sábado, 31 de março de 2012

Das avós e das netas

Hoje, a minha cria chegou a casa nesta figura:

Néls rouge, 31 de Março, 2012

E vinha tão, mas tão, mas tão imensamente feliz...
Ai mamãe, que fizeste tu à minha menina!?

Das coisas que (des)aprendemos com os alunos

Começo por avisar que podia ter escolhido um título diferente para este post (que prevejo se venha a tornar numa série não tarda nada). Concretamente, podia ter escolhido "Procrastinação, uma definição", que viria bem a propósito. É que estou sentada à mesa da sala de jantar com o firme propósito de corrigir testes (bem se vê que o meu conceito de firmeza se presta a uma interpretação mais liberal, não sendo portanto nada inabalável, talvez ao propósito lhe falte um pouco de "hirto", agora que penso no assunto).
Mas sentei-me com o tal do propósito, que até agora ainda não mexeu uma palha, e juntos decidimos aproveitar o que resta desta manhã de Sábado para corrigir uns testes (entenda-se "deprimir-me um pouco", é que já aquando da recolha reparei que a esmagadora maioria dos alunos resolveu não responder ao conjunto de três perguntas que valia oito valores, optando ao invés por concentrar a sua sabedoria nos doze valores que atribuí às perguntas de escolha múltipla).
Mas esta primeira abordagem ao teste, durante a qual já assinalei na grelha de correcção as questões a que os alunos não responderam (símbolo de "menos trabalho, menos trabalho"*), já me ofertou a primeira pérola de conhecimento. Ah pois, é que não tenho jamais a presunção de isto ser uma one way street, durante a qual eu só ensino, faço o download de conhecimento (importantíssimo) e não recebo nada em troca. Acabei de aprender, por exemplo, uma palavra nova:

Aventuras na correcção, 31 de Março, 2012

*O "menos trabalho, menos trabalho" é uma ilusão: os alunos que agora tirarem menos de oito valores vão aparecer-me todos no exame, em Julho. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sabes que és casada com um nerd quando...

Recebes, logo pela manhã, um email dizendo "You might be interested to know that, statistically, we are now less likely to get divorced." Isto porque, de acordo com Gordon Dahl e Enrico Moretti  no seu artigo de 2008, The Demand for Sons:

Do parents have preferences over the gender of their children, and if so, does this have negative consequences for daughters versus sons? In this paper, we show that child gender affects the marital status, family structure, and fertility of a significant number of American families. Overall, a first-born daughter is significantly less likely to be living with her father compared to a first-born son. Three factors are important in explaining this gap. First, women with first-born daughters are less likely to marry. Strikingly, we also find evidence that the gender of a child in utero affects shotgun marriages. Among women who have taken an ultrasound test during pregnancy, mothers who have a girl are less likely to be married at delivery than those who have a boy. Second, parents who have first-born girls are significantly more likely to be divorced. Third, after a divorce, fathers are much more likely to obtain custody of sons compared to daughters. These three factors have serious negative income and educational consequences for affected children. What explains these findings? In the last part of the paper, we turn to the relationship between child gender and fertility to help sort out parental gender bias from competing explanations for our findings. We show that the number of children is significantly higher in families with a first-born girl. Our estimates indicate that first-born daughters caused approximately 5500 more births per year, for a total of 220,000 more births over the past 40 years. Taken individually, each piece of empirical evidence is not sufficient to establish the existence of parental gender bias. But taken together, the weight of the evidence supports the notion that parents in the U.S. favour boys over girls.

O meu gajo não existe.

quarta-feira, 21 de março de 2012

What happens in Vegas...

... nem sempre fica em Vegas.*

Cria #2, 20 de Março, 2012

Acho que é qualquer coisa na água, já à Casaco Amarelo aconteceu a mesma coisa.**

*"What happens in Vegas stays in Vegas" é o slogan usado pela Las Vegas Convention and Visitors Authority desde 2005.
**A ideia pimpona do post é toda da própria Inês, que publicou a sua boa nova no dia em que o meu teste (o primeiro de quatro) deu positivo e com quem imediatamente partilhei a alegria (gosto mesmo da blogosfera).

segunda-feira, 19 de março de 2012

Tanto tempo desaparecida e voltas para falar de gulodices?

