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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

[De uma mãe] Os bebés deviam vir com livros de instruções

Assim como as torradeiras, os telemóveis, os computadores, ou os carros. Afinal, são o bem (bem?) mais precioso que nos é dado e, a menos que sejamos já pais de segunda ou terceira viagem, as dúvidas, incertezas, e demais preocupações são aterradoras. Como é possível, mesmo, que nos deixem sair do hospital sem que saibamos como cuidar daquela pessoinha pequenina? Fingimos bem saber o que fazer, é?

As más noticias é que a maternidade ou paternidade são coisas que se aprendem fazendo, um pouco como uma tese de doutoramento. Um gajo nunca sabe como fazer até se sentar à frente do computador e escrever as primeiras palavras (na melhor das hipóteses aquando da escritura das últimas já se aprendeu qualquer coisinha). Mas não desesperais, eu trago esperança! Há dois livros absolutamente fantásticos que têm a chancela da yours truly e sobre os quais me pronunciarei nos próximos parágrafos. Ambos úteis, o primeiro é mais castiço e mais limitado no tempo, versando apenas sobre o primeiro ano do bebé, e o segundo é mais sério e mais abrangente, indo dos primeiros dias até aos cinco anos da criatura.

O primeiro livro que recomendo é o The Baby Owner's Manual: Operating Instructions, Trouble-Shooting Tips, and Advice on First-Year Maintenance. Escrito pelo pediatra Louis Borgenicht, M.D. (Medical Doctor), e pelo seu filho, Joe Borgenicht, D.A.D., o livro contém conselhos e dicas úteis sobre como tratar de um bebé. Dividido em sete categorias que incluem a instalação em casa, modo sleep, manutenção, e segurança, o livro contém esquemas e gráficos que ilustram como dar de mamar ou banho, trocar uma fralda, e até mesmo pegar no bebé (se queriam ver Monsieur Bolacha a pegar num Nenuco no gabinete da clínica de preparação para o parto... eu só não revi a minha decisão de ter filhos com ele porque estava prestes a parir a primeira cria). Com uma gargalhada à espreita em cada página, o livro é muito útil porque é claro e directo, sem frescuras e folhos. Eu gostei muito da parte sobre amamentação, swaddling, e surtos de crescimento. Voltei a ele aquando do nascimento do meu segundo filho.

O segundo livro que recomendo descobri-o há pouco: Caring for Your Baby and Young Child, 5th Edition: Birth to Age 5 (Shelov, Caring for your Baby and Young Child, Birth to Age 5, da American Academy of Pediatrics. Apesar de muito mais abrangente no tempo, acompanhando o crescimento e desenvolvimento da criança até aos cinco anos, o livro está muito bem organizado, acompanhando o primeiro ano com uma descrição pormenorizada sobre o que esperar em cada mês do bebé e depois sendo um pouco mais geral, até porque cada criança é uma criança e o desenvolvimento não segue um perfil linear e igual aos demais. O livro contém também uma parte inicial que descreve o que esperar do parto e do pós parto que é muito útil para quem não quer perder tempo a consultar trinta e dois sites sobre o assunto, as amigas, as avós, as colegas, e as estranhas na rua com ar de recém-paridas.

Mas e os livro do Mário Cordeiro, perguntais, o pediatra que até vai falar com a Julinha e com a Fátinha e aparece em tudo o que é programa? Não me entendeis mal, por favor, que de cada vez que vejo este senhor sacudo o cabelo e imediatamente questiono o estado civil do próprio e a a minha escolha de marido, mas eu não gosto muito. Fico com a sensação de que cada capítulo reflecte exactamente a minha dúvida mas depois não lhe responde, a cada um falta a conclusão conclusiva, a solução, portanto.

Sempre às ordens.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

[De uma mãe para outra] Primeiro

No dia 14 de Julho de 2011 criei um segundo blog e chamei-lhe "De uma mãe para outra". O objectivo, óbvio pelo título, escrever sobre coisas de mãe (que me desculpem os pais) e dedicar post atrás de post a temas que não interessam à maioria dos mortais mas que têm o condão de entreter pais e mães durante horas. Cocós, por exemplo. Quem mais senão um pai ou uma mãe consegue discutir até à exaustão aspectos como cor, textura, e cheiro do resultado dos movimentos intestinais das suas crias? Pensando bem, nessa altura também ainda estava a procurar a voz do "Eu é +", e achei que deambulações parentais não se coadunavam com o tom da Maria Bê, que se queria menos séria e maçadora.

Ora o blog de e para mães, que se ficou pelo seu primeiro e único post, está entretanto offline. Ao que me lembro, despromovi-o rapidamente. As bolachas e a vida em geral ocuparam-me e eu deixei as escritas maternais para outros verões. Mas a vontade de vir partilhar uns nuggets de conhecimento maternal permaneceu, e acho que é desta que o projecto descola.

Sem expectativas ou manias de grandeza, escreverei então sobre putos e como (eu penso) sobre a sua criação/educação/manutenção e genericamente como prevenir que se venham a tornar cereal killers (pun intended). Não haverá por cá receitas milagrosas ou conselhos sábios. Se por acaso aqui viestes parar ao engano, é clickar no botão back e sorry pelo transtorno. Por cá abundarão apenas cenas que funcionaram comigo e com as minhas crias, doces parasitas entretanto virados carraças e depois piquenos humanos. A página ao lado, penso eu de que, conterá um índice sobre os assuntos, talvez dividido temporalmente, talvez não. Qualquer coisa se há-de arranjar, melhor ou pior alinhavada.

Aos que vão seguindo as aventuras de Maria Bê por terras de Tio Sam ou da Troika eu prometo não desaparecer por baixo da máscara da maternidade. Afinal, fui Maria antes de ser mãe, e continuo a ser a Maria apesar de. É só que agora eu é mais cocós e fraldas, mamas e coisas assim. Penso, aliás, que esta vontade aqui exercida é bem capaz de advir da exposição ao ar que as ditas marufas têm gozado (honestamente, parece que ando sempre com as mamas de fora). Prometo também assinalar bem os posts para que não percais vosso tempo com tretas que não vos interessam.

Era então uma vez uma mãe...