falta de pêlo na sobrancelha sempre houve um lápis certeiro, mesmo que às ditas por vezes faltasse alguma simetria, desde o arco até à distância do olho, não era defeito, era feitio).
Mas a esta interpretação de paixão opõe-se uma outra, a outra, em que tudo é efervescência, e até a brisa nos pêlos dos braços cria frémitos de prazer (adoro a palavra frémito, lembro-me de a ler ainda em teenager e, mesmo sem saber o que se significava, senti-la espasmodicamente boa). Estar-se apaixonado é sentir que há vida em nós, apalpar cada minuto, cada segundo, como se o tic-tac vibrasse bem cá dentro (pelo menos para mim).
E de estremecimentos chego à generalização que achei por bem aqui vir dividir em vossa sempre tão aprazível companhia. Acho o povo português pouco apaixonado, pouco dado ao tal do frémito. Mesmo que gesticulemos (ou quase) como os italianos e falemos em voz alta e todos ao mesmo tempo (na minha família é assim), falta-nos sangue na guelra, falta-nos portanto paixão:
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Nada à propos deixai-me contar-vos de uma discussão completamente idiota que tive no outro dia, num shopping em São João da Madeira. Ia com a minha tia quando encontrámos uns amigos dela. Vinham o pai, a mãe, e as duas filhas, uma delas, a mais velha, de vinte e dois ou vinte e quatro anos, não me lembro bem. Depois dos cumprimentos da praxe e das perguntas entediantes cuja resposta não me interessava, dou pela pela mais velha a dizer que odiava Lisboa. Estava a trabalhar lá há duas semanas e dizia, com furor e brilhozinho nos olhos, ser impossível gostar da cidade. Apeteceu-me estrafegá-la logo ali. Em vez disso disse-lhe ser ainda muito novita (talvez não a melhor forma de abrir as hostes) e dever dar hipótese de se apaixonar pela Lisboa dos fados, das vielas, do rio, e daquela luz que não há mais lado nenhum. Cruzou os braços, teimou que não, jurou a pés juntos ser impossível. Andei doente uns dias com esta conversa e ainda hoje me custa pensar em semelhante provincianismo. Negava-se assim uma miúda a apaixonar-se por um sítio, que podia ser Lisboa ou Barcelos, não importa. Talvez me devesse bastar o seu ódio visceral, mas não. A pequenez de espírito incomoda-me sempre.
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sábado, 15 de outubro de 2011
Subsídio, uma defininção, um esclarecimento, ou qualquer coisa assim assim, mais ou menos, tal e qual, em jeito de serviço público
Ando aqui às voltas com uma questão. Uma questão pequenita, um detalhe, talvez. Mas é um pedregulho no meu sapato.
Aqueles que me vêm lendo sabem-me fanática com a significação exacta das palavras. E se cedo às redundâncias por uma questão estilística (ai amigos se me conhecesses ao vivo veríeis o que eu gosto de uma redundância, de um pleonasmo, numa espécie de esbracejar linguístico bem à português), não deixo que os floreados e nem as interjeições, às vezes em demasia, me façam perder o Norte e me deixem à deriva no que toca às opinações (também gosto de inventar palavras).
Pois hoje venho aqui esclarecer -- e desde já peço perdão por este "esclarecer" de algum modo poder sugerir que vós precisais de esclarecimento, não, de modo nenhum o queria insinuar, vede isto como se de serviço público se tratasse, eterna optimista que sou e crente de que mais do que três leitores cá virão. Tende paciência, amigos.
E é a noção do subsídio que me anda a chatear a molécula. Subsídio, subsídio, subsídio, assim escrito três vezes a ver se se quebra o feitiço e em jeitinho de Candomblé volta o seu a seu dono. Vejamos então, começando pelo começo, a etimologia (merci, Priberam, agora e sempre).
Os nossos, perdão, os ex-subsídios-de-férias-e-de-Natal-dos-funcionários-públicos-mas-que-agora-são-do-governo, não são subsídios nenhuns.
Não!?
Não.
O nosso salário anual é, por uma cortesia extrema para com os empregadores e para com o Estado, que na altura dos subsídios se vê com uma fatia de ordenado mais gordinho para taxar, um empréstimo que os trabalhadores, gente que gosta de trabalhar e sentir o sol secar as pérolas de suor que teimam brilhar em suas frontes cansadas, ouvi dizer, que eu detesto transpirar, gentilmente concedem a seus patrões pela mui digna honra de estar ao seu serviço. Um empréstimo. Em-prés-ti-mo. Nada mais. Nada menos.
O que importa realmente é aquilo que a malta recebe ao fim do ano, a ver se os sortudos-abençoados-trabalhadores com cargos mais interessantes não negoceiam o seu salário anual e os bónus e prémios. Estes são, apenas, detalhes técnicos, palavras, porque o que importa no finzinho é o carcanhol que vem para casa, cá por mim até se podia chamar Efigénia, Clotilde, ou marmita, redunda no mesmo.
O subsídio que o estado nos (funcionários públicos) vai tirar a pretexto da Troika e da crise e da Madeira e..., não é subsídio e sim e tão somente uma parcela do ordenado que eu emprestei ao Estado, parcela essa que eu deixei que ele não me pagasse durante os primeiros seis meses meses do ano, mas que permito que pague e me faça sentir por uns instantes que é Natal.
Parcelas!? Álgebra. Sim, só um bocadinho.
O estado, que deve pagar W de salário anual, resolve dividi-lo em 14 suaves prestações mensais, pagando por isso, em cada mês,
ou mais ou menos, porque subimos de escalão no IRS e lá se vão mais uns trocos nos impostos.
Pelo contrário, podíamos receber pelos meses que efectivamente trabalhamos (e aqui não vou entrar em questiúnculas de só trabalharmos onze meses) e receber, mensalmente,
Fora a parcela que o governo me roubou de ordenado, irrita-me que o Estado me passe um atestado de imbecilidade e que me diga "olha pá, tu não te governas bem, deixa cá que eu obrigo-te à poupança mas depois devolvo-te tudo". Juros?! Nã, esquece, tu é que tens de pagar pelo favor que te faço, ó perdulária, ainda vais gastar tudo em sapatos ou carteiras, coisa que eu pago com a tal subida de escalão de IRS.
