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domingo, 3 de agosto de 2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

O meu coração quer chorar

Um objecto de transição é uma qualquer coisa a que a criança se liga desde muito cedo, pode ser um boneco, uma fraldinha, ou uma escova. Qualquer coisa que a faz sentir bem e supostamente diminui a ansiedade da separação.

A minha filha tinha um coelhinho da Jelly Kitten, a marca para bebés da Jelly Cat. Um coelhinho cor-de-rosa chamado Iche e que ao fim de quatro anos já parecia road kill. Iche, companheiro de tantas noites e tantas viagens. Iche, capaz de sossegar a Mia como mais nada ou ninguém.

O Iche desapareceu há dias. Temos virado a casa toda e nada dele. Ontem vieram a Betty e o Noah, que limpam a casa, e eu pedi-lhes que o procurassem. Nada. Hoje de manhã o camião do lixo veio recolher o lixo da semana passada.

Há pouco, no carro, a Mia disse-me há uns dias já que pôs o Iche ao lixo, "estava shabby". O meu coração quer chorar. Afinal o Iche também era o meu objecto de transição e parte da família.

Adenda ao post in post
: Escrevo e penso nos comentários que eventualmente poderia ter, nomeadamente que ela teve uma excelente reacção, ao perceber que já não precisava do Iche, pô-lo ao lixo. Mas eu queria tê-lo, guardá-lo, para que o pudesse mostrar-lhe daqui a uns meses ou anos. O Iche também era um bocadinho meu, caramba.

terça-feira, 18 de março de 2014

Mãe arco-íris

Leio posts de outras mães no Facebook e pergunto-me o que há de errado comigo. Eu sou, num dia menos bom, um mix entre Malevolent da Bela Adormecida e a Cruella de Vil dos 101 Dalmatas, qualquer coisa como isto mas em menos verde:


Hoje, que as hormonas já abrandaram um bocado e a exaustão e gripe estão mais calmas, eu estou uma mãe em quase cor-de-rosa. Porque também eu mereço.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Cá em casa temos a nossa própria autoridade monetária

A minha filha vai fazer dinheiros com os seus papeis.
Espero que a graça não se perca para os não-economistas.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Da grande chatice que é quando se tem uma saída infeliz com um filho, especialmente com público

É tramado ter uma saída infeliz com um filho.
É mais tramado ter uma saída infeliz com um filho à frente de amigos.
É ainda mais tramado quando no dia seguinte esses amigos te telefonam para te dizer que tiveste uma saída infeliz, que isso não se faz, e que as crianças precisam de se sentir amadas e não podem questionar o amor que os pais sentem por eles.

Eu tinha perguntado, quando os amigos se estavam a ir embora, se ela queria ir embora com eles ou se queria ficar na nossa casa.

Eu sou, oficialmente, uma má mãe. Ou, não sendo, sinto-me. O que é uma chatice. A sério.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Eu hoje mereço uma daquelas bolachas-bolo enormes porque não espanquei a mini bolacha

O dia acordou demasiado cedo, como aliás acorda todos os dias. Raça de miúdos, eu bem que finjo ignorá-los mas não se vislumbra neles qualquer nesga de compreensão, levanta-te mamã, mamããããããããããããã grita a miúda, mã-mã-mã-mã vai gemendo o miúdo, saltitando a escala de decibel em decibel como se as paredes não fossem feitas de papel (não brinco, as casas são de palitos e papel, pouco mais) e eu não o ouvisse.

O dia acordou cedo e doido, a pequena quer calçar as meias com as flores até aos joelhos mas não quer a saia nem a t-shirt que ficam bem, que fazem um conjunto agradável aos olhos desta mãe ainda presa a costumes que não são os desta terra que a acolhe. Filha, queres as meias e a saia ou outra roupa sem as meias. Que estupidez, porque não há-de levar as meias? Eu venho para baixo arranjar o leite do miúdo e deixo-a a chorar lá em cima. Ouço gavetas a abrir e a bater, está feita designer. Valha-me Santo Ambrósio! Desce, de t-shirt laranja e leggings cor-de-rosa arregaçadas até às coxas -- afinal o objectivo é mostrar as meias, têm flores e são giras que farta. Explico que não pode ir à rua assim e supreendentemente o Monsieur, que não é nada dado a estas coisas, concorda, ela parece um palhaço e contra looks não há argumentos.

