quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Se tudo o mais falhar: sugestão musical para um dia de greve

Full disclosure: a autora declina quaisquer responsabilidades sobre o equilíbrio emocional de V. Exas. depois ouvir a canção. A própria revela não ter ainda conseguido parar de cantarolar o refrão, para gáudio de sua cria, divertimento de seu amantíssimo esposo, e horror da própria.
"Não tenho nada
Mas tenho tenho tudo
Sou rico em sonhos
e pobre, pobre em ouro
E o que me importa
Pois só por ter dinheiro
Não compro amigos, estrelas
O amor verdadeiro!"
Nada como as pequenas coisas para nos fazer lembrar que "o melhor da vida são os amigos", já o diz a canção. E, já agora, ainda que o dinheiro não compre estrelas, compra a possibilidade de as nomear, seja com um "Estrelinha" para os limitados na imaginação, "Pocoyo" para os sleep deprived pais de crias pequenas, ou "Lyonce" para os fãs da moça.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Gooogleooo-gloooo-gloooo



É oficial. Amanhã estou (ainda mais) perua.
E se eu, assim de repente, em vez de vos oferecer flores vos perguntasse o que agradeceriam, responderíeis o quê?

Das delícias de ter uma filha bilingue

Derreti-me quando balbuciou "mamã" pela primeira vez. Até nem sei se disse mesmo "mamã" ou se foram os meus ouvidos, a transbordar de boa vontade e amor que ouviram o mmmmmm e o traduziram para a palavra mais doce de que há registo, mas é possível.
Também lhe achei alguma piada quando há semanas se virou para mim e me chamou mummy. Assim, à britânica, sem o "o" que não sei porquê lhe tira beleza. Não devia, eu sei, o "o" é mais redondo, quiçá mais generoso, mas há qualquer coisa de musical na palavra com "u", e isso mesmo sem atender ao facto de que os lábios se formam em beijo para dizer "u", ora experimentai "uuuuuuuuuu".
Mas graça teve ontem, à mesa do jantar, quando ao repto do pai "give daddy the fork, please" respondeu estoicamente "no, no, fok, no", coisa que eu espero se lhe entranhe na memória e que repita ipsis verbis daqui por uns catorze, quinze anos, aos meninos mais atrevidos.
Ainda não consegui decidir se este episódio teve mais piada do que o que se passou minutos depois, quando o pai lhe disse "sit, M., sit", pedido a que ela, desta feita docemente, aquiesceu, repetindo para que não restassem dúvidas, "shit, Mimi, shit".
Mas, Maria, a tua filha só fala inglês? Não, também diz um "máz, piisze" que é uma delícia, diz "tchau" e pede "chacha, mamã", logo seguido de "cuuuukie, piisze".