Cá pelos US o marido recebe pelos meses que trabalha oficialmente, que são nove -- na verdade o pobre trabalha o ano todo e tira p'raí uma semana de férias, se tanto, mas enfim, isso são contas de outro rosário. Amantíssimo esposo recebe nove meses por ano e nos outros não recebe, ponto final. Tem de poupar, ter juízo, e não comprar a esta sua gaja todos os sapatos e carteiras que esta (aparentemente, perante seu governo) insiste em possuir (ouvi dizer, mas vê-los que é bom, nada).
Tudo então para dizer que o que o Estado está a tirar não é um subsídio, não é um bónus, não é um presente pelo trabalho bem feito, é uma parcela do ordenado, bolas. Fatia essa que eu ia usar para arranjar a dentuça, que bem precisa de um refresh (mania dos americanos terem todos dentes brancos e certinhos, tão lindos, como nos reclames da Colgate...), ou botar na poupança, que anda quase anorética.
Humph. Espero não ter de cortar nas bolachas.
[Ainda googlei as expressões "décimo terceiro mês" e "subsídio de férias", queria saber quando surgiram e por obra de quem, mas não consegui, pelo que considero este texto uma abordagem muito crua à questão do subsídio, mas por ora terá de servir.]
Aqueles que me vêm lendo sabem-me fanática com a significação exacta das palavras. E se cedo às redundâncias por uma questão estilística (ai amigos se me conhecesses ao vivo veríeis o que eu gosto de uma redundância, de um pleonasmo, numa espécie de esbracejar linguístico bem à português), não deixo que os floreados e nem as interjeições, às vezes em demasia, me façam perder o Norte e me deixem à deriva no que toca às opinações (também gosto de inventar palavras).
Pois hoje venho aqui esclarecer -- e desde já peço perdão por este "esclarecer" de algum modo poder sugerir que vós precisais de esclarecimento, não, de modo nenhum o queria insinuar, vede isto como se de serviço público se tratasse, eterna optimista que sou e crente de que mais do que três leitores cá virão. Tende paciência, amigos.
E é a noção do subsídio que me anda a chatear a molécula. Subsídio, subsídio, subsídio, assim escrito três vezes a ver se se quebra o feitiço e em jeitinho de Candomblé volta o seu a seu dono. Vejamos então, começando pelo começo, a etimologia (merci, Priberam, agora e sempre).
Subsídio,Atentemos concretamente ao número 3, o tal que fala da quantia atribuída para um fim específico, e cuja ilustração me parece muito adequada. E, se ainda me estais a ler algo já enfastiados porque não se ouve falar de outra coisa senão dos subsídios de férias e de Natal (será que agora se escreve com letra pequena?), dai-me apenas mais uns minutos da vossa atenção, que eu prometo arrepiar caminho.
[Substantivo masculino (do latim subsidium, -ii, tropas de reserva, reforço, socorro, auxílio.)]
1. Quantia com que o Estado ou outra corporação concorre para obras de interesse público. = SUBVENÇÃO
2. Quantia atribuída por uma entidade para um fim específico (ex.: subsídio de desemprego, subsídio de férias).
3. Aquilo que concorre para um fim determinado. = CONTRIBUTO
4. Auxílio; socorro; benefício.
Os nossos, perdão, os ex-subsídios-de-férias-e-de-Natal-dos-funcionários-públicos-mas-que-agora-são-do-governo, não são subsídios nenhuns.
Não!?
Não.
O nosso salário anual é, por uma cortesia extrema para com os empregadores e para com o Estado, que na altura dos subsídios se vê com uma fatia de ordenado mais gordinho para taxar, um empréstimo que os trabalhadores, gente que gosta de trabalhar e sentir o sol secar as pérolas de suor que teimam brilhar em suas frontes cansadas, ouvi dizer, que eu detesto transpirar, gentilmente concedem a seus patrões pela mui digna honra de estar ao seu serviço. Um empréstimo. Em-prés-ti-mo. Nada mais. Nada menos.
O que importa realmente é aquilo que a malta recebe ao fim do ano, a ver se os sortudos-abençoados-trabalhadores com cargos mais interessantes não negoceiam o seu salário anual e os bónus e prémios. Estes são, apenas, detalhes técnicos, palavras, porque o que importa no finzinho é o carcanhol que vem para casa, cá por mim até se podia chamar Efigénia, Clotilde, ou marmita, redunda no mesmo.
O subsídio que o estado nos (funcionários públicos) vai tirar a pretexto da Troika e da crise e da Madeira e..., não é subsídio e sim e tão somente uma parcela do ordenado que eu emprestei ao Estado, parcela essa que eu deixei que ele não me pagasse durante os primeiros seis meses meses do ano, mas que permito que pague e me faça sentir por uns instantes que é Natal.
Parcelas!? Álgebra. Sim, só um bocadinho.
O estado, que deve pagar W de salário anual, resolve dividi-lo em 14 suaves prestações mensais, pagando por isso, em cada mês,
mas, duas vezes por ano, paga-nos dois salários, e em Maio e Novembro recebemos(1/14).W = 0.0714W = 7.14 % do nosso salário anual
14.28% do nosso salário anual
Pelo contrário, podíamos receber pelos meses que efectivamente trabalhamos (e aqui não vou entrar em questiúnculas de só trabalharmos onze meses) e receber, mensalmente,
ou seja receber mais 1.19 p.p. (pontos percentuais, amigos, eu um dia venho cá explicar porquê, agora não me apetece) de carcanhol por mês.(1/12).W = 0.0833W = 8.33 % do nosso salário anual
Fora a parcela que o governo me roubou de ordenado, irrita-me que o Estado me passe um atestado de imbecilidade e que me diga "olha pá, tu não te governas bem, deixa cá que eu obrigo-te à poupança mas depois devolvo-te tudo". Juros?! Nã, esquece, tu é que tens de pagar pelo favor que te faço, ó perdulária, ainda vais gastar tudo em sapatos ou carteiras, coisa que eu pago com a tal subida de escalão de IRS.
