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sábado, 14 de maio de 2011

Graçolas à Sexta* #10: Sobre as opiniões e cada uma ter a sua

Há cerca de um mês, mais hora/minuto/segundo menos hora/minuto/segundo, a Maria Rita pediu auxílio:

Boas Intenções, 12 de Abril, 2011

Mesmo não sabendo propriamente a resposta, que eu para as traduções estou mais ou menos como o Cristiano Ronaldo para o bordado em ponto cruz, menina bem intencionada e sempre lesta para ajudar o próximo que sou, deixei lá a minha própria opinião sobre o ser opinionated, porque é só dar-me uma nesguinha de espaço para alvitrar e pumba, lá estou eu alapada na caixa de comentários. 
Comentei o post com uma espécie de adágio, uma proposição da autoria de uma Doutora, e se é de uma doutora deve ser coisa cegta, cegto?, e que guardei para mim e vou partilhando amiúde. Também foi nesse momento que prometi a mim mesma escrever este texto. Demorou algum tempo, primeiro porque estava de partida para a Florida e depois porque estava de regresso. Mas hoje é dia, até porque prometi à Maria Rita que ainda esta semana lhe dedicaria uma postita bem fresquinha e não gosto de faltar às minha promessas, acho feio e uma gaija perde toda a credibilidade, e já basta o país...
À Maria Rita e a quem mais a leu nesse dia ou vai lendo quando pode escrevi pois que...


A frase é da autoria da Doutora Rute, Rute Remédios, cuja semelhança no apelido com o do provedor da moral e dos bons costumes do Herman Enciclopédia não se fica pela pura coincidência. Sexóloga de profissão, estava ao serviço do programa que a RTP emitiu entre 1997 e 1998, andava eu, jovem inconciente, a terminar a licenciatura. De dentes protuberantes que a faziam substituir os "rr" com "gg", Doutora Rute era uma mulher à frente do seu tempo, sempre de mente arejada e saia, ao que me parece, também pronta a arejar se a ocasião se propiciasse ou, se não, ali estava ela para a propiciar. A rubrica chamava-se Sexo para Todos e era dedicada à temática, não sei se o título é suficientemente explícito, do sexo, sexo "puro e duro, como todos nós gostamos" (pausa da própria).


Aceito desde já que corrijam e insistam que a citação acima está fora de contexto, afinal as opiniões são como as vaginas nestas coisas do sexo, como sugere a doutora. Mas, pergunto eu, e nas outras? E quem diz dentro de diz em cima, em baixo, de lado, a fazer o pino (mamãe, vá ver a novela, se faz favor!)**.
Daí que tenha ido ver e, não me aparecendo o ovário, chalaça que se não perceberam é favor clickar aqui que ainda se vão rir um bocado, não têm de quê, apareceram-me um conjunto de citações que também envolvem essa arma de arremesso aparentemente tão leve mas que pode derrubar a mais sólida das fundações, por exemplo a auto-estima de uma gaija quando esta pergunta ao seu gaijo "achas que estou gorda?" ou "fica-me bem este vestido?" e ele demora mais do que um nano-segundo a responder ou lhe falta a veemência digna de um herege sujeito a interrogação pela por nunca ninguém esperada Inquisição Espanhola.***
Deixo-vos três citações de que gostei.
Começo por Nietzsche, filósofo nascido prussiano e falecido apátrida, e cujas lágrimas li no livro do Irvin D. Yalom e de quem pouco sei para além do que, e muito apropriadamente para o texto, se diz ter sido frequentador de pu**s:
Opiniões públicas - preguiças privadas.
E eu que eu sou tão preguiçosa...
Também gostei de uma do François La Rochefoucauld, nobre francês de uma sensatez inquestionável e com o qual concordo porque ele pensa do mesmo modo que eu e é certo e sabidinho que eu concordo (quase) sempre comigo:
Só achamos que as outras pessoas têm bom senso quando são da nossa opinião.
Fechando o círculo com outro filósofo, desta feita britânico e já mais do nosso tempo, um liberal do comércio internacional, mesmo ao meu jeito, Bertrand Russell:
O facto de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de facto, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata.
Ora!

*Hoje é Sábado, eu sei, mas se o Natal é quando o Homem quer, então hoje é Sexta. A modos que. O blogger esteve em baixo, ouviram dizer?
**Eu não trato mamãe por você, mas acho que fingir que sim me dá um ar mais fino, e eu estou sempre a fim de soar mais magra.
*** Piada anormalóide do mês.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Graçolas à Sexta #9: Ora dá cá um, e a seguir dá outro, que só dois é pouco!