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Portugal, o país dos f

Já nem lembro quando foi que aprendi que Portugal é o país dos três f, que escrevo Fátima, fado, e futebol por respeito à Santa, por respeito à música, e finalmente por respeito a mim.
Eu bem sei que vou ser apedrejada já já, ai valha-me Deus que a moça escreveu um sacrilégio com as letras todas, nem ao menos o novo acordo ortográfico, mais parco nas ditas, lhe assiste, mas eu não gosto de futebol. Não gosto, pronto, e tanto se me dá se o Porto joga em casa, se os adeptos do leonino andam mais verdes, ou se o Benfica assegura a entrada nos "oitavos". Assim como assim o meu coração, e por motivos de amor à terra onde está a estrada que me viu partir, está mesmo é com o Oliveirense (UDO, UDO!!!) e o resto são tretas. Mas é facto reconhecido que nem sei a cor do equipamento...
Serei pedante nisto? Não, amigos, eu explico. É que, no momento em que se formam estas apetências mais futebolísticas, creio eu que na infância ou pré-adolescência, o que importa mesmo é que a idade seja tenra e o espírito facilmente impressionáveil, eu era mais tutus (acho que nessa altura ainda não era mais bolachas, mas quem sabe, não me ouvireis jurar a pés juntos), eu era mais sapatilhas de ballet, eu era mais tudo-o-que-não-metesse-bolas (talvez por ver mal e ter sempre de jogar sem óculos, coisa que não ajudava ao meu desempenho e consequente entusiasmo desportivo). Podia ter dado para aí, pois se calhar podia, mas não deu. Eu era já uma nerd em potência com vontade de ser bailarina e médica e talvez hospedeira nas horas vagas (atenção que nada disto impediria qualquer moça de se tornar fã, adepta incondicional, entusiasta da bola, na verdade os astros só se alinharam para me impedir a mim de me converter -- já disse que eu era mais tutus, não disse, então palavras para quê?).
Mas perdoai-me esta falha, às vezes começo um texto com um propósito muito claro e definido, e lá pelo meio uma intenção de ser breve e depois esfuma-se a vontade perante a necessidade de vir perorar sobre mim mesma. Uns dirão que para isso mesmo serve o blog, outros dirão que nem por isso, e outros ainda estão mais virados para a análise do processo químico que ocorre aquando da deglutição das Petazetas (fantástico de observar aquando da tomada por um canídeo, coisa que apenas se me obrigardes a jurar sob compromisso de honra eu assumirei que já fiz, fora isso "ai que horror!").
Custa-me um bocado que nesta altura do campeonato (ai que expressão tão bem aplicada!), em que o terceiro f devia ser de "finanças" ou de "estamos tramados com f de cama", a atenção se vire para o futebol. Reparai neste snip do Diário Económico que retalhei há minutos e vede bem qual é a notícia mais vista naquele momento:


Talvez seja bom a malta distrair-se deva ser o meu consolo.
Entretanto lá voltei ao jornal e muito me aprazeu constatar que a maioria dos leitores estavam a ler as Soluções que o Governo está a preparar para apanhar quem "foge" ao fisco. Talvez como medida de precaução. Ai eu queria tanto ser trabalhadora independente... bolas, mais um aparte destes e foge-me já a clientela toda ao reconhecer que tenho alminha de índole questionável.
Talvez fosse da hora.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Diz-me onde te lêem que eu digo-te que tipo de blog tens

Em conversa com um amigo momentaneamente em São Paulo (o amigo, eu estava sentada no chão mesmo à frente do sofá, descendência do lado esquerdo a não perder pitada da Rua Sésamo), digo-lhe que vá ler o meu blog (se não fizer publicidade a mim própria quem fará, certo?). Quando me responde que não tem tempo, digo-lhe que o leia na casa-de-banho. Ouvi afinal dizer de fonte que julgo ser segura que a tal se presta com inquestionável serventia. Não tinha a sugestão ainda findo o seu caminho da sinapse até à ponta do dedo quando logo outra ideia se atreveu nesta massa que é suposto ser cinzenta mas que eu, até prova em contrário, acredito ser vermelha às bolinhas pretas.
Bolas*, logo agora que eu estava quase quase a sentir os picos comichosos da presunção.

*Aqui en lieu da outra palavra de sentido mais escatológico, acho por bem habituar-me a esta edição do português, não vá a cria fazer como no outro dia.

Orgulho familiar, continuação [Quadras de D. Emília]