Cá pelos US o marido recebe pelos meses que trabalha oficialmente, que são nove -- na verdade o pobre trabalha o ano todo e tira p'raí uma semana de férias, se tanto, mas enfim, isso são contas de outro rosário. Amantíssimo esposo recebe nove meses por ano e nos outros não recebe, ponto final. Tem de poupar, ter juízo, e não comprar a esta sua gaja todos os sapatos e carteiras que esta (aparentemente, perante seu governo) insiste em possuir (ouvi dizer, mas vê-los que é bom, nada).
Tudo então para dizer que o que o Estado está a tirar não é um subsídio, não é um bónus, não é um presente pelo trabalho bem feito, é uma parcela do ordenado, bolas. Fatia essa que eu ia usar para arranjar a dentuça, que bem precisa de um refresh (mania dos americanos terem todos dentes brancos e certinhos, tão lindos, como nos reclames da Colgate...), ou botar na poupança, que anda quase anorética.
Humph. Espero não ter de cortar nas bolachas.
[Ainda googlei as expressões "décimo terceiro mês" e "subsídio de férias", queria saber quando surgiram e por obra de quem, mas não consegui, pelo que considero este texto uma abordagem muito crua à questão do subsídio, mas por ora terá de servir.]
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Maria por um canudo, porque às vezes é assado
Ainda que vá sabendo que a vida enquanto o é não pára, às vezes sinto ter havido um qualquer botão de Pause que foi premido e que ela entrou em stand by. Fico então presa a uma diástole entre o cerebral e o emocional que me deixa sem vontade(s).
E enquanto isso, enquanto eu me dedico a cultivar esta letargia que me tomou gosto, outras vidas não esperaram e vieram sentar-se ao meu colo. Uma vez aberto o ficheiro Word e formatada a letra Calibri para um bold tamanho 300, consolei-me então a (tentar) ensinar à minha filha as letras "A" e "E". A cria não quer saber o que (não) me apetece. Acho bem.
E enquanto isso, enquanto eu me dedico a cultivar esta letargia que me tomou gosto, outras vidas não esperaram e vieram sentar-se ao meu colo. Uma vez aberto o ficheiro Word e formatada a letra Calibri para um bold tamanho 300, consolei-me então a (tentar) ensinar à minha filha as letras "A" e "E". A cria não quer saber o que (não) me apetece. Acho bem.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
Aventuras de mae -- ida ao hospital com cria
Sempre que me esqueço, o universo trata de me lembrar que sou uma mae igualita 'as outras todas. Calma quando tem de ser, fera por necessidade, e preocupada porque vem com o cargo.
Terça 'a noite, San Rafael, criatura piquena com 104.9F (40.5C) de temperatura. E no's longe de tudo, e quem diz tudo diz Phoenix, que e' onde temos a cli'nica pedia'trica da cachopa, sem saber o que fazer.
Teimando em ser pais modernos que nao levam a cria ao me'dico por causa de um soluço, acha'mos por bem quebrar o marasmo e ligar ao pediatra, ainda que por estes lados "ligar ao pediatra" nao queira dizer o mesmo que ligar ao pediatra em Portugal, mesmo que a traduçao literal, "call the kid's pediatrician", possa ser usada, algo abusivamente. Entao por ca' liga-se mesmo e' 'a enfermeira de serviço de atendimento permanente, ou after hours, que acalma os pais mais ansiosos e lhes diz o que devem fazer, entre banhos te'pidos, medicamentos para baixar a febre, ou mostrar a pequena ao doutor (ou a um doutor).
Liguei entao para a cli'nica pedia'trica da rapariga. Deixo um nu'mero de contacto, a data de nascimento da rapariga, e fico 'a espera que a enfermeira me ligue de volta. Tem de me ligar para casa dos sogros, o (cabrao do) iPhone nao funciona nem em cima da torradeira. Entre tantas outras coisas pergunta-me onde estou. Respondo-lhe que estou na California. Bolas, as licenças de enfermagem sao estatais, e uma enfermeira nao pode "enfermar" noutro estado sob ameaça de perder a license. Bolas, bolas, bolas. Tem de pedir ao me'dico de serviço que me telefone. Ha' coincidencias felizes e e' a minha me'dica que esta' on call (a minha, quer-se-dizer a da minha cria, mas gosto da rapariga, chama-se Khristina, sim, com "K" e com "h", e e' muito cool, este Verao vai escalar o Machu Pichu e tudo). Liga-me com aquela vozinha meiga (tenho uma sorte do caneco com as pediatras da minha filha, a portuguesa, Sonia, fala com um sotaque carioca lindo e meigo que so' ouvindo, qualquer coisa soa melhor naquele sotaque cantado que tem, especialmente quando me diz que a minha filha e' linda "meismo") que me acalma imediatamente. Lista meia du'zia de coisas possi'veis e la' se vai a calma com a frescura da testa da cria. E' importante leva'-la para ser observada, conclui.
E começa a odisseia.
Ligo ao Mike, peço para falar com a Jenn, que moram a dez minutos daqui, e peço-lhes o contacto do pediatra deles. Dizem-me para levar a miss'a after hours clinic onde levam os miu'udos. A minha sogra liga. Depois de minutos imensos durante os quais lhes da' a data de nascimento, nu'mero do seguro, bla bla bla, finalmente da' a morada. Somos de longe. A mulher do outro lado da linha diz-lhe "sorry, we're closed". Assim! Fiquei doida, so' vi vermelho 'a minha frente. "How dare the bitch deny treatment to my daughter?!" digo ao meu sogro, os meus olhos esbugalhados, abertos ate' ca' tra's. Explica-me que eles tem direito a "deny treatment". Mas eu posso pagar!!! digo-lhe irritada. As coisas sao assim mesmo, leva-as 'as urgencias, eu pago, diz-me. Nao quero, recuso-me, acho um abuso.