Meus amigos, hoje a graçola é mais cantada. Tinha em mente escrever sobre outro sukete, mas a verdade é que passei o dia todo ocupada a trabalhar ao computador e, agora que é chegada a altura de escrever a graçola, foi-se-me a inspiração.
Estou cansada e quero é beijinhos. E como eu até só digo disparates, disparates, disparates...
Composta por Carlitos Paião em 1980 (a sério que já foi há trinta anos!):
Ai rapariga, rapariga, rapariga
Que só dizes disparates, disparates, disparates
E tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira
Que para tirar tanta asneira não chegam 100 alicates
Mas tu não sabes, tu não sabes, tu não sabes
Que isso de dar um beijinho já é um costume antigo
Quem te disse, quem te disse, quem te disse
Que lá por dares um beijinho tinhas de casar comigo.

- Ó chega cá.
- Não vou.
- Tu és tão linda.
- Pois sou.
- Dá-me um beijinho.
- Não dou.

Interesseira, convencida, ignorante, foragida, sua burra,
És a miúda mais palerma, camelóide que eu já vi
Mas porque raio é que tu queres os beijinhos só para ti.

Ora dá cá um e a seguir dá outro
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho.

Ora dá cá um e a seguir dá outro
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho.

Ai rapariga, rapariga, rapariga
Dás-me cabo do miolo para te levar com cantigas
Ai mas que coisa, mas que coisa, mas que coisa
Diz lá porque é que tu não és como as outras raparigas
Quando eu pergunto se elas me dão um beijinho
Dão- me tantos, tantos, tantos que parecem não ter fim
E tu agora estás com tanta esquisitice
Que qualquer dia já queres e não sabes mais de mim.

- Dás ou não dás?
- Não, não.
- Então dou eu.
- Isso não
- Dá-me um beijinho.
- Não dou não.

Diz lá porquê, sua esganada, egoísta, mal-criada
Sua parva, só se pensas que eu acaso tenho a barba mal cortada
E vê lá se tens receio que a boca fique arranhada.

Ora dá cá um e a seguir dá outro
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho.

Ora dá cá um e a seguir dá outro
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho.

- Então vá lá.
- Já disse.
- Eu faço força.
- Que parvoíce
- Dá-me um beijinho.
- Que chatice.

Analfabruta, pestilenta, hipocondríaca, avarenta, bexigosa
Vou comprar um dicionário que só tenha nomes feios
Que é para eu tos chamar todos até tu teres os ouvidos cheios.

Ora dá cá um e a seguir dá outro
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho.

Ora dá cá um e a seguir dá outro
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho.

Para vós, um beijinho. E que atrás deste venha outro. Ou outros, que só dois é pouco. Dos docinhos. Como as bolachas! Que atrás de uma vem outra e me sabem sempre a pouca...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Graçolas à Sexta #8: Eu sou/tu és /ele é... o Presidente da Junta