Dado tempo de antena ao Alvarinho, exige-se neste estaminé que alguma atenção seja dada a sua querida e amantíssima esposa, Senhora Dona Emília (sempre achei giríssimo ter duas avós com nomes a rimar, Otília e Emília, coisa só igualada pela ternura da Kate ter os avós, Augusto e Augusta, Zézinho e Zézinha, pode!?).
Senhora Dona Emília, que ela própria faz questão de dizer "do Sacramento" e logo em seguida "olha que sei escrever, queres ver?, só fui à escola um dia!", é dada à quadra popular e, como depreendereis a seguir, à marotice.
Tendo sofrido algumas alterações ao longo dos anos com dada a liberdade criativa e a qualidade da memória da própria, que vai cedendo ao peso da experiência acumulada, a segunda das quadras que hoje trago -- tenho também a Naucatrineta guardadíssima, lembrais-vos -- é, normalmente, acompanhada de um leve passar a mão na zona das marufinhas das meninas (termo usado com a amplitude etária semelhante à da espargata de uma ginasta olímpica).
Quantas vezes eu assisti à minha avó, que passou décadas atrás do balcão da confeitaria a vender (e a comer) bolos, chamar as freguesas (outro termo da minha infância) à frente do balcão e dizer-lhes, em surdina, como se lhes fosse dar uma receita secreta ou um elixir do amor eterno:

Toda a mulher é linda
É linda e um amor
Olha-se para a mulher
E vê-se logo uma flor

Mas cuidado que ela também é fogo
É fogo mesmo
Mas é perfeição
Fica tudo direitinho basta a mulher passar a mão
E dizia esta última frase passando então a mão, bem ao de leve, pelas maminhas das desprevenidas, que se riam da impudência daquela senhora.
Não é uma delícia a senhora minha avó?

P.S. E o pormenor da Nossa Senhora de La-Salette atrás, hum? Mais mimos para kitsch lovers um dia destes, mas só depois da Naucatrineta.

domingo, 20 de novembro de 2011

No teu corpo tens os joelhos, os jolhos, e as jorelhas?

Então é porque vens de Oliveira de Azeméis.

Orgulho familiar, uma definição


Avô Álvaro (Ferreira Tavares) e Tia Zita (que até podia ser de Tiazita mas não é, o Zita vem de Rosa, de Rosita). Os primeiros dez minutos são todinhos deles. E dos bolos. Zamacóis, queijadinhas de cenoura, doce húmido, blá blá blá, pasteis de nata. Os tais que são uma delícia.
Diz o meu avô que ainda trabalha e é verdade (no vídeo também canta, lá pelo minuto 19). Pela altura do Natal, Ano Novo, e Páscoa, aos 85 anos labuta como se tivesse trinta. A amassar bolo rei ou pão-de-ló, está na confeitaria ainda o sol não se levantou e só de lá sai já a maior parte dos portugueses jantou. É uma força da natureza este meu avô. A Zita é, de entre uma dançarina louca, uma pasteleira de mão cheia. É uma tia com as letras todas que felizmente acompanha a sobrinha nas loucuras.


Quem estiver por perto passe lá. Fica em Oliveira de Azeméis, mesmo ao lado da Câmara. Encomendas, desvarios, e pedidos: 256-682-257. A adesão às nets ainda não é grande coisa, por isso não vos remeto para o mail. Tradicionalismos, é que é.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mais lenta, mais fraca, e mais baixa

Ando há dias para escrever sobre este assunto ainda que as frases que vão tomando forma neste caderno inepto que é o meu cérebro sigam caminhos distintos.
Como se em vez de uma estrada ladeada pela montanha à direita e pelo mar à esquerda (Highway 1, sentido sul), de uma beleza que a Helena seria capaz de descrever mas eu só fui capaz de fotografar e nem assim adequadamente, a minha fosse uma autoestrada cinzenta e aborrecida, sem árvores que mudam de cor com os beijos do Outono (como as da Carolina do Norte, ah que delícia conduzir para e das aulas), ou os cactos e decorações que se vêem pelo Arizona, ou mesmo as colinas douradas do centro-oeste da California no Verão.
A minha estrada seria menos bem redigida, eu aceito despudoradamente, mas também diria (ainda que talvez com maiúsculas no início das frases) que...
cada vez mais acho que a amizade segue as mesmas, mesmíssimas leis do amor, até na paixão e no desencanto, na prova de fogo das traições e das grandes zangas. no fundo, talvez tudo se resuma sempre a algo que não podemos concretizar em razões e motivos claros, ou sequer compreensíveis. amamos os nossos amigos com volúpia e arrebatamento, com suavidade e desvelo, com a urgência que advém de sabermos que sem eles somos menos, menos felizes, menos completos, menos fortes, menos capazes. mas às vezes, como no amor, exactamente como no amor, alguma coisa se parte, se quebra, se estraga, e já não são o quase tudo que eram para nós. e recolheremos evidências desse novo estado com a mesma perseverança e naturalidade com que antes amealhávamos as da consanguinidade. e olhá-los-emos nos olhos com a distância directamente proporcional ao tanto que nos foram, experimentando como o gume de aço, até cortar, essa frieza imperial. e pensaremos: era de ti que eu gostava tanto? era a tua voz que queria ouvir todos os dias, era a ti que queria contar tudo, era a tua opinião que eu procurava sempre? eras tu o meu irmão?
O resto não copio porque não concordo. Perder um amigo deixa-nos mais lentos, mais fracos, e mais baixos, não o oposto. Qual é a alma amputada que se sente perfeita?
Obrigada, Helena, pelo link. Sim Senhora General!
E, porque hoje estou assumidamente (mais) piegas, obrigada amigos blogosféricos. Gosto de vós. Sabíeis?

