quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Das consequências de amigar mamãe no Facebook, parte 3 5/8

(a saga continua)
Confesso aqui o meu espanto: tantos "Like" no Facebook, tanto comentário abonatório e ainda ninguém comentou que o cabelo está um horror, as raízes estão medonhas (eu fiz madeixas em Portugal há quatro meses). Conclusão:
-- Esta malta não dava para juiz em púgama féshion-coiso.
-- A amizade tem um filtro tão bónito!

Estou a perder o juízo

Lentamente, pepita a pepita.
Imagino que perder o juízo seja tarefa para levar o seu tempo, como um copo (flûte?) cheio com um furinho pequenino no fundo que se esvai gota a gota. Imagino que não seja coisa repentina, como perder umas chaves, uns óculos de sol, um livro, ou um casaco, que são meros instantes de distracção e depois puft, foi-se.
O meu juízo está a ir embora devagarinho, sei-o. E só não garanto que sinto as teias de aranha a aparecerem nos espaços onde antes habitavam células que eu imagino gordas e saltitonas como os glutões do OMO porque, enfim, ainda me resta algum. Juízo, quero dizer.
Não sei bem a que se deve esta diminuir da capacidade, talvez a causa seja única, talvez não.
Começaria por culpar a gravidez e o pós-parto. Os americanos têm uma expressão muito adequada, "mommy brains", que explica, baseados no cansaço e na privação do sono, o desmemoriamento das mamãs (e as crises existenciais, digo eu). Estudos científicos, porém, parecem indicar precisamente o contrário, que o cérebro das mamãs cresce:
E eu que pensava estar no bom caminho... humph!
A seguir na lista de possíveis culpados vem esta vida de quase pária. Estou longe de tudo e de todos, e os meus contactos sociais são poucos, resumindo-se à minha filha, ao meu marido, à senhora do ginásio que verifica o cartão e me dá as toalhas, as baby-sitters do dito ginásio (sobre isto hei-de escrever um texto), os caixas do supermercado, e as professoras da escolinha da cria. Mas Maria, perguntais já V. Exas., "tu pareces ser tão boa pessoa, não tens amigos?!" -- notai que até ali pus o ponto de exclamação para denotar bem a vossa surpresa. Tenho, tenho, mas estão todos muito ocupados, e só nos vemos, com um bocado de sorte, uma vez por mês. Fora as conversas via Skype, as trocas de comentários e chats no Facebook, os mails, e este mesmo cantito, a minha vida social resume-se a isto. Se eu ao menos fosse um nadinha esquizofrénica talvez me sentisse mais acompanhada, e poderia ter discussões bem mais inteligentes comigo própria, quiçá uma das minhas outras personalidades pudesse ser uma rocket scientist, outra uma especialista em literatura, e a outra em música, garanto que assim seria bem mais divertido. Acho que me faltou aqui uma fashionista hard core para me dar umas sugestões de vestimentas glamorosas, mas que venha, então.
A terceira causa, ligada às duas anteriores, é a licença de vencimento, a ausência do ritmo de trabalho, de que eu gosto tanto e tanta falta me faz. Deixem-me trabalhar!!!! como dizia o outro. Trabalho é coisa que não me falta, desde aulas de disciplinas novas que tenho para preparar e os papers da tese quase quase quase prontos para mandar para os journals (sorry pelo jargão académico, achei que daria um ar distinto à coisa).
Se a causa é apenas uma ou se são várias misturadas, não sei. Só sei que há dias me esqueci de uma reunião que tinha sido marcada e cuja ocorrência foi sobejamente lembrada durante a manhã e depois, às duas da tarde, foi-se, e hoje mamãe mandou-me uma mensagem a dizer que lhe marquei o voo de regresso a Portugal no dia errado, exactamente uma semana depois do meu.
Juízo, bye-bye, gostei muito deste bocadinho.

Fartura, uma definição #3


A minha filha tem três tipos de fraldas: no sentido dos ponteiros do relógio tem as fraldas para a noite, que eu espero tenham uma maior capacidade de absorção que as demais (e parece que sim), tem as fraldas para o dia, cuja função é clara e as explicações são desnecessárias, e tem as fraldas pull-up, que são mais em modo cueca e que se facilmente se puxam para cima e para baixo (a minha preferência indo para o sentido ascendente, a da cria nem por isso).
Tanto menino a precisar de fraldas neste mundo e a minha filha a não querer usar nenhuma.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Das consequências de amigar mamãe no Facebook, parte 2 1/2

Estando mamãe de Maria e a própria em amena cavaqueira no Skype, deu-se por um acaso do destino que a conversa abraçasse o seu post mais recente, dando hipótese a que decorresse o seguinte diálogo, mais ou menos fielmente transcrito consoante a memória desta vossa amiga:
Mamãe: "Não percebi."
Maria: "Então, foi a propósito daquele teu comentário sobre a minha foto do perfil."
Mamãe: "Oh, mas gostas mesmo de te ver naquela fotografia?"
E continua dizendo, por exemplo, que "agora estás muito mais bonita", como se as câmaras dos computadores ajudassem à beleza das misses. Deve ser das saudades... Ou é disso ou é da idade, que já ouvi dizer rouba em visão (o que cede em afectos, termino eu).