Passado um bom bocado aceito que leve uns calções que também ficam bem, mas com a t-shirt que eu defini. Ela concorda. Por um segundo. Nova birra. Que me parece a vigésima sétima do dia mas talvez seja apenas a sexta. Apenas, ha haha! Número de sapatadas so far, zero. Depois não quer calçar-se, já tirou os totós que lhe fiz antes de ir lavar os dentes... Santa Rita, ajuda-me! Penteio-a e juro a mim própria que se deitará mais cedo...

À tarde vou buscá-la, birra no carro. Já em casa, estou no Skype com mamãe, nova birra. Cantinho (time-out), quer abraços e beijos e jura que não baterá outra vez no irmão (até à próxima vez). Birras, birras, birras, já está no banho e faz outra birra. Santa Riiiiiiiiiiitaaaaaaaaaaa!!!!!!!!! Ao jantar, quase tem uma síncope quando corto o esparguete, e pega no prato e, a meio caminho entre o balcão e eu, vira-o e deixa-o cair. Eu limpei hoje o chão e o esparguete é à bolonhesa, tem carne com molho de tomate! Nããããããããããããããããooooooooooooooooooooooooooooo! Cacos, esparguete, molho no meu chão. Miúda, time-out, cantinho. Birra. Já tinha comido meia sopa. Decidimos em conjunto que vai para a cama assim. Birra.

Subimos as escadas, ela desce, e marido ajuda a levá-la para cima. Fecho-nos no quarto. Ela grita, quer o pai, quer abrir a porta, quer o pai, quer a luz ligada, quer o pai... quer tudo menos eu ali. Eu aguento estoicamente. Pego nela, dezassete quilos de gente, e sento-me na cadeira de baloiço. Ela esperneia, eu penso que ela parece um polvo, tem demasiados braços e demasiadas pernas, debate-se e eu aperto-a contra mim enquanto penso que eu não estou ali. Respiro fundo e penso em cantar. Tento lembrar-me de uma música que seja apropriada mas só me rio porque não há nada de jeito. Marisa Monte ou Muse, "we will be victorious" e rio-me porque o biscuit e eu dançámos essa música de manhã. Ela continua a debater-se até que vai afrouxando na força. Eu também no abraço, falo-lhe meigamente e começo a contar a história da princesa e da ervilha, que ela adora. Chora baixinho e balbucia que está triste, mal a percebo.

Demora pouco até que ponho na cama, sempre a falar-lhe docemente e ela sempre a gemer. Faço-lhe festinhas na cara, chamo-a de meu amor pequenino, minha bolachinha, minha doçura, minha ternura. Diz-me que vai chorar muito assim que me for embora, eu digo-lhe que sim, que abrace o bunny e chore muito e vou repetindo minha bolachinha, minha doçura, minha ternura, meu amor pequenino. Ela adormece e eu saio do quarto pé ante pé, sem fazer barulho, não percebendo bem como é que a minha pequenina de cabelo a cheirar a Mustela e o gremlin com quem me vi a braços são uma e a mesma criatura. E nem um estalo, nem um beliscão, nada. A sério, eu mereço uma medalha.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Das diferenças entre os pais e as mães

Monsieur Bolacha olha para mim com ar de pânico e pergunta-me se já vi a cara da mini-bolacha. Penso, em milésimas de segundo revejo as últimas horas que passámos juntas, não me lembro de ter chorado -- não mais do que o habitual, entenda-se -- e muito menos me lembro que se tenha magoado. Vou ver, ele está claramente preocupado. Ela tem, de facto, a bochecha vermelha, um pouquinho no olho, e ainda mais um bocadinho perto da boca. Olho bem e melhor e novamente e respondo ao marido. Ela está bem, está é suja. E pronto, foi isto, mas em inglês.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Freud ri-se, eu nem por isso

Pergunto à minha filha, melosa e certa da resposta: "quem é a tua mamã preferida?". Não me pareceu mal, em momento algum pensei estar a entrar no domínio nublado do "gostas mais do papá ou da mamã", até porque sei bem que ela é um textbook case do complexo de Electra. E depois ela respondeu "é o papá" e passou-me o mel. Ri-vos ri-vos, é porque a pimenta não vos arde. E anda uma gaja a guardar-lhe as framboesas...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Efemérides da vida de uma mãe