Da paixão ou da falta dela

Desenganai-vos amigos se por cá vindes na expectativa de ler alguma coisa melíflua, prosa romanceada, quiçá mesmo poesia. Não, o que hoje cá me traz é outra coisa.
A minha avó costuma dizer-se apaixonada. Tem noventa e três anos, quase noventa e quatro, que fará em Janeiro. Tendo perdido o marido e um filho, em 2007 e 2011, respectivamente, costuma dizer-se apaixonada, ou vivendo uma paixão muito grande. Nem mesmo olhando para a tristeza no fundo daqueles olhos azuis consigo entender tanto sofrimento (e ainda bem). Paixão é, para a D. Otília, sinónimo de martírio, dor, e confesso que nela nunca lhe conheci outro. Aprumada e arranjanda (na falta de pêlo na sobrancelha sempre houve um lápis certeiro, mesmo que às ditas por vezes faltasse alguma simetria, desde o arco até à distância do olho, não era defeito, era feitio).
Mas a esta interpretação de paixão opõe-se uma outra, a outra, em que tudo é efervescência, e até a brisa nos pêlos dos braços cria frémitos de prazer (adoro a palavra frémito, lembro-me de a ler ainda em teenager e, mesmo sem saber o que se significava, senti-la espasmodicamente boa). Estar-se apaixonado é sentir que há vida em nós, apalpar cada minuto, cada segundo, como se o tic-tac vibrasse bem cá dentro (pelo menos para mim).
E de estremecimentos chego à generalização que achei por bem aqui vir dividir em vossa sempre tão aprazível companhia. Acho o povo português pouco apaixonado, pouco dado ao tal do frémito. Mesmo que gesticulemos (ou quase) como os italianos e falemos em voz alta e todos ao mesmo tempo (na minha família é assim), falta-nos sangue na guelra, falta-nos portanto paixão:

(daqui)

Nada à propos deixai-me contar-vos de uma discussão completamente idiota que tive no outro dia, num shopping em São João da Madeira. Ia com a minha tia quando encontrámos uns amigos dela. Vinham o pai, a mãe, e as duas filhas, uma delas, a mais velha, de vinte e dois ou vinte e quatro anos, não me lembro bem. Depois dos cumprimentos da praxe e das perguntas entediantes cuja resposta não me interessava, dou pela pela mais velha a dizer que odiava Lisboa. Estava a trabalhar lá há duas semanas e dizia, com furor e brilhozinho nos olhos, ser impossível gostar da cidade. Apeteceu-me estrafegá-la logo ali. Em vez disso disse-lhe ser ainda muito novita (talvez não a melhor forma de abrir as hostes) e dever dar hipótese de se apaixonar pela Lisboa dos fados, das vielas, do rio, e daquela luz que não há mais lado nenhum. Cruzou os braços, teimou que não, jurou a pés juntos ser impossível. Andei doente uns dias com esta conversa e ainda hoje me custa pensar em semelhante provincianismo. Negava-se assim uma miúda a apaixonar-se por um sítio, que podia ser Lisboa ou Barcelos, não importa. Talvez me devesse bastar o seu ódio visceral, mas não. A pequenez de espírito incomoda-me sempre.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tenho estas coisas todas à volta na minha cabeça*