Adenda: A pedido de várias famílias (mamãe faz melhor pressão que três lobbies juntos), Maria já mudou a sua foto de perfil no Facebook. É mais fácil assim.
Adenda verdadeiramente importante: quando o Miguel aprova a mudança, a malta sabe que fez bem.
Adenda terceira: grande aglomerado de pessoas (praí umas três ou quatro) faz "Like" na fotografia e/ou aprova a mudança. Maria tem a certeza que fez bem. Maria jura a pés juntos jamais dizer a mamãe que tinha razão.

Das consequências de amigar mamãe no Facebook

Mamãe: "A sério que achas que estás bonita na tua fotografia do perfil?".

Mães: a inventarem beleza nas suas crias desde tempos imemoriais e hoje em dia a culparem as câmaras/fotógrafos/iluminação/... quando nem a imaginação lhes basta.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A silly season está de volta, desta feita com guizos

(Afinal, é Verão no hemisfério sul...)
Nas lojas já se ouvem as melodias natalícias, do "Jingle Bells" ao "It's beginning to look a lot like Christmas!", nas portas já se vêem grinaldas de pinhas, pinheiros, ou poinsettias (uma flor natalícia de pétalas muito vermelhas), nos carros já se vêem hastes das renas
Espera.
Nos carros já se vêem hastes de renas ?
Sim. E só não se via o nariz, vermelho à la Rudolph, porque estava na frente.

Carro Rena Natalícia 26 de Novembro, 2011

Carro Rena Natalícia, 27 de Novembro, 2011

Não querendo que vos falte nada, encontrais os corninhos de rena para carros à venda aqui.

domingo, 27 de novembro de 2011

Portugal causa Fado ou Fado causa Portugal?

Toda a (minha) blogosfera fala de fado e eu não quero ser diferente (já há dias dizia ao Luís que tenho espírito de manada (para o que me interessa) e portanto cá estou a mais o fado). Venho todavia partilhar com o pequeno mundo que me lê uma perspectiva ligeiramente diferente, altamente estimulada pelo pedido do Tolan, ontem, de anedotas de matemática, sobre o Bartoon de hoje, e sobre o comentário absolutamente delicioso da minha Cris, uma nerd assumidíssima que é tão linda quão é inteligente (o que, no caso da visada, é mesmo dizer qualquer coisa).


E o comentário brilhante da piquena:
País "Granger-causa" Fado & Fado "Granger-causa" País.
Nota para os menos econometric-inclined: A Causalidade de Granger (ou Granger causality, desenvolvida por Clive Granger nos anos sessenta) verifica-se quando é possível, a partir de valores passados de uma determinada variável, prever o comportamento de uma outra variável melhor do que se fossem usados somente valores passados desta. Uma explicaçao bem mais clara dada pelo próprio Granger:
The basic "Granger Causality" definition is quite simple. Suppose that we have three terms, Xt , Yt , and Wt , and that we first attempt to forecast Xt+1 using past terms of Xt and Wt . We then try to forecast Xt+1 using past terms of Xt , Yt , and Wt . If the second forecast is found to be more successful, according to standard cost functions, then the past of Y appears to contain information helping in forecasting Xt+1 that is not in past Xt or Wt . In particular, Wt could be a vector of possible explanatory variables. Thus, Yt would "Granger cause" Xt+1 if (a) Yt occurs before Xt+1 ; and (b) it contains information useful in forecasting Xt+1 that is not found in a group of other appropriate variables.
Ainda que a causalidade de Granger seja comummente aplicada no domínio da economia, a sua utilidade é bem mais vasta, aplicando-se, por exemplo, no domínio da neurociência para estudar o processamento da informação de uma parte do cérebro para a outra.
Cheira-me que a resposta à pergunta de cariz tão filosófico quanto estatístico do título não anda muito longe da significância exacta da palavra.

