domingo, 12 de fevereiro de 2012

Pneuzinho, uma definição

Não sou nada destas coisas, de trazer para o blog clips do Facebook ou de fazer forwards de piadinhas, mas desta teve mesmo de ser:


Ouviu, mamãe?
By the way, costumo corrigir quem me sugere que estou "mais" gorda explicando simplesmente que "há mais de mim para amar".

Happy birthday to me!


Que é como quem diz ao meu blog. Já fez um ano, o moço.
E lembro-me tão bem do primeiro dia...
Foi rápida a decisão, estava na fila dos correios e decidi, materializou-se naquele instante o propósito. A vontade não era fresca, pelo contrário, mas tolhia-me a incapacidade de responder ao porquê. Porquê mais um, porquê o meu. Angustiava-me a vontade de ser lida por outros que não me conhecessem. Acho que nunca fantasiei em tornar-me numa Pipoca nem numa Pólo Norte, mas mexia comigo a vontade de ser lida. Os meus primeiros posts foram dedicados a esta temática, à qual nunca voltei porque depois de tanta introspecção ainda só cheguei à conclusão de que "porque sim", que nem me interessa a mim nem aos poucos queridos que comigo vão viajando, ora entre cactos e atentos a escorpiões, ora entre padas-de-Ul e pastéis de nata da Confeitaria Ideal.
Mas a verdade é que, ainda na fila do correio, acedi ao site do blogspot e aí criei um perfil. Nome, nome, nome, qualquer coisa que eu goste, que seja eu... aí não demorei nem um segundo: bolachas! Cookies cookies cookies!!!!! À terceira foi de vez, e em jeito de homenagem ao Herman e a uma expressão que vá-se lá saber como consigo incluir na minha verborreia habitual, apareceu o "eu é mais bolachas". Curiosamente sem ainda incluir uma única receita, mas sempre em expectativa (já recebi uma, de bolachas de aveia, que a preguiça e a falta de tempo ainda não me permitiram executar mas está lá, bem guardadinha no mail, à espera de melhores dias).
Aos que me acompanham nesta aventura, um abraço. Doce. Como as bolachas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Das coisas boas das lembranças


Receber um email de uma amiga a dizer-me que uma espécie asiática ameaça joaninhas europeias, e que não o acha nada bem.
E assim dizer-me, com palavras que me afagam o rosto e me estreitam em abraços apertados, que se lembrou de mim.
É que Maria, a tal que se diz e cujo derrière revela ser mais bolachas, também é mais joaninhas. Com pintinhas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crónicas de uma viagem anunciada #2


Adoro dar música...

Crónicas de uma viagem anunciada

Já cheguei (em rigor, já chegámos).
Cria dormiu um total de quinze minutos durante a viagem, mamãe foi super-avó e tratou dela o voo Newark - Porto inteirinho.
Aprendi que dar autocolantes aos putos é quase tão bom como levar o iPhone cheio de vídeos, às vezes melhor. Tenho p'ra mim que nada nunca tão eficiente como uma marretada no cocuruto, mas tenho algum pudor em experimentar.
Decidi que o choque cultural devia ser confrontado rapidamente em vez de evitado e portanto foi ver-me, depois de uma sesta ligeira, de carrinho das compras no Modelo/Continente. Terapia de imersão não recomendada a almas menos fortes.
Faz hoje uma semana que estava de voyage. Eu não acredito que já passou quase uma semana, hoje ainda é só Quarta-feira. Não tarda nada desejo-vos um bom fim-de-semana.

domingo, 22 de janeiro de 2012

E quanto tempo falta para vires para Portugal?

Ainda bem que perguntais.
Saímos de Phoenix amnhã, às 7:05 (hora local, amigos, sempre hora local), saímos de Newark às 18:55, e com sorte, bons ventos, um bom capitão, e a mecânica da TAP nos trinques, aterraremos no Porto às 7:00.
É também por isso que tenho andado tão por fora destas lides. Tenho tantas, mas tantas, mas tantas coisas para fazer/empacotar/comprar/emalar/emailar/coordenar/lavar/dobrar/listar/...
Bolas, que nunca mais inventam aquelas coisas do Star Trek para um gajo estar num sítio num minuto e noutro no segundo a seguir. Viajar só é bonito e elegante quando em primeira classe e sem cria a reboque... eu a sério que não nasci para ser pobre...
Portugal, here we come!