Amigos, continuo na senda de vos divertir.
Desta feita com uma nesguinha de política norte americana, que se tem vindo a debruçar sobre, entre outras questiúnculas de carácter menos profundo, as mui antecipadas eleições do "leader of the free world" que ocorrerão, se o Apocalipse não se antecipar, em Novembro de 2012 (ou serão o Apocalipse -- perdoai-me, não percebo muito de religião).
Sem querer tomar demasiado do vosso tempo, que sei ser precioso, e nem demasiado da vossa boa vontade, particularmente no que diz respeito a assuntos tão peludos como são os políticos (ai eu aqui a rebolar com a chalaça... perdoai-me os incautos, eu gosto do adjectivo peludo para descrever substantivos pouco dados ao assunto, quiçá mesmo alguns sofredores de alopécia, mais ou menos precoce, ou fãs incondicionais da luz pulsada, está mais ao menos a par do delicioso, que de repente descubro neste curto circuito que é o meu cérebro serem antónimos -- acho que também não percebo muito de Português).
Desta feita trago-vos um cheirinho do candidato presidencial republicano Herman Cain, nascido em 1945 em Memphis, no Tennessee, sitio muito mau para se nascer se por acaso de dava a má sorte de ter a cor errada (estávamos, afinal, ainda a dezoito anos do célebre discurso "I have a dream", pelo que muita segregação havia pelos EUA, principalmente no Sul).
Nascido no sítio certo na hora errada ou no sítio errado à hora certa, filho de uma doméstica e trabalhadora nas limpezas e de um barbeiro/contínuo/empregado de limpezas/chauffeur do presidente da Coca-Cola que cresceu numa quinta, diz Cain que teve uma infância "poor" mas "happy" (na Wiki também estava entre aspas).
Entre vocalista de gospel, analista de balística e de sistemas, e gestor de 400 lojas do Burger King, Cain foi o impulsionador de uma campanha muito do meu agrado que foi a do "BEAMER", que ensinou os empregados das lojas a fazer sorrir os clientes sorrindo eles próprios (há tão pouca gente sorridente neste mundo, pá!).
Depois de ainda passar pela Associação de Restauração Nacional e constar da board of directors do, entre outros, Reader's Digest, Cain decidiu abraçar a política com os dois braços ainda que pareça fazê-la com os pés:


Mais tarde conversamos sobre o Rick Perry. Ooops, a menos que eu tenha um lapso de memória (se não vos estais já a rir fica aqui a promessa de outra gargalhada).
Ah, EUA, obrigada pela constante oferta de patetices.