sábado, 26 de novembro de 2011

Blogosfera don't

Até nem é que tenha acordado de rabo para o ar, mas parece que o PMS veio para ficar mais uns dias, e eu might as well enjoy it numa de "se não os podes vencer junta-te a eles" ou "if life gives you lemons, make lemonade". Assim como assim é melhor do que "a galinha da vizinha dá mais ovos do que a minha", o que é absolutamente verdade tendo em conta que eu não tenho galinhas (e as pombas e rolas que teimam em brindar o pátio com a sua caca e a quem eu ofensivamente chamo "chickens" não contam).
Na blogosfera há umas coisas que me vão comichando. Uma delas são os bloggers com caixa de comentários que não comentam as respostas dos seus leitores. Irrita-me, pronto.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sexta-feira negra

Hoje sei que fui má mãe. E não, não escrevo com sarcasmo, com ironia, ou a tentar ser engraçada. Hoje, sei, sinto-o, fui má mãe. Ou não fui boa mãe, o que redunda no mesmo.
Há já algumas noites que a minha filha não dorme bem. Acorda, chama-me. Mamããããã! E vai aumentando o volume até que, rendida ao facto de que não voltar a adormecer, me levanto e vou ver o que se passa. Normalmente encontro-a de pé, uma perna de fora do berço como se fosse tentar sair por ela própria. Fá-lo sem convicção, ambas sabemos que tem medo de cair como já aconteceu no passado e se estatelou, de cabeça, no chão. E espera-me ou ao pai assim, de perna de fora. Também já aconteceu ir encontrá-la toda nua, a dizer "cocó, cocó", seguido de um "piúúúúúú", que é um "blherc" mas à americana que a minha sogra lhe ensinou. E se ontem foi uma fralda com algum chichi, hoje foi a sede. "Auei, mama, auei". Voltou à cama depois de uma fralda nova, uns golinhos de água, e um "Is ca pé", a música do Verão e que não é mais do que o verso "Diz também que me adoras" da música do Barney.
Às oito da manhã já estava a chamar por mim outra vez. Abri os olhos como se estivesse a abrir umas portas pesadas de dobradiças presas. Sentia-me amarrada ao sonho que ainda estava a ter, perdida, nem acordada nem a dormir nem coisa nenhuma. "Mamããããããã". Levantei-me a custo, tonta. O pai já lá estava, a fralda já estava mudada.
Vimos para baixo, despe-se. "Chichi, mamã". Vai buscar o pote. Senta-se. Levanta-se. Corre pela casa. Marido diz-me que ela não pode andar assim, vai fazer chichi ou cocó no chão ou no tapete ou sofá e não pode ser. Ele sobe ao primeiro andar para tomar banho. Passado um bocado ela chega à minha beira já nua. Não quer fralda, não quer calças, não quer camisola. Também não quer meias nem sapatos, tem os pés frios.
Passam umas horas e já ambas temos o banho tomado. Mais uma luta para por a fralda. Não se quer vestir. Pomos a fralda no Coelino, ligo a caixa de música com as joaninhas que toca o Fur Elise mas nem o rodopiar das joaninhas a distrai. Entretanto está muito congestionada, é preciso pôr soro no nariz e aspirar a ranhoca. Nova luta. Peço-lhe que pare, faço cara feia, dura, digo-lhe mesmo "stop". Nada a demove. Levanto a mão. Pergunto se quer "tau-tau". Diz-me que sim. Eu ignoro sorrindo um sorriso só meu. Continua a debater-se. Digo-lhe outra vez "tau-tau". De repente nem penso, uma palmada.
Faço-lhe entretanto o almoço. Sobrou pato ontem do jantar e eu acrescento-o ao arroz que estou a cozer. Costuma gostar muito de arroz de pato. Telefona a minha mãe enquanto cozinho. Digo-lhe que estou cansada, que estou aborrecida, talvez com um PMS medonho. Discutimos viagens, discutimos o desfraldar da miúda, discutimos as férias de Natal que se aproximam. No meio disto tudo discutir é a palavra certa, estou incapaz de conversar. A miúda já está outra vez sem calças. E tira a fralda. Não se quer sentar no pote. Vai andar de triciclo enquanto diz "fesquinho".
Lá a convenço a pôr a fralda, o arroz já arrefeceu o suficiente para que coma. Até ligo o Pocoyo. Cospe o arroz e o pato. "Prrrrrrrrrrgh" vem tudo fora, não quer nada. Desligo a televisão, mostro-lhe que sem o arroz não há Pocoyo. Está chateada. Eu estou para além disso, a paciência e ternura infinitos que imagino apanágio das mães perfeitas hoje não me assistem, não lhes vislumbro nem uma sombra. Ela não quer nada, só quer tirar a fralda. E tira.
Já nem o que leva a quê. Levanto-me irritada. Chego à banca da cozinha e pumba, atiro com o prato para dentro da banca com violência. Rico exemplo, penso. Há arroz e pato e prato por todo o lado. Isto de partir a loiça é muito bom nos filmes ou nas novelas mas nem por isso na vida real, onde os pratos estão sujos e a comida tem gordura. A miúda está estarrecida. Quer colo, quer vir para minha beira. Agora há pedacinhos de louça pelo chão, pode cortar-se. Não há colo. Chora.
E eu só quero sair daqui. Só quero que alguém lhe dê um colinho por uns minutos. Até nem quero que a sujeira que fiz seja limpa, não. Só quero que alguém tome conta da miúda para eu apanhar ar.
Há dias assim. Hoje foi um deles.