Meia hora depois rendo-me 'as evidencias de que nao ha' alternativas, tem mesmo de ser o hospital, o Marin General. Irrita-me porque sei, 'a partida, que sera' vista por um qualquer me'dico de ER e nao um pediatra. E', aqui os miu'dos sao vistos por medicos de grau'dos, e so' em casos extremos sao chamados os specialists. Idiotas. Ate' no Hospital de Sao Sebastiao, em Santa Maria da Feira, os pequeninos sao melhor tratados, ha' toda uma ala so' para eles, com triagem separada e tudo. E depois os me'dicos da poda, que sabem bem como tratar e manipular os pequeninos, tambem sabem tratar e manipular as maes dos ditos, que tambem precisam de colinho quando o seu bebe esta' com doi-doi.
Vamos ao hospital. Esperamos. Triagem. Esperamos. Somo chamados e entramos, os quatro, mini-bolacha, pai-bolacha, sogra-bolacha, e mae-bolacha para o cubi'culo. E esperamos, esperamos, e desesperamos. Temos a cortina aberta e assistimos 'as conversas do pessoal, ao me'dico jeitoso que esta' a cantar a cantiga do bandido a duas enfermeiras bonitas... ena, e' o jeitoso quem vem ver a pequena. Chama-se Martin, tem o nome bordado nos scrubs pretos justos, tailored para aquele corpo musculado. Tem cara de puto e eu digo-lhe "you look too young to be a doctor", acrescentando "I bet you get this a lot". Nao sei se e' porque e' bonito, novo, ou musculado, mas nao me inspira confiança, sentimento que passa quando examina a criatura e o faz com delicadeza. Nao tem la' muito jeito para a examinar, afinal a criatura parece uma enguia e contorce-se toda, mal abre a boca para mostrar a goela e protege a intimidade e o cerume dos seus ouvidos como esperamos proteja a virtude daqui a alguns anos que tambe'm esperamos serem muitos.
A rapariga esta' fina. Com febre mas gaiteira, e espalha simpatia pelas enfermeiras que lhe acenam (desde que nao se cheguem perto e especialmente com aparelho'metros esquisitos). Nada foi encontrado e por conseguinte, com um diagn'ostico "deve ser viral, levem-na amanha 'a after hours pediatric clinic se for caso disso", mandaram-nos embora.
Ora all things considered houve um aspecto de que gostei -- e aqui vao perdoar-me o deslumbramento se for caso disso: por ca' nao se prescrevem medicamentos as cegas. Eu explico. A rapariga foi examinada (ouvidos, garganta, pulmoes, barriguita), e inclive foi feita uma recolha de urina que foi vista pelas enfermeiras e posteriormente enviada para o laborato'orio onde foi mais uma vez analisada. Eu, na minha santa ignorancia, fiquei satisfeita por nao vir para casa com uma receita de antibio'otico de largo espectro, como tenho algum receio (infundado, amigos, infundado!) aconteceria se estivesse em Portugal. Ha' bichos e bichos, e se as bactérias tem nos bio'ticos os seus arqui-inimigos, os vi'rus sao meninos para os levarem numa tour para ver as vistas e ainda uma noitada de copos e gajas.
Hoje de manha a febre continuou, 103.8F (39.8C), de modo que a leva'mos ao "urgent care". Uma me'dica alemoa, bonita, o'culos Prada (as coisas que eu observo!). Eficiente, competente. Maneiras de cama pouco apropriadas para uma me'dica de continuidade mas adequadas 'a nossa one night stand. Disse-me o mesmo que o me'dico jeitoso mas ainda lhe fez uma colheita na garganta, nao fosse a mini-miss ter strep throat (que eu nao sei o que e' e nao me apetece googlar)-- bicho, amigos, para ver se tem bicho. Nao tinha.
Estamos em casa, a febre mais baixa graças aos suposito'rios que ainda por cima sao difi'ceis de encontrar, por ca' e' tudo 'a base de xaropes de sabores va'rios, cada um mais asqueroso que o outro. A mini-miss esta' na cama a chamar por mim, nao quer dormir. Eu quero que durma, acho que a fervura em banho Maria da' cabo da bicharada que a aquece.
A minha noite de ontem foi assim e a minha manha de hoje tambem. Queria escrever sobre o hotel e o casamento e a tempestade de po' que ontem se abateu sobre Phoenix, mas so' penso na minha bolachinha. Agora tao torradinha. Melhor com um copinho de leite.
Comenta'rio dos acentos-ou-falta-deles: se soubesseis o que me custa escrever sem acentos...
Terça 'a noite, San Rafael, criatura piquena com 104.9F (40.5C) de temperatura. E no's longe de tudo, e quem diz tudo diz Phoenix, que e' onde temos a cli'nica pedia'trica da cachopa, sem saber o que fazer.
Teimando em ser pais modernos que nao levam a cria ao me'dico por causa de um soluço, acha'mos por bem quebrar o marasmo e ligar ao pediatra, ainda que por estes lados "ligar ao pediatra" nao queira dizer o mesmo que ligar ao pediatra em Portugal, mesmo que a traduçao literal, "call the kid's pediatrician", possa ser usada, algo abusivamente. Entao por ca' liga-se mesmo e' 'a enfermeira de serviço de atendimento permanente, ou after hours, que acalma os pais mais ansiosos e lhes diz o que devem fazer, entre banhos te'pidos, medicamentos para baixar a febre, ou mostrar a pequena ao doutor (ou a um doutor).
Liguei entao para a cli'nica pedia'trica da rapariga. Deixo um nu'mero de contacto, a data de nascimento da rapariga, e fico 'a espera que a enfermeira me ligue de volta. Tem de me ligar para casa dos sogros, o (cabrao do) iPhone nao funciona nem em cima da torradeira. Entre tantas outras coisas pergunta-me onde estou. Respondo-lhe que estou na California. Bolas, as licenças de enfermagem sao estatais, e uma enfermeira nao pode "enfermar" noutro estado sob ameaça de perder a license. Bolas, bolas, bolas. Tem de pedir ao me'dico de serviço que me telefone. Ha' coincidencias felizes e e' a minha me'dica que esta' on call (a minha, quer-se-dizer a da minha cria, mas gosto da rapariga, chama-se Khristina, sim, com "K" e com "h", e e' muito cool, este Verao vai escalar o Machu Pichu e tudo). Liga-me com aquela vozinha meiga (tenho uma sorte do caneco com as pediatras da minha filha, a portuguesa, Sonia, fala com um sotaque carioca lindo e meigo que so' ouvindo, qualquer coisa soa melhor naquele sotaque cantado que tem, especialmente quando me diz que a minha filha e' linda "meismo") que me acalma imediatamente. Lista meia du'zia de coisas possi'veis e la' se vai a calma com a frescura da testa da cria. E' importante leva'-la para ser observada, conclui.