O meu filho de nove meses disse há dias a sua primeira palavra inteligível, "mamã", coisa mais fofa. A irmã também se estreou nestas lides linguísticas mais ou menos com esta idade com um muito meigo "iche", referindo-se à cadela de uns amigos, a Alice

Conclusão: ainda bem que o puto não conhece a Alice.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Não me parece que será assim que ganharei o galardão de mãe mais mete-nojo do mundo

Estava a ver as fotos que finalmente uploadei para o computador (só tinha fotos desde Novembro do ano passado para organizar!) e, olhando para um close-up do meu mai' novo, sai-me a seguinte exclamação de questionável orgulho maternal: "parece mesmo o Smeagol". Esperando algum tipo de validação das minhas capacidades de ser uma boa mãe in spite of, mostro a foto ao pai da criatura que me responde, imediatamente, "he even has a precious, his pêpê!" (chupeta). Vamos longe, vamos. Ai coitadinho do menino...

quinta-feira, 21 de março de 2013

O meu filho ontem fez seis meses


Bolas, where did the time go? Seria capaz de jurar que nasceu há, talvez, no máximo, dois meses. A privação do sono é tramada: rouba-me memórias, rouba-me momentos de felicidade plena. Suponho que os tive. Gosto de pensar que sim, mas honestamente não me lembro. Sei que fui feliz com o primeiro sorriso, com o ver-me reconhecida, com o sentir-me a sua preferida (por enquanto).

Seis meses de conhecer uma das minhas pessoas preferidas. Que privilégio.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Diz que é muito bom, sinal de crescimento, mas

A minha filha decidiu, ontem à noitinha, que é grande como a Heidi e não quer usar a fralda à noite. Já não era sem tempo, a miúda tem três anos e quase meio (faltavam vinte dias, hoje já só faltam dezanove). Eu sei que é bom, se calhar até já vem tarde, mas bolas, pá, e a chatice que é ter de a mudar e à roupa da cama por causa dos acidentes? Por mim esperava até ao Verão... de 2015...

P.S. Preguiçosa/prevenida que sou, hoje fiz-lhe a cama às camadas: colchão, protector de colchão, lençol de baixo, protector de colchão, lençol de baixo + o normal (lençol de cima & mantinha). Assim, quando o acidente desta noite acontecer, já não é preciso refazer a cama toda.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Das delícias de ter uma filha bilingue #9

(texto impróprio para alérgicos ao vernáculo)

As fadas Merryweather, Flora, e Fauna, e Aurora, a Bela Adormecida

A minha filha adora histórias de encantar. Haja princesas, bruxas, e acima de tudo fadas, e lá está ela, ávida, olhos esbugalhados, sorriso aberto, ouvidos à escuta. Hoje, enternecida, comprei-lhe as fadas da Bela Adormecida, a Fauna, a Flora, e a Merryweather, e dei-lhe a primeira depois do almoço. Ficou feliz.

Ao final da tarde, quando o pai chegou a casa, pedi-lhe que lhe dissesse que tinha recebido a fada -- agora lembrai-vos, por favor, que piquena bolacha é bilingue e traduz automaticamente de uma língua para a outra quando um de nós lhe pede, na nossa língua, que diga qualquer coisa ao outro. E então eu tive de me controlar, tive de me controlar muito para não me desmanchar a rir quando ela disse (aqui foneticamente): "papá, look, I have a foda, a foda, papá, I have a foda!!". E ela que sabe tão bem dizer que é uma Fairy-Princess-Butterfly...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Liberdade, uma definição

Depois de duas semanas de tortura, perdão, de férias escolares, a miúda finalmente regressou à escola. E foi, pela primeira vez, o dia todo, ou "full day", que vai das 8:00 às 14:45.

Podia ter intitulado o post de "Sossego, uma definição". Estaria igualmente correcto.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Das delícias de ter uma filha bilingue #7

Piquena está entretida a enumerar os meses, anda a aprendê-los na escola e vem para casa praticar. E então cá vai disto:
January
Strawberry  (???)
February
Marchuary  (realmente soa melhor!)
April
May
June
July  (que pronuncia com a alegria imensa de quem acabou)
Eu cá gostei muito. E achei, verdadeira e literalmente, delicioso.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Tenho para mim que há um motivo sério para que, para os pais, os filhos sejam os mais lindos do mundo