Nota: Eu tenho uma vida muito porreira e sei-o. Mas viver com um marido workaholic numa cidade onde não tenho ninguém para tomar conta da miúda para eu poder sair por umas horas e tratar de mim ou das minhas coisas custa-me muito. Há mães que levam os filhos para todo o lado e adoram. Eu não. É uma chatice levá-la, por exemplo, às compras. Nem sempre nem nunca. Eu nunca tenho o sempre. Eu tenho sempre o nunca. E a escola, não ajuda? Sim, ajuda. Mas ela está na escola nem chega a três horas. Parece que acabei de me sentar, responder as uns mails, e já é hora de a ir buscar. Almoça. Faz uma sesta de poucas horas e tudo recomeça. Quero sentar-me a escrever, a trabalhar, as interrupções são constantes. A vida não pára e há sempre coisas a fazer. E estou cansada. Hoje estou mesmo muito cansada.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Happy Thanksgiving

When in the US, do as the Americans.
E por cá daremos então as graças devidas e que felizmente são muitas. Todavia com pato, que estou nos EUA mas sou bem mais portuguesa. E uma portuguesa que gosta de pato.

Se tudo o mais falhar: sugestão musical para um dia de greve

Full disclosure: a autora declina quaisquer responsabilidades sobre o equilíbrio emocional de V. Exas. depois ouvir a canção. A própria revela não ter ainda conseguido parar de cantarolar o refrão, para gáudio de sua cria, divertimento de seu amantíssimo esposo, e horror da própria.
"Não tenho nada
Mas tenho tenho tudo
Sou rico em sonhos
e pobre, pobre em ouro
E o que me importa
Pois só por ter dinheiro
Não compro amigos, estrelas
O amor verdadeiro!"
Nada como as pequenas coisas para nos fazer lembrar que "o melhor da vida são os amigos", já o diz a canção. E, já agora, ainda que o dinheiro não compre estrelas, compra a possibilidade de as nomear, seja com um "Estrelinha" para os limitados na imaginação, "Pocoyo" para os sleep deprived pais de crias pequenas, ou "Lyonce" para os fãs da moça.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Gooogleooo-gloooo-gloooo



É oficial. Amanhã estou (ainda mais) perua.
E se eu, assim de repente, em vez de vos oferecer flores vos perguntasse o que agradeceriam, responderíeis o quê?

Das delícias de ter uma filha bilingue

Derreti-me quando balbuciou "mamã" pela primeira vez. Até nem sei se disse mesmo "mamã" ou se foram os meus ouvidos, a transbordar de boa vontade e amor que ouviram o mmmmmm e o traduziram para a palavra mais doce de que há registo, mas é possível.
Também lhe achei alguma piada quando há semanas se virou para mim e me chamou mummy. Assim, à britânica, sem o "o" que não sei porquê lhe tira beleza. Não devia, eu sei, o "o" é mais redondo, quiçá mais generoso, mas há qualquer coisa de musical na palavra com "u", e isso mesmo sem atender ao facto de que os lábios se formam em beijo para dizer "u", ora experimentai "uuuuuuuuuu".
Mas graça teve ontem, à mesa do jantar, quando ao repto do pai "give daddy the fork, please" respondeu estoicamente "no, no, fok, no", coisa que eu espero se lhe entranhe na memória e que repita ipsis verbis daqui por uns catorze, quinze anos, aos meninos mais atrevidos.
Ainda não consegui decidir se este episódio teve mais piada do que o que se passou minutos depois, quando o pai lhe disse "sit, M., sit", pedido a que ela, desta feita docemente, aquiesceu, repetindo para que não restassem dúvidas, "shit, Mimi, shit".
Mas, Maria, a tua filha só fala inglês? Não, também diz um "máz, piisze" que é uma delícia, diz "tchau" e pede "chacha, mamã", logo seguido de "cuuuukie, piisze".