E começa a odisseia.
Ligo ao Mike, peço para falar com a Jenn, que moram a dez minutos daqui, e peço-lhes o contacto do pediatra deles. Dizem-me para levar a miss'a after hours clinic onde levam os miu'udos. A minha sogra liga. Depois de minutos imensos durante os quais lhes da' a data de nascimento, nu'mero do seguro, bla bla bla, finalmente da' a morada. Somos de longe. A mulher do outro lado da linha diz-lhe "sorry, we're closed". Assim! Fiquei doida, so' vi vermelho 'a minha frente. "How dare the bitch deny treatment to my daughter?!" digo ao meu sogro, os meus olhos esbugalhados, abertos ate' ca' tra's. Explica-me que eles tem direito a "deny treatment". Mas eu posso pagar!!! digo-lhe irritada. As coisas sao assim mesmo, leva-as 'as urgencias, eu pago, diz-me. Nao quero, recuso-me, acho um abuso.
Meia hora depois rendo-me 'as evidencias de que nao ha' alternativas, tem mesmo de ser o hospital, o Marin General. Irrita-me porque sei, 'a partida, que sera' vista por um qualquer me'dico de ER e nao um pediatra. E', aqui os miu'dos sao vistos por medicos de grau'dos, e so' em casos extremos sao chamados os specialists. Idiotas. Ate' no Hospital de Sao Sebastiao, em Santa Maria da Feira, os pequeninos sao melhor tratados, ha' toda uma ala so' para eles, com triagem separada e tudo. E depois os me'dicos da poda, que sabem bem como tratar e manipular os pequeninos, tambem sabem tratar e manipular as maes dos ditos, que tambem precisam de colinho quando o seu bebe esta' com doi-doi.
Vamos ao hospital. Esperamos. Triagem. Esperamos. Somo chamados e entramos, os quatro, mini-bolacha, pai-bolacha, sogra-bolacha, e mae-bolacha para o cubi'culo. E esperamos, esperamos, e desesperamos. Temos a cortina aberta e assistimos 'as conversas do pessoal, ao me'dico jeitoso que esta' a cantar a cantiga do bandido a duas enfermeiras bonitas... ena, e' o jeitoso quem vem ver a pequena. Chama-se Martin, tem o nome bordado nos scrubs pretos justos, tailored para aquele corpo musculado. Tem cara de puto e eu digo-lhe "you look too young to be a doctor", acrescentando "I bet you get this a lot". Nao sei se e' porque e' bonito, novo, ou musculado, mas nao me inspira confiança, sentimento que passa quando examina a criatura e o faz com delicadeza. Nao tem la' muito jeito para a examinar, afinal a criatura parece uma enguia e contorce-se toda, mal abre a boca para mostrar a goela e protege a intimidade e o cerume dos seus ouvidos como esperamos proteja a virtude daqui a alguns anos que tambe'm esperamos serem muitos.
A rapariga esta' fina. Com febre mas gaiteira, e espalha simpatia pelas enfermeiras que lhe acenam (desde que nao se cheguem perto e especialmente com aparelho'metros esquisitos). Nada foi encontrado e por conseguinte, com um diagn'ostico "deve ser viral, levem-na amanha 'a after hours pediatric clinic se for caso disso", mandaram-nos embora.
Ora all things considered houve um aspecto de que gostei -- e aqui vao perdoar-me o deslumbramento se for caso disso: por ca' nao se prescrevem medicamentos as cegas. Eu explico. A rapariga foi examinada (ouvidos, garganta, pulmoes, barriguita), e inclive foi feita uma recolha de urina que foi vista pelas enfermeiras e posteriormente enviada para o laborato'orio onde foi mais uma vez analisada. Eu, na minha santa ignorancia, fiquei satisfeita por nao vir para casa com uma receita de antibio'otico de largo espectro, como tenho algum receio (infundado, amigos, infundado!) aconteceria se estivesse em Portugal. Ha' bichos e bichos, e se as bactérias tem nos bio'ticos os seus arqui-inimigos, os vi'rus sao meninos para os levarem numa tour para ver as vistas e ainda uma noitada de copos e gajas.
Hoje de manha a febre continuou, 103.8F (39.8C), de modo que a leva'mos ao "urgent care". Uma me'dica alemoa, bonita, o'culos Prada (as coisas que eu observo!). Eficiente, competente. Maneiras de cama pouco apropriadas para uma me'dica de continuidade mas adequadas 'a nossa one night stand. Disse-me o mesmo que o me'dico jeitoso mas ainda lhe fez uma colheita na garganta, nao fosse a mini-miss ter strep throat (que eu nao sei o que e' e nao me apetece googlar)-- bicho, amigos, para ver se tem bicho. Nao tinha.
Estamos em casa, a febre mais baixa graças aos suposito'rios que ainda por cima sao difi'ceis de encontrar, por ca' e' tudo 'a base de xaropes de sabores va'rios, cada um mais asqueroso que o outro. A mini-miss esta' na cama a chamar por mim, nao quer dormir. Eu quero que durma, acho que a fervura em banho Maria da' cabo da bicharada que a aquece.
A minha noite de ontem foi assim e a minha manha de hoje tambem. Queria escrever sobre o hotel e o casamento e a tempestade de po' que ontem se abateu sobre Phoenix, mas so' penso na minha bolachinha. Agora tao torradinha. Melhor com um copinho de leite.
Comenta'rio dos acentos-ou-falta-deles: se soubesseis o que me custa escrever sem acentos...
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
F.Y.I., I don't do movies*
Os meus amigos, aqueles a quem eu nunca digo que não a nada, sabem que há um convite que não me podem fazer sob pena de se desmoronar esta minha máxima e com o desabamento lá ir um cascalhinho da nossa amizade.