E há lá melhor assunto?!
Miss ocupated, tão ocupated... os gajos do departamento escravizam-me!
Se me conhecesses saberíeis que digo isto com tom jocoso e acompanhado de um ar de gozo, não o digo maldosamente.
Digo-o, contudo, e apercebi-me disso a semana passada, com uma pontinha (um novelo inteiro) de arrependimento por ter voltado. Também por aquilo que o departamento me está a fazer (ou que eu deixei que me fizesse, coisa talvez pior, pois que aguentar com a frustração por não me ter defendido melhor, por ter deixado que me pisoteassem e se aproveitassem da minha boa vontade deixa-me ainda mais frustrada). E fundamentalmente, por o meu patrão me ter cortado os tais 22.453% de ordenado anual.
Mas voltando ao que me dói na alma...
Não é trabalhar muito, por favor não me interpretais mal, coisa que até gosto bastante de fazer. Aliás, foi fonte de grande satisfação constatar que ainda consigo, que ainda sou capaz, capacidade de que, dois anos integrais dedicados à maternidade volvidos, duvidei com todas as minhas forças. Como me angustiei a este propósito...
O que me faz doer o coração é ter visto a distribuição de serviço docente e ter constatado que, a seguir a um colega absolutamente fantástico e com uma produtividade que vale por pelo menos quatro excelentes profissionais -- ainda por cima um gajo porreiríssimo! -- sou a que tenho mais horas de serviço. De todo o departamento. Tenho cinco disciplinas ao todo, todas diferentes, e três delas novas. Trabalho que nem uma brutinha, sou eu e a produção de bolos em série do Continente (Zitinha, eu juro que não provei, mas até têm bom aspecto...).
Os que estão mais por dentro do assunto poderão lembrar que estou a acumular serviço docente, que não estive cá no primeiro semestre. A esses respondo que, em primeiro lugar, não estar cá não significa que não tenha trabalhado, afinal os três papers que estão na secretária do Barry à espera que os leia/corrija/melhore não se escreveram sozinhos, e nem os textos de apoio que escrevi para uma cadeira caíram do céu, antes fosse. Em segundo lugar, não sou caso único, outros houve a acumularem o serviço. Outro argumento, esse já válido, é que havia débitos (dívidas de horas lectivas) e que havia de pagar. Respondo agora que sim, infelizmente tinha débitos, como tantos outros colegas, mas o que não havia necessidade era de agora ter créditos (horas a haver).
Outra coisa que irrita até ao tutano é que o ECDU, o tal do estatuto da carreira docente universitária (chiiiique!), diz que as horas leccionadas depois das 20:00 valem por hora e meia. Viste-las!? Nem eu, dizem-me que o "departamento não faz" (que se lixe a lei). E ensino cinco destas. Fazei contas...
Fora estas questiúnculas há outras coisas que me estão a doer. São cinco. Cinco dias por semana que estou longe da minha filha, da minha boneca. Vou para a universidade à Segunda ao fim da tarde e só chego na Sexta à quase uma da manhã (tenho ensinado até às onze da noite). Vale-me mamãe, que é melhor avó e mãe do que eu conseguiria ser. Abençoada seja madame e sua ternura para com nossa menina.
Bolas, chega de queixas. Vou mas é trabalhar que amanhã dou aulas até às dez e meia (da noite) e alguém tem de as preparar...
I'll be back! Jeito Terminator para dar mais pedal...

P.S. Não aceito boas e devidamente justificadas defesas para o comportamento do departamento. Só quero comentários que me amaciem o pêlo e digam que estou repleta de razão. Estamos entendidos? Merci!

Diz que vem aí a Páscoa...

Pelo menos na Confeitaria da família, a tal da Ideal, parece (controlo de qualidade das amêndoas de chocolate de leite já efectuado pela própria):

Amêndoas au chiqueláte, Confeitaria Ideal, 19 de Março, 2012

Zita, se me estás a ler fica sabendo que só faço a publicidade das outras mediante prova repetida (não faço a coisa por menos... gulosa, moi?! ai bolas que me lembrei que é suposto estar magra e sem pipocas na cara para o rendez-vous de bloggers...).

quinta-feira, 1 de março de 2012

Prometem prometem... bolas, ainda não é desta

Li o seguinte título da publicidade a um creme da cara:

Todas as mulheres podem ser bonitas


E fiquei logo toda esperançada. Mas depois os gajos estragaram tudo: "Agora, graças à pesquisa Estée Lauder, também a pele das mulheres de meia idade pode ser bonita." Ora obrigadinha, sim?

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pensamento de gaija depois de ter dito que quer conhecer malta blogosférica

Bolas, tenho de começar a fazer dieta já!!!!!!! Mas antes disso vou-me ao croissant.

Pasteis de nata, alguém falou em pasteis de nata!?

Nem vos digo o bem que me soube aquela trinca!, Pastel de nata trincado
de sabor fabuloso comprovado por Maria Bê, algures em Janeiro de 2012