Uma rapariga tenta, palavra de honra que uma rapariga tenta, mas não dá, não é possível ignorar o que se vai passando pela pátria. Pela minha, não por esta que tão calorosamente me acolhe -- e o advérbio é algo literal, pois que a Primavera chegou em força e os dias parecem de estio, convidando ao papo para o ar e ao levantamento de copo à beira da piscina (com este "beira" vê-se logo que sou do Norte, carago!).
Pois a minha/nossa pátria anda à deriva, falta-lhe um timoneiro que a leve a bom porto, que tanto pode ser aperitivo como digestivo, tawny, ruby, LBV, ou vintage, o que importa é que o copo venha cheio (ai que horror, que falta de chá!!! -- amigos, à colher também serve).
Dou-se-me um bocadito à parvoeira porque o tema que hoje trago é sério. É crítico. Tem pois, como se poderia ler se eu fosse mais povo ou capaz de um trocadilho com o estatuto de devedor do país, a haver com a crise. Ai crise crise... não há burro que te não pise... e não, não sei o que isto quer dizer, só que rima e eu sou rapariga que gosta de uma rima. E de rima em rima, porque quem gosta de rimar também gosta de dançar (e de comer, e de beber, e de ler, mas nenhum destes rima com rimar, e já cantar sabe Deus que a minha voz é de fugir), chegamos ao tema da semana que é também, sabe-se lá como, graçola.
O texto do Manuel Caldeira Cabral no Jornal de Negócios deu-me a inspiração para a graçola desta Sexta. Intitulado "O momento do Presidente", obriga-nos a reflectir sobre os cenários com que Portugal se depara, cada um mais tortuoso que o seguinte. Diz o Manuel que, "neste momento, a solução terá de vir da única instituição nacional em plenas funções. A Presidência tem de acordar."
Não estando disponível a da República, não a das Bananas, que por sinal deve ser mais soalheira e dada à palmeira, mas a nossa, eis que um presidente se disponibiliza para a incumbência, neste caso o da Junta. Quem não se lembra do "eu é que sou o prdresidente da junta!"?
Segundo o Programa "Divinas Comédias", apresentado pelo muito saudoso Raul Solnado e pelo Bruno Nogueira, a origem do presidente remonta a um sketch que o Herman fez no seu programa Parabéns, em 1994, durante o qual parodiou o programa "Praça Pública", da SIC.
Agora engraçado engraçado é que nos cartazes hasteados pelo povo que grita que o lixo é seu amigo se pode ler, entre outros, "Cavaco gosta de banho". Apropriado, não?
Mudam-se os tempos, mudam-se as questões, mas Portugal mostra que os cartazes podem ficar os mesmos, podendo quiçá haver lugar a uma piquena reciclagem, que fica sempre bem. Notai, aliás, a sintonia perfeita entre esta temática tão verde e a tutela da pasta do Ambiente e do Ordenamento do Território, em 1999. Dou-vos uma pista: tem nome de filósofo clássico grego. Ensinou Platão -- quem é amiga, quem é?
Amiga sim, todavia não presidente da junta. Hoje não. Amanhã, talvez.

(O conteúdo desta posta de pescada é da exclusiva responsabilidade da autora, e quaisquer semelhanças entre as tentativas-de-piada e a realidade são pura coincidência.)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Graçolas à Sexta #7: Fui ver, era o Ovário


Tem dias que sou assim, mais dada à poésia.
E hoje vós sois também. Dêmos as mãos e percorramos juntos este caminho, esta estrada, este amontoado de terra batida, para os mais sofisticados alcatroado, que é a vida.
Num esforço claro de exaltar o nível da confeitaria, hoje trago dois poemas de Carlos Carrapiço, poeta, escritor, um homem simples. A força, a raça, o genuíno. Corria o ano da graça de 1992.
Uma secretária pequenina em vez de uma horta, um lápis número dois em vez de uma enxada ou de um ancinho. A página em branco que ganha mácula sob o punho de um homem da terra ainda que o outro diga que os homens vêm de Marte e as mulheres vêm de Vénus. A mim tanto se me faz, desde que não tragamos para cá o coitado do Plutão, despromovido a reles "planeta anão" e a um número simplório como 134340, que nem teve a honra de incluir um dois, um cinco ou um sete, ficando-se só com um número primo lá meio. Até nisso lhe negaram uma família! Eu cá acho muito mal, mas adiante.
Voltemos então à produção hortícolo-verbal de Carrapiço, que com a sua Quinita, lá para os lados de Évora, abraçou o desafio que lhe lançou o patrão. Que beleza amigos, a simetria do desencontro, o ênfase da depressão no vislumbre da gralha. A coragem de pegar em Augusto Gil e assumir a cópia à mão, muito devagarinho, pois que senão não há tempo para cavar as batatas.
E, depois, uma visita ao poeta dos poetas lusitanos, ao Shakespeare de Portugal... Camões, o tal que no dia dez de Junho de 1580 viu partir a sua própria alma gentil e a quem nós agradecemos o feriado, especialmente quando calha à Terça ou à Quinta.
Alma minha, gentil, que te partiste,
Tão cedo desta vida descontente,
Será chuva, será gente
Gente não é, certamente,
E a chuva não bate assim.
Fui ver, 
Era o ovário.
A assunção da sexualidade feminina, a abordagem do tema tabu, a descoberta da beleza íntima da mulher. Ainda que afinal fosse apenas o Octávio.