Talvez pior do que nunca ter ido a Itália por causa dos passarinhos, eu recuso-me a ir... ao cinema. Não vou, pronto.
Até porque, deixai-me dizer-vos, acho que ir ao cinema quando se quer estar estar com um amigo é uma pura perda de tempo, pois não é possível conversar. Mesmo com um amor consigo pensar em sítios mais confortáveis para estar no marmelanço e bem mais discretos, pois que é sempre possível um flagra quando as luzes se acendem no escurinho do cinema, já o canta a Rita Lee. Portanto o meu pet peeve com o cinema começa logo aqui.
Mas essencialmente não vou ao cinema não porque não goste de cinema, mas porque não gosto das outras pessoas que vão ao cinema comigo. Não vou falar do crrrrc crrrrr das pipocas e nem do barulho das embalagens de rebuçados, caramelos, chocolates, o caneco, porque essa, apesar de ser a principal queixa que ouço, não é a minha.
O que me enfurece ao ponto de ter cruzado os braços e afirmado, resignada, que estão verdes, é a falta de educação das tais pessoas que comigo vão ao cinema, que conversam para o lado, para trás, e para a frente, e que atendem telemóveis e recebem mensagem atrás de mensagem a que, ruidosamente, respondem.
As últimas vezes que fui ao cinema estão-me gravadas a ferro e fogo na memória e foram trauma suficiente para que neles não bote mais meus pezinhos -- quando a mini-bolacha tiver idade para ir aos movies, depois logo revejo esta postura, afinal não há palavras que mais revisão exijam do que "sempre" e "nunca".
A antepenúltima vez que fui ao cinema foi em Vilamoura, em 2006, com mamãe, que jurou a pés juntos que ninguém conversaria durante o filme, afinal Vilamoura não é a Cova da Chanca (é assim que nos referimos à terra lá para as minhas bandas, e que quer dizer fim do mundo). Pois o filme não devia ter começado nem há vinte minutos quando a senhora sentada imediatamente à minha frente atendeu o telefone para dizer que estava no cinema, portanto não estava a fazer a nada, e sim, podia conversar à vontade. Os meus muitos "xiuuuuuuuuuuuu" só serviram para embaraçar a senhora minha mãe e me enervar, pois que a senhora só terminou a chamada quando achou por findo o tema. Depois, muito naturalmente, virou-se para o acompanhante e começou a relatar a conversa, pausando algumas vezes para dar assistência ao filme, que continuava na tela. O filme, outra desgraça, o Código Da Vinci.
As penúltima e última vezes que fui ao cinema foi com o agora amantíssimo esposo, então namorado.
A penúltima vez que fui ao cinema foi em Blacksburg, na Virginia, estávamos em 2007. O cinema era daqueles antigos, com muita madeira à vista, muitos dourados, e alcatifa vermelha, e dizia-se conservar ainda a porta especial por onde os negros podiam entrar para ver o filme durante a altura da segregação. Pois eu, sentadinha na ponta na penúltima fila, cheia de boa vontade para ver o No Country for Old Men, fiquei do outro lado do corredor de um casal que, assim que começou o filme, achou por bem comentá-lo. Eu durei exactamente treze minutos de filme. Levantei-me e disse ao rapaz que passaria a buscá-lo assim que o filme acabasse e fui passear, caminhar, o que só me fez bem à cabeça e ao rabo.
A última vez que fui ao cinema foi em Orlando, em 2008, estávamos lá para uma conferência. Depois dos papers apresentados, cada um o seu, decidimos ir ver o filme do Batman, o Dark Knight. Eu, como sempre reticente, mas a deixar o gajo por uma vez ditar o programa da noite. Ainda demorámos algum tempo a sentar, sempre à procura de um lugarzinho mais longe da malta de modo a evitar dissabores. Já as luzes estavam apagadas quando entrou um casal de jovens que se sentou na nossa fila, duas cadeiras afastados de nós. Cabrões, não se calaram nem um minuto. Antes estivessem aos beijos, aos apalpanços, desde que estivessem caladitos eu não me tinha chateado um chavelho. Assim, por muito que o filme fosse um espanto e a interpretação do Heath Ledger um assombro, o meu gozo do filme foi seriamente danificado. O namorado-bolacha ainda me perguntou se eu queria ir embora, mas eu aguentei estoicamente e só saímos quando o filme acabou. Devo ter demorado uma boa meia hora a acalmar-me. E jurei para nunca mais.
Agora vejo que há um cinema mesmo à minha moda, nem mais nem menos colorido do que preciso:
É uma pena que só haja (cinco) no Texas e (um) na Virginia, mas pelo menos tenho esperança que se expandam (mais informações aqui). Descobri isto pela Sem-se-ver.
*F.Y.I., ou For Your Information, significa "para que conste".
Talvez pior do que nunca ter ido a Itália por causa dos passarinhos, eu recuso-me a ir... ao cinema. Não vou, pronto.
Até porque, deixai-me dizer-vos, acho que ir ao cinema quando se quer estar estar com um amigo é uma pura perda de tempo, pois não é possível conversar. Mesmo com um amor consigo pensar em sítios mais confortáveis para estar no marmelanço e bem mais discretos, pois que é sempre possível um flagra quando as luzes se acendem no escurinho do cinema, já o canta a Rita Lee. Portanto o meu pet peeve com o cinema começa logo aqui.
Mas essencialmente não vou ao cinema não porque não goste de cinema, mas porque não gosto das outras pessoas que vão ao cinema comigo. Não vou falar do crrrrc crrrrr das pipocas e nem do barulho das embalagens de rebuçados, caramelos, chocolates, o caneco, porque essa, apesar de ser a principal queixa que ouço, não é a minha.
O que me enfurece ao ponto de ter cruzado os braços e afirmado, resignada, que estão verdes, é a falta de educação das tais pessoas que comigo vão ao cinema, que conversam para o lado, para trás, e para a frente, e que atendem telemóveis e recebem mensagem atrás de mensagem a que, ruidosamente, respondem.
As últimas vezes que fui ao cinema estão-me gravadas a ferro e fogo na memória e foram trauma suficiente para que neles não bote mais meus pezinhos -- quando a mini-bolacha tiver idade para ir aos movies, depois logo revejo esta postura, afinal não há palavras que mais revisão exijam do que "sempre" e "nunca".