*Do discurso, "got all this stuff twirling around in my head" do Herman Cain,

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A pizza é um vegetal

Amigos, em primeiro lugar fechai a boca e substituí esse ar de espanto por outro de curiosidade, que vos assenta bem melhor e dá a vossos semblantes um ar menos chocado, que está já démodé de tanto que se vê pelas ruas.
Comecemos então pelo princípio, que é por onde tudo deve começar, ordeira e clamarente, pois que de argumentos turvos andamos todos saturados. Até à ponta dos cabelos ou até à medula, como melhor vos aprouver. Também podem ser as duas, que eu cá não me quero imiscuir na gestão da vossa saciedade, sem dúvida sabeis o que é melhor para vossas mercês.
Deixando de lado a massa da pizza, atentemos aos pormenores que transformam o acepipe numa pizza aux champignon, numa havaiana, ou na versão que é a preferida cá em casa, numa cowboy. Atentemos pois aos ingredientes que levam em cima.
Mas, e pedindo-vos todavia alguma calma no andor, e até alguma paciência para com esta com vossa amiga, que tomou há pouco o pequeno-almoço e por isso não sente ainda quaisquer vestígios de fome (mas dai-me aí uns dez minutos), chamo a vossa atenção para o ingrediente habitual e habitualmente ignorado aquando da decisão de qual escolher (na dúvida, havaiana ou cowboy, dependendo do frio que faz lá fora): o molho de tomate.
Concordais que o tomate é da família das plantas? Concordais que, de certo modo, a fruta deve fazer parte da fatia, não da pizza!, mas da roda alimentar? Ora então ignorando o piqueno detalhe de o tomate ser na verdade um fruto e não exactamente um vegetal, e assumindo que sendo primo é já motivo bastante para que lhe leve com o nome, ficai então sabendo que, empregando aquela propriedade mágica que é a transitividade, e agora devagar para não doer muito:
Se o tomate é um vegetal (não é, não é, é um fruto, mas adiante)
E se a pizza tem tomate (não tem, não tem, é molho de tomate!!!),
Então a pizza é um vegetal (WTF!?!)
Se achais esta perpectiva absurda, dizer-vos-ei que não é minha, pois que até sei que o tomate é um fruto. Esta é, todavia, a perpectiva do Congresso norte americano.
Ainda que a ideia completamente idiota de classificar o molho de tomate (ketchup) como vegetal em vez de condimento tenha sido ridicularizada na primeira vez que apareceu, durante os longínquos anos oitenta, a verdade é que a alimentação subsidiada nas escolas públicas americanas reflecte a perspectiva de que na verdade a pizza é um vegetal e pode (e deve) ser servida regularmente nas cantinas, ou não devessem as crianças ter a liberdade de escolher o que devem almoçar (perdão, WTF?).
Apesar de vários esforços da administração Obama no sentido de tornar os almoços nas escolas públicas mais saudáveis, e o mais saudáveis quer dizer limitando a quantidade de batatas e de sódio na alimentação dos putos, o Congresso vem imediatamente dizer que não, que isso encarece os já tão emagrecidos orçamentos escolares (olha, não é só em Portugal!), que isso é uma trabalheira para a gestão escolar dada a burocracia implicada e, o meu preferido, é uma violação da liberdade de escolha das criancinhas, coitadinhas, que devem poder comer batatas fritas e pizza todos os dias ao almoço se bem lhes aprouver.
Quem diria, o capitão no Wall-E tinha razão:
Earth is amazing! These are called "farms". Humans would put seeds in the ground, pour water on them, and they grow food - like, pizza! 
Estamos perdidos...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

É oficial, somos mesmo maus pais

Hoje, por descuido, o senhor bolacha deu à mini bolacha um pedaço de tortilla com molho picante. Só um nadinha. A rapariga, mal deu uma trinca, parecia um daqueles desenhos animados que deita fogo pelos olhos e põe a língua de fora num esgar "arghhhhhhhhhhh", só lhe faltando, literalmente, o tal do fogo.
Em vez de nos sentirmos mal por ela, rimo-nos. Ambos. Um com o outro. Dela. Pobrezinha. Até para se ter pais compassivos é preciso ter sorte na rifa.

Olha, são boas notícias!

E não, não vou pensar no que escondem as médias e nem mais nada. Vou ficar-me pelas boas novas, que quase lhes perdi o jeito.

domingo, 13 de novembro de 2011

Dos fins de semana na blogosfera

Há-os mais parados.
Há-os mais solitários.
Há-os mais vazios.
E depois há os outros, os mais felizes, os mais recheados, os mais melhores. Como este, em que regressou a Doutora Muxy-muxy, ainda por cima com brinde. Já estou como a colega (da Doutora, não minha), valeu a pena a espera. Ah se valeu (e o que eu gosto de um baby blog!).