Para aqueles que ficaram a matutar nisto... de Augusto Gil, a Balada da Neve,
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Graçolas à Sexta #6: Interlúdio publicitário


Caríssimos telespectadores, 
Interrompemos esta emissão para um breve, brevíssimo, resquício de momento de publicidade.
Sabeis, mui queridos telespectadores, que a vida está pela hora da morte, e não podemos estar aqui a dar abébias, há que financiar estes vossos instantes de lazer. Há toda uma logística a pôr em prática, há todo um pessoal a contratar e a pagar, ainda que este pessoal que agora vos escreve, com todo o desvelo e carinho, efectivamente escreva à borliú. Serviço público, diz que é, ainda que público haja pouco e o serviço seja questionável.
Mas adiante.
Atendendo ainda a que o pais está, qual Moisés, a contemplar uma travessia, queira Deus que não de quarenta anos!, no deserto, achei por bem trazer-vos um produto não um-em-um, não dois-em-um, não três-em-um... mas, wait for it, cinco-em-um! Ele é champô, ele é amaciador, ele é desodorizante íntimo, ele é limpa-sanitas... e quando finalmente achastes que nada mais podia ser, ele é também aniquilador de sede, um magnifico refresco com sabor a laranja!
A Teresa diz e eu acredito.
Brevemente, num supermercado perto de si. E tudo fica mais fácil.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Graçolas à Sexta #5: Tony Silva & convidada suuuupresa


É Sexta-feira, vê-se em vossos semblantes jubilosos. E é dia de graçolas aqui no estaminé - é também o dia em que o blog tem mais visitas, vá-se lá saber se é porque finalmente tem piada ou se a malta já está em modo fim-de-semana e não há labuta para ninguém. Naturalmente de bom grado aceito outras explicações.
Vamos cá pois à rubrica, que hoje é um nadinha diferente. Mantemo-nos na onda da música, porque há sempre uma melodia entalada entre as nossas pessoas, mas desta feita não trazemos só um artista e sim uma dupla. E... para que não passe despercebido, já reparastes que falo de mim na primeira pessoa do plural? Pois é, falamos eu e as cinco bolachas que comi há pouco e andam aqui indecisas se vão para as coxas, para o rabo, ou para os pneuzinhos ao lado do umbigo. Eu se mandasse iam para as mamas, mas as gajas não me ligam nenhuma e afiambram-se ao naco de carne que mais lhes apraz. De qualquer modo acho falar assim faz pandant com o trazer dois artistas em vez de só um.
Voltando ao tema, que é para isso que me pagam...
Se na semana passada cá deu um ar de sua graça Serafim Saudade, grande artista de rádio, tevedisco e cassete pirata que em 1985 finalmente foi o que sonhou, hoje trago-vos... estais preparados, respirai fundo...
Hoje vem cá o mui brilhante pois que brilha muito, o grande creador de toda a música ró, ladies and gentlemen, Tony Silva. Imaginai por um instante, peço-vos, uma sua partenaire segurando o estandarte com a ordem "APLAUDIR" e aplaudi o artista!
Tony,
Meu nome é Tony Silva, 
Sou grande creador
De toda a música ró
Todo ele donaire, Tony entretém seu público com um misto de portunhol e inglês-unhol, muito gesto amplo, muita pirueta. Thenthathional, ladies and chentlemen, thenthathional!
E, generoso que só ele, desta feita divide o palco com a mais portátil artista portuguesa, uma mulher pequenita de tamanho mas grande de estatura intelectual e psico-fisiológica*: Dina, lembrais-vos dela?
Ah, Dina... nascida Ondina Veloso em 1956 algures por "indo eu, indo eu, a caminho de Viseu"... E aqui não resisto a pensar nas put@s das melodias que se nos colam ao cérebro qual pastilha elástica presa no sapato que não há nada que tire...
Lembram-se da Dina ganhar o festival da canção de 1992? A música foi o "Amor de água fresca", a das frutinhas, lembrais-vos de qual é? Imagino que a música não vos tenha marcado tanto como a mim, e nem tanto como à própria Dina, mas deixem-me confessar que aquela música fez o meu inferno durante a prova específica de matemática de 1993. Entre derivadas e trignometria eu só conseguia pensar
Peguei, trinquei e meti-te na cesta, 
Ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá, tenho sede, 
Quero o teu amor d'água fresca, oh...
E depois, algures,
E a pêra francesa, romã, framboesa, kiwi 
Que afinal vem a seguir a
Foi na manhã acesa em ti, abacate, abrunho 
Mas que raio é um abrunho!?
Mas perdoai-me estas divagações adicionais, sabem os anjinhos que eu me vejo e desejo para me manter no tema...
O post de hoje tem um duplo propósito, perdoai mais uma vez, que eu sou rapariga que não dá ponto sem nó. Se por um lado é sobre Tony Silva, a pedido de mamãe, e o que eu não faço pela moça, o post também dá o mote para uma nova rubrica do blog, a rubrica que por enquanto e até me lembrar de um nome mais apropriado se chamará "Da-se, há tanto tempo que eu não ouvia isto!".
Com mais ou menos palavrão ou mais ou menos abreviatura, este blog, à laia de tantos, terá uma rubrica musical, de gosto muitas, mas mesmo muitas, muitas, muitinhas vezes duvidoso. Aqui vos trarei músicas que me falem ao coração. Eu adoro música, e é ver-me a cantar por todo lado, talvez influência de mamãe que cantou sempre comigo rua abaixo e passeio acima. Este post é para ela, que me ensinou a ser eu. Um eu que ri, que chora, que dança e que canta. Até porque, meus amigos,
Nós a cantar não estamos sós
já o canta a Dina.
Um sorriso.