A antepenúltima vez que fui ao cinema foi em Vilamoura, em 2006, com mamãe, que jurou a pés juntos que ninguém conversaria durante o filme, afinal Vilamoura não é a Cova da Chanca (é assim que nos referimos à terra lá para as minhas bandas, e que quer dizer fim do mundo). Pois o filme não devia ter começado nem há vinte minutos quando a senhora sentada imediatamente à minha frente atendeu o telefone para dizer que estava no cinema, portanto não estava a fazer a nada, e sim, podia conversar à vontade. Os meus muitos "xiuuuuuuuuuuuu" só serviram para embaraçar a senhora minha mãe e me enervar, pois que a senhora só terminou a chamada quando achou por findo o tema. Depois, muito naturalmente, virou-se para o acompanhante e começou a relatar a conversa, pausando algumas vezes para dar assistência ao filme, que continuava na tela. O filme, outra desgraça, o Código Da Vinci.
As penúltima e última vezes que fui ao cinema foi com o agora amantíssimo esposo, então namorado.
A penúltima vez que fui ao cinema foi em Blacksburg, na Virginia, estávamos em 2007. O cinema era daqueles antigos, com muita madeira à vista, muitos dourados, e alcatifa vermelha, e dizia-se conservar ainda a porta especial por onde os negros podiam entrar para ver o filme durante a altura da segregação. Pois eu, sentadinha na ponta na penúltima fila, cheia de boa vontade para ver o No Country for Old Men, fiquei do outro lado do corredor de um casal que, assim que começou o filme, achou por bem comentá-lo. Eu durei exactamente treze minutos de filme. Levantei-me e disse ao rapaz que passaria a buscá-lo assim que o filme acabasse e fui passear, caminhar, o que só me fez bem à cabeça e ao rabo.
A última vez que fui ao cinema foi em Orlando, em 2008, estávamos lá para uma conferência. Depois dos papers apresentados, cada um o seu, decidimos ir ver o filme do Batman, o Dark Knight. Eu, como sempre reticente, mas a deixar o gajo por uma vez ditar o programa da noite. Ainda demorámos algum tempo a sentar, sempre à procura de um lugarzinho mais longe da malta de modo a evitar dissabores. Já as luzes estavam apagadas quando entrou um casal de jovens que se sentou na nossa fila, duas cadeiras afastados de nós. Cabrões, não se calaram nem um minuto. Antes estivessem aos beijos, aos apalpanços, desde que estivessem caladitos eu não me tinha chateado um chavelho. Assim, por muito que o filme fosse um espanto e a interpretação do Heath Ledger um assombro, o meu gozo do filme foi seriamente danificado. O namorado-bolacha ainda me perguntou se eu queria ir embora, mas eu aguentei estoicamente e só saímos quando o filme acabou. Devo ter demorado uma boa meia hora a acalmar-me. E jurei para nunca mais.
Agora vejo que há um cinema mesmo à minha moda, nem mais nem menos colorido do que preciso:
É uma pena que só haja (cinco) no Texas e (um) na Virginia, mas pelo menos tenho esperança que se expandam (mais informações aqui). Descobri isto pela Sem-se-ver.
*F.Y.I., ou For Your Information, significa "para que conste".
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
Da legalidade do copianço
![]() |
| Público, 15 de Junho, 2011 |
Se não estou em erro, a missão do Centro de Estudos Judiciários é a formação de magistrados (não estou, fui tirar isto à parte da missão). Que aliás continua com "[n]este âmbito, compete ao CEJ assegurar a formação, inicial e contínua, de magistrados judiciais e do Ministério Público para os tribunais judiciais e para os tribunais administrativos e fiscais". Ora formação, "inicial e contínua", mas apenas a nível de leis e decretos-lei (não são decretos-de-lei, como tantas vezes se ouve), sem perder tempo com coisas supérfluas como ética -- bem vistas as prioridades, o importante importante é passar nos exames e ter boas notas.
Permiti-me aqui um rápido disclaimer de que sim, também eu já copiei na vida. E deixei copiar que foi um miminho. Mas depois cresci, e à medida que as coisas foram ficando sérias deixei-me disso. Até porque as consequências da fraude foram sendo cada vez maiores. Publicado o disclaimer, voltemos então ao texto.
Então mas qual é, afinal, o problema de estes futuros juízes e magistrados terem sido apanhados a copiar? Obviamente que um problema fulcral, como aponta muito bem a Jonas das nozes, é terem copiado mal e assim terem sido apanhados. Mas este não é o maior problema.
O maior problema, a meu ver, é a impunidade com que passou o acto, o terem todos sido corridos a dez como se este pequeno safanão na mão fosse útil para alguma coisa. O maior problema, a meu ver, é portanto que quem quiser copiar no futuro já sabe que um vergonhoso dez na pauta é o pior que lhe pode acontecer. Não há expulsão, ou fazendo jus à nossa veia de "país de brandos costumes" não há repetição do exame, não há uma prova oral, não há nada. Esta ausência de punição resulta num descrédito brutal para a instituição, e é esta perda de credibilidade do sistema que faz com que este episódio anedótico e risível se revista de uma profunda seriedade para o país em que vivemos.
O dramático, a meu ver, é que, como escreveu tão bem o Fernando, "[o] funcionamento da economia de mercado, que a história do século XX mostrou ser fundamental para o aumento da riqueza dos países, não é possível sem a existência de um enquadramento legal e dos meios que tornem esse enquadramento efectivo."
Este texto, que o Fernando escreveu em Fevereiro de 2008 a propósito da tentativa de Portugal se aproximar mais de países como a Finlândia, é tão oportuno hoje como o foi então. O Fernando descreveu, aliás, o caso do aluno português participante no projecto Erasmus que, ao ser apanhado a desrespeitar as normas de conduta da universidade finlandesa onde se encontrava, foi convidado a abandonar o programa, fazer as malinhas e ala que se faz tarde. Ao que sei, estupefacta ante a falta de punição e excesso de desculpabilização que o aluno encontrou na sua universidade de origem, a universidade finlandesa retirou da sua lista de alunos aceitáveis os alunos portugueses. Assim, de uma penada, deu às escolas portuguesas uma lição de ética.