Das delícias de ter uma filha bilingue #5

Quiçá fruto do meu desconhecimento do que por terras lusas se faz quanto ao polimento da criançada, é daquelas coisas que aprecio nos americanos (se for o caso, desculpai-me e por favor atribuí esta minha admiração desfasa ao emigrantamento e corrigi-me meigamente, afinal hoje é Domingo): o treino para a cortesia.
Sempre que pede alguma coisa, seja água, uma "chacha" (bolacha, ah pois!), ou o Pocoyo, a minha filha sabe que tem de usar a palavra mágica (reconhecendo mesmo a expressão quando a afoiteza leva a melhor e por isso repete, sem sinais de esmorecimento, o que quer que deseja naquele momento). Nunca lhe tendo ensinado "por favor" ou "se faz favor", lá vai dizendo um "pizzzzzzzzzzzzzse" que me soa ao mais delicado dos "please".
Mas ontem ao jantar saiu-se com outra igualmente engraçada, expressão que o marido, que a levou para uma manhã de daddy-bunny fun time at the zoo, disse ter sido corrente ao longo do dia.
A minha filha, coisa linda desta mãe, a dois dias de fazer dois anos e quatro meses, depois de obter o que quer, diz:
"Thank you much". Assim, sem ser preciso escrever foneticamente e tudo.

(Já faltou mais para este se tornar um baby blog... Vale-me o surrealismo que me permite ir negando, quanto mais não seja a mim mesma...)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Uma questão de expectativas, hoje faz sol (o que, a bem dizer, não é novidade nenhuma)

Maria, ocupada até às orelhas na preparação das suas aulas de macroeconomia, persiste na sua tentativa de vos ensinar qualquer coisinha de economia.
Desta feita, e uma vez que estou a escrever um capítulo sobre a génese da macroeconomia (zzzzzzz zzzzzzzzz), trago-vos um ensinamento p'rá vida (ainda por cima tem a mania).
E vem isto a propósito do conceito de expectativas racionais, cunhado por Robert Lucas na década de 70. Lucas, talvez Bob para os amigos (raio de nome para se chamar ao vencedor do Prémio Nobel da Economia de 1995), estendeu o conceito de racionalidade dos agentes vulgarmente usado na microeconomia e adaptou-o à macroeconomia sob a forma de expectativas racionais, segundo o qual as pessoas eventualmente se apercebem do modelo económico usado pelo governo e portanto antecipam as suas medidas. Se, por exemplo, o governo resolver aumentar a oferta de moeda para reduzir o desemprego, esta medida só funciona se o aumento for superior ao esperado ou completamente inesperado. Só os choques monetários inesperados ou a sua componente inesperada podem ter efeitos reais (sobre o emprego, produto, coisas assim que não tenham a ver com preços).
Mas isto seria apenas blá blá económico (interessantíssimo, apesar de tudo), não fosse a lição de vida que aqui vos trago.
Estais atentos?
E agora?
Quando, em 1988, Lucas se divorciou da sua mulher, ela incluiu nos termos do divórcio uma cláusula que estabelecia que 50% dos ganhos que ele recebesse com a atribuição do Prémio Nobel seriam dela, cláusula essa que expirava a 31 de Outubro de 1995. Lucas ganhou o prémio a 10 de Outubro desse ano. Uma piada entre os economistas é que a ex-mulher do Lucas, Rita, tinha expectativas racionais.
Ora!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Das delícias ter uma filha bilingue #4, Uma cowé uma vaca!

Descobri recentemente via Monsieur Bolacha, que consegue tudo da cria sem que esta pareça uma encarnação da menina do exorcista, que posso usar o iBicho para me ajudar a vestir a criatura e a mudar-lhe a fralda (não vou dizer que também já descobri o truque do Pocoyo para lhe dar a papa de manhã porque, como sei que este blog é lido por quem entende destas coisas e eu acho que ainda posso esconder a minha falta de habilidade por mais algum tempo, pumba, não digo nada). Sou uma mãe horrível e prometo ir autoflagelar-me só um bocadinho assim que acabar de escrever este texto.

Hoje de manhã, cria desnuda no muda fraldas. Tem o meu telefone na mão e já viu o Twinkle Twinkle Little Star, que adora e chama "couuxas" três vezes. Como estamos a usar a app do Youtube, quando acaba o filme aparece uma lista de possíveis interesses. Um deles é o Old MacDonald (had a farm, ia-ia-oooo!). E moça pede "cow, cow, mamã". Ante o meu ar confuso, explica: "vaca".
Coisa linda desta mãe!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Das delícias ter uma filha bilingue #3, Spop it!