* Descrição do próprio Tony na parte 1 do clip aqui.
P.S. Aceito pedinchices, que somos eu e a malta das rádios locais manhosas a fazer os programas de discos pedidos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Graçolas à Sexta #4: Serafim, Serafim, Saudade!

 
Segundo a RTP Memória, estávamos em 1985, e obrigada memória da RTP por seres tão de confiança, porque se formos a depender da minha estamos tramados, até porque eu tinha dez anos e era mais D'Artacão e os Três Moscãoteiros e Topo Gigio. Ora isto se dita não me enganar, o que é bem possível, e eu estivesse em plena fase Verão Azul, ti-ri-ri-ri-ri, ti-ri-ri-ri, ti-ri-ri-ri...
Estávamos em 1985, e Ramalho Eanes em breve deixaria de ser Presidente da República para dar lugar a Mário Soares. Aníbal Cavaco Silva, o nosso actual Presidente da República, era o Primeiro Ministro de então.
Os tempos eram de mudança. Em Janeiro de 1986, por exemplo, Portugal entrou na então Comunidade Económica Europeia (CEE) o que, pelo menos para mim, significou o fim das viagens a Espanha para ir comprar caramelos e chocolates de leite Nestlé, os tais que os meus pais escondiam no armário da sala e que eu todavia facilmente encontrava e que, com a gulodice característica da idade, devorava em meia dúzia de trincas. Portugal abriu os braços à Europa e aos fundos que esta nos ofereceu, as autoestradas multiplicaram-se quais coelhos, os fundos de muitos bolsos perderam-se de vista, e as vacas gordas substituíram as magras.
Mas voltemos à RTP, e mais concretamente ao programa Hermanias, onde Serafim Saudade, o grande artista de rádio, tevedisco, e cassete pirata fazia o seu debut televisivo.
O percurso de Serafim era um percurso igual ao de tantos emigrantes, gente que foi para fora ganhar uns contos de reis e que, volvidas muitas horas de muitos dias de não raras vezes muitos anos, regressou à terra que a viu partir, trazendo não uma mala de cartão mas uma mala de pele, nylon, metal, ou plástico, o importante, digo eu, é que viesse recheada e, já agora, tivesse rodinhas. 
Serafim Saudade era mais um emigrante regressado à pátria onde, segundo o próprio, Teresa de Bragança faria dele mais português. Uma vez chegado, Serafim abrira um restaurante onde cantava a sua vitória sobre a desventura. A sua história de vida era negra como os seus celebérrimos caracóis pretos à la Restaurador Olex. Filho de pai alcoólico fugido de casa com um grão na asa e de mãe demente por causa da aguardente, Serafim havia sido criado por uma tia que lhe batia.
Todavia era de triunfo sobre a adversidade a história de Serafim! Depois de trabalhar como um cão nas obras, Serafim trazia ao palco a realização do sonho de uma vida. Com as suas camisas cor-de-rosa a fazer pandant com as duas partenaires, Serafim Saudade efectivamente era o que sonhara.
Batamos palmas, pois, e cantemos com o artista, se possível com acompanhamento coreográfico:

Serafim, Serafim, Saudade
Aqui estou e na verdade
Sei que sou o que sonhei

Serafim, Serafim, sou eu
Trago comigo porqu'é meu
Este nome que criei

Serafim, Serafim, aos molhos
A saudade dos meus olhos
Em mil lágrimas de prata

Serafim, Serafim, artista
De rádio, de tevedisco,
E de cassete pirata
Clap, clap, clap!