O que é que estas escolas aprenderam com o exemplo? Nada. Desconheço em qualquer escola portuguesa quaisquer regulamentos ou princípios que especifiquem as consequências do desrespeito pelos princípios éticos e actos de fraude académica.
Sem querer parecer deslumbrada sei que, por exemplo, nos EUA, há um código de conduta académica que estipula que um aluno apanhado a cometer um acto fraudulento sofre as necessárias consequências (não sei quais, mas estão explicadas). Mais, este acto ficará a fazer parte do seu academic record, aquele papelinho que depois é enviado para as entidades patronais a demonstrar que a pessoa tem a qualificação que diz ter e a falta de honra que não confessa no curriculum vitae.
Pela minha parte, enquanto formadora -- isto nos meus tempos de profissional, gaja trabalhadora -- faço o que posso, e há dois anos incluí nos programas das minhas disciplinas uma secção sobre fraude académica. Durante várias vezes ao longo do semestre fiz saber que alguém apanhado a copiar ou a plagiar num trabalho seria imediatamente reprovado sem hipótese de fazer a disciplina nesse ano lectivo, tendo obrigatoriamente que a fazer no ano seguinte. Disse-o também em voz alta antes de cada teste e obriguei os alunos a anuírem, bem à gringo.
Se resultou? Honestamente não sei.
Os dois alunos que apanhei a desrespeitar as normas de conduta académica, um com um copianço num exame, e o outro com partes num trabalho copiadas directamente da internet (seriously, eu também tenho google!) talvez tenham aprendido qualquer coisinha. Quanto mais não seja a insultar mentalmente a professora que se recusou a rever a sua postura e os obrigou a ir a fazer a disciplina no ano lectivo seguinte.
Eu fiquei genericamente a sentir-me melhor e com a sensação de dever cumprido. Claro que detestei ter os directores de curso à perna a pedir "mas não podes mesmo desculpar só esta vez", mas sou gaja teimosa. Perdão, determinada! Isto de ser exemplo é uma chatice... ainda por cima tenho de conduzir devagar...
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Piquenos detestares de Maria
Detesto quando marco a publicação do post para uma determinada hora e depois me esqueço de clickar em "Publicar" e ele fica guardado como draft (rascunho).
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
A retracção devida -- Vítor da Bica, tu és um gajo porreiro!
Caríssimos,
Grande injustiça fiz eu mas no more! Felizmente houve quem estivesse atento (obrigada M.!) e iluminasse este caminho tão nebuloso de ressabiamento para que eu, Maria, não falte mais à verdade.
Ora no post anterior, em que eu me queixei de que há já meia dúzia de dias que enviei um email ao Editor-in-Chief do Portugal Daily View e nada, na sua versão original escrevi que este Vítor Matos é um "um jovem que por sinal é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto."
Mantendo tudo o que digo sobre o jovem Vítor Matos, o tal que é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto, impõe-se que diga este não é o mesmo Vítor Matos que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View.
Este último Vítor Matos, o tal que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View, parece que vive em Newark e que edita o 24 horas local, o 24 Newspaper.
Portanto, e para que fique límpido e sem qualquer sombra de dúvida, o Vítor Matos que é jovem, jornalista da Sábado, blogger, e aparentemente um gajo porreiro -- eu não posso excluir daqui o "aparentemente" porque o Vítor e eu não nos conhecemos (Vítor, se leres isto, escreve-me que resolvemos este detalhe rapidamente!) -- não é, repito não é! o Vítor Matos que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View.
Ufa.
Sorry, Vítor Matos, tu que és jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto.
A ti Vítor Matos, tu que és o Editor-in-Chief do Portugal Daily View, vê lá se começas a responder aos emails que te enviam. Só porque, quanto mais não seja, é bonito.
Nota pública: Já corrigi o texto do post anterior e este já não falta à verdade.
Nota da Maria: Com esta, escrevi seis vezes Editor-in-Chief. Sou gaja que gosta de um bom título. Não de um título qualquer! Tem de ser bom, tem de ser pomposo, ter "chief" ajuda, que editors há muitos, in-chief é que não!
Grande injustiça fiz eu mas no more! Felizmente houve quem estivesse atento (obrigada M.!) e iluminasse este caminho tão nebuloso de ressabiamento para que eu, Maria, não falte mais à verdade.
Ora no post anterior, em que eu me queixei de que há já meia dúzia de dias que enviei um email ao Editor-in-Chief do Portugal Daily View e nada, na sua versão original escrevi que este Vítor Matos é um "um jovem que por sinal é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto."
Mantendo tudo o que digo sobre o jovem Vítor Matos, o tal que é jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto, impõe-se que diga este não é o mesmo Vítor Matos que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View.
Este último Vítor Matos, o tal que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View, parece que vive em Newark e que edita o 24 horas local, o 24 Newspaper.
Portanto, e para que fique límpido e sem qualquer sombra de dúvida, o Vítor Matos que é jovem, jornalista da Sábado, blogger, e aparentemente um gajo porreiro -- eu não posso excluir daqui o "aparentemente" porque o Vítor e eu não nos conhecemos (Vítor, se leres isto, escreve-me que resolvemos este detalhe rapidamente!) -- não é, repito não é! o Vítor Matos que é Editor-in-Chief do Portugal Daily View.
Ufa.
Sorry, Vítor Matos, tu que és jornalista da revista Sábado e, ainda por cima, um dos bloggers do Elevador da Bica, que é tão simpático e agradável ao olho e ao intelecto.
A ti Vítor Matos, tu que és o Editor-in-Chief do Portugal Daily View, vê lá se começas a responder aos emails que te enviam. Só porque, quanto mais não seja, é bonito.
Nota pública: Já corrigi o texto do post anterior e este já não falta à verdade.
Nota da Maria: Com esta, escrevi seis vezes Editor-in-Chief. Sou gaja que gosta de um bom título. Não de um título qualquer! Tem de ser bom, tem de ser pomposo, ter "chief" ajuda, que editors há muitos, in-chief é que não!
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