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Portugal, o país dos f

Já nem lembro quando foi que aprendi que Portugal é o país dos três f, que escrevo Fátima, fado, e futebol por respeito à Santa, por respeito à música, e finalmente por respeito a mim.
Eu bem sei que vou ser apedrejada já já, ai valha-me Deus que a moça escreveu um sacrilégio com as letras todas, nem ao menos o novo acordo ortográfico, mais parco nas ditas, lhe assiste, mas eu não gosto de futebol. Não gosto, pronto, e tanto se me dá se o Porto joga em casa, se os adeptos do leonino andam mais verdes, ou se o Benfica assegura a entrada nos "oitavos". Assim como assim o meu coração, e por motivos de amor à terra onde está a estrada que me viu partir, está mesmo é com o Oliveirense (UDO, UDO!!!) e o resto são tretas. Mas é facto reconhecido que nem sei a cor do equipamento...
Serei pedante nisto? Não, amigos, eu explico. É que, no momento em que se formam estas apetências mais futebolísticas, creio eu que na infância ou pré-adolescência, o que importa mesmo é que a idade seja tenra e o espírito facilmente impressionáveil, eu era mais tutus (acho que nessa altura ainda não era mais bolachas, mas quem sabe, não me ouvireis jurar a pés juntos), eu era mais sapatilhas de ballet, eu era mais tudo-o-que-não-metesse-bolas (talvez por ver mal e ter sempre de jogar sem óculos, coisa que não ajudava ao meu desempenho e consequente entusiasmo desportivo). Podia ter dado para aí, pois se calhar podia, mas não deu. Eu era já uma nerd em potência com vontade de ser bailarina e médica e talvez hospedeira nas horas vagas (atenção que nada disto impediria qualquer moça de se tornar fã, adepta incondicional, entusiasta da bola, na verdade os astros só se alinharam para me impedir a mim de me converter -- já disse que eu era mais tutus, não disse, então palavras para quê?).
Mas perdoai-me esta falha, às vezes começo um texto com um propósito muito claro e definido, e lá pelo meio uma intenção de ser breve e depois esfuma-se a vontade perante a necessidade de vir perorar sobre mim mesma. Uns dirão que para isso mesmo serve o blog, outros dirão que nem por isso, e outros ainda estão mais virados para a análise do processo químico que ocorre aquando da deglutição das Petazetas (fantástico de observar aquando da tomada por um canídeo, coisa que apenas se me obrigardes a jurar sob compromisso de honra eu assumirei que já fiz, fora isso "ai que horror!").
Custa-me um bocado que nesta altura do campeonato (ai que expressão tão bem aplicada!), em que o terceiro f devia ser de "finanças" ou de "estamos tramados com f de cama", a atenção se vire para o futebol. Reparai neste snip do Diário Económico que retalhei há minutos e vede bem qual é a notícia mais vista naquele momento:


Talvez seja bom a malta distrair-se deva ser o meu consolo.
Entretanto lá voltei ao jornal e muito me aprazeu constatar que a maioria dos leitores estavam a ler as Soluções que o Governo está a preparar para apanhar quem "foge" ao fisco. Talvez como medida de precaução. Ai eu queria tanto ser trabalhadora independente... bolas, mais um aparte destes e foge-me já a clientela toda ao reconhecer que tenho alminha de índole questionável.
Talvez fosse da hora.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Diz-me onde te lêem que eu digo-te que tipo de blog tens

Em conversa com um amigo momentaneamente em São Paulo (o amigo, eu estava sentada no chão mesmo à frente do sofá, descendência do lado esquerdo a não perder pitada da Rua Sésamo), digo-lhe que vá ler o meu blog (se não fizer publicidade a mim própria quem fará, certo?). Quando me responde que não tem tempo, digo-lhe que o leia na casa-de-banho. Ouvi afinal dizer de fonte que julgo ser segura que a tal se presta com inquestionável serventia. Não tinha a sugestão ainda findo o seu caminho da sinapse até à ponta do dedo quando logo outra ideia se atreveu nesta massa que é suposto ser cinzenta mas que eu, até prova em contrário, acredito ser vermelha às bolinhas pretas.
Bolas*, logo agora que eu estava quase quase a sentir os picos comichosos da presunção.

*Aqui en lieu da outra palavra de sentido mais escatológico, acho por bem habituar-me a esta edição do português, não vá a cria fazer como no outro dia.