Observação para os mais observadores: A rubrica mudou de nome, chamando-se agora "Graçolas à Sexta".

quinta-feira, 3 de março de 2011

Rubrica das Sextas-feiras #3: O Provedor

[Diácono Remédios, O Aviso]

Pára tudo, pára tudo! É Sexta-feira, dia abençoado em todo um calendário da malta que trabalha, portanto não num meu!, e dia de momento nostálgico aqui na confeitaria.
Esta semana, com as actividades lúdicas da minha piquena bolacha, sobre as quais um dia destes escreverei um postzinho cor de rosa e cheio de diminutivozinhos, e com a rebaldaria internética que se passou com aqui com o computador, as disponibilidades mental e temporal primaram apenas pela ausência, coisa que até o blog reflectiu (não foi só o monte de roupa para lavar e demais lides domésticas).
E, ao que parece, a trindade demoníaca parece não me dar tréguas: não bastavam o cabrão do PMS a sarnar-me a molécula e a internet a perder o pio, agora é filho da put@ do cabo da bateria que não funciona e me deixa o computador entre os semi-acordados e os semi-adormecidos, não se decide se a current power source é o AC adapter ou a battery. Caramba, acho que vou ali num instantinho acender um incenso, cantar umas rezas e fazer umas macumbas, e depois venho aqui acabar o texto.
Pois o tema hermaníaco de hoje é algo apropriado face ao destilar de vocábulos pouco próprios que nos últimos dois dias invadiram a minha casa. O que me valeu foram os dois pacotes de Chips Ahoy! que comprei no Target no fim-de-semana, num rasgo incomum de clarividência. Ora uma pepita de chocolate aqui, uma pepita de chocolate ali, e de pepita em pepita a coisa foi-se levando e o Brutus voltou a uma harmoniosa convivência com moi même e a facilitar uma mais ou menos harmoniosa convivência cá entre nós. Mas dizia que o tema é apropriado à verborreia obscena que por cá se fez ouvir. E é apropriado porque me faltava alguém assim, alguém responsável pela manutenção do nível e decência linguísticos.
Há mais ou menos vinte anos, Herman fez nascer, sabe-se lá inspirado por quem, um provedor de cabelo lambido, bigodaço farfalhudo, e fato e gravata pretos condizentes com um semblante taciturno e a postura derrotista de um estereotipado homem do clero. Diácono Remédios aparecia a Portugal enquanto protector da moral e dos bons costumes, rápido na censura e no visionamento de toda a obra artística de maior ou menor nível intelectual.
Toda uma juventude e maltas mais ou menos crescidas rapidamente identificavam o dedo indicador recurvado dando pancaditas no tampo da mesa. Bastava ouvir o "meujjjjje amigojjjejjjjjejjje" para logo nos acorrer à memoria o "não havia nexexidadejjjjjjjjjjjejjjjjjejjje". Ainda hoje, não é?
Eu bem sei que apropriado apropriado era o vídeo da semana passada, o tal do Movimento  Associativo Renovador dos Sofredores Anónimos de Pornolalia. Hoje ficamo-nos pelo lápis azul e pelos piiiiiiiiiis.

Nota da autora: O linguajar de baixíssimo nível que cá em casa se fez ouvir anteontem e ontem em nada contradiz a argumentação da própria sobre a sua delicadeza no trato e na verve. Quando muito demonstra que é mentirosa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rubrica das Sextas-feiras #2: Movimento Associativo Renovador dos Sofredores Anónimos de Pornolalia

[Movimento Associativo Renovador dos Sofredores Anónimos de Pornolalia]