É que senão vendiam-nos (ou davam-nos) ao circo quando os petizes chegam aos três anos. Ou desfaziam-nos de pancada. Quais terrible twos, quais quê. Penso, aliás, que se não há uma expressão castiça para definir essa idade é porque faltam adjectivos ao dicionário (temíveis três não lhes faz justiça, talvez um terrifatrocious sirva enquanto espero por sugestões). Também já me ocorreu que pode ser para manter esperançada a malta cujas crianças chegaram aos dois anos, que se pode enganar pensando que já passa, que é uma fase que não tarda nada termina. Tretas. Hoje nem sei como a miúda saiu inteira do quarto. Espanta-me ainda mais que tenhamos saído ambas a cantar, enamoradas uma da outra como se vê nos filmes. Não sei que anjo baixou em mim, mas eu hoje, se pudesse... ai se eu pudesse...

Palavra, às vezes apetecia-me ler menos livros, revistas, e blogs sobre educação, e assim ceder mais facilmente ao impulso da palmada. Ou fazê-lo sem me sentir a pior mãe do mundo. Penso nas mães que conheço e vejo-as tão compostas, tão meigas, e eu...

Dizem os livros que se faça o "positive reinforcement" e eu re-inforço muito positivo, chego mesmo a sentir-me uma personagem da Rua Sésamo de tantos louvores: "a mamã gosta muito quando pedes se faz favor", ou "eu gosto muito quando és meiga". Todavia nem sempre consigo. Lá está, sou eu quem tem de saber comportar-se para a ensinar, se as lições correm mal a responsabilidade é minha e só minha, mas há momentos em que já não aguento mais, quando todos os meus botões foram pressionados e só vejo vermelho à frente. Hoje foi um desses momentos (uma dessas manhãs, melhor dizendo). Mas eu mantive a compostura e saímos do quarto felizes depois de uma luta de quase duas horas que me obrigou, alturas tantas, a sentar-me em cima das pernas da rapariga e a segurar-lhe nos braços para que não me pontapeasse ou batesse. Sim, a birra foi quase épica. Mas a fera foi domada. Por hoje. Uma de nós aprendeu a lição. Espero que tenha sido ela.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Paulatinamente, começa a invasão

A minha filha adora borboletas, e uma das suas brincadeiras habituais é, enquanto desliza vagarosamente pelo chão, dizer que é uma caterpillar, dizer que comeu uma leaf, que esteve num cocoon duas semanas e que agora é uma bâtâfuai (assim mesmo, nas duas línguas em simultâneo) (a inspiração vem daqui). E ainda hoje lhe comprei umas asas de bâtâfuai, que ela usa para dançar (entenda-se rodopiar até cair no chão, de tão tonta). Portanto pareceu-me apropriado (ou menos doloroso) que a invasão começasse assim:

Barbie Fairytale


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Da (grand)maternidade vista dos dois lados do oceano

Ontem à noite, enquanto skypávamos com os meus sogros, americanos, e que vivem na Califórnia, mamãe contou à minha sogra que o biscuit estava a dormir no quarto dela, levando-o até mim quando é hora de mamar & mudar a fralda. Estavam embrenhadas em gargalhadas pela brejeirice de mamãe, feliz por "ter um homem na sua cama", palavras da própria, quando a minha sogra lhe disse que ela era uma "excellent grandmother" (que é). Mamãe não pensou nem um segundo antes de lhe dizer que não, o que é realmente é uma "excellent mother", que isto de andar com o baby de um quarto para o outro é feito pela sua filha, moi-même, e não pelo neto (piqueno faz muitos barulhos enquanto dorme e não me deixa dormir).

Comendas, reconhecimentos, e agradecimentos à parte, que mamãe merece todos e ninguém está mais grato do que eu, é interessante notar o desprendimento que os americanos têm em relação aos filhos. Podeis dizer-me que é um exemplo só, que não é do grão que se faz a colheita, que é apenas mais um estereótipo, mas eles andem aí, amigos, eles existem mesmo: pais desprendidos, deslargados das suas crias quando já graúdas. Não é mau, é só diferente. Mas eu cá ainda bem que num gasto disso.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hummmm... thanks?!

Hoje, quando fui buscar a minha filha à escola, a auxiliar que normalmente a põe no carro (é escola fina, são as senhoras que nos vêm pôr os rebentos no carro e não nós que os vamos buscar) disse-me "she is the most stubborn child in the world". Na dúvida, vou interpretar o comentário como um elogio.