É o que me diz a minha filha, de sobrolho carregado e ar impossivelmente mais carrancudo.
Hoje de manhã adicionou-lhe uma coreografia, um pé rechonchudo que bateu no chão -- mas onde é que ela viu isto!?!
A frase é minha velha conhecida, costumo usá-la in extremis, normalmente no carro quando está a tirar as cintas da cadeira dos ombros. Nada me vale, é raro chegar ao nosso local de destino sem que pelo menos um braço tenha encontrado o seu percurso libertador e o ombro correspondente esteja já solto. Um perigo, uma chatice, e um "stop it!" dito o mais sério e mau possível.
Que agora decidiu morder-me o rabo. Ainda por cima com um pézinho. Rechonchudo. A bater no chão.

Dúvida existencial a um Sábado de manhã de Janeiro

Maria está, coisa pouco habitual, às voltas com o seu Facebook. Sente-se arrojada e clicka no botão "people you may know" (faz-lhe impressão a versão em português que mamãe usa). E aparece-lhe, entre tantos outros, seu querido orientador de tese de doutoramento (o gajo é mesmo simpático). Adiciona, não adiciona, adiciona, não adiciona...
E prontes, é isso.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Optimismo, uma definição

Marcar uma consulta no oftalmologista para uma Sexta-feira 13.
E eu que ando tão pitosga...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

É internar-me já!

Amigos, o adjectivo workaholic não me descreve. Estou para além disso. Marido ontem brincava dizendo que sua Maria tem apenas dois modos de trabalho, on e off.
Ultimamente Maria tem estado apenas on, Maria só trabalha, Maria só prepara aulas, Maria só vê Macroeconomia à sua frente, só estuda os agregados nacionais (o tal do PIB) e faz continhas com índices de preços. Maria tem arrepios só de pensar no tanto que ainda tem de estudar para se preparar. E Maria sua as estopinhas para transformar a disciplina numa coisa interessante e que motive.
Maria anda desinfeliz de tanto que trabalha. Quase nem sai, dias há que quase nem sai de casa e areja o queijo.
É internar-me. Já.
Saudades...

domingo, 8 de janeiro de 2012

O trabalho doméstico e o PIB

Sim, amigos, a economia está mesmo por cá em full force, que é como quem diz em potência.
A culpa não é minha, afianço-vos, juro-vos! A culpa é destas aulas que ando a preparar (talvez a expressão "com as quais ando a obcecar" seja mais apropriada).
Então hoje, mamãe e Maria conversavam sobre o muito trabalho doméstico que mamãe tem feito de maneira a que esta vos saúda se possa vestir de workaholic, roupagem que, vá-se lá saber por obra de que economista abençoado ou homenageado ou doutorado honoris causa, ainda serve, e assim preparar o material de apoio que distribuirá aos seus pupilos.
E a conversa versou, alturas tantas, sobre a contribuição de cada uma de nós para o PIB, que quer dizer Produto Interno Bruto. Produto quem, perguntais já a pensar se é desta que desistis de cá vir malbaratar vosso tempo, ou se não tanto desistir da minha companhia, pelo menos se é de parar já por aqui que o texto parece vir ratado e por isso xô!
Amigos, tende calma que eu vou com jeitinho.
O PIB é, tão simplesmente,
o valor de mercado de todos os bens finais e serviços produzidos por um país durante um determinado período de tempo.
E podia agora ficar a explicar as implicações de cada expressão nos parágrafos acima, desde isso do "valor de mercado", passando pelo "produzidos" e pelo "finais" até chegar à parte do "período" mas, porque vos estimo, é passar à frente.
E pronto, mamãe dizia-me da sua produção durante o dia (pelo menos o jantar foi um absolutamente delicioso arroz branco com lulas) e que tinha contribuído muito para o PIB. Indirectamente, talvez, ao deixar-me trabalhar, expliquei.
É que o trabalho doméstico, a bem dizer qualquer trabalho efectuado para autoconsumo, como o cozinhar, limpar, ou tomar conta das crianças ou dos idosos não é considerado pelo PIB. Essencialmente por razões de ordem prática, afinal como medir -- entenda-se avaliar -- o trabalho de alguém na sua casa? Por exemplo, como avaliar o valor da refeição preparada por uma mãe CEO com salário milionário a cozinhar para o filho? Será que este valor difere do valor da refeição preparada por uma mãe que recebe o salário mínimo; e se o pai ajudar a descascar as batatas enquanto toma conta de um filho e ajuda o outro nos trabalhos de casa, como se divide o tempo entre as tarefas?
Mamãe não gostou da observação e remeteu para o arquivo a minha explicação. Que se dane o PIB parece ser a opinião, trabalhou que se fartou.
E as lulas, amigos, as lulas estavam a derreter na boca.