Vejo por essa blogosfera afora que blog que é blog, independentemente de a lealdade do autor, neste caso da autora, ir mais para os bolos ou mais para as bolachas, tem rubricas semanais. Pois o meu blog, que fez ontem ou anteontem, nem sei, duas semanas, também tem uma rubrica semanal. E essa rubrica é à Sexta-feira. Parece-me bem que seja à Sexta-feira.
A Sexta-feira é um dia bonito, é um dia que já cheira a fim-de-semana mas não fede a Segunda-feira, porque infelizmente a Segunda-feira é um dia tramado -- estou pr'áqui a segurar-me para não fazer um trocadilho com o "fede" que vocês nem imaginam, o que até viria muito a propósito.
Etiquetei a rubrica das Sextas "oS nossoS HermanOS", cujo nome sugestivo ainda que pouco criativo profetiza que seja sobre o Herman José - quem é a menina linda que cumpre promessas, quem é? Se na semana passada, fazendo jus à mudança de nome aqui da confeitaria, trouxe à cena o cromo José Severino, o tal que "é mais bolos", naquele que foi o primeiro trecho da rubrica, esta semana trago aquele que (penso) é um dos sketches favoritos da malta. E se não é da malta, pelo menos é um dos meus, arranca-me gargalhadas com a facilidade com que como bolachas, com a vantagem de ser menos calórico ainda que cause mais rugas.
Sem mais adendas, aqui trago um clip finíssimo e de linguagem cuidada da rubrica Boião da Cultura. O clip debruça-se (olha que verbo tão lindo para dizer "trata"!, bem mais bonito do que "aborda", que também seria adequado mas, quer-se-me parecer, não tão elegante) sobre um problema gravíssimo que afecta uma grande fatia da população portuguesa sem que esta o saiba, a pornolalia. A pornolalia, para quem não sabe ou recorda, é, como explica o Herman, a incapacidade de estar muito tempo sem dizer um palavrão. O que é tramado, fod@-se!
Eu sou fã do palavrão e quem priva assim mais de perto com a minha pessoa sabe que sou moça que acredita até ao tutano que a língua é um organismo vivo (ainda que o acordo ortográfico deva ir para a put@ que o pariu) e que deve ser usado na sua totalidade sem que haja palavras de primeira categoria, business, ou económica.
Pensemos, por exemplo, na flexibilidade que tem o palavrão: ele é nome, ele é adjectivo, ele é verbo... ele é portanto submisso na sua localização na frase, rendendo-se com docilidade aos ditames do fraseador. Consideremos, por um segundo, o papel do palavrão na ajuda à hipérbole. Qual é a frase que não brilha um pouco mais com a inclusão estratégica de um fod@-se ou um c@r@lho? E convém que não esqueçamos a capacidade, não raras vezes inigualável, que o palavrão tem para resumir sentimento, ideia, ou pensamento (viram que rimei?, não foi acidental), por exemplo no final de um dia impossível, em que até a alma nos dói, um dia nada mais nada menos que "fod$do". No trânsito, então, eu tenho uma ladainha pronta, na pontinha da língua, que sai quando alguém trava de repente, ultrapassa feito estúpido, ou se cola à retaguarda de meu veiculo (coisa que não vai acontecendo cá pelos EUA mas isso é tema para outro post).
Sou portanto entusiasta da obscenidade linguístico-estilística e só não pratico um bocadinho mais aqui pelo blog pelas seguintes razões. Em primeiro lugar, mamãe lê o meus textos e não pôs uma filha na escola e nem a educou, mais ou menos severamente, para andar a escrever asneirolas ainda por cima em público. Em segundo lugar, a pediatra da minha filha de vez em quando anda por cá (eu sei, eu sei, quem me mandou convidá-la, mas eu gosto dela, e ela também tem um blog que eu sigo...). Em terceiro lugar, ainda que só tenha enviado mails a publicitar aqui o estaminé aos meus amigos, não sei bem quem me lê, e isto um dia pode chegar ao computador ou IPhone do patrão e depois é uma chatice. Finalmente, tenho a mania que sou fina e que não digo (e nem escrevo!) palavrões.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Há vinte anos(!) éramos (todos) mais bolos

 
Caríssimos,
Nem sei onde li que a imitação é a forma mais sincera de lisonjaria. Pois por isso impõe-se, entenda-se por "isso" a mudança de nome do estaminé, que revisitemos o Herman, entre tantos epítetos verdadeiro artista e grande criador de toda a música ró.
Aqui vos deixo a rubrica "As estranhas profissões", que por engano da senhora da televisão, a Menina Olívia, em vez do radiotelegrafista Perfeito Calhau trouxe à ribalta o cromo 0271, Pasteleiro José Severino cuja especialidade é mais bolos. Também tem salgados, mas ele é mais bolos e nessa época é mais bolo rei.
Sou uma saudosista do Herman José da década de 80, essa é que é essa. Tenho saudades do Estebes, da Marilú, do Tony. E ainda vos digo que o meu Sábado ficou mais alegre agora que vi que há a série completa do Tal Canal à venda.