Roadtrip blogosférica is on!
Na confeitaria do costume, com companhia do melhor que se pode almejar. Eu sirvo!
Em jeito de correcção...
Confeitaria não é propriamente, assim de papel passado e tudo, que é coisa de gente fina e que miss Izzie, diz que é das leis (ai a canseira), corrigiria de dedo em riste se fosse dada a esses dedilhares, que cá entre nós imagino que não, de Maria.
Ora confeitaria "de" Maria Bê começou, em 1939 (ah! pois, é antiga, coisa do século passado e tudo, que pensais), por ser propriedade de seu avô, Alvarinho de seu nome terno versão esposa amantíssima, que por este estaminé até já andou a fazer versos por ocasião de um episódio assoberbado de orgulho familiar (pergunto-me que nome técnico lhe daria a desempoeirada Mariana, moça de aprumado conhecimento médico e com o bom gosto de morar mais perto de yours truly).
A Confeitaria, Ideal de seu nome, propriedade de avós de Maria, Bê que podia ser de Bolo mas infelizmente cai mais para o Bolacha, é actualmente propriedade das tias de Maria, Clara e Zita, cujo nome aqui digo para que quando lá fordes perguntardes como vai sua saúde (bem, muito obrigada, ainda que tenha dias, que é como diz o povo e por cá há de facto uma vertente a tender para o popularucha).
Foi então na Confeitaria Ideal, rezará um dia a história, que se organizou, muito por obra e graça(s) de Madame Rita das Marias, moça com as melhores das intenções (ainda por cima tem família de perto -- pfff, é óbvio!) memorável e prazenteira reunião de uma comunidade blogosférica supimpa e para a qual faltam a esta que agora vos escreve, entre preparação de aulas de estatística, comércio internacional, métodos quantitativos, e macroeconomia (acho que aqui incluí tudo), adjectivos mais qualificativos.
Dizei quando, amigos (escreveria amigas mas sei que por cá se passeiam uns quantos amigos, gajos obviamente porreiros e amigos de um seu amigo, neste caso amiga).
Filha, dirá mais tarde mamãe, escreveste tudo sem ler (mais uma vez?). Sim, mamãe, escrevi e publiquei assim mesmo, que tenho de ir trabalhar mas tenho mesmo de dizer a esta gente que me lê (e que é minha) que sim, que voto no "sim" de nos reunirmos na Confeitaria Ideal.
Pasteis de nata on me.
Domingo de Páscoa é capaz de ser difícil, que por lá é mais pão-de-ló. De Ovar? Não, pá, que aquilo
é em Oliveira de Azeméis, algures entre Aveiro e Porto, sítio onde se come, segundo a D. Emília, a tal avó de Maria Bê, "muito e não faz mal".
Um sorriso com migalhas nos cantinhos da boca!

P.S. Desculpai-se-me a ausência, mas Bê, que miss DNC teima em chamar giraça (coro sempre que o leio, tolita, obrigada pela mensagem!!!!!!!), anda mesmo ocupada até aos cabelos (que são compridos, malta, compriiiiidos)...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Migalhas (de chocolate) de felicidade, uma definição

Ir à secretaria da escola pedir desculpas por me ter esquecido de lá passar ontem, em busca do mítico bolo de chocolate com coco da M., e ela dizer-me que tem uma fatia guardada para mim.
Assim, num tupperware no frigorífico, uma fatia de céu à minha espera.
Alguém me diga que não nasci de rabo viradinho para a lua que eu mordo-o!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Desilusão, uma definição

Na primeira aula de uma das minhas (cinco) disciplinas tinha, no primeiro slide do Power Point (isto é só nível!), a seguinte provocação:
What do you get when you cross the Godfather with an economist?
An offer you can't understand.
Nenhuma, mas nenhuma daquelas alminhas conhecia "O Padrinho". Nem uminha, snif, snif. Inda num estou em mim...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fico doida de felicidade com o sucesso dos meus amigos!

Mas doidona mesmo! E partilho dos seus sucessos como se fossem pequenas vitórias minhas.
Numa fábrica de sapatos perto de si...

Helsar, 24 Fevereiro de 2012

... um Presidente da República português.

Maria partilha conhecimento

Ontem, numa aula de mestrado, falou-se da Revolução Russa. Um aluno em particular mostrou-se tão interessado que lhe prometi ir estudar mais sobre o assunto para que a conversa fosse mais interessante. Descobri, entre uma leitura e outra, esta citação que não resisti a partilhar:
Se para a salvação do espírito é necessário o arrependimento e para o arrependimento acontecer é preciso o pecado, então o espírito que quer ser salvo deve começar pecar o quanto antes.
Para além de aparentemente difícil de matar, parece-me que o Rasputin não era doido de todo.

Inda tás viva, melhér?

A dar cinco cadeiras diferentes e vinte e uma horas e meia de aulas, tem momentos que confesso que nem sei.*
Afinal parece que a miss num esqueceu de como vender aulas (ou acha que não, o que vale o mesmo e sempre 22.453% menos de ordenado). Questiono-me existencialmente se trabalharei menos 22.453% do que antes. Agradeço sugestões.
Gros bisous!



*Vinte e uma e meia porque as horas leccionadas depois das oito da noite valem por uma e meia. Talvez seja das poucas alturas em que três até são quatro meia.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ainda nem sei que pensar disto

Hoje voltei ao activo e fui dar um ar da minha graça até à escola onde ensino. E, de regresso ao gabinete que partilho com mui ilustre colega, apercebi-me de que o aquecimento está ligado (em todos os gabinetes, não é só meu). E dei-me por tão feliz quanto surpresa. Ainda nem sei que